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    Reforma da Previdência (versão 2016.2)

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    Reforma da Previdência (versão 2016.2) - Página 13 Empty Re: Reforma da Previdência (versão 2016.2)

    Mensagem por marco trt8 em Qui 19 Out 2017, 11:34 am

    olá amigos, uma dúvida: se for editada e publicada ainda neste mês de outubro, a medida provisória proposta pelo governo, a majoração da contribuição previdenciária desde logo será cobrada da remuneração dos servidores? ou deverá respeitar o prazo nonagesimal (90 dias) para a referida cobrança?
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    Reforma da Previdência (versão 2016.2) - Página 13 Empty Re: Reforma da Previdência (versão 2016.2)

    Mensagem por Sniper em Qui 19 Out 2017, 12:07 pm

    marco trt8 escreveu:olá amigos, uma dúvida: se for editada e publicada ainda neste mês de outubro, a medida provisória proposta pelo governo, a majoração da contribuição previdenciária desde logo será cobrada da remuneração dos servidores? ou deverá respeitar o prazo nonagesimal (90 dias) para a referida cobrança?

    Deverá observar o prazo de 90 dias.
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    Reforma da Previdência (versão 2016.2) - Página 13 Empty Re: Reforma da Previdência (versão 2016.2)

    Mensagem por ale1969 em Sex 20 Out 2017, 2:37 pm

    Segundo publicações da "Grande Mídia Golpista" a Reforma da Previdência é a "bola da Vez" no Congresso Nacional, após o projeto de salvação do Vampirão.
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    Mensagem por servidor.tre em Sex 20 Out 2017, 6:26 pm

    Alguém pode me ajudar a calcular o estrago no meu orçamento?

    Hoje descontamos 11% do bruto, certo?

    Vai descontar, a partir de fevereiro, 14% do bruto? Ou 11% até o teto do INSS e 14% do que passar?
    Alguém sabe?
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    Mensagem por Protocol em Sex 20 Out 2017, 6:28 pm

    servidor.tre escreveu:Alguém pode me ajudar a calcular o estrago no meu orçamento?

    Hoje descontamos 11% do bruto, certo?

    Vai descontar, a partir de fevereiro, 14% do bruto? Ou 11% até o teto do INSS e 14% do que passar?
    Alguém sabe?

    Colega, temos de aguardar a Medida Provisória. O que existe hoje é especulação. Ninguém, além do Governo, sabe exatamente como vai ser.

    A dica é calcular das duas formas e aguardar.
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    Reforma da Previdência (versão 2016.2) - Página 13 Empty Re: Reforma da Previdência (versão 2016.2)

    Mensagem por josebarbos em Sex 20 Out 2017, 8:17 pm

    servidor.tre escreveu:Alguém pode me ajudar a calcular o estrago no meu orçamento?

    Hoje descontamos 11% do bruto, certo?

    Vai descontar, a partir de fevereiro, 14% do bruto? Ou 11% até o teto do INSS e 14% do que passar?
    Alguém sabe?

    2,2% do seu salário bruto
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    Reforma da Previdência (versão 2016.2) - Página 13 Empty Re: Reforma da Previdência (versão 2016.2)

    Mensagem por eder.lima em Sex 20 Out 2017, 9:41 pm

    Sou totalmente leigo nesse assunto, embora esteja tentando aprender o máximo que puder, por isso pergunto aos entendidos: confirmando-se esse aumento na alíquota da contribuição previdenciária em que isso afetará aos que optaram pelo FUNPRESP?
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    Reforma da Previdência (versão 2016.2) - Página 13 Empty Re: Reforma da Previdência (versão 2016.2)

    Mensagem por servidor.tre em Sab 21 Out 2017, 3:42 pm

    josebarbos escreveu:
    servidor.tre escreveu:Alguém pode me ajudar a calcular o estrago no meu orçamento?

    Hoje descontamos 11% do bruto, certo?

    Vai descontar, a partir de fevereiro, 14% do bruto? Ou 11% até o teto do INSS e 14% do que passar?
    Alguém sabe?

    2,2% do seu salário bruto

    Não entendi, Josebarbos.
    pode explicar?
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    Reforma da Previdência (versão 2016.2) - Página 13 Empty Re: Reforma da Previdência (versão 2016.2)

    Mensagem por ale1969 em Seg 23 Out 2017, 2:32 pm

    Isso é para quem bateu panela, lambeu o pato da FIESP e votou no Aécio.

    Início » Crise brasileira » Relatório de CPI do Senado diz que Previdência Social não tem déficit
    Relatório de CPI do Senado diz que Previdência Social não tem déficit
    por Agência Brasil | 23/10/2017 13:36
    CATEGORIA(s): Crise brasileira, Notícias, Outros destaques, Previdência

    Agência Senado

    O senador Hélio José é o relator da comissão


    O relator da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Previdência, senador Hélio José (PROS-DF), apresentou nesta segunda-feira (23) o relatório final dos trabalhos ao colegiado, com a conclusão de que a Previdência Social não é deficitária, mas, sim, alvo de má gestão.

    Segundo o senador, “está havendo manipulação de dados por parte do governo para que seja aprovada a reforma da Previdência”. Ele acrescentou que “quando o assunto é Previdência, há uma série de cálculos forçados e irreais”.

    Em 253 páginas, o relatório destaca que o “maior e mais grave problema da Previdência Social vem da vulnerabilidade e da fragilidade das fontes de custeio do sistema de seguridade social”. No documento, o relator destaca que, “antes de falar em déficit, é preciso corrigir distorções”.

    Outro trecho do documento ressalta que “a lei, ao invés de premiar o bom contribuinte, premia a sonegação e até a apropriação indébita, com programas de parcelamento de dívidas (Refis), que qualquer cidadão endividado desse país gostaria de poder acessar.

    Proposta

    Ao contrário da maioria das CPIs, que, segundo Hélio José, ao final costumam pedir o indiciamento de pessoas, desta vez, o relatório é apenas propositivo. Nesse sentido, sugere dois projetos de lei (PLS) e três propostas de emenda constitucional (PECs). Uma delas proíbe a aplicação da Desvinculação de Receitas da União às receitas da seguridade social.

    Votação

    Após um pedido de vista coletiva – mais tempo para analisar o parecer – o relatório precisa ser votado até o dia 6 de novembro, quando termina o prazo de funcionamento da comissão. Antes da votação final os membros da CPI podem sugerir mudanças no documento.

    Histórico

    Instalada no fim de abril , em pouco mais de seis meses, a CPI realizou 26 audiências públicas e ouviu mais de 140 pessoas entre representantes de órgãos governamentais, sindicatos, associações, empresas, além de membros do Ministério Público e da Justiça do Trabalho, deputados, auditores, especialistas e professores. A comissão é presidida pelo senador Paulo Paim (PT-RS), e é formada por seis senadores titulares e cinco suplentes.

    A Agência Brasil procurou a Secretaria de da Previdência, que até o momento não se manifestou sobre o relatório da CPI.
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    Mensagem por tre-rj em Seg 23 Out 2017, 3:22 pm

    Recordar é viver:

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    Dilma diz que país terá que 'encarar' uma reforma da Previdência Social
    Presidente recebeu jornalistas para café da manhã no Palácio do Planalto.
    Ela também admitiu que governo cometeu 'erros' na gestão da economia.

    07/01/2016 11h33 - Atualizado em 07/01/2016 22h54
    Dilma diz que país terá que 'encarar' uma reforma da Previdência Social
    Presidente recebeu jornalistas para café da manhã no Palácio do Planalto.
    Ela também admitiu que governo cometeu 'erros' na gestão da economia.

    Roniara Castilhos e Filipe MatosoDa TV Globo e do G1, em Brasília
    Facebook

    A presidente Dilma Rousseff afirmou nesta quinta-feira (7), em um café da manhã com jornalistas no Palácio do Planalto, que o país vai ter que "encarar" uma reforma da Previdência Social.

    Sem detalhar as medidas que pretende propor para modificar o sistema previdenciário, Dilma sinalizou que pode sugerir uma idade mínima para aposentadoria.

    A presidente destacou aos jornalistas que há várias maneiras de se promover uma reforma previdenciária, entre as quais a fixação da idade mínima para aposentadoria e também a definição de novas regras que consideram idade e tempo de contribuição.

    A presidente disse que, atualmente, os brasileiros estão envelhecendo mais e, por isso, "não é possível" que a idade média de aposentadoria no país seja de 55 anos.


    Expectativa de vida
    Ela observou que, nos últimos anos, a expectativa de vida da população brasileira aumentou em torno de 4,6 anos. Dilma ponderou que, nesse ritmo, no futuro não haverá trabalhadores em número suficiente para sustentar a Previdência Social.

    O Brasil é um dos poucos países do mundo que não exigem uma idade mínima para a aposentadoria. De acordo com a presidente, todos os países desenvolvidos buscaram nas últimas décadas aumentar a idade mínima.

    "Nós estamos envelhecendo mais e morrendo menos. Nossa expectativa de vida nos últimos anos aumentou talvez de forma bastante significativa, em torno de 4,6 anos. Isso implica que é muito difícil você equacionar um problema. Não é possível que a idade média de aposentadoria no Brasil seja de 55 anos. Para as mulheres, um pouco menos", declarou.

    "O Brasil vai ter que encarar a questão da Previdência. Você tem várias formas para encarar a questão da Previdência. Os países desenvolvidos, e não falo os emergentes, que os grandes emergentes não têm nem assim nenhuma política clara de aposentadoria comparável com a nossa, mas todos eles buscaram aumentar a idade de acesso, a idade mínima para acessar a aposentadoria. Tem esse caminho.", acrescentou.
    O Brasil vai ter de encarar a questão da Previdência [...]. Os países desenvolvidos, e não falo os emergentes, que os grandes emergentes não têm nem assim nenhuma política clara de aposentadoria comparável com a nossa, mas todos eles buscaram aumentar a idade de acesso, a idade mínima para acessar a aposentadoria"
    Dilma Rousseff, presidente

    Nova regra
    A norma em vigor para aposentadoria no Brasil, sancionada por Dilma em novembro de 2015, varia progressivamente de acordo com a expectativa de vida da população.

    A chamada regra 85/95 progressiva definiu uma pontuação mínima para homens e mulheres, a cada dois anos, para receber 100% do benefício de aposentadoria.

    Nesta quinta, Dilma também mencionou a possibilidade de o país estabelecer uma nova regra que misture idade com tempo de contribuição, a exemplo do 85/95 progressivo. "Tem um outro caminho também, que é o 85/95 móvel, progressivo, que resultará na mesma convergência."

    Internamente, integrantes do governo avaliam a reforma da Previdência Social como uma medida urgente para sanear as contas públicas. No entanto, a proposta sofre resistência tanto do PT quanto das centrais sindicais, um dos principais segmentos de apoio ao governo Dilma.

    Direitos
    Prevendo as dificuldades que enfrentará para promover mudanças na Previdência Social, a presidente advertiu que eventuais mudanças nas regras de aposentadoria não irão retirar direitos adquiridos.

    "Não se pode achar que [com a reforma na previdência] se afeta direitos adquiridos. A estabilidade, a segurança jurídica consiste em você garantir que as coisas nunca afetem daqui para trás, mas daqui para frente. No caso da previdência, além disso tem um outro problema. Que nós vamos ter de encarar com  muita seriedade e tranquilidade, que é problema do tempo de  transição. Ninguém vai fazer um programa  desses [...] sem que você considere que o período de transição", destacou a presidente.

    Dilma prometeu ainda que as alterações previdenciárias serão debatidas antecipadamente com a sociedade. Segundo ela, o governo pretende discutir o assunto com um fórum de representantes de trabalhadores, empresários, parlamentares e membros do Executivo federal.
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    Mensagem por OJAF RJ em Seg 23 Out 2017, 5:45 pm

    ale1969 escreveu:Isso é para quem bateu panela, lambeu o pato da FIESP e votou no Aécio.

    Início » Crise brasileira » Relatório de CPI do Senado diz que Previdência Social não tem déficit
    Relatório de CPI do Senado diz que Previdência Social não tem déficit
    por Agência Brasil | 23/10/2017 13:36
    CATEGORIA(s): Crise brasileira, Notícias, Outros destaques, Previdência

    Agência Senado

    O senador Hélio José é o relator da comissão


    O relator da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Previdência, senador Hélio José (PROS-DF), apresentou nesta segunda-feira (23) o relatório final dos trabalhos ao colegiado, com a conclusão de que a Previdência Social não é deficitária, mas, sim, alvo de má gestão.

    Segundo o senador, “está havendo manipulação de dados por parte do governo para que seja aprovada a reforma da Previdência”. Ele acrescentou que “quando o assunto é Previdência, há uma série de cálculos forçados e irreais”.

    Em 253 páginas, o relatório destaca que o “maior e mais grave problema da Previdência Social vem da vulnerabilidade e da fragilidade das fontes de custeio do sistema de seguridade social”. No documento, o relator destaca que, “antes de falar em déficit, é preciso corrigir distorções”.

    Outro trecho do documento ressalta que “a lei, ao invés de premiar o bom contribuinte, premia a sonegação e até a apropriação indébita, com programas de parcelamento de dívidas (Refis), que qualquer cidadão endividado desse país gostaria de poder acessar.

    Proposta

    Ao contrário da maioria das CPIs, que, segundo Hélio José, ao final costumam pedir o indiciamento de pessoas, desta vez, o relatório é apenas propositivo. Nesse sentido, sugere dois projetos de lei (PLS) e três propostas de emenda constitucional (PECs). Uma delas proíbe a aplicação da Desvinculação de Receitas da União às receitas da seguridade social.

    Votação

    Após um pedido de vista coletiva – mais tempo para analisar o parecer – o relatório precisa ser votado até o dia 6 de novembro, quando termina o prazo de funcionamento da comissão. Antes da votação final os membros da CPI podem sugerir mudanças no documento.

    Histórico

    Instalada no fim de abril , em pouco mais de seis meses, a CPI realizou 26 audiências públicas e ouviu mais de 140 pessoas entre representantes de órgãos governamentais, sindicatos, associações, empresas, além de membros do Ministério Público e da Justiça do Trabalho, deputados, auditores, especialistas e professores. A comissão é presidida pelo senador Paulo Paim (PT-RS), e é formada por seis senadores titulares e cinco suplentes.

    A Agência Brasil procurou a Secretaria de da Previdência, que até o momento não se manifestou sobre o relatório da CPI.

    É tanta desonestidade intelectual que não dá nem para levar a sério. A conclusão então é "genial", "acabar com a DRU", mas não explica que o valor retirado do orçamento da Seguridade Social é devolvido todo ano pelo Orçamento Fiscal, que ainda tem que colocar por fora mais 180 bilhões para cobrir a diferença do déficit. Pior ainda, não explicam que o maior problema da previdência não é o déficit financeiro, e sim o déficit atuarial, em decorrência do acelerado envelhecimento populacional nos próximos 40 anos e da diminuição da taxa de natalidade, o que num sistema de repartição simples é explosivo e insustentável, caso não sejam tomadas medidas para endurecer as regras. Nem uma virgula sobre o fato de o Brasil já gastar 13% do PIB com benefícios previdenciários, mais do que Alemanha e Japão, países envelhecidos, mas com uma população ainda jovem. Ninguém com um mínimo de estudo sobre o sistema previdenciário no Brasil e no Mundo pode dar qualquer credibilidade a esse relatório, ainda mais vindo de quem vem, Helio Jose e Paulo Paim.
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    Mensagem por OJAF RJ em Seg 23 Out 2017, 5:51 pm

    tre-rj escreveu:Recordar é viver:

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    Dilma diz que país terá que 'encarar' uma reforma da Previdência Social
    Presidente recebeu jornalistas para café da manhã no Palácio do Planalto.
    Ela também admitiu que governo cometeu 'erros' na gestão da economia.

    07/01/2016 11h33 - Atualizado em 07/01/2016 22h54
    Dilma diz que país terá que 'encarar' uma reforma da Previdência Social
    Presidente recebeu jornalistas para café da manhã no Palácio do Planalto.
    Ela também admitiu que governo cometeu 'erros' na gestão da economia.

    Roniara Castilhos e Filipe MatosoDa TV Globo e do G1, em Brasília
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    A presidente Dilma Rousseff afirmou nesta quinta-feira (7), em um café da manhã com jornalistas no Palácio do Planalto, que o país vai ter que "encarar" uma reforma da Previdência Social.

    Sem detalhar as medidas que pretende propor para modificar o sistema previdenciário, Dilma sinalizou que pode sugerir uma idade mínima para aposentadoria.

    A presidente destacou aos jornalistas que há várias maneiras de se promover uma reforma previdenciária, entre as quais a fixação da idade mínima para aposentadoria e também a definição de novas regras que consideram idade e tempo de contribuição.

    A presidente disse que, atualmente, os brasileiros estão envelhecendo mais e, por isso, "não é possível" que a idade média de aposentadoria no país seja de 55 anos.


    Expectativa de vida
    Ela observou que, nos últimos anos, a expectativa de vida da população brasileira aumentou em torno de 4,6 anos. Dilma ponderou que, nesse ritmo, no futuro não haverá trabalhadores em número suficiente para sustentar a Previdência Social.

    O Brasil é um dos poucos países do mundo que não exigem uma idade mínima para a aposentadoria. De acordo com a presidente, todos os países desenvolvidos buscaram nas últimas décadas aumentar a idade mínima.

    "Nós estamos envelhecendo mais e morrendo menos. Nossa expectativa de vida nos últimos anos aumentou talvez de forma bastante significativa, em torno de 4,6 anos. Isso implica que é muito difícil você equacionar um problema. Não é possível que a idade média de aposentadoria no Brasil seja de 55 anos. Para as mulheres, um pouco menos", declarou.

    "O Brasil vai ter que encarar a questão da Previdência. Você tem várias formas para encarar a questão da Previdência. Os países desenvolvidos, e não falo os emergentes, que os grandes emergentes não têm nem assim nenhuma política clara de aposentadoria comparável com a nossa, mas todos eles buscaram aumentar a idade de acesso, a idade mínima para acessar a aposentadoria. Tem esse caminho.", acrescentou.
    O Brasil vai ter de encarar a questão da Previdência [...]. Os países desenvolvidos, e não falo os emergentes, que os grandes emergentes não têm nem assim nenhuma política clara de aposentadoria comparável com a nossa, mas todos eles buscaram aumentar a idade de acesso, a idade mínima para acessar a aposentadoria"
    Dilma Rousseff, presidente

    Nova regra
    A norma em vigor para aposentadoria no Brasil, sancionada por Dilma em novembro de 2015, varia progressivamente de acordo com a expectativa de vida da população.

    A chamada regra 85/95 progressiva definiu uma pontuação mínima para homens e mulheres, a cada dois anos, para receber 100% do benefício de aposentadoria.

    Nesta quinta, Dilma também mencionou a possibilidade de o país estabelecer uma nova regra que misture idade com tempo de contribuição, a exemplo do 85/95 progressivo. "Tem um outro caminho também, que é o 85/95 móvel, progressivo, que resultará na mesma convergência."

    Internamente, integrantes do governo avaliam a reforma da Previdência Social como uma medida urgente para sanear as contas públicas. No entanto, a proposta sofre resistência tanto do PT quanto das centrais sindicais, um dos principais segmentos de apoio ao governo Dilma.

    Direitos
    Prevendo as dificuldades que enfrentará para promover mudanças na Previdência Social, a presidente advertiu que eventuais mudanças nas regras de aposentadoria não irão retirar direitos adquiridos.

    "Não se pode achar que [com a reforma na previdência] se afeta direitos adquiridos. A estabilidade, a segurança jurídica consiste em você garantir que as coisas nunca afetem daqui para trás, mas daqui para frente. No caso da previdência, além disso tem um outro problema. Que nós vamos ter de encarar com  muita seriedade e tranquilidade, que é problema do tempo de  transição. Ninguém vai fazer um programa  desses [...] sem que você considere que o período de transição", destacou a presidente.

    Dilma prometeu ainda que as alterações previdenciárias serão debatidas antecipadamente com a sociedade. Segundo ela, o governo pretende discutir o assunto com um fórum de representantes de trabalhadores, empresários, parlamentares e membros do Executivo federal.

    Não tem como, qualquer que seja o governante, independente da matriz ideológica, fugir da Reforma da Previdência. Ela já consome 57% do orçamento, e todo ano o gasto sobe bem acima da inflação. Só há três caminhos: reforma, aumento abrupto da carga tributária ou hiperinflação.
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    Mensagem por androsvilazza em Seg 23 Out 2017, 11:22 pm

    Não vamos desmerecer o relatório:
    1. Hélio José e Paulo Paim não são a favor de mais Estado na economia;
    2. PROS e PT não fazem parte da coligação que elegeu Dilma Rousseff, que aliás nunca defendeu qualquer reforma previdenciária, e não tem qualquer responsabilidade sobre a atual crise fiscal;
    3. PROS e PT, diga-se de passagem, não são parte da oposição ao atual governo; de fato, nunca fizeram oposição meramente por oposição, portanto não seriam capazes de encomendar às suas assessorias um relatório enviesado;
    4. RS e DF, Estados representados pelos digníssimos senadores, são exemplos de gestão: têm suas contas em dia, e suas respectivas previdências não sofrem qualquer risco de insolvência; portanto, as referidas excelências têm autoridade indiscutível para propor soluções à Previdência nacional;
    5. As soluções propostas são de fácil e imediata aplicação, e certamente resolverão o problema-que-não-existe na previdência: basta observar que tais soluções eram diuturna e noturnamente implementadas pelo governo anterior, de cuja base os nobres parlamentares não fizeram, ou fizeram, parte.
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    Mensagem por androsvilazza em Seg 23 Out 2017, 11:40 pm

    Cumpre ressaltar que relatórios apresentados em comissões parlamentares são estritamente técnicos, não Sr dobrando a (in) conveniências políticas. Por exemplo, não tivemos, recentemente, dois relatórios apresentados -e aprovados- em comissões, livrando o presidente de processo no STF, até o final de seu mandato. Isso sim seria ruim, um relatório puramente político, sem compromisso com a realidade...
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    Mensagem por jornalista em Ter 24 Out 2017, 7:10 am

    androsvilazza escreveu:Não vamos desmerecer o relatório:
    1. Hélio José e Paulo Paim não são a favor de mais Estado na economia;
    2. PROS e PT não fazem parte da coligação que elegeu Dilma Rousseff, que aliás nunca defendeu qualquer reforma previdenciária, e não tem qualquer responsabilidade sobre a atual crise fiscal;
    3. PROS e PT, diga-se de passagem, não são parte da oposição ao atual governo; de fato, nunca fizeram oposição meramente por oposição, portanto não seriam capazes de encomendar às suas assessorias um relatório enviesado;
    4. RS e DF, Estados representados pelos digníssimos senadores, são exemplos de gestão: têm suas contas em dia, e suas respectivas previdências não sofrem qualquer risco de insolvência; portanto, as referidas excelências têm autoridade indiscutível para propor soluções à Previdência nacional;
    5. As soluções propostas são de fácil e imediata aplicação, e certamente resolverão o problema-que-não-existe na previdência: basta observar que tais soluções eram diuturna e noturnamente implementadas pelo governo anterior, de cuja base os nobres parlamentares não fizeram, ou fizeram, parte.
    Kkkkkkkkkkkkkkkk.
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    Reforma da Previdência (versão 2016.2) - Página 13 Empty Re: Reforma da Previdência (versão 2016.2)

    Mensagem por ale1969 em Ter 24 Out 2017, 10:52 am

    Toda alteração é válida para aquele que começar agora a contribuir. Por exemplo uma regra de aposentadoria aos 65 anos de idade que garanta um valor mínimo de 2 SM, sendo que caso queira maior benefício aplicação em previdência complementar como desejam os banqueiros. O que não pode é exigir de um trabalhador que começou a trabalhar com 15/16 anos de idade 50/49 anos de contribuição. Qualquer regra de transição deve levar em conta a idade e o tempo de serviço, caso contrário, há privilégio para aqueles que iniciaram tardiamente o labor, que via de regra são os mais ricos(filhos de papai) que estudaram(faculdade, mestrado, doutorado) e aos 25/26 anos trabalhar. Quem defende essa reforma não conhece a realidade social do Brasil. Lamentável que alguns de nossa categoria defendam essa injustiça.
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    Mensagem por tre-rj em Ter 24 Out 2017, 11:39 am

    Com a reforma do Lula em 2003, eu, que já estava trabalhando e contribuindo, ganhei um pedágio de 7 anos de trabalho e o que me espanta é vir colega aqui defender PT, que aliás, em meus 28 anos de serviço público, foram justamente no governo petista, os anos em que tive meu salário congelado. É ou não é para bater panelas?

    ale1969 escreveu:Toda alteração é válida para aquele que começar agora a contribuir. Por exemplo uma regra de aposentadoria aos 65 anos de idade que garanta um valor mínimo de 2 SM, sendo que caso queira maior benefício aplicação em previdência complementar como desejam os banqueiros. O que não pode é exigir de um trabalhador que começou a trabalhar com 15/16 anos de idade 50/49 anos de contribuição. Qualquer regra de transição deve levar em conta a idade e o tempo de serviço, caso contrário, há privilégio para aqueles que iniciaram tardiamente o labor, que via de regra são os mais ricos(filhos de papai) que estudaram(faculdade, mestrado, doutorado) e aos 25/26 anos trabalhar. Quem defende essa reforma não conhece a realidade social do Brasil. Lamentável que alguns de nossa categoria defendam essa injustiça.  
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    Mensagem por Fireball em Ter 24 Out 2017, 1:32 pm

    tre-rj escreveu:Com a reforma do Lula em 2003, eu, que já estava trabalhando e contribuindo, ganhei um pedágio de 7 anos de trabalho e o que me espanta é vir colega aqui defender PT, que aliás, em meus 28 anos de serviço público, foram justamente no governo petista, os anos em que tive meu salário congelado. É ou não é para bater panelas?

    ale1969 escreveu:Toda alteração é válida para aquele que começar agora a contribuir. Por exemplo uma regra de aposentadoria aos 65 anos de idade que garanta um valor mínimo de 2 SM, sendo que caso queira maior benefício aplicação em previdência complementar como desejam os banqueiros. O que não pode é exigir de um trabalhador que começou a trabalhar com 15/16 anos de idade 50/49 anos de contribuição. Qualquer regra de transição deve levar em conta a idade e o tempo de serviço, caso contrário, há privilégio para aqueles que iniciaram tardiamente o labor, que via de regra são os mais ricos(filhos de papai) que estudaram(faculdade, mestrado, doutorado) e aos 25/26 anos trabalhar. Quem defende essa reforma não conhece a realidade social do Brasil. Lamentável que alguns de nossa categoria defendam essa injustiça.  

    Sem contar que agora aposentado paga contribuição para aposentadoria, veja bem, pensei que Portugal fosse o único país com tal "característica".
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    Mensagem por ale1969 em Ter 24 Out 2017, 3:11 pm

    Em nenhum momento defendi o PT, aliás não voto no PT a muito tempo(2002). O que falei foi com relação à proposta de reforma apresentada pelo governo atual, onde o que falta é uma visão clara sobre o papel da previdência no cenário social do país.

    Apenas para contextualizar as informações passei por todos os PCS da categoria. O PCS 1(Sepúlvedra Pertence - FHC) reajustou apenas as FCs e CJs o que gerou grandes distorções; O PCS2(Nelson Jobim - FHC) reajustou vencimentos, porém criou a grande disparidade dos TJ, acabando com a sobreposição das tabelas. O PCS 3(Helen Gracie - LULA) foi o que colocou a categoria em condições mais favoráveis, vide a grande procura para concursos após 2006.

    O dito congelamento ocorreu no hiato verificado entre 2009 a 2012, em que a categoria se dividiu entre novatos(pós 1998) e veteranos(incorporados), possibilitando ao governo da época(LULA), com respaldo do STF(Gilmar e Joaquim) aplicar o chamado "reajuste zero".

    Após 2013 recebemos parcelas que nem a inflação do período cobriu, culminando com o PCS4 atual.

    O tema previdência será tratado por qualquer presidente que esteja no poder em 2019. O que critico é o atual governo ilegítimo(Temer) apresentar um projeto de reforma que vai aprofundar as desigualdades sociais já existentes e sem considerar os pactos previdenciários anteriores. Volto a dizer que em mim gera grande tristeza trabalhadores do judiciário sem uma visão solidária de Nação.
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    Mensagem por OJAF RJ em Ter 24 Out 2017, 4:19 pm

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    Mensagem por tre-rj em Ter 24 Out 2017, 5:38 pm

    ale1969 escreveu:Em nenhum momento defendi o PT, aliás não voto no PT a muito tempo(2002). O que falei foi com relação à proposta de reforma apresentada pelo governo atual, onde o que falta é uma visão clara sobre o papel da previdência no cenário social do país.

    Apenas para contextualizar as informações passei por todos os PCS da categoria. O PCS 1(Sepúlvedra Pertence - FHC) reajustou apenas as FCs e CJs o que gerou grandes distorções; O PCS2(Nelson Jobim - FHC) reajustou vencimentos, porém criou a grande disparidade dos TJ, acabando com a sobreposição das tabelas. O PCS 3(Helen Gracie - LULA) foi o que colocou a categoria em condições mais favoráveis, vide a grande procura para concursos após 2006.

    O dito congelamento ocorreu no hiato verificado entre 2009 a 2012, em que a categoria se dividiu entre novatos(pós 1998) e veteranos(incorporados), possibilitando ao governo da época(LULA), com respaldo do STF(Gilmar e Joaquim) aplicar o chamado "reajuste zero".

    Após 2013 recebemos parcelas que nem a inflação do período cobriu, culminando com o PCS4 atual.

    O tema previdência será tratado por qualquer presidente que esteja no poder em 2019. O que critico é o atual governo ilegítimo(Temer) apresentar um projeto de reforma que vai aprofundar as desigualdades sociais já existentes e sem considerar os pactos previdenciários anteriores. Volto a dizer que em mim gera grande tristeza trabalhadores do judiciário sem uma visão solidária de Nação.
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    Mensagem por androsvilazza em Ter 24 Out 2017, 5:41 pm

    ale1969 escreveu:Toda alteração é válida para aquele que começar agora a contribuir. Por exemplo uma regra de aposentadoria aos 65 anos de idade que garanta um valor mínimo de 2 SM, sendo que caso queira maior benefício aplicação em previdência complementar como desejam os banqueiros. O que não pode é exigir de um trabalhador que começou a trabalhar com 15/16 anos de idade 50/49 anos de contribuição. Qualquer regra de transição deve levar em conta a idade e o tempo de serviço, caso contrário, há privilégio para aqueles que iniciaram tardiamente o labor, que via de regra são os mais ricos(filhos de papai) que estudaram(faculdade, mestrado, doutorado) e aos 25/26 anos trabalhar. Quem defende essa reforma não conhece a realidade social do Brasil. Lamentável que alguns de nossa categoria defendam essa injustiça.  

    Na realidade social do Brasil, rico/filhinho de papai realmente pode se dar ao luxo de começar a trabalhar aos 25/26 anos. No entanto, quem faz isso é porque: a) não "precisa" trabalhar, e tem dinheiro suficiente pra se sustentar, ou empreender por conta própria; b) tem condições para se dedicar exclusivamente aos estudos até tal idade e, portanto, terá cargos mais bem remunerados, geralmente gerenciais, por contrato e não vinculados à CLT. De um ou outro modo, não os vejo como dependentes do regime previdenciário; aliás, a maioria nessas condições nem contribuirá à previdência ou, quando o fizer, será por pouco tempo, insuficiente para almejar o recebimento de benefício por tempo de contribuição.

    Na realidade social do Brasil, aposentado por tempo de contribuição vem da classe média, que começa a trabalhar cedo e permanece por muito tempo vinculado ao regime, em empregos formais, contribuindo para o sistema. Estes, de fato, seriam "prejudicados" pela reforma, e teriam de "pagar o pato".

    Na realidade social do Brasil, pobre realmente começa a trabalhar cedo, e permanece trabalhando por muitos anos. Seu padrão de emprego, no entanto, não é formal. A maior parte de sua vida laboral será em subempregos, informais, trabalho rural, "bicos" etc. Pobre de fato não se aposenta por tempo de contribuição: via de regra não têm contribuições suficientes para tanto; geralmente se aposentam por idade ou, quando não alcançam os 15 anos mínimos de contribuição para pleitear aposentadoria por idade, terão de aguardar pelo BPC (benefício de prestação continuada - assistencial ao idoso desamparado). Pro pobre de fato tanto faz se a aposentadoria integral se dá aos 60 anos com 35 de contribuição, ou aos 65 com, sei lá, 49 de contribuição; de qualquer forma ele terá direito ao mesmo benefício e à mesma idade.

    E não sou eu quem afirma isto: é o Anuário Estatístico da Previdência Social (2015).:

    De 1.058.151 aposentadorias urbanas concedidas em 2015:
    1. 30,28% foram por tempo de contribuição;
    2. 54,41% (friso, mais da metade) foram por idade;
    3. 15,29% foram por invalidez.

    Aposentadorias urbanas concedidas por tempo de contribuição em 2015 (de um total de 318.996):
    1. 17,75% no valor de 1 salário mínimo;
    2. 28,13% entre 1 e 2 S.M.;
    3. 20,34% entre 2 e 3 S.M.; (até esta faixa já temos mais de 50% das aposentadorias concedidas)
    4. 17,02% entre 3 e 4 S.M.;
    5. apenas 17% acima de 4 S.M. (considerados até 10 S.M.)

    Aposentadorias urbanas por idade concedidas em 2015 (de um total de 289.165):
    1. 63,94% no valor de 1 salário mínimo;
    2. 22,73% entre 1 e 2 S.M.;

    De 311.274 aposentadorias rurais concedidas em 2015:
    0,4% por tempo de contribuição;
    92% por idade;
    7,4% por invalidez.

    E ainda tivemos 111.808 benefícios de prestação continuada ao idoso, concedidos em 2015.

    Se pegarmos, também, a média dos benefícios pagos em 2015, temos:
    1. Aposentadorias por tempo de contribuição urbanas: pouco mais de 2 salários mínimos;
    2. Todas as demais (rurais por tempo, urbanas e rurais por idade ou invalidez): pouco mais de 1 salário mínimo.

    Note que não estamos falando de ricos. Corroborando o que eu disse, aliás, temos outros dados interessantes no anuário:
    64.131.925 brasileiros empregados, em 2014, possuíam proteção previdenciária (em suma, estavam vinculados ao regime e teriam direito a benefícios);
    24.297.670 brasileiros empregados não possuíam cobertura previdenciária (destes, 49% por trabalharem sem carteira assinada, e 42,13% por trabalharem por conta própria). Esta é a realidade social do Brasil.


    É importante sermos honestos: Quem serão os principais afetados pela aprovação da reforma previdenciária, como está?

    1. Servidores que entraram jovens no serviço público, e teriam direito à paridade/integralidade (pra quem entrou jovem, mas no período mais recente, esta reforma atual é indiferente:virão muitas outras ainda);

    2. Servidores que recebem salários mais elevados (portanto, perderiam mais em eventual desconto ao aposentar antes de ter direito à aposentadoria integral); e também porque os de menores salários tendem a permanecer até à compulsória, ou próximo (maior peso relativo da perda de vencimentos e benefícios ao aposentar) - neste caso, tanto faz a reforma;

    3. Trabalhadores da iniciativa privada, de classe média, que iniciaram jovens e aposentarão por tempo de contribuição.

    Portanto, os mais pobres a serem prejudicados pela reforma serão estes últimos. Podemos fazer campanha pra retirar deles o peso da reforma (e nisto eu concordo plenamente), mas é bom lembrar que daí só sobra servidor público pra levar o ferro Laughing

    Então, se o objetivo de fundo é defender que "eu estou me sentindo prejudicado, e isto eu não quero", é bom assumir o mote, acionar o corporativismo, e pressionar deputados para que a reforma passe como está proposta (para evitar ainda mais endurecimento futuro contra os servidores, ou que não passe nada - e aí, caso se confirmem as projeções de insustentabilidade da previdência, todo mundo se ferra junto, servidor e iniciativa privada.

    Agora, se o argumento é defender o interesse dos pobres, melhor procurar outra briga: essa reforma em pouco afetará os pobres de fato, e o pouco que afeta pode, sim, ser suprimido, desde que, para compensar, se prejudiquem os privilegiados (opa, olha "o servidor" - senso amplo - aí de novo!)
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    Mensagem por Solange4 em Ter 24 Out 2017, 5:55 pm

    androsvilazza,
    Perfeito, sem demagogias!

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    Mensagem por androsvilazza em Ter 24 Out 2017, 6:11 pm

    Não por coincidência, acabo de ler ótimo artigo do Procurador junto ao TCU, Júlio Marcelo de Oliveira (sim, aquele do relatório  contra as pedaladas):

    CPI da Previdência vende uma ilusão ao afirmar que não há déficit..

    Transcrevo:

    Nesta segunda-feira (23/10), foram divulgadas as conclusões da CPI da Previdência. Conforme se esperava, suas conclusões, com ares de evidência científica, sustentam que não há déficit na seguridade social e que, portanto, não haveria necessidade de reforma da previdência.

    Não obstante as boas intenções dos integrantes da CPI, o relatório é um desserviço ao país ao vender à sociedade brasileira uma ilusão. Muito pior que as ilusões eleitorais, que prometem o céu na terra, cenários paradisíacos, sem correspondência com a prática governamental implementada por quem vence as eleições, é a negação de problemas graves reais, que já comprometem o presente e irão comprometer ainda mais o futuro. Como bem ensina a sabedoria popular, o pior cego é o que não quer ver, o que nega seus problemas e com isso tem o dom de agravá-los.

    O relatório repete o que já vinha sendo divulgado em vídeos produzidos por sindicatos e que circulam pela internet. Tirando o foco da previdência do setor privado, que é deficitária, tanto a urbana, como a rural, concentra sua atenção na seguridade social, que engloba saúde, assistência social e previdência.

    Somando-se todas as fontes de receitas previstas para a seguridade social e desconsiderando-se a DRU (desvinculação de receitas da União), vista como um desvio indevido de recursos da seguridade, e os gastos com previdência do setor público (servidores e militares), haveria uma sobra de recursos, um superávit e disso adviria a conclusão panglossiana de que não haveria necessidade de reforma alguma.

    Há um conjunto de erros graves na construção desse raciocínio. Primeiro, evitar o foco apenas na questão previdenciária, claramente deficitária. Alegam que não seria possível ou correto fazer isso, uma vez que há receitas destinadas à seguridade como um todo e que, por isso, a análise teria de ser global.

    O que estão dizendo, em verdade, é que pouco se importam se a previdência do setor privado é deficitária e tem de ser coberta por recursos que poderiam ir para a saúde e para assistência social. Quanto maior o déficit da previdência do setor privado, menos recursos estarão disponívels para a saúde e assistência social. É curioso que pessoas que defendem mais recursos para a saúde não percebam que ela concorre de forma desigual com a previdência, que, pelas regras atuais, tem crescimento vegetativo superior ao crescimento do PIB e da arrecadação. É uma escolha alocativa errada priorizar gastos com previdência em detrimento de gastos com saúde.

    O segundo erro crasso é desconsiderar a DRU dos cálculos, como se ela fosse um golpe contra a seguridade, um desvio de recursos, que pudesse ser corrigido com facilidade e simplicidade. Ignoram que a DRU serve fundamentalmente para custear o gasto com a previdência do setor público federal.

    Do ponto de vista meramente jurídico, os gastos com inativos do setor público federal, civis e militares, não integram o orçamento da seguridade social, mas o orçamento fiscal. Trata-se de uma distinção jurídica, mas que não tem, no âmbito da discussão previdenciária, nenhum sentido econômico, uma vez que esse déficit tem de ser coberto onde quer que esteja ele classificado, seja na seguridade social, seja no orçamento fiscal. Dizer que o gasto com inativos do setor público, civis e militares, é o não é seguridade, não muda em nada a gravidade do problema e a necessidade de seu reparo.

    Para o contribuinte brasileiro, que já arca com carga tributária de país rico, mas tem serviço público de país atrasado, pouco importa se o seu dinheiro foi usado para pagar a aposentadoria do empregado do setor privado ou a do servidor público federal. É dinheiro gasto com previdência, que requer cada vez mais dinheiro desse contribuinte, deixando os serviços públicos com cada vez menos dinheiro.

    Ignorar, portanto, a DRU e sua principal finalidade, é fingir que um rombo previdenciário bilionário não existe ou que ele possa ser facilmente coberto por uma outra fonte de recursos que ninguém sabe qual seria.

    O terceiro erro grave é não olhar para o futuro próximo e para o médio e longo prazo. O que deve determinar as regras de um regime previdenciário, para que esteja em equilíbrio e não drene recursos que poderiam ser usados em outras finalidades, são as projeções demográficas. Manter uma adequada relação entre trabalhadores ativos e aposentados e pensionistas é fundamental para esse equilíbrio.

    Mesmo que a previdência atual fosse equilibrada, o que está longe de ser verdade, bastaria olhar as projeções demográficas da sociedade brasileira para constatar a necessidade de uma reforma que assegure a sustentabilidade do sistema. O aumento da expectativa de vida e as quedas das taxas de natalidade resultam em rápido envelhecimento da população brasileira. Estima-se que teremos no Brasil em menos de cinquenta anos uma transição demográfica já em curso que países ricos levaram mais de cem anos para experimentar. O déficit atual da previdência, tanto do setor privado como do público, são apenas reveladores do quão atrasada já está esta reforma. Deveria ter sido feita antes que déficit houvesse.

    Falta ao relatório da CPI não apenas essa visão prospectiva, mas também um olhar horizontal sobre como funciona a previdência no mundo todo. Se países tão ricos como Alemanha, Japão, França, EUA e Inglaterra aposentam os trabalhadores com idades em torno de 67 anos, porque nós, que somos pobres, deveríamos conceder aposentadorias para trabalhadores de 55 anos, em média? Se um país rico e envelhecido como o Japão gasta 8% do seu PIB com aposentadorias, tem sentido um país ainda não tão envelhecido e de renda média como o Brasil gastar 10% com previdência?

    Aposentadorias precoces vão ajudar ou atrapalhar nosso desenvolvimento? Vão agravar ou minorar nossa desigualdade social? Cada pessoa aposentada significa uma despesa obrigatória de caráter continuado que será custeada pelo resto da sociedade sem nenhuma contrapartida em termos de serviços públicos. Se o modelo é deficitário, significa que recursos que poderiam ir para saúde, educação, segurança e infraestrutura serão destinados ao pagamento de aposentadorias. Quanto maior o déficit, menos serviços públicos.

    Por incrível que pareça, o gasto social do Brasil em percentual do PIB (24,5%) é superior ao do Canadá (21,3%) e do Reino Unido (24,0%) e próximo ao da Alemanha (27,3%). Ocorre que mais da metade desse gasto (12,4%) é feito com previdência e assistência social. Gastamos apenas 6% com educação pública e 4,8% com saúde pública, 0,5% com Bolsa-Família e 0,8% com Seguro Desemprego e Abono Salarial.

    Os números são eloquentes, assim como o é nosso atraso econômico e social. Ao negar a necessidade de reforma da previdência, o que a CPI da Previdência nos diz é que está bom gastarmos cada vez mais com aposentadorias em vez de aumentarmos os gastos com saúde e educação. Um verdadeiro tiro no pé.

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    Mensagem por androsvilazza em Ter 24 Out 2017, 6:17 pm

    Ah, destaque para este ponto (que nos afeta, em especial):

    O segundo erro crasso é desconsiderar a DRU dos cálculos, como se ela fosse um golpe contra a seguridade, um desvio de recursos, que pudesse ser corrigido com facilidade e simplicidade. Ignoram que a DRU serve fundamentalmente para custear o gasto com a previdência do setor público federal.

    Do ponto de vista meramente jurídico, os gastos com inativos do setor público federal, civis e militares, não integram o orçamento da seguridade social, mas o orçamento fiscal. Trata-se de uma distinção jurídica, mas que não tem, no âmbito da discussão previdenciária, nenhum sentido econômico, uma vez que esse déficit tem de ser coberto onde quer que esteja ele classificado, seja na seguridade social, seja no orçamento fiscal. Dizer que o gasto com inativos do setor público, civis e militares, é o não é seguridade, não muda em nada a gravidade do problema e a necessidade de seu reparo.
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    Mensagem por jornalista em Ter 24 Out 2017, 7:09 pm

    Dr Júlio sempre preciso em sua considerações. Levem esse trecho ao Paim e sindicatos.
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    Mensagem por josebarbos em Ter 24 Out 2017, 7:28 pm

    servidor.tre escreveu:
    josebarbos escreveu:
    servidor.tre escreveu:Alguém pode me ajudar a calcular o estrago no meu orçamento?

    Hoje descontamos 11% do bruto, certo?

    Vai descontar, a partir de fevereiro, 14% do bruto? Ou 11% até o teto do INSS e 14% do que passar?
    Alguém sabe?

    2,2% do seu salário bruto

    Não entendi, Josebarbos.
    pode explicar?

    Modificando apenas as alíquotas, sem mudar a base de cálculo, os 14% incidem sobre toda a remuneração (exceto verbas de natureza temporária, como fc/cc e adicionais de treinamento - que podem ser cobrados por opção do servidor, no caso de quem recebe pela média).

    Logo, será 3% a mais sobre tudo. Entretanto, 100% do que vai para o PSS é isento de imposto de renda, modificando a base de cálculo. 27,5% dos 3%, na verdade, são apenas Imposto de Renda transformado em contribuição para o PSS.
    Desta forma, de maneira arredondada, um servidor que ganhe R$ 10.000,00 vai ter como resultado no contracheque aproximadamente R$ 220,00 por mês.

    Lembrando que esta é a versão mais conservadora. Acho improvável, mas há uma dúvida se a contribuição terá ou não um caráter progressivo. Neste caso, até o teto seria 11% e apenas no que excedê-lo seriam cobrados os 14%.
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    Mensagem por josebarbos em Ter 24 Out 2017, 7:38 pm

    androsvilazza escreveu:
    ale1969 escreveu:Toda alteração é válida para aquele que começar agora a contribuir. Por exemplo uma regra de aposentadoria aos 65 anos de idade que garanta um valor mínimo de 2 SM, sendo que caso queira maior benefício aplicação em previdência complementar como desejam os banqueiros. O que não pode é exigir de um trabalhador que começou a trabalhar com 15/16 anos de idade 50/49 anos de contribuição. Qualquer regra de transição deve levar em conta a idade e o tempo de serviço, caso contrário, há privilégio para aqueles que iniciaram tardiamente o labor, que via de regra são os mais ricos(filhos de papai) que estudaram(faculdade, mestrado, doutorado) e aos 25/26 anos trabalhar. Quem defende essa reforma não conhece a realidade social do Brasil. Lamentável que alguns de nossa categoria defendam essa injustiça.  
    (...)
    Na realidade social do Brasil, pobre realmente começa a trabalhar cedo, e permanece trabalhando por muitos anos. Seu padrão de emprego, no entanto, não é formal. A maior parte de sua vida laboral será em subempregos, informais,  trabalho rural, "bicos" etc. Pobre de fato não se aposenta por tempo de contribuição: via de regra não têm contribuições suficientes para tanto; geralmente se aposentam por idade ou, quando não alcançam os  15 anos mínimos de contribuição para pleitear aposentadoria por idade, terão de aguardar pelo BPC (benefício de prestação continuada - assistencial ao idoso desamparado). Pro pobre de fato tanto faz se a aposentadoria integral se dá aos 60 anos com 35 de contribuição, ou aos 65 com, sei lá, 49 de contribuição; de qualquer forma ele terá direito ao mesmo benefício e à mesma idade.

    E não sou eu quem afirma isto: é o Anuário Estatístico da Previdência Social (2015).:

    De 1.058.151 aposentadorias urbanas concedidas em 2015:
    1. 30,28% foram por tempo de contribuição;
    2. 54,41% (friso, mais da metade) foram por idade;
    3. 15,29% foram por invalidez.

    Aposentadorias urbanas concedidas por tempo de contribuição em 2015 (de um total de 318.996):
    1. 17,75% no valor de 1 salário mínimo;
    2. 28,13% entre 1 e 2 S.M.;
    3. 20,34% entre 2 e 3 S.M.; (até esta faixa já temos mais de 50% das aposentadorias concedidas)
    4. 17,02% entre 3 e 4 S.M.;
    5. apenas 17% acima de 4 S.M. (considerados até 10 S.M.)

    Aposentadorias urbanas por idade concedidas em 2015 (de um total de 289.165):
    1. 63,94% no valor de 1 salário mínimo;
    2. 22,73% entre 1 e 2 S.M.;

    De 311.274 aposentadorias rurais concedidas em 2015:
    0,4% por tempo de contribuição;
    92% por idade;
    7,4% por invalidez.

    E ainda tivemos 111.808 benefícios de prestação continuada ao idoso, concedidos em 2015.

    Se pegarmos, também, a média dos benefícios pagos em 2015, temos:
    1. Aposentadorias por tempo de contribuição urbanas: pouco mais de 2 salários mínimos;
    2. Todas as demais (rurais por tempo, urbanas e rurais por idade ou invalidez): pouco mais de 1 salário mínimo.

    Note que não estamos falando de ricos. Corroborando o que eu disse, aliás, temos outros dados interessantes no anuário:
    64.131.925 brasileiros empregados, em 2014, possuíam proteção previdenciária (em suma, estavam vinculados ao regime e teriam direito a benefícios);
    24.297.670 brasileiros empregados não possuíam cobertura previdenciária (destes, 49% por trabalharem sem carteira assinada, e 42,13% por trabalharem por conta própria). Esta é a realidade social do Brasil.


    É importante sermos honestos: Quem serão os principais afetados pela aprovação da reforma previdenciária, como está?

    1. Servidores que entraram jovens no serviço público, e teriam direito à paridade/integralidade (pra quem entrou jovem, mas no período mais recente, esta reforma atual é indiferente:virão muitas outras ainda);

    2. Servidores que recebem salários mais elevados (portanto, perderiam mais em eventual desconto ao aposentar antes de ter direito à aposentadoria integral); e também porque os de menores salários tendem a permanecer até à compulsória, ou próximo (maior peso relativo da perda de vencimentos e benefícios ao aposentar) - neste caso, tanto faz a reforma;

    3. Trabalhadores da iniciativa privada, de classe média, que iniciaram jovens e aposentarão por tempo de contribuição.

    Portanto, os mais pobres a serem prejudicados pela reforma serão estes últimos. Podemos fazer campanha pra retirar deles o peso da reforma (e nisto eu concordo plenamente), mas é bom lembrar que daí só sobra servidor público pra levar o ferro Laughing

    Então, se o objetivo de fundo é defender que "eu estou me sentindo prejudicado, e isto eu não quero", é bom assumir o mote, acionar o corporativismo, e pressionar deputados para que a reforma passe como está proposta (para evitar ainda mais endurecimento futuro contra os servidores, ou que não passe nada - e aí, caso se confirmem as projeções de insustentabilidade da previdência, todo mundo se ferra junto, servidor e iniciativa privada.

    Agora, se o argumento é defender o interesse dos pobres, melhor procurar outra briga: essa reforma em pouco afetará os pobres de fato, e o pouco que afeta pode, sim, ser suprimido, desde que, para compensar, se prejudiquem os privilegiados (opa, olha "o servidor" - senso amplo - aí de novo!)

    Sem contar algo que só deve existir no Brasil, os vínculos "mistos" quanto à formalidade.

    Aquele que recebe um valor na carteira e um restante por fora, pago DAS MAIS DIVERSAS FORMAS. As mais comuns referentes à comissões, abonos e outras verbas temporárias como uma forma de se aumentar o salário líquido sem o impacto dos encargos tributários. A maioria dos trabalhadores, por inúmeras razões, vende o antar para garantir o almoço, mesmo que tivesse a consciência da importância de contribuir para o sistema com um maior valor em busca de um maior benefício lá na frente, seria prejudicado.
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    Mensagem por OJAF RJ em Ter 24 Out 2017, 7:57 pm

    androsvilazza escreveu:
    ale1969 escreveu:Toda alteração é válida para aquele que começar agora a contribuir. Por exemplo uma regra de aposentadoria aos 65 anos de idade que garanta um valor mínimo de 2 SM, sendo que caso queira maior benefício aplicação em previdência complementar como desejam os banqueiros. O que não pode é exigir de um trabalhador que começou a trabalhar com 15/16 anos de idade 50/49 anos de contribuição. Qualquer regra de transição deve levar em conta a idade e o tempo de serviço, caso contrário, há privilégio para aqueles que iniciaram tardiamente o labor, que via de regra são os mais ricos(filhos de papai) que estudaram(faculdade, mestrado, doutorado) e aos 25/26 anos trabalhar. Quem defende essa reforma não conhece a realidade social do Brasil. Lamentável que alguns de nossa categoria defendam essa injustiça.  

    Na realidade social do Brasil, rico/filhinho de papai realmente pode se dar ao luxo de começar a trabalhar aos 25/26 anos. No entanto, quem faz isso é porque: a) não "precisa" trabalhar, e tem dinheiro suficiente pra se sustentar, ou empreender por conta própria; b) tem condições para se dedicar exclusivamente aos estudos até tal idade e, portanto, terá cargos mais bem remunerados, geralmente gerenciais, por contrato e não vinculados à CLT. De um ou outro modo, não os vejo como dependentes do regime previdenciário; aliás, a maioria nessas condições nem contribuirá à previdência ou, quando o fizer, será por pouco tempo, insuficiente para almejar o recebimento de benefício por tempo de contribuição.

    Na realidade social do Brasil, aposentado por tempo de contribuição vem da classe média, que começa a trabalhar cedo e permanece por muito tempo vinculado ao regime, em empregos formais, contribuindo para o sistema. Estes, de fato, seriam  "prejudicados" pela reforma, e teriam de "pagar o pato".

    Na realidade social do Brasil, pobre realmente começa a trabalhar cedo, e permanece trabalhando por muitos anos. Seu padrão de emprego, no entanto, não é formal. A maior parte de sua vida laboral será em subempregos, informais,  trabalho rural, "bicos" etc. Pobre de fato não se aposenta por tempo de contribuição: via de regra não têm contribuições suficientes para tanto; geralmente se aposentam por idade ou, quando não alcançam os  15 anos mínimos de contribuição para pleitear aposentadoria por idade, terão de aguardar pelo BPC (benefício de prestação continuada - assistencial ao idoso desamparado). Pro pobre de fato tanto faz se a aposentadoria integral se dá aos 60 anos com 35 de contribuição, ou aos 65 com, sei lá, 49 de contribuição; de qualquer forma ele terá direito ao mesmo benefício e à mesma idade.

    E não sou eu quem afirma isto: é o Anuário Estatístico da Previdência Social (2015).:

    De 1.058.151 aposentadorias urbanas concedidas em 2015:
    1. 30,28% foram por tempo de contribuição;
    2. 54,41% (friso, mais da metade) foram por idade;
    3. 15,29% foram por invalidez.

    Aposentadorias urbanas concedidas por tempo de contribuição em 2015 (de um total de 318.996):
    1. 17,75% no valor de 1 salário mínimo;
    2. 28,13% entre 1 e 2 S.M.;
    3. 20,34% entre 2 e 3 S.M.; (até esta faixa já temos mais de 50% das aposentadorias concedidas)
    4. 17,02% entre 3 e 4 S.M.;
    5. apenas 17% acima de 4 S.M. (considerados até 10 S.M.)

    Aposentadorias urbanas por idade concedidas em 2015 (de um total de 289.165):
    1. 63,94% no valor de 1 salário mínimo;
    2. 22,73% entre 1 e 2 S.M.;

    De 311.274 aposentadorias rurais concedidas em 2015:
    0,4% por tempo de contribuição;
    92% por idade;
    7,4% por invalidez.

    E ainda tivemos 111.808 benefícios de prestação continuada ao idoso, concedidos em 2015.

    Se pegarmos, também, a média dos benefícios pagos em 2015, temos:
    1. Aposentadorias por tempo de contribuição urbanas: pouco mais de 2 salários mínimos;
    2. Todas as demais (rurais por tempo, urbanas e rurais por idade ou invalidez): pouco mais de 1 salário mínimo.

    Note que não estamos falando de ricos. Corroborando o que eu disse, aliás, temos outros dados interessantes no anuário:
    64.131.925 brasileiros empregados, em 2014, possuíam proteção previdenciária (em suma, estavam vinculados ao regime e teriam direito a benefícios);
    24.297.670 brasileiros empregados não possuíam cobertura previdenciária (destes, 49% por trabalharem sem carteira assinada, e 42,13% por trabalharem por conta própria). Esta é a realidade social do Brasil.


    É importante sermos honestos: Quem serão os principais afetados pela aprovação da reforma previdenciária, como está?

    1. Servidores que entraram jovens no serviço público, e teriam direito à paridade/integralidade (pra quem entrou jovem, mas no período mais recente, esta reforma atual é indiferente:virão muitas outras ainda);

    2. Servidores que recebem salários mais elevados (portanto, perderiam mais em eventual desconto ao aposentar antes de ter direito à aposentadoria integral); e também porque os de menores salários tendem a permanecer até à compulsória, ou próximo (maior peso relativo da perda de vencimentos e benefícios ao aposentar) - neste caso, tanto faz a reforma;

    3. Trabalhadores da iniciativa privada, de classe média, que iniciaram jovens e aposentarão por tempo de contribuição.

    Portanto, os mais pobres a serem prejudicados pela reforma serão estes últimos. Podemos fazer campanha pra retirar deles o peso da reforma (e nisto eu concordo plenamente), mas é bom lembrar que daí só sobra servidor público pra levar o ferro Laughing

    Então, se o objetivo de fundo é defender que "eu estou me sentindo prejudicado, e isto eu não quero", é bom assumir o mote, acionar o corporativismo, e pressionar deputados para que a reforma passe como está proposta (para evitar ainda mais endurecimento futuro contra os servidores, ou que não passe nada - e aí, caso se confirmem as projeções de insustentabilidade da previdência, todo mundo se ferra junto, servidor e iniciativa privada.

    Agora, se o argumento é defender o interesse dos pobres, melhor procurar outra briga: essa reforma em pouco afetará os pobres de fato, e o pouco que afeta pode, sim, ser suprimido, desde que, para compensar, se prejudiquem os privilegiados (opa, olha "o servidor" - senso amplo - aí de novo!)

    Exatamente, é muito bom ver uma análise baseada em dados da realidade, e não um discurso fácil sem qualquer conexão com os fatos.
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    Mensagem por servidor.tre em Ter 24 Out 2017, 8:34 pm

    josebarbos escreveu:
    servidor.tre escreveu:
    josebarbos escreveu:
    servidor.tre escreveu:Alguém pode me ajudar a calcular o estrago no meu orçamento?

    Hoje descontamos 11% do bruto, certo?

    Vai descontar, a partir de fevereiro, 14% do bruto? Ou 11% até o teto do INSS e 14% do que passar?
    Alguém sabe?

    2,2% do seu salário bruto

    Não entendi, Josebarbos.
    pode explicar?

    Modificando apenas as alíquotas, sem mudar a base de cálculo, os 14% incidem sobre toda a remuneração (exceto verbas de natureza temporária, como fc/cc e adicionais de treinamento - que podem ser cobrados por opção do servidor, no caso de quem recebe pela média).

    Logo, será 3% a mais sobre tudo. Entretanto, 100% do que vai para o PSS é isento de imposto de renda, modificando a base de cálculo. 27,5% dos 3%, na verdade, são apenas Imposto de Renda transformado em contribuição para o PSS.
    Desta forma, de maneira arredondada, um servidor que ganhe R$ 10.000,00 vai ter como resultado no contracheque aproximadamente R$ 220,00 por mês.

    Lembrando que esta é a versão mais conservadora. Acho improvável, mas há uma dúvida se a contribuição terá ou não um caráter progressivo. Neste caso, até o teto seria 11% e apenas no que excedê-lo seriam cobrados os 14%.


    Obrigado pela aula.
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    Mensagem por ale1969 em Qua 25 Out 2017, 10:22 am

    Achei muito boa análise do ponto de vista econômico.

    Dizem que todos os números quando "torturados" entregam o que se quer provar. Vejam 54,41% das aposentadorias urbanas e 92% rurais foram por idade, 63,94% por 1 SM. O BPC tem caráter assistencial, não previdenciário. As medidas propostas por essa reforma tendem a agravar o problema, aumentando a idade e o tempo de contribuição.

    Volto a repetir, o que me deixa triste é a posição de uma categoria de trabalhadores que se sente "elite", porém "bate ponto" como qualquer operário de fábrica. Não posso concordar com a defesa dos interesses dos banqueiros, empresários, latifundiários e especuladores, em detrimento daqueles que de fato constroem o país.

    Temos, como categoria profissional, que escolher nosso lado. O meu será sempre o dos explorados. Paulo Freire sentenciou que se a educação não for de fato libertadora, o sonho do oprimido é se tornar opressor.
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    Mensagem por androsvilazza em Qua 25 Out 2017, 12:11 pm

    ale1969 escreveu:Achei muito boa análise do ponto de vista econômico.

    Dizem que todos os números quando "torturados" entregam o que se quer provar. Vejam 54,41% das aposentadorias urbanas e 92% rurais foram por idade, 63,94% por 1 SM. O BPC  tem caráter assistencial, não previdenciário. As medidas propostas por essa reforma tendem a agravar o problema, aumentando a idade e o tempo de contribuição.

    Volto a repetir, o que me deixa triste é a posição de uma categoria de trabalhadores que se sente "elite", porém "bate ponto" como qualquer operário de fábrica. Não posso concordar com a defesa dos interesses dos banqueiros, empresários, latifundiários e especuladores, em detrimento daqueles que de fato constroem o país.

    Temos, como categoria profissional, que escolher nosso lado. O meu será sempre o dos explorados. Paulo Freire sentenciou que se a educação não for de fato libertadora, o sonho do oprimido é se tornar opressor.    

    De fato, e isso eu também afirmei no meu post, a previdência social tem caráter predominantemente assistencialista, e de distribuição de renda. Ressaltei que não estamos falando de "ricos", já que a maioria é pobre. Aliás - e aqui entra uma opinião pessoal minha - a previdência deveria ter caráter exclusivamente assistencialista/garantidor de renda mínima. Por isso já defendi algumas vezes, e continuo defendendo, que o teto do RGPS deveria ser de 2 salários mínimos, no máximo. Quem quisesse renda superior a esta na aposentadoria, teria de compor reservas individuais para o futuro (obviamente, com a devida transição/compensação, para atenuar as perdas de quem já contribuiu acima desse valor por muito tempo).

    Acreditar que quem defenda a reforma da previdência está defendendo lado de ricos/empresários/banqueiros e esse bláblablá de sempre é desviar o foco da discussão que, aliás, é prática comum da esquerda brasileira. É fechar os olhos para a crise ocorrida na Grécia e Portugal, recentemente, e em alguns estados brasileiros ainda mais recentemente, a fim de manter o discurso de luta de classes, e "guerra contra o imperalismo", enquanto tenta a todo custo manter os próprios privilégios - que, curiosa e obviamente, não se estendem às parcelas mais pobres da população que se diz defender.

    Defendo a reforma da Previdência, sim, e assumo abertamente que por questões também ideológicas - e também acredito piamente estar defendendo os interesses dos mais necessitados. Pra mim, se pretendemos manter a árvore da Previdência rendendo frutos, que sustentarão os necessitados, não se deve matar a árvore; não se deve sobrecarregá-la, e se necessário deve-se podá-la de tempos em tempos, até para evitar que os galhos cresçam sem sustentação. Uso a comparação com a natureza, porque dela vem uma lição valiosa: nos momentos de escassez de recursos, próximo ao inverno, até as árvores reduzem suas folhas, enxugam sua estrutura para garantir a sobrevivência.

    Repito que a alteração efetiva da reforma, com relação à idade, para os mais pobres, é ínfima:
    1. a maioria dos pobres já se aposenta por idade: hoje a idade para aposentadoria é de 65 anos, continuará sendo de 65 anos para os homens; para as mulheres, passará dos atuais 60 para 62.
    2. Para os trabalhadores rurais, também normalmente pobres, a idade permanecerá a mesma para os homens - 60 anos, e aumentará 2 anos para as mulheres - de 55 para 57.

    Defendo a reforma, porque acredito que a manutenção, a qualquer custo, dos critérios atuais tende a sufocar o sistema, exigindo cada vez mais recursos de uma fonte que tem limites. E o pior, competindo pelos mesmos recursos finitos com áreas como saúde e assistência social, diretamente, e segurança e educação numa análise ampliada. A previdência é importantíssima, mas não a enxergo como tão importante a ponto de merecer o direito de sufocar as demais áreas do orçamento, cujas faltas, aliás, também afetam predominantemente os pobres que se pretende defender.

    Defendo a reforma acreditando também defender o interesse dos mais pobres, ainda que esteja, sabidamente, afetando diretamente o meu próprio interesse. Um dos pontos fundamentais para a minha decisão de optar pela limitação ao teto do RGPS + Funpresp, foi por não concordar com a manutenção do "privilégio" de aposentadorias integrais e paritárias. Como não tenho competência nem legitimidade para fazer a opção pelos demais, ao menos tentei fazer a minha cota nesse movimento que acho necessário, de garantir a sustentabilidade do regime previdenciário.

    Defendo a reforma por questões ideológicas, assim como muitos (infelizmente a maioria) a atacam por questões ideológicas. Não se trata de certo ou errado, até porque um lado sempre se acha mais certo do que o outro.
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    Mensagem por androsvilazza em Qua 25 Out 2017, 12:17 pm

    Gosto dos estudos do IPEA nessa área, porque trabalham mais com dados, fatos e estatísticas, e menos com ideologia pura. Vou colar abaixo um artigo antigo, de 08/09/2016, extraído do site do IPEA, com os destaque em itálico para as parte final, que acho relevante nessa discussão "ideológica":


    Rogério Nagamine debate reforma da Previdência na GloboNews
    O coordenador de Previdência do Ipea participou do programa Alexandre Garcia exibido nesta quarta-feira, dia 07, às 21h30

    "A reforma da Previdência é necessária e urgente", apontou o coordenador de Previdência do Ipea, Rogério Nagamine, durante participação no programa Alexandre Garcia, da GloboNews. O debate, que contou também com a presença de Jose Augusto Coelho Fernandes, diretor de Políticas e Estratégia da CNI, foi veiculado nesta quarta-feira, dia 07/09, às 21h30.
    Nagamine explicou que a despesa do Regime Geral de Previdência Social já vem crescendo num ritmo muito acelerado. "Essa despesa estava num patamar de 4% do PIB em meados da década de 1990; em 2015, passou para 7,4%, e tudo indica que neste ano vai chegar a 8%. O segundo ponto é que, se ainda somarmos a despesa da previdência dos servidores públicos e o benefício de prestação continuada da Lei Orgânica de Assistência Social – que na prática é uma aposentadoria não contributiva–, chega-se a uma despesa, hoje, de 12% do PIB, que é um valor muito elevado e típico de países que têm uma participação de idosos que é o dobro da nossa", pontuou.

    O pesquisador acrescentou que, com o processo de envelhecimento populacional, a queda da taxa de fecundidade e o aumento da expectativa de vida, a tendência é que essa despesa cresça ainda mais, principalmente com uma piora expressiva da relação de contribuintes e beneficiários. "Essa relação, que hoje está em torno de dois contribuintes para cada beneficiário, pelas nossas projeções, deve chegar, por exemplo, no INSS, a um para um na década de 2040 e, se não houver uma reforma da Previdência, a situação em 2060 será de mais beneficiários do que contribuintes", alertou.

    Uma projeção oficial do governo aponta que a despesa do INSS cresceria de 7% para 17% em 2060. Mas Nagamine adiantou um estudo inédito do Ipea que indica uma projeção ainda maior. "Caso não ocorra uma reforma da Previdência, a soma de despesas, aposentadorias e pensões do regime geral do INSS e dos servidores públicos chegaria a um patamar de 20% do PIB em 2060. Esses dados mostram que é necessária uma reforma da Previdência para garantir a sustentabilidade a médio e longo prazo", argumentou.

    Distorção do sistema previdenciário: aposentadoria por tempo de contribuição

    O especialista apontou, ainda, que uma das principais distorções do sistema previdenciário brasileiro é a chamada aposentadoria por tempo de contribuição, em que o homem se aposenta com 35 anos de contribuição e a mulher com 30 anos de contribuição, sem idade mínima. "Esse benefício é pouco comum a nível internacional. Omais comum é ter critérios de idade e tempo de contribuição. O mais grave neste debate é que muitas vezes existe o mito de que a introdução de uma idade mínima prejudicaria os mais pobres, já que são eles que entram mais cedo no mercado de trabalho. Efetivamente, eles têm uma tendência de entrar mais cedo no mercado de trabalho, mas em geral entram no mercado informal, sem contribuição para a Previdência", explicou.

    Ele citou alguns dados da PNAD que mostram que a contribuição para a Previdência entre os trabalhadores 10% mais pobres é 12%; entre os 10% mais ricos, é de 83%. Ao analisar os jovens de 16 a 20 anos que estão no grupo dos 10% mais pobres, a contribuição para a Previdência é só de 4%. "Na verdade, o grande problema é que os trabalhadores mais pobres, que em geral passam muito tempo no mercado informal, não conseguem 35, 30 anos de contribuição. Aposentam-se por idade aos 65, 60 anos, ou pelo benefício de prestação continuada aos 65 anos, enquanto os mais ricos se aposentam com 54 anos", completou.

    Nagamine afirmou que, como costuma dizer, há uma idade mínima para os trabalhadores de menor rendimento que se aposentam aos 65, 60 anos. "O problema é que não há uma idade mínima exatamente para os trabalhadores que são a elite do mercado formal de trabalho, que conseguem 35, 30 anos de contribuição, aposentam-se com idade média de 54 anos e continuam trabalhando. Pagamos aposentadoria para pessoas com plena capacidade laboral. Isso é uma distorção do ponto de vista conceitual da previdência", concluiu. Também foi tema de debate no programa a reforma trabalhista.
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    Mensagem por Protocol em Qua 25 Out 2017, 12:42 pm

    ale1969 escreveu:Achei muito boa análise do ponto de vista econômico.

    Dizem que todos os números quando "torturados" entregam o que se quer provar. Vejam 54,41% das aposentadorias urbanas e 92% rurais foram por idade, 63,94% por 1 SM. O BPC  tem caráter assistencial, não previdenciário. As medidas propostas por essa reforma tendem a agravar o problema, aumentando a idade e o tempo de contribuição.

    Volto a repetir, o que me deixa triste é a posição de uma categoria de trabalhadores que se sente "elite", porém "bate ponto" como qualquer operário de fábrica. Não posso concordar com a defesa dos interesses dos banqueiros, empresários, latifundiários e especuladores, em detrimento daqueles que de fato constroem o país.

    Temos, como categoria profissional, que escolher nosso lado. O meu será sempre o dos explorados. Paulo Freire sentenciou que se a educação não for de fato libertadora, o sonho do oprimido é se tornar opressor.    

    Eu respeito tua posição. Só acho que essa dicotomia empresários/banqueiros/latifundiários x operários no caso da previdência é uma farsa.

    A lógica da previdência é de simples receita x despesas, assim como de todo o orçamento.

    É triste ver um estado quebrado. Moro em um (RS), tenho familiares que são ou foram servidores estaduais, eu fui servidor do RS, e na penúria não importa quem é o culpado, só que não tem dinheiro para atender a todas as necessidades e não há formula mágica para resolver o problema.

    Sobre a educação, concordo que é o que liberta um povo, sobretudo da ignorância, e deve ser a máxima prioridade. Só que para investir em escolas, em professores, em materiais, é preciso dinheiro, e se os recursos vão todos para a previdência, como investir em educação?

    Ou as contas públicas atingem o equilíbrio ou vai faltar dinheiro, tal qual orçamento familiar quando o sujeito deve muito, está no Serasa, não tem limite para nada, nem cartão de crédito, etc.

    Os dados, fartos, estão ai para provar. O resto é pura retórica, grande parte irresponsável e oportunista.
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    Mensagem por ale1969 em Qua 25 Out 2017, 2:48 pm

    [quote="androsvilazza"]Gosto dos estudos do IPEA nessa área, porque trabalham mais com dados, fatos e estatísticas, e menos com ideologia pura. Vou colar abaixo um artigo antigo, de 08/09/2016, extraído do site do IPEA, com os destaque em itálico para as parte final, que acho relevante nessa discussão "ideológica":


    Rogério Nagamine debate reforma da Previdência na GloboNews
    O coordenador de Previdência do Ipea participou do programa Alexandre Garcia exibido nesta quarta-feira, dia 07, às 21h30

    "A reforma da Previdência é necessária e urgente", apontou o coordenador de Previdência do Ipea, Rogério Nagamine, durante participação no programa Alexandre Garcia, da GloboNews. O debate, que contou também com a presença de Jose Augusto Coelho Fernandes, diretor de Políticas e Estratégia da CNI, foi veiculado nesta quarta-feira, dia 07/09, às 21h30.
    Nagamine explicou que a despesa do Regime Geral de Previdência Social já vem crescendo num ritmo muito acelerado. "Essa despesa estava num patamar de 4% do PIB em meados da década de 1990; em 2015, passou para 7,4%, e tudo indica que neste ano vai chegar a 8%. O segundo ponto é que, se ainda somarmos a despesa da previdência dos servidores públicos e o benefício de prestação continuada da Lei Orgânica de Assistência Social – que na prática é uma aposentadoria não contributiva–, chega-se a uma despesa, hoje, de 12% do PIB, que é um valor muito elevado e típico de países que têm uma participação de idosos que é o dobro da nossa", pontuou.

    O pesquisador acrescentou que, com o processo de envelhecimento populacional, a queda da taxa de fecundidade e o aumento da expectativa de vida, a tendência é que essa despesa cresça ainda mais, principalmente com uma piora expressiva da relação de contribuintes e beneficiários. "Essa relação, que hoje está em torno de dois contribuintes para cada beneficiário, pelas nossas projeções, deve chegar, por exemplo, no INSS, a um para um na década de 2040 e, se não houver uma reforma da Previdência, a situação em 2060 será de mais beneficiários do que contribuintes", alertou.





    Achei perfeita sua intervenção, claro que temos pontos de vista ideologicamente opostos, defendo o socialismo por acreditar na utopia do "Humano Perfeito", aquele que não exerce os "pecados capitais" que são as bases do capitalismo-individualismo.

    Quando se apresenta um estudo no programa da Globo News, em particular do Sr. Alexandre Garcia(RP do Gal. João Figueiredo) devemos olhar com viés crítico. Toda posição tem caráter ideológico, seja no IPEA, IBGE, CNI, FGV e outros. Não existe neutralidade política, sempre há um lado, isso não é blá blá blá de "socialista de boteco" como eu.

    Concordo, e já postei anteriormente neste site que a previdência deve ter caráter assistencial, concordo com os 2 SM como teto, porém só pode atingir os novos ingressantes do sistema. Há um pacto previdenciário que deve ser respeitado, só pode ser mudado por opção como na migração voluntária para o FUNPRESP. O estado deve suportar, através da arrecadação uma série de compromissos sociais estabelecidos, como educação, saúde, segurança e seguridade social. No particular por ser de responsabilidade própria a (má) gestão dos recursos por décadas depositados e desviados para outros fins.

    Ainda bem que estamos na "democracia à brasileira" onde podemos debater livremente e cordialmente todos os assuntos, mas pouco se pode fazer na prática, pois há uma aristocracia de séculos que se perpetua no poder. Não estou falando de políticos que podem ser trocados periodicamente, os verdadeiros usurpadores que ocupam as mentes e fazem da desigualdade bandeira, sem que percebamos rouba-nos a vontade de transformar a sociedade, por pura acomodação(no meu caso) ou concordância conveniente da "classe média" oportunista.



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    Mensagem por ale1969 em Qua 25 Out 2017, 3:00 pm

    Também respeito muito seu ponto de vista, sou do RJ, fui servidor do Estado do RJ, minha mãe professora aposentada sem receber corretamente seus benefícios.

    Não é apenas uma questão financeira, há uma opção política em tudo. No meu Estado em particular houve uma "alavancagem" financeira contando com verbas provenientes do petróleo, gastos absurdos em Olimpíadas e Copa do Mundo, UPPs, desonerações fiscais absurdas e outros desmandos. A educação é o único caminho garantido da transformação social, somente pessoas conscientes e com visão crítica podem transformar a realidade.
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    Mensagem por jornalista em Qua 25 Out 2017, 9:45 pm

    Claro que a previdência tem um aspecto social. O problema é outro: teremos déficit ou não. Governos socialistas optam pelo déficit, casos do governo petista. A questão é saber se a sociedade quer isso ou não (déficit e suas consequências). Países escandinavos ficaram ricos e foram implementando políticas sociais sem déficit. Países pobres que fazem isso tem que arcar com as consequências como a Venezuela. A opção é política mas também de ordem prática.
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    Mensagem por androsvilazza em Qua 25 Out 2017, 10:15 pm

    É de fato uma discussão complexa, com muitos fatores a se considerar... Um problema no Brasil, na minha opinião, é a predominância de políticos de viés populista, e muito poucos com visões mais liberais, ou que tenham coragem d defender estas bandeiras, inclusive as relacionadas à responsabilidade fiscal. Obviamente, não dá pra culpar exclusivamente os políticos, já que estes são reflexo da sociedade: promessas vãs ou impossíveis rendem votos, bem como medidas populistas, e discursos de contenção de gastos trazem impopularidade, além de diminuir as chances de eleição/reeleição. Então, se "o povo"escolhe políticos e propostas irresponsáveis, se é esse o tipo de política que o brasileiro médio deseja, não acredito em mudança no curto e médio prazos. Pelo menos, não em uma mudança pra melhor, já que é sempre possível piorar o que já não está bom.

    Quanto à reforma da previdência, em especial, já não acredito na força desse governo para aprová-lá, e nem no interesse do possível próximo governo. No máximo passarão medidas pontuais, para fingir que algo foi feito, e empurrar a discussão para adiante. Afinal, se a previdência quebrar em, digamos, 2040, o brasileiro responsabilizará os governantes de 2035-2040, e terão a "capacidade" de sentir saudades dos bons tempos (2015, 2020), em que os governantes fulano e beltrano garantiam recursos para tudo...

    A propósito, as medidas pontuais que parecem mais possíveis de serem aprovadas no curto prazo são: estabelecimento de alguma idade mínima (não sei se os mesmos 60/65), e o aumento da alíquota para os servidores.
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    Mensagem por Protocol em Qua 25 Out 2017, 10:27 pm

    androsvilazza escreveu: ...

    A propósito, as medidas pontuais que parecem mais possíveis de serem aprovadas no curto prazo são: estabelecimento de alguma idade mínima (não sei se os mesmos 60/65), e o aumento da alíquota para os servidores.

    A idade mínima, ao contrário do tempo de contribuição, se não estou enganado, depende de PEC.

    Será que o governo vai ter força para qualquer mudança na previdência?
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    Mensagem por jornalista em Qui 26 Out 2017, 6:59 am

    Protocol escreveu:
    androsvilazza escreveu: ...

    A propósito, as medidas pontuais que parecem mais possíveis de serem aprovadas no curto prazo são: estabelecimento de alguma idade mínima (não sei se os mesmos 60/65), e o aumento da alíquota para os servidores.

    A idade mínima, ao contrário do tempo de contribuição, se não estou enganado, depende de PEC.

    Será que o governo vai ter força para qualquer mudança na previdência?
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