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    Assuntos gerais: economia & política

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    Bastião
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    Re: Assuntos gerais: economia & política

    Mensagem por Bastião em Qui Mar 22, 2018 8:41 pm

    ale1969 escreveu:
    androsvilazza escreveu:Não acho que compense perder tempo defendendo o regime militar, já que qualquer ditadura é sempre prejudicial. Acho plenamente válidas as palavras de Churchill, que definiu a democracia como o pior regime, à exceção de todos os outros.

    Por outro lado, tampouco vale a pena perder tempo criticando, de maneira genérica, o regime militar. Abrindo um pouco o leque da análise, percebe-se que a alternativa, à época, era a implementação de outra ditadura (aliás, foi o que aconteceu em praticamente todos os países latinoamericanos àquela época: ditaduras militares ou revolucionárias). Então, ditadura por ditadura, nem compensa abrir a boca pra defender esta ou aquela: ambas eram péssimas opções.

    Pessoalmente, prefiro analisar medidas pontuais do regime militar (como o faço com qualquer outro governo): por exemplo, defendo grande parte das medidas com relação à organização do Estado (nem tudo: erraram um pouco na dose de descentralização, e deixaram a administração direta meio que descoberta, além da óbvia abertura a casos de corrupção, sem tanto controle); e repudio boa parte das medidas econômicas (o "milagre econômico", sem sustentação, veio às custas da explosão do endividamento público, hiperinflação e comprometimento do desenvolvimento futuro: estamos, literalmente, pagando a conta até hoje). Quanto às medidas tomadas em decorrência da ditadura em si (censura, controle, perseguição, tortura), repudio totalmente, mas sei que é indiferente a crítica: caso os militares não houvessem tomado o poder, e a "outra parte" o tivesse feito, o resultado neste campo seria praticamente o mesmo, apenas perpetrado pela "ditadura do proletariado".

    Sei que pros militantes, de um lado e do outro, é difícil reconhecer isto, mas na minha opinião é indiferente (igualmente sofrível) levar uma bica de coturno militar, ou de botina comunista.

    Concordo com tudo. Só que a experiência socialista se deu em uma ilha próxima dos EUA, que foi isolada comercialmente por um bloqueio desumano. Não se pode concluir que o Presidente Jango fosse implantar uma ditadura socialista, uma vez que não defendia tal tese. O "Perigo Comunista" só existiu na cabeça tosca da classe média egoísta e ignorante que, manipulada pelas oligarquias capitalistas, apoiaram um absurdo e covarde golpe de estado, implantando uma ditadura civil-militar que impediu o acesso democrático da população mais pobre aos bens de consumo e educação.

    Admiro muito seus comentários, sempre embasados e fundamentados, apesar de contrários filosoficamente aos meus. Saudações Trabalhistas.

    Sim, Jango era trabalhista, não comunista. E era proprietário de muitas terras no RS... como iria querer o comunismo?

    O simples fato de dialogar com a esquerda lhe tornou "comunista", de acordo com a mente doentia de uma parcela da sociedade.

    Aliás, algumas coisas se repetem do passado para hoje. Nem a história ensina.
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    Re: Assuntos gerais: economia & política

    Mensagem por ale1969 em Qui Mar 22, 2018 9:03 pm

    Bastião escreveu:
    ale1969 escreveu:
    androsvilazza escreveu:Não acho que compense perder tempo defendendo o regime militar, já que qualquer ditadura é sempre prejudicial. Acho plenamente válidas as palavras de Churchill, que definiu a democracia como o pior regime, à exceção de todos os outros.

    Por outro lado, tampouco vale a pena perder tempo criticando, de maneira genérica, o regime militar. Abrindo um pouco o leque da análise, percebe-se que a alternativa, à época, era a implementação de outra ditadura (aliás, foi o que aconteceu em praticamente todos os países latinoamericanos àquela época: ditaduras militares ou revolucionárias). Então, ditadura por ditadura, nem compensa abrir a boca pra defender esta ou aquela: ambas eram péssimas opções.

    Pessoalmente, prefiro analisar medidas pontuais do regime militar (como o faço com qualquer outro governo): por exemplo, defendo grande parte das medidas com relação à organização do Estado (nem tudo: erraram um pouco na dose de descentralização, e deixaram a administração direta meio que descoberta, além da óbvia abertura a casos de corrupção, sem tanto controle); e repudio boa parte das medidas econômicas (o "milagre econômico", sem sustentação, veio às custas da explosão do endividamento público, hiperinflação e comprometimento do desenvolvimento futuro: estamos, literalmente, pagando a conta até hoje). Quanto às medidas tomadas em decorrência da ditadura em si (censura, controle, perseguição, tortura), repudio totalmente, mas sei que é indiferente a crítica: caso os militares não houvessem tomado o poder, e a "outra parte" o tivesse feito, o resultado neste campo seria praticamente o mesmo, apenas perpetrado pela "ditadura do proletariado".

    Sei que pros militantes, de um lado e do outro, é difícil reconhecer isto, mas na minha opinião é indiferente (igualmente sofrível) levar uma bica de coturno militar, ou de botina comunista.

    Concordo com tudo. Só que a experiência socialista se deu em uma ilha próxima dos EUA, que foi isolada comercialmente por um bloqueio desumano. Não se pode concluir que o Presidente Jango fosse implantar uma ditadura socialista, uma vez que não defendia tal tese. O "Perigo Comunista" só existiu na cabeça tosca da classe média egoísta e ignorante que, manipulada pelas oligarquias capitalistas, apoiaram um absurdo e covarde golpe de estado, implantando uma ditadura civil-militar que impediu o acesso democrático da população mais pobre aos bens de consumo e educação.

    Admiro muito seus comentários, sempre embasados e fundamentados, apesar de contrários filosoficamente aos meus. Saudações Trabalhistas.

    Sim, Jango era trabalhista, não comunista. E era proprietário de muitas terras no RS... como iria querer o comunismo?

    O simples fato de dialogar com a esquerda lhe tornou "comunista", de acordo com a mente doentia de uma parcela da sociedade.

    Aliás, algumas coisas se repetem do passado para hoje. Nem a história ensina.

    Não tivemos a oportunidade de estudar História, Sociologia, Filosofia e outras ciências sociais por causa da ditadura. Formou-se uma geração analfabeta social que gerou filhos, anos 80/90 e que hoje, com auxílio das mídias sociais reproduzem os absurdos reacionários que aparecem nos debates da internet. Lamentável.

    Há uma nova geração surgindo "Milênium" que trazem experiências democráticas consolidadas e transitam com maestria pelos canais eletrônicos, tenho esperança no novo Brasil.
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    Re: Assuntos gerais: economia & política

    Mensagem por cicero_pb em Qui Mar 22, 2018 9:15 pm

    Estudei tudo acima citado, mas sempre achei um absurdo alguém querer me dizer o que é "verdade". Aproveitei e olhei o mundo e vi que o que funciona é baseado na competência e meritocracia. O resto é conversa para ruminante.
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    Re: Assuntos gerais: economia & política

    Mensagem por ale1969 em Qui Mar 22, 2018 9:58 pm

    cicero_pb escreveu:Estudei tudo acima citado, mas sempre achei um absurdo alguém querer me dizer o que é "verdade". Aproveitei e olhei o mundo e vi que o que funciona é baseado na competência e meritocracia. O resto é conversa para ruminante.

    Competência e meritocracia são conceitos relativos e não absolutos. Por exemplo o talento individual de um jogador de futebol é mérito ou competência? Há um limitador individual humano aplicado ao caso concreto.

    No concurso público, que nos é familiar, há competência e meritocracia, mas não são absolutas. É desigual o esforço de candidatos oriundos de formação acadêmica qualitativamente opostas, mesmo que ambos atinjam o mesmo objetivo, a aprovação. Ao comparar trajetórias díspares lembre-se do caminho percorrido. Mérito e Competência absolutos somente na equidade social, que só pode ser atingida com forte investimento estatal na educação pública, gratuita e de qualidade.
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    Re: Assuntos gerais: economia & política

    Mensagem por androsvilazza em Qui Mar 22, 2018 10:15 pm

    Pois é, não se trata de comprar esta ou aquela versão como verdadeira, e sim estudar os fatos e tirar suas próprias conclusões.

    A referência que eu fiz a um suposto regime comunista, reconheço, não era em direção ao governo deposto (Jango), e sim aos opositores ao regime militar, posteriormente. Estes tinham em mente uma ditadura comunista, e seus partidos e grupos de organização inclusive ostentavam, orgulhosamente, a alcunha comunista.

    De todo modo, analisados aos olhos da época, não dá pra qualificar o Jango com adjetivo diferente. No histórico discurso feito por ele em março de 64, para mais de 200 mil pessoas, defendeu abertamente, como medidas de reforma do seu governo, bandeiras que eram então defendidas por comunistas: desapropriação de determinadas faixas de terra supostamente para fins de reforma agrária (sem qualquer compensação ao proprietário), reforma "a fundo" na Constituição, para viabilizar as reformas que desejava (proposta típica de ditadores em gestação), encampação (expropriação) de refinarias de petróleo, regulamentação de preços de alugueis...

    Estude as primeiras medidas adotadas por qualquer regime comunista (ou pretenso comunista) no mundo, e verá que o medo dos anticomunistas, à época, não era assim tão exagerado.

    Observem que não entrei no mérito das medidas em si, se o governo Jango seria melhor ou pior que o regime militar, ou o que seria do Brasil se os revolucionários comunistas tivessem, posteriormente, derrubado a ditadura militar e imposto seu próprio regime. Até aqui, a análise foi friamente histórica, e tentando entender a história sob a ótica daquela época, e dos principais agentes envolvidos.

    Ao fim e ao cabo, como qualquer outra derrubada, Jango caiu porque perdeu apoio onde não poderia perder (no caso, boa parte da população e formadores de opinião, empresários e produtores rurais e, principalmente, nas forças armadas).
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    Re: Assuntos gerais: economia & política

    Mensagem por cicero_pb em Qui Mar 22, 2018 10:33 pm

    competência e meritocracia não é aplicável, somente, a concurso.

    Liberdade. Democracia. Mercado.

    Se a democracia, tal qual é ensinada no mundo ocidental, não criou muitas raízes aqui é devido exatamente a nossa inapetência. Ou seja, democracia é um valor muito alto. É por merecimento. Não um "direito" somente a ser "dado". Mas, antes, uma conquista, por merecimento.
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    Re: Assuntos gerais: economia & política

    Mensagem por cicero_pb em Qui Mar 22, 2018 10:38 pm

    Aí as pessoas confundem a luta pela liberdade, que é um valor intrínseco à Democracia, com cotas, com proibições, com valores pre formatados - sob pena de adjetivações não democráticas, etc. E ainda usam exemplos alienígenas com histórias diversas, etc.

    Na minha insignificância, acredito que é discutir sexo dos anjos quando alguém diz que você não pode seguir tal religião, mudar de localidade, ou dizer que xx é igual a xy. Enfim...
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    Re: Assuntos gerais: economia & política

    Mensagem por androsvilazza em Seg Mar 26, 2018 5:47 pm

    Ótimo artigo de J.R. Guzzo:

    Errando para pior

    O Brasil de hoje não é uma democracia; provavelmente nunca foi. É verdade que nos últimos trinta anos a “sociedade brasileira”, essa espécie de espírito santo que ninguém entende direito o que é, mas parece a responsável por tudo o que acontece no país, tem brincado de imitar Estados Unidos, Europa e outros cantos virtuosos do mundo. A tentativa é copiar os sistemas de governo que existem ali — nos quais as decisões públicas estão sujeitas à igualdade entre os cidadãos, às suas liberdades e à aplicação da mesma lei para todos. Os “brasileiros responsáveis”, assim, fingem que existem aqui “instituições” — uma Constituição com 250 artigos, três poderes separados e independentes uns dos outros, “Corte Suprema”, direitos civis, “agências reguladoras”, Ministério Público e as demais peças do cenário que compõe uma democracia. Mas no presente momento nem a imitação temos mais — pelo jeito, os que mandam no Brasil desistiram de continuar com o seu teatro e agora não existe nem a democracia de verdade, que nunca tivemos, nem a democracia falsificada que diziam existir.

    Como pode haver democracia num país em que onze indivíduos que jamais receberam um único voto governam 200 milhões de pessoas? Os ministros do Supremo Tribunal Federal, entre outras manifestações de onipotência, deram a si próprios o poder de estabelecer que um cidadão, por ser do seu agrado político, tem direitos maiores e diferentes que os demais. Fica pior quando se considera que sete desses onze foram nomeados, pelo resto da vida, por uma presidente da República deposta por 70% dos votos do Congresso Nacional e por um presidente hoje condenado a mais de doze anos de cadeia. Mais: seus nomes foram aprovados pelo Senado Federal do Brasil, uma das mais notórias tocas de ladrões existentes no planeta. Querem piorar ainda um outro tanto? Pois não: o próximo presidente do STF será um ministro que foi reprovado duas vezes seguidas no concurso público para juiz de direito. Quando teve de prestar uma prova destinada a medir seus conhecimentos de direito, o homem foi considerado incapaz de assinar uma sentença de despejo; daqui a mais um tempo vai presidir o mais alto tribunal de Justiça do Brasil. Outro ministro não vê problema nenhum em julgar causas patrocinadas por um escritório de advocacia no qual trabalha a própria mulher. Todos, de uma forma ou de outra, ignoram o que está escrito na Constituição; as leis que valem, para eles, são as leis que acham corretas. Democracia?

    Democracia certamente não é. A população não percebe isso direito — e a maioria, provavelmente, não ligaria muita coisa se percebesse. Vale o que parece, e não o que é — o que importa é a “percepção”, como se diz. Como escreveu Dostoievski, a melhor maneira de evitar que um presidiário fuja da prisão é convencê-lo de que ele não está preso. No Brasil as pessoas estão mais ou menos convencidas de que existe uma situação democrática por aqui; há muitos defeitos de funcionamento, claro, mas temos um sistema judiciário em funcionamento, o Congresso está aberto e há eleições a cada dois anos, a próxima delas daqui a sete meses. Os analistas políticos garantem que o regime democrático brasileiro “está amadurecendo”. Quanto mais eleições, melhor, porque é votando que “o povo aprende”. A solução para as deformações da democracia é “mais democracia”. O eleitorado “sempre acerta”. E por aí segue essa conversa, com explicação em cima de explicação, bobagem em cima de bobagem, enquanto a vida real vai ficando cada vez pior.

    Não ocorre a ninguém, entre os mestres, comunicadores e influencers que nos ensinam diariamente o que devemos pensar sobre os fatos políticos, que um fruto que está amadurecendo há trinta anos não pode resultar em nada que preste. Como poderia, depois de tanto tempo? A cada eleição, ao contrário da lenda, os eleitos ficam piores. Esse Congresso que está aí, no qual quase metade dos deputados e senadores tem algum tipo de problema com a Justiça, é o resultado das últimas eleições nacionais. De onde saiu a ideia de que as coisas vão melhorando à medida que as eleições se sucedem? Do Poder Executivo, então, é melhor não falar nada. Da última vez que o povo soberano foi votar, em 2014, elegeu ninguém menos que Dilma Rousseff e Michel Temer, de uma vez só, para a Presidência da República. Está na cara, para quem não quer complicar as coisas, que o “povo” não aprendeu nada dos anos 80 para cá. Está na cara que o povo, ao contrário da fantasia intelectual, não apenas erra na hora de escolher; erra cada vez para pior.

    Para ficar em apenas um caso de depravação política epidêmica, tipo dengue ou zika, é só olhar durante um minuto quem a população do Rio de Janeiro, em eleições livres e populares, escolheu para governar seu estado e sua cidade nos últimos trinta anos. Eis a lista: Leonel Brizola, Anthony Garotinho, a mulher de Anthony Garotinho, Benedita da Silva, Sérgio Cabral (possivelmente o maior ladrão da história da humanidade), Eduardo Paes e, não contente com tudo isso, um indivíduo que se faz chamar de “Pezão”. Assim mesmo: “Pezão”, sem nome nem sobrenome, como jogador de futebol do Olaria de tempos passados. Que território do planeta conseguiria sobreviver à passagem de um bando desses pelo governo e pela tesouraria pública? É óbvio que tais opções, repetidas ao longo de trinta anos, têm consequências práticas. O Rio de Janeiro de hoje, com sua tragédia permanente, é o resultado direto de uma democracia que faliu de ponta a ponta. Em vez de garantir direitos, liberdades e ordem, gera apenas governos criminosos e destruidores — acabou, enfim, na entrega da segunda maior cidade do Brasil a assassinos, assaltantes e traficantes de droga. São eles que mandam na população. A lei brasileira não vale no Rio.

    Não pode existir democracia sem a expectativa, por parte das pessoas, de que a lei vai ser aplicada — pois só assim seus direitos poderão ser exercidos. Como falar de democracia num país com mais de 60 000 homicídios por ano, dos quais menos de 5% são investigados e punidos? Mais de 60 000 assassinatos num ano são uma agressão tão clara à democracia quanto um desfile de tanques de guerra para tomar o palácio do governo; aqui são considerados um “problema social” pelos democratas-­progressistas. (A solução sugerida pela oposição, e levada a sério por gente de grande intelecto, é acabar com a PM; acham que sem polícia o crime vai diminuir.) A verdade é que o atual regime brasileiro não consegue dar ao cidadão nem sequer o direito à própria vida — um mínimo dos mínimos, em qualquer país do mundo. Não se asseguram os direitos de propriedade, de ir e vir, de integridade física. Não se assegura coisa nenhuma — só a punição para quem o Estado acha que está lhe devendo 1 centavo de imposto, ou deixando de cumprir algum item nos milhões de leis que uma burocracia tirânica e irresponsável multiplica como ratazanas. “Constituição Cidadã”? Só a ideia já é uma piada.

    Não dá para falar em democracia no Brasil, além do mais, quando se verifica que tantas das nossas leis mais importantes e sagradas se destinam a estabelecer diferenças entre os cidadãos. Ou seja: os que mandam no país passam a vida criando leis, regras e mandamentos que anulam cada vez mais o princípio universal de que “todos são iguais perante a lei”. Aqui não: todos são oficialmente desiguais. Isso é resultado da prática de criar “direitos” para todos que nunca foram para todos — ao contrário, são para poucos e não são direitos, e sim privilégios. Essa trapaça vem desde a Constituinte, e nunca mais parou. Aprovam-se como “direitos populares” vantagens abertamente dirigidas a grupos organizados, que têm proteção política e podem pressionar o Congresso. Depois, quando fica evidente que esses benefícios precisam ser revistos para não arruinar o bolso da população em geral, que tem de pagar em impostos cada centavo da conta, cai o mundo: “Estão querendo tirar os direitos do povo”. Que “povo”? Povo coisa nenhuma. É justamente o contrário. O brasileiro comum se aposenta com cerca de 1 200 reais por mês, em média, não importando qual tenha sido o seu último salário. O funcionário público, por lei, se aposenta com o salário integral; hoje, na média, o valor está em 7 500 mensais. Os peixes graúdos levam de 50 000 mensais para cima. São cidadãos desiguais e com direitos diferentes.

    É uma perfeita palhaçada, também, falar em igualdade quando existem no Brasil aberrações como o “foro privilegiado” ou a “imunidade parlamentar”. Os “constitucionalistas” falam em independência de poderes, garantias para a liberdade política, segurança para a democracia etc. Não é nada disso. É pura safadeza enfiada na Constituição por escroques, de caso pensado, para proteger a si próprios do Código Penal. Essa mentira não protege só os políticos. Estende-se também a juízes, procuradores e ministros dos tribunais de Justiça: ao contrário de todos os demais brasileiros, eles podem cometer crimes de qualquer tipo, da corrupção ao homicídio, sem ser julgados perante a lei. O pior que pode lhes acontecer é serem aposentados — com salário integral. Naturalmente, todos dizem que não é bem assim, pois teoricamente, pelo que está escrito, eles têm de prestar contas dos seus atos; alguns, inclusive, estão sujeitos a impeachment, imaginem só. O que dá para dizer a respeito é que teoricamente o homem também pode ir à Lua. Só que não vai.

    Não existe democracia quando os governos são escolhidos por um eleitorado que tem um dos piores níveis de educação do mundo — em grande parte é um povo incapaz de entender direito o que lê, as operações simples da matemática, ou as noções básicas do mundo em que vive. O que pode sair de bom disso aí? O cidadão precisa passar num exame para guiar uma motocicleta ou trabalhar num caixa de supermercado. Para tirar o título de eleitor, com o qual elege o presidente da República, não precisa de nada. Pode, aliás, ser analfabeto. Eis aí o Brasil como ele é. Em vez de garantirem as reais liberdades políticas do brasileiro fazendo com que ele aprenda a ler, escrever e contar, nossos criadores de direitos resolvem a diferença entre instruídos e ignorantes dando o voto ao analfabeto. Mais: tornam o voto obrigatório e garantem, assim, que no dia da eleição compareçam todos os habitantes dos seus currais, cujos votos compram com a doação de dentaduras e com anúncios de felicidade instantânea na televisão — pagos, por sinal, com o seu dinheiro.

    Não existe nenhuma democracia no mundo que seja assim.
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    Re: Assuntos gerais: economia & política

    Mensagem por Bastião em Seg Mar 26, 2018 6:54 pm

    Não existe democracia quando os governos são escolhidos por um eleitorado que tem um dos piores níveis de educação do mundo — em grande parte é um povo incapaz de entender direito o que lê, as operações simples da matemática, ou as noções básicas do mundo em que vive. O que pode sair de bom disso aí?

    Da última vez que o povo soberano foi votar, em 2014, elegeu ninguém menos que Dilma Rousseff e Michel Temer, de uma vez só, para a Presidência da República. Está na cara, para quem não quer complicar as coisas, que o “povo” não aprendeu nada dos anos 80 para cá. Está na cara que o povo, ao contrário da fantasia intelectual, não apenas erra na hora de escolher; erra cada vez para pior.


    Hhahaha...se o "meu" candidato é eleito, daí a democracia é boa. Se o "meu" candidato é eleito, daí as urnas não são fraudadas. Se o "meu" candidato é eleito, o povo é culto. Do contrário, mimimimi.

    O cara votou também num corrupto chamado Aécio Neves e vem dar uma de "bom votador consciente". Vai pentear macaco.

    Um dos pilares da democracia e do presidencialismo é aceitar quem o povo elegeu e, na próxima eleição, votar para que se mude. Não dar uma de Aécio Neves loser mimado e esculhambar tudo. Agora ele tá quietinho, que nem cachorro quando apronta.

    A única maneira é uma alteração legislativa considerável. Para os 3 poderes. Talvez parlamentarismo? Que seja votado, que o povo dê o seu aval ou recusa.

    Que a cobrança para a mudança comece dos nossos futuros congressistas. Apenas exigir a prisão do Lula e fim do PT não é a solução para as mazelas do Universo.

    Obs: estou me dirigindo ao autor do texto.
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    Re: Assuntos gerais: economia & política

    Mensagem por silmaria em Seg Mar 26, 2018 7:10 pm

    Bastião escreveu:Não existe democracia quando os governos são escolhidos por um eleitorado que tem um dos piores níveis de educação do mundo — em grande parte é um povo incapaz de entender direito o que lê, as operações simples da matemática, ou as noções básicas do mundo em que vive. O que pode sair de bom disso aí?

    Da última vez que o povo soberano foi votar, em 2014, elegeu ninguém menos que Dilma Rousseff e Michel Temer, de uma vez só, para a Presidência da República. Está na cara, para quem não quer complicar as coisas, que o “povo” não aprendeu nada dos anos 80 para cá. Está na cara que o povo, ao contrário da fantasia intelectual, não apenas erra na hora de escolher; erra cada vez para pior.


    Hhahaha...se o "meu" candidato é eleito, daí a democracia é boa. Se o "meu" candidato é eleito, daí as urnas não são fraudadas. Se o "meu" candidato é eleito, o povo é culto. Do contrário, mimimimi.

    O cara votou também num corrupto chamado Aécio Neves e vem dar uma de "bom votador consciente". Vai pentear macaco.

    Um dos pilares da democracia e do presidencialismo é aceitar quem o povo elegeu e, na próxima eleição, votar para que se mude. Não dar uma de Aécio Neves loser mimado e esculhambar tudo. Agora ele tá quietinho, que nem cachorro quando apronta.

    A única maneira é uma alteração legislativa considerável. Para os 3 poderes. Talvez parlamentarismo? Que seja votado, que o povo dê o seu aval ou recusa.

    Que a cobrança para a mudança comece dos nossos futuros congressistas. Apenas exigir a prisão do Lula e fim do PT não é a solução para as mazelas do Universo.

    Obs: estou me dirigindo ao autor do texto.

    A culpa não é minha, o outro candidato era o Aécio...
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    Re: Assuntos gerais: economia & política

    Mensagem por androsvilazza em Seg Mar 26, 2018 7:34 pm

    Bastião escreveu:Não existe democracia quando os governos são escolhidos por um eleitorado que tem um dos piores níveis de educação do mundo — em grande parte é um povo incapaz de entender direito o que lê, as operações simples da matemática, ou as noções básicas do mundo em que vive. O que pode sair de bom disso aí?

    Da última vez que o povo soberano foi votar, em 2014, elegeu ninguém menos que Dilma Rousseff e Michel Temer, de uma vez só, para a Presidência da República. Está na cara, para quem não quer complicar as coisas, que o “povo” não aprendeu nada dos anos 80 para cá. Está na cara que o povo, ao contrário da fantasia intelectual, não apenas erra na hora de escolher; erra cada vez para pior.


    Hhahaha...se o "meu" candidato é eleito, daí a democracia é boa. Se o "meu" candidato é eleito, daí as urnas não são fraudadas. Se o "meu" candidato é eleito, o povo é culto. Do contrário, mimimimi.

    O cara votou também num corrupto chamado Aécio Neves e vem dar uma de "bom votador consciente". Vai pentear macaco.

    Um dos pilares da democracia e do presidencialismo é aceitar quem o povo elegeu e, na próxima eleição, votar para que se mude. Não dar uma de Aécio Neves loser mimado e esculhambar tudo. Agora ele tá quietinho, que nem cachorro quando apronta.

    A única maneira é uma alteração legislativa considerável. Para os 3 poderes. Talvez parlamentarismo? Que seja votado, que o povo dê o seu aval ou recusa.

    Que a cobrança para a mudança comece dos nossos futuros congressistas. Apenas exigir a prisão do Lula e fim do PT não é a solução para as mazelas do Universo.

    Obs: estou me dirigindo ao autor do texto.

    Sei não, continuo concordando com o texto. Se o eleito tivesse sido o Aécio Neves, e não a Dilma, hoje sabemos que o teor do artigo seria igualmente verdadeiro: o povo vem votando cada vez pior. E não apenas para o Executivo, o próprio Legislativo vem piorando a cada eleição. Ou, pelo menos, é essa a impressão generalizada que fica.

    E quando se diz que "o povo" vem votando mal, é bom lembrar que também somos parte "do povo", ou seja, também temos votado mal e porcamente. Tanto o é que possibilitamos que sujeitos ineptos como Dilma e Aécio chegassem ao segundo turno de eleições presidenciais (ganhando um ou outro o resultado teria sido igualmente péssimo), e que estejam planejando, novamente, concorrer a altos cargos eletivos.

    Não dá pra defender a limpeza e correção do voto popular (aí incluso, também, o meu e seu votos), vendo sujeitos como Sarney, Renan Calheiros, Aécio, Lula, et caterva sendo permanentemente eleitos e citados como preferências de votos de determinados nichos da população. Ou o sistema está podre, ou o voto está podre. De um modo ou de outro, as consequências têm sido igualmente nefastas.
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    Re: Assuntos gerais: economia & política

    Mensagem por Bastião em Seg Mar 26, 2018 7:41 pm

    androsvilazza escreveu:
    Bastião escreveu:Não existe democracia quando os governos são escolhidos por um eleitorado que tem um dos piores níveis de educação do mundo — em grande parte é um povo incapaz de entender direito o que lê, as operações simples da matemática, ou as noções básicas do mundo em que vive. O que pode sair de bom disso aí?

    Da última vez que o povo soberano foi votar, em 2014, elegeu ninguém menos que Dilma Rousseff e Michel Temer, de uma vez só, para a Presidência da República. Está na cara, para quem não quer complicar as coisas, que o “povo” não aprendeu nada dos anos 80 para cá. Está na cara que o povo, ao contrário da fantasia intelectual, não apenas erra na hora de escolher; erra cada vez para pior.


    Hhahaha...se o "meu" candidato é eleito, daí a democracia é boa. Se o "meu" candidato é eleito, daí as urnas não são fraudadas. Se o "meu" candidato é eleito, o povo é culto. Do contrário, mimimimi.

    O cara votou também num corrupto chamado Aécio Neves e vem dar uma de "bom votador consciente". Vai pentear macaco.

    Um dos pilares da democracia e do presidencialismo é aceitar quem o povo elegeu e, na próxima eleição, votar para que se mude. Não dar uma de Aécio Neves loser mimado e esculhambar tudo. Agora ele tá quietinho, que nem cachorro quando apronta.

    A única maneira é uma alteração legislativa considerável. Para os 3 poderes. Talvez parlamentarismo? Que seja votado, que o povo dê o seu aval ou recusa.

    Que a cobrança para a mudança comece dos nossos futuros congressistas. Apenas exigir a prisão do Lula e fim do PT não é a solução para as mazelas do Universo.

    Obs: estou me dirigindo ao autor do texto.

    Sei não, continuo concordando com o texto. Se o eleito tivesse sido o Aécio Neves, e não a Dilma, hoje sabemos que o teor do artigo seria igualmente verdadeiro: o povo vem votando cada vez pior. E não apenas para o Executivo, o próprio Legislativo vem piorando a cada eleição. Ou, pelo menos, é essa a impressão generalizada que fica.

    E quando se diz que "o povo" vem votando mal, é bom lembrar que também somos parte "do povo", ou seja, também temos votado mal e porcamente. Tanto o é que possibilitamos que sujeitos ineptos como Dilma e Aécio chegassem ao segundo turno de eleições presidenciais (ganhando um ou outro o resultado teria sido igualmente péssimo), e que estejam planejando, novamente, concorrer a altos cargos eletivos.

    Não dá pra defender a limpeza e correção do voto popular (aí incluso, também, o meu e seu votos), vendo sujeitos como Sarney, Renan Calheiros, Aécio, Lula, et caterva sendo permanentemente eleitos e citados como preferências de votos de determinados nichos da população. Ou o sistema está podre, ou o voto está podre. De um modo ou de outro, as consequências têm sido igualmente nefastas.

    De acordo!

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    Re: Assuntos gerais: economia & política

    Mensagem por cicero_pb em Seg Mar 26, 2018 8:04 pm

    Nunca tinha lido esse texto. Nem nunca ouvi falar do autor. Mas parece que houve uma sincronia de pensamentos...

    Concordo com o androsvilazza e bastiao: qualquer um seria um problema.

    Então o texto deve ser visto de forma geral - como o é - e não direcionado a essa ou aquela eleição.

    Por isso insisto tanto no voto facultativo. Em tempos atuais é politicamente incorreto defender o não-voto aos analfabetos (até porque não acredito que isso funcionaria...). A grande jogada é forçar o candidato a convencer o eleitor a ir votar.

    Claro que só isso não daria certo. É necessário, também, candidatura independente, voto distrital, etc. Mas as outras questões seriam DERIVADAS. É um caminho natural, quando se escolhe a liberdade.
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    Re: Assuntos gerais: economia & política

    Mensagem por cicero_pb em Seg Mar 26, 2018 8:10 pm

    Ah, venezuela adota o voto facultativo.

    É verdade.

    Mas lá chegou num ponto sem volta. A única forma do povo venezuelano resgatar sua dignidade e liberdade é de forma disruptiva. Muita gente ainda vai morrer.

    E se não tiver ajuda externa, o sofrimento vai durar ainda muito tempo.
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    Re: Assuntos gerais: economia & política

    Mensagem por ale1969 em Seg Mar 26, 2018 8:32 pm

    Não há democracia, é fato. Porém o texto parte de pressupostos equivocados. Por exemplo, ao listar os piores governantes do Rio de Janeiro colocou propositalmente Leonel Brizola ao lado de Sergio Cabral e omitiu os piores governadores e prefeitos, Moreira Franco 87/90, Marcelo Alencar 95/98 e Cesar Maia(2 x prefeito).
    Há uma tentativa de confundir a opinião do leitor, ao apontar como erros as eleições de políticos não alinhados ao sistema financeiro e acertos as neoliberais.
    Cuidado com os pseudo isentos, não há informação neutra, toda posição embute um posicionamento político, mesmo que sob disfarce de neutralidade.
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    Re: Assuntos gerais: economia & política

    Mensagem por androsvilazza em Seg Mar 26, 2018 9:19 pm

    ale1969 escreveu:Não há democracia, é fato. Porém o texto parte de pressupostos equivocados. Por exemplo, ao listar os piores governantes do Rio de Janeiro colocou propositalmente Leonel Brizola ao lado de Sergio Cabral e omitiu os piores governadores e prefeitos, Moreira Franco 87/90, Marcelo Alencar 95/98 e Cesar Maia(2 x prefeito).
    Há uma tentativa de confundir a opinião do leitor, ao apontar como erros as eleições de políticos não alinhados ao sistema financeiro e acertos as neoliberais.
    Cuidado com os pseudo isentos, não há informação neutra, toda posição embute um posicionamento político, mesmo que sob disfarce de neutralidade.

    Sim, omitiu Marcelo Alencar (PSDB), e também omitiu Nilo Batista (PDT). Pode ter tentado "puxar de cabeça", e esqueceu, assim como "esqueceu" o nome da "mulher do Garotinho", pode estar sendo "parcial", mas isso não retira a verdade do texto: a situação caótica do RJ é decorrência da sequência de erros na escolha de governantes (aí inclusos os "omitidos").

    Já li vários textos do J.R. Guzzo, e ele, assim como o Josias de Souza e José Nêumanne, costumam "atirar para todos os lados". Não costumo apontar, nele, viés partidário.

    Inclusive, cito este comentário anterior dele, em relação ao PSDB (com o qual também concordo):

    O PSDB é um partido muito abaixo do que o Brasil precisa, no quesito “partidos”, para ser um país melhor do que é. Na prática, por omissão, covardia, incompetência e pelos seus próprios vícios, foi um cúmplice do PT e do PMDB na destruição do país de 2003 até o despejo de Dilma Rousseff em 31 de agosto de 2016 – e, a partir daí, já como protagonista, em diversas das desgraças que vieram depois."

    Por outro lado, obviamente, todo colunista tem viés ideológico, assim como os leitores, que escolhem este ou aquele colunista para ler seus artigos. Não existe isento, sequer pseudo isento. Todo mundo, ao defender um ponto de vista, deixa de ser isento, e "escolhe um lado". Um editor da EXAME e da Veja muito raramente será visto elogiando políticas progressistas, da mesma forma que duvido ver Paulo Henrique Amorim, por exemplo, elogiando esta ou aquela medida de um político liberal. Cabe ao leitor filtrar o que é informação, o que é opinião, e formar suas próprias convicções a partir do que lê.

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    Re: Assuntos gerais: economia & política

    Mensagem por androsvilazza em Seg Mar 26, 2018 9:30 pm

    A propósito, se algum dia vir algum "liberal" defendendo o PSDB, desconfie: não é, de fato, liberal.

    Em que pesem algumas medidas liberalizantes do governo FHC (que foram tomadas mais por necessidade, desespero e influência da então equipe econômica, que por convicção), o PSDB é historicamente um defensor do Estado "grande e eficiente", seja lá o que essa bobagem queira dizer. A tal social-democracia pressupõe a existência de um Estado grande, e provedor. Ideais à parte, a própria prática tucana prova esse ponto: desde a jaquetinha, com símbolos de estatais, vestida por Geraldo Alckmin nas eleições de 2006, até a negativa do PSDB na Câmara em fechar questão em torno das reformas trabalhista e previdenciária, passando pela política externa defendida pelo Aloisio Nunes no MRE. Tudo isso está infinitamente mais próximo da esquerda progressista, que da direita liberal.

    P.S.: Mesmo quando se pega o mais liberal dos tucanos, recentemente (João Dória), percebe-se que a defesa dele da desestatização era mais pra comprar o discurso do momento (redução do Estado), e tentar se passar por "gestor" e se cacifar para governador do Estado (plano inicial era a Presidência da República, tendo sido engolfado pelo partido).
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    Re: Assuntos gerais: economia & política

    Mensagem por Bastião em Seg Mar 26, 2018 10:28 pm

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    Isso a Globo não mostra!! troll2 :guy:

    Contra isso o povo não veste a camiseta da CBF e protesta. Paga o juro que nem um otário e ainda chama de comunista quem contesta.
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    Re: Assuntos gerais: economia & política

    Mensagem por androsvilazza em Seg Mar 26, 2018 10:59 pm

    Mas é claro que é mais fácil eu protestar contra o governo, e seus impostos compulsórios, que contra os "bancos", e seus juros exorbitantes. Por três motivos principais: 1) ninguém é (ou deveria ser) obrigado a emprestar dinheiro e, principalmente, ninguém me obriga a pagar juros. Na verdade, nunca paguei um centavo de juros de cartão de crédito. Só fiz, até hoje, empréstimos consignados e financiamento de carro. Sim, eu sei que ainda são taxas altas, o que nos leva ao motivo 2) boa parte da culpa pelos juros altos é do governo, e sua tara por criar regulamentações sem sentido, atrapalhar a entrada de novos concorrentes no mercado e, paradoxalmente, deixar de controlar e regular quando e onde realmente se faz necessário.
    Por último, mas não menos importante, 3) as políticas macroeconômicas, em que o governo tenta incentivar o crescimento do país baseado em consumo interno, e não no investimento e comércio externo. Resultado: excesso de demanda por crédito bancário, já que o brasileiro não tem (e nem é estimulado a ter) o hábito de poupar, investir e se planejar.
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    Re: Assuntos gerais: economia & política

    Mensagem por androsvilazza em Seg Mar 26, 2018 11:08 pm

    Quanto a isto não aparecer na Globo, etc. Nem precisa contestar, se jogar "Globo/G1/Globonews juros cartão de crédito" no Google, já da pra ver que é falaciosa a afirmação. Todo mês, pelo menos, tem uma notícia a respeito no jornal Nacional, jornal da Globo, e todas as edições do jornal da Globonews.

    Ou seja, não é falta de saber que os juros são exorbitantes. Brasileiro paga juro alto porque quer e, principalmente, porque é trouxa. Ninguém é obrigado a pegar dinheiro emprestado. Se parassem de querer ter o que não têm condições de comprar, logo logo os bancos teriam de reduzir os juros. Sei que parece meio "teoria" da conspiração, mas nesse caso o boicote puro e simples é o melhor remédio.
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    Re: Assuntos gerais: economia & política

    Mensagem por androsvilazza em Seg Mar 26, 2018 11:12 pm

    O "povo" não tem conserto, mesmo:

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    Depois reclamam de o país estar um lixo.
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    Re: Assuntos gerais: economia & política

    Mensagem por Galizezin em Seg Mar 26, 2018 11:13 pm

    A maioria que pega dinheiro emprestado de banco é endividado, para urgências, como tratamento médico etc. Quem pode mesmo faz como o Huck, compra jatinho a juros do BNDES...


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    Re: Assuntos gerais: economia & política

    Mensagem por Bastião em Seg Mar 26, 2018 11:19 pm

    androsvilazza escreveu:Quanto a isto não aparecer na Globo, etc. Nem precisa contestar, se jogar "Globo/G1/Globonews juros cartão de crédito" no Google, já da pra ver que é falaciosa a afirmação. Todo mês, pelo menos, tem uma notícia a respeito no jornal Nacional, jornal da Globo, e todas as edições do jornal da Globonews.

    Ou seja, não é falta de saber que os juros são exorbitantes. Brasileiro paga juro alto porque quer e, principalmente, porque é trouxa. Ninguém é obrigado a pegar dinheiro emprestado. Se parassem de querer ter o que não têm condições de comprar, logo logo os bancos teriam de reduzir os juros. Sei que parece meio "teoria" da conspiração, mas nesse caso o boicote puro e simples é o melhor remédio.

    Sim sim.. sobre a Globo, foi ironia. Todo mundo sabe que os juros são altos.

    E eu me incluo no time de trouxas, ou quase todos nós.

    Se parassem de querer ter o que não têm condições de comprar, logo logo os bancos teriam de reduzir os juros. like

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    Re: Assuntos gerais: economia & política

    Mensagem por jornalista em Ter Mar 27, 2018 12:48 am

    androsvilazza escreveu:O "povo" não tem conserto, mesmo:

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    Depois reclamam de o país estar um lixo.
    Se um condenado em segundo grau lidera as pesquisas, pq esse cidadão, que foi flagrado em uma gravação, não pode "aspirar" ao Senado?
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    Re: Assuntos gerais: economia & política

    Mensagem por Bastião em Ter Mar 27, 2018 11:41 am

    Depois do fundamento de ontem do Moro, auxilio moradia de juiz deverá ser regulamentado na Constituição.

    Quase me caiu uma lágrima quando ele disse que isso acontece pq juízes demoram para ter reajustes.

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    Re: Assuntos gerais: economia & política

    Mensagem por jornalista em Ter Mar 27, 2018 12:13 pm

    Bastião escreveu:Depois do fundamento de ontem do Moro, auxilio moradia de juiz deverá ser regulamentado na Constituição.

    Quase me caiu uma lágrima quando ele disse que isso acontece pq juízes demoram para ter reajustes.
    Apesar dele ser um dos grandes estudiosos do país sobre o combate à corrupção, à lavagem e evasão de divisas, quando o tema sai da sua especialidade, derrapa feio. Haja vista que criticou a ditadura. Então ele defender o auxílio nem me surpreende.
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    Re: Assuntos gerais: economia & política

    Mensagem por ale1969 em Ter Mar 27, 2018 2:47 pm

    A única coisa que desejo a todos é que sejam julgados por um Juiz isento, sem conluio com o MP e Polícia Judiciária. Nem que seja no "Juízo Final"...
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    Re: Assuntos gerais: economia & política

    Mensagem por Galizezin em Ter Mar 27, 2018 4:01 pm

    ale1969 escreveu:A única coisa que desejo a todos é que sejam julgados por um Juiz isento, sem conluio com o MP e Polícia Judiciária. Nem que seja no "Juízo Final"...

    São Lula estará no "seio" de Abraão...


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    Re: Assuntos gerais: economia & política

    Mensagem por androsvilazza em Ter Mar 27, 2018 7:55 pm

    Galizezin escreveu:
    ale1969 escreveu:A única coisa que desejo a todos é que sejam julgados por um Juiz isento, sem conluio com o MP e Polícia Judiciária. Nem que seja no "Juízo Final"...

    São Lula estará no "seio" de Abraão...

    E olha que o Juízo Final chega antes do "trânsito em julgado" da maioria dos processos de ricos no Brasil. O do Lula, então, pode escrever: 1) não será preso; 2) se for preso, será solto logo, sob liminar, para "aguardar o fim do processo em liberdade"; 3) em qualquer dos casos (sendo ou não preso), será alcançado pelo "indulto natalino" antes do fim das instâncias de julgamento.

    E não digo isto só porque é o Lula. É assim para qualquer um que tenha condições de pagar bons (e caros) advogados no Brasil. Vai valer a mesma coisa para o Aécio, Temer, etc.

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    Re: Assuntos gerais: economia & política

    Mensagem por jornalista em Qua Mar 28, 2018 12:16 am

    androsvilazza escreveu:
    Galizezin escreveu:
    ale1969 escreveu:A única coisa que desejo a todos é que sejam julgados por um Juiz isento, sem conluio com o MP e Polícia Judiciária. Nem que seja no "Juízo Final"...

    São Lula estará no "seio" de Abraão...

    E olha que o Juízo Final chega antes do "trânsito em julgado" da maioria dos processos de ricos no Brasil. O do Lula, então, pode escrever: 1) não será preso; 2) se for preso, será solto logo, sob liminar, para "aguardar o fim do processo em liberdade"; 3) em qualquer dos casos (sendo ou não preso), será alcançado pelo "indulto natalino" antes do fim das instâncias de julgamento.

    E não digo isto só porque é o Lula. É assim para qualquer um que tenha condições de pagar bons (e caros) advogados no Brasil. Vai valer a mesma coisa para o Aécio, Temer, etc.
    Dodge pediu o recebimento da denúncia do Aécio. Será que foi por isso que Gilmar mudou de ideia?
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    Re: Assuntos gerais: economia & política

    Mensagem por Bastião em Qua Mar 28, 2018 1:50 am

    jornalista escreveu:
    androsvilazza escreveu:
    Galizezin escreveu:
    ale1969 escreveu:A única coisa que desejo a todos é que sejam julgados por um Juiz isento, sem conluio com o MP e Polícia Judiciária. Nem que seja no "Juízo Final"...

    São Lula estará no "seio" de Abraão...

    E olha que o Juízo Final chega antes do "trânsito em julgado" da maioria dos processos de ricos no Brasil. O do Lula, então, pode escrever: 1) não será preso; 2) se for preso, será solto logo, sob liminar, para "aguardar o fim do processo em liberdade"; 3) em qualquer dos casos (sendo ou não preso), será alcançado pelo "indulto natalino" antes do fim das instâncias de julgamento.

    E não digo isto só porque é o Lula. É assim para qualquer um que tenha condições de pagar bons (e caros) advogados no Brasil. Vai valer a mesma coisa para o Aécio, Temer, etc.
    Dodge pediu o recebimento da denúncia do Aécio. Será que foi por isso que Gilmar mudou de ideia?
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    Creio que sim.
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    Re: Assuntos gerais: economia & política

    Mensagem por cicero_pb em Sex Mar 30, 2018 2:33 pm

    A CMED - órgão interventor nos preços dos remédios - acaba de anunciar o reajuste para as farmácias no cusil.

    Veja bem o absurdo: não é o dono da farmácia que calcula seus gastos, impostos, funcionários, riscos e concorrência (mercado). É um órgão do governo que diz quanto deve ser o justo valor a ser cobrado.

    Sabe aquele remédio que vc não encontra mais? Pois é, é reflexo.

    Sabe aquele desconto que vc tem quando anexa sua compra ao seu CPF? É que o preço que o CMED definiu é muito maior do que o mercado realmente aceita praticar.

    Aliás, vc sabe porque farmácias gostam tanto de CPF? Eles vendem informação.

    Você comprou remédio para uma doença braba. Pode esperar alguns problemas para a concessão de crédito ou seguros ou emprego...

    Voltando a teoria do CMED: os reajustes maiores ficam nos medicamentos com maior concorrência, com maiores opções...

    São uns jênios.

    Ah, ia esquecendo: é coisa de comunista!

    São uns filhos-duma-égua. Não pensam no sofrimento do povo, nem em suas necessidades.

    Mas a faixa de "remédios grátis aqui" continua em toda a banânia...

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    Re: Assuntos gerais: economia & política

    Mensagem por jornalista em Sex Mar 30, 2018 7:31 pm

    cicero_pb escreveu:A CMED - órgão interventor nos preços dos remédios - acaba de anunciar o reajuste para as farmácias no cusil.

    Veja bem o absurdo: não é o dono da farmácia que calcula seus gastos, impostos, funcionários, riscos e concorrência (mercado). É um órgão do governo que diz quanto deve ser o justo valor a ser cobrado.

    Sabe aquele remédio que vc não encontra mais? Pois é, é reflexo.

    Sabe aquele desconto que vc tem quando anexa sua compra ao seu CPF? É que o preço que o CMED definiu é muito maior do que o mercado realmente aceita praticar.

    Aliás, vc sabe porque farmácias gostam tanto de CPF? Eles vendem informação.

    Você comprou remédio para uma doença braba. Pode esperar alguns problemas para a concessão de crédito ou seguros ou emprego...

    Voltando a teoria do CMED: os reajustes maiores ficam nos medicamentos com maior concorrência, com maiores opções...

    São uns jênios.

    Ah, ia esquecendo: é coisa de comunista!

    São uns filhos-duma-égua. Não pensam no sofrimento do povo, nem em suas necessidades.

    Mas a faixa de "remédios grátis aqui" continua em toda a banânia...
    É a minha al história do almoço grátis, não existe. Alguém (nós) paga. Até nos países nórdicos é assim. Como é bom desestatizar.
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    Re: Assuntos gerais: economia & política

    Mensagem por Fireball em Seg Abr 02, 2018 6:01 pm

    androsvilazza escreveu:
    Galizezin escreveu:
    ale1969 escreveu:A única coisa que desejo a todos é que sejam julgados por um Juiz isento, sem conluio com o MP e Polícia Judiciária. Nem que seja no "Juízo Final"...

    São Lula estará no "seio" de Abraão...

    E olha que o Juízo Final chega antes do "trânsito em julgado" da maioria dos processos de ricos no Brasil. O do Lula, então, pode escrever: 1) não será preso; 2) se for preso, será solto logo, sob liminar, para "aguardar o fim do processo em liberdade"; 3) em qualquer dos casos (sendo ou não preso), será alcançado pelo "indulto natalino" antes do fim das instâncias de julgamento.

    E não digo isto só porque é o Lula. É assim para qualquer um que tenha condições de pagar bons (e caros) advogados no Brasil. Vai valer a mesma coisa para o Aécio, Temer, etc.

    Aposto no indulto, mas antes um tempinho preso em casa, que agora já pode ser um triplex no guaruja ou um sítio em Atibaia.
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    Re: Assuntos gerais: economia & política

    Mensagem por Galizezin em Ter Abr 03, 2018 2:27 pm

    As vezes me pergunto se existe esquerda moderada. Direita eu sei que existe. Infelizmente, os mais "fortes" na atualidade são candidatos de extrema esquerda e direita. Particularmente prefiro o retorno ao regime militar ante uma venezuelização do BR.


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    Re: Assuntos gerais: economia & política

    Mensagem por androsvilazza em Ter Abr 03, 2018 3:07 pm

    Galizezin escreveu:As vezes me pergunto se existe esquerda moderada. Direita eu sei que existe. Infelizmente, os mais "fortes" na atualidade são candidatos de extrema esquerda e direita. Particularmente prefiro o retorno ao regime militar ante uma venezuelização do BR.

    Pessoalmente, considero os governos FHC, e primeiro governo Lula, como de esquerda moderada. No caso do FHC, em especial, foi "forçado" a adotar algumas medidas supostamente de "direita" com as quais nem concordava, mas que se fizeram necessárias face à gravidade do momento (em especial o combate à inflação e ao inchaço das contas públicas). Cabe a ressalva de que foram medidas propostas pela sua equipe econômica, esta sim formada por economistas liberais. O resultado (equipe liberal x governo social-democrata) foi um meio termo: nem tanto liberal, nem tanto socialista. O mesmo se verificou no primeiro governo Lula, com sua equipe econômica liderada pelo Meirelles.

    A partir do segundo mandato do Lula, já não dá pra enquadrar como esquerda ou direita. O governo Lula de 2006-2009 foi de populismo e compadrio (política de "campeões nacionais"). Ambos (populismo e compadrio) puderam ser sustentados pelo alto crescimento do mercado internacional, e das commodities, até a crise de 2008. A partir da crise, e até o impeachment da Dilma, tudo o que se viu foram experimentos de medidas heterodoxas na economia, algumas das quais não faziam o menor sentido, e que nos trouxeram até a situação atual.
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    Re: Assuntos gerais: economia & política

    Mensagem por PCS-TRE em Ter Abr 03, 2018 3:14 pm

    androsvilazza escreveu:
    Galizezin escreveu:As vezes me pergunto se existe esquerda moderada. Direita eu sei que existe. Infelizmente, os mais "fortes" na atualidade são candidatos de extrema esquerda e direita. Particularmente prefiro o retorno ao regime militar ante uma venezuelização do BR.

    Pessoalmente, considero os governos FHC, e primeiro governo Lula, como de esquerda moderada. No caso do FHC, em especial, foi "forçado" a adotar algumas medidas supostamente de "direita" com as quais nem concordava, mas que se fizeram necessárias face à gravidade do momento (em especial o combate à inflação e ao inchaço das contas públicas). Cabe a ressalva de que foram medidas propostas pela sua equipe econômica, esta sim formada por economistas liberais. O resultado (equipe liberal x governo social-democrata) foi um meio termo: nem tanto liberal, nem tanto socialista. O mesmo se verificou no primeiro governo Lula, com sua equipe econômica liderada pelo Meirelles.

    A partir do segundo mandato do Lula, já não dá pra enquadrar como esquerda ou direita. O governo Lula de 2006-2009 foi de populismo e compadrio (política de "campeões nacionais"). Ambos (populismo e compadrio) puderam ser sustentados pelo alto crescimento do mercado internacional, e das commodities, até a crise de 2008. A partir da crise, e até o impeachment da Dilma, tudo o que se viu foram experimentos de medidas heterodoxas na economia, algumas das quais não faziam o menor sentido, e que nos trouxeram até a situação atual.

    FHC e Lula I escolheram o modelo econômico por necessidade.
    Lula II e principalmente Dilma escolheram o modelo econômico por convicção.

    Conclui-se que na condução da economia brasileira é melhor deixar as convicções de lado e decidir guiado pelas necessidades.
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    Re: Assuntos gerais: economia & política

    Mensagem por Bastião em Ter Abr 03, 2018 6:33 pm

    Galizezin escreveu:As vezes me pergunto se existe esquerda moderada. Direita eu sei que existe. Infelizmente, os mais "fortes" na atualidade são candidatos de extrema esquerda e direita. Particularmente prefiro o retorno ao regime militar ante uma venezuelização do BR.

    Desde a primeira vitória de Lula se fala sobre essa tal Venezuelização. Me lembro da Regina Duarte com medo.

    Lula não é tão extrema esquerda assim (não é nada disso). Ele gostou do Lulinha paz e amor, dos acordos com PMDB e cia.

    Esse macarthismo brasileiro já tá bem passado.
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    Re: Assuntos gerais: economia & política

    Mensagem por Sigma em Ter Abr 03, 2018 7:31 pm

    Bastião escreveu:Desde a primeira vitória de Lula se fala sobre essa tal Venezuelização. Me lembro da Regina Duarte com medo.

    Também me lembro disso. E realmente, não aconteceu nada disso.

    Daí vieram os casos de corrupção, crise econômica, etc, etc.

    E então, o PT decidiu imitar:

    “Quando a gente dá um passo para frente na vida, precisa saber preservar o que conquistou. Não podemos deixar que os fantasmas do passado voltem e levem tudo o que conseguimos com tanto esforço. Nosso emprego de hoje não pode voltar a ser o desemprego de ontem. Não podemos dar ouvido a falsas promessas. O Brasil não quer voltar atrás” - Propaganda eleitoral da Dilma, em 2014.

    O caso é o seguinte: não são poucos os discursos da esquerda em que eles dizem que o maior erro do PT foi não radicalizar. Lindbergh, Gleisi, Boulos, entre outros, já disseram que não há mais espaço para conciliação, e que um novo governo de esquerda precisa ir além do que foi feito, implementar de fato o socialismo.

    Eu não arriscaria.
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    Re: Assuntos gerais: economia & política

    Mensagem por pernalonga em Ter Abr 03, 2018 7:57 pm

    Olha, o PT e todos os partidos da ordem tem muito mais compromisso com os bancos, empreiteiras, investidores internacionais do que com qualquer outra força social. Falam groso pra enganar os trouxas, mas depois de eleitos estarão todos metendo reforma. O candidato do mercado já está eleito, só não se sabe qual será seu partido

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    Re: Assuntos gerais: economia & política

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