PCS JÁ



    Assuntos gerais: economia & política

    Compartilhe
    avatar
    androsvilazza
    Usuário VIP
    Usuário VIP

    Mensagens : 2020
    Reputação : 269
    Data de inscrição : 22/01/2015

    Re: Assuntos gerais: economia & política

    Mensagem por androsvilazza em Ter 21 Ago 2018, 9:29 am

    Protocol escreveu:
    Korgano Masaka escreveu:
    ale1969 escreveu:É exatamente esse dualismo que critico, não há capacidade reflexiva. Ou é feio ou é bonito, esquerdista ou direitista, coxinha ou mortadela...

    Não defendi, nem defendo o Lula. Muito menos regimes ditatoriais de esquerda ou de direita, já que prezo pela democracia(o melhor dos piores regimes de convívio social).

     

    Não há 'dualismo'. O esquerdismo é anti democrático por natureza. Quando não está no poder, prega o caos e o desrespeito as leis. Quando está no poder, implemente a falência e o caos econômico e o desrespeito as leis (inclusive as feitas por eles mesmos, vide Lei da Ficha Limpa).

    Chile, Portugal, dentre outros tantos países têm ou tiveram governos ditos de esquerda e não entraram em colapso.

    Não acho que a esquerda seja antidemocrática, mas sim os extremos.

    Qualquer visão radical em relação à qual haja na sociedade divergência só poderá ser implementada por meios antidemocráticos, força e coerção.

    Basta ver que muitos dos que defendem o lema "bandido bom é bandido morto" também defendem intervenção militar, pois não há outro meio de se realizar a "limpeza" que não seja em um governo amparado pela força e não pela lei.

    A ameaça à democracia está nos extremos.

    Exatamente. Os extremos é que têm potencial, também, de afundar o país. O mesmo que você diz com relação ao Chile, Portugal, de terem tido governos ditos de esquerda e sobrevivido, pode-se dizer da França e do próprio Brasil. A questão é que foram governos de "esquerda moderada", adotando pilares econômicos rechaçados pela esquerda tradicional (equilíbrio fiscal, estabilidade da moeda, certa abertura comercial, dentre outros). Tanto é assim, que o Lula é às vezes tratado como "traidor" por alguns setores da esquerda brasileira, por ter promovido a necessária reforma da previdência em 2003, e por ter realizado algumas privatizações/concessões.

    Até tentaram aproximar sua política econômica da pauta econômica da esquerda, já no final do segundo governo Lula, e durante o primeiro mandato da Dilma. É só observar os fundamentos das políticas de "campeões nacionais", a tal política anticíclica adotada pelo segundo governo Lula (aqui compreensível, diante da crise econômica mundial), e a "nova matriz econômica da Dilma". Foi o que mais se aproximou dos dogmas econômicos da esquerda desenvolvimentista (que também é, de certo modo, até moderada), e teve resultados catastróficos.

    Não tem muito como fugir. A política econômica da esquerda é intrinsecamente desastrosa. Onde deu mais ou menos certo, foi porque tiveram que fazer concessões à "economia ortodoxa", e passaram a ser classificados pela própria esquerda como "neoliberais", ou "traidores".
    avatar
    androsvilazza
    Usuário VIP
    Usuário VIP

    Mensagens : 2020
    Reputação : 269
    Data de inscrição : 22/01/2015

    Re: Assuntos gerais: economia & política

    Mensagem por androsvilazza em Ter 21 Ago 2018, 9:31 am

    ale1969 escreveu:Por falar em bobagem, a do Alckmin ontem foi demais. Confundiu a sua vice com a do Ciro Gomes.
    Outra linda foi a do Bolsonaro dizer que vai tirar o Brasil da ONU. Depois tentou se corrigir e mostrou seu grande "preparo" para a função.

    Essa mania de brasileiro querer copiar americano em tudo é mesmo ridícula. O cara vê o Trump batendo de frente com a ONU, e acha inteligente para o Brasil fazer o mesmo.

    Tem um ótimo vídeo do William Waack comentando essa questão da ONU, que reflete bem o que penso sobre o assunto:



    avatar
    ale1969
    Usuário Master
    Usuário Master

    Mensagens : 507
    Reputação : 39
    Data de inscrição : 26/03/2015

    Re: Assuntos gerais: economia & política

    Mensagem por ale1969 em Ter 21 Ago 2018, 10:21 am

    O Willian Waack fala uma coisa em frente as câmeras e outra em "off". Como Boris Casoy, Alexandre Garcia e outros.
    Cuidado com jornalistas que adotam o pensamento do seu "patrão", geralmente enganam o interlocutor, distorcem a informação para ganhar dinheiro.
    avatar
    Galizezin
    Moderador
    Moderador

    Mensagens : 6068
    Reputação : 228
    Data de inscrição : 13/01/2012

    Re: Assuntos gerais: economia & política

    Mensagem por Galizezin em Ter 21 Ago 2018, 11:03 am

    ale1969 escreveu:Por falar em bobagem, a do Alckmin ontem foi demais. Confundiu a sua vice com a do Ciro Gomes.
    Outra linda foi a do Bolsonaro dizer que vai tirar o Brasil da ONU. Depois tentou se corrigir e mostrou seu grande "preparo" para a função.

    Na minha limitada visão, o que afunda um país são líderes extremistas. E como temos extremistas disputando as eleições deste ano. BolsoMITO e cangaCIRO são dois exemplos. E olha que já pensei em votar nesses caras, não fosse a postura e personalidade deles.


    _________________
    NO RACISM!
    avatar
    Korgano Masaka
    Usuário Master
    Usuário Master

    Cargo : Técnico do MPU
    Mensagens : 931
    Reputação : 51
    Data de inscrição : 29/07/2015

    Re: Assuntos gerais: economia & política

    Mensagem por Korgano Masaka em Ter 21 Ago 2018, 11:19 am

    ale1969 escreveu:O Willian Waack fala uma coisa em frente as câmeras e outra em "off". Como Boris Casoy, Alexandre Garcia e outros.
    Cuidado com jornalistas que adotam o pensamento do seu "patrão", geralmente enganam o interlocutor, distorcem a informação para ganhar dinheiro.  

    Como todo bom petista, sempre ataca a régua e não a medida. Só incauto ou petista fanátido acredita que a "ONU" decidiu alguma coisa...
    avatar
    ale1969
    Usuário Master
    Usuário Master

    Mensagens : 507
    Reputação : 39
    Data de inscrição : 26/03/2015

    Re: Assuntos gerais: economia & política

    Mensagem por ale1969 em Ter 21 Ago 2018, 11:40 am

    Korgano Masaka escreveu:
    ale1969 escreveu:O Willian Waack fala uma coisa em frente as câmeras e outra em "off". Como Boris Casoy, Alexandre Garcia e outros.
    Cuidado com jornalistas que adotam o pensamento do seu "patrão", geralmente enganam o interlocutor, distorcem a informação para ganhar dinheiro.  

    Como todo bom petista, sempre ataca a régua e não a medida. Só incauto ou petista fanátido acredita que a "ONU" decidiu alguma coisa...

    Não entendi. O Willian Waack é petista?
    avatar
    androsvilazza
    Usuário VIP
    Usuário VIP

    Mensagens : 2020
    Reputação : 269
    Data de inscrição : 22/01/2015

    Re: Assuntos gerais: economia & política

    Mensagem por androsvilazza em Ter 21 Ago 2018, 12:06 pm

    ale1969 escreveu:
    Korgano Masaka escreveu:
    ale1969 escreveu:O Willian Waack fala uma coisa em frente as câmeras e outra em "off". Como Boris Casoy, Alexandre Garcia e outros.
    Cuidado com jornalistas que adotam o pensamento do seu "patrão", geralmente enganam o interlocutor, distorcem a informação para ganhar dinheiro.  

    Como todo bom petista, sempre ataca a régua e não a medida. Só incauto ou petista fanátido acredita que a "ONU" decidiu alguma coisa...

    Não entendi. O Willian Waack é petista?

    Nesse vídeo dele não há qualquer distorção, a meu ver:

    1. O tal comitê de direitos humanos não é A ONU, e suas "decisões" não têm qualquer caráter de obrigatoriedade. Aliás, nenhuma "decisão" da ONU (mesmo as oficiais) têm caráter de "obrigatoriedade". Quanto mais uma decisão de um (como bem diz o Waack) "subcomitê", que nem mesmo é uma instância deliberativa do Conselho de Direitos Humanos, ou seja, a opinião que expressam não reflete necessariamente a posição da ONU, e muito menos a de seus países membros (que seria o que de fato importa).

    2. Para os EUA, criticar a ONU, ameaçar saída, é uma coisa. Ajuda a conseguir impor seu ponto de vista, e obter vantagens em negociações. Para o Brasil, um país fraquíssimo internacionalmente, é completamente diferente. Para países fracos e sem relevância, esses organismos multilaterais são ótimos. Tanto é verdade, que os únicos eventos em que o Brasil tem aparente relevância em nível internacional têm alguma ligação direta ou indireta com a ONU ou BRICS, ambos organismos multilaterais. Criticar e ameaçar a saída de qualquer desses organismos, para o Brasil, é um imenso tiro no próprio pé. Caso o Bolsonaro seja eleito e, em janeiro, resolva "sair da ONU", como ameaça, ninguém vai dar a mínima importância, e o Brasil só terá conseguido se isolar ainda mais do resto do mundo.

    avatar
    Bastião
    Usuário Sênior
    Usuário Sênior

    Mensagens : 329
    Reputação : 15
    Data de inscrição : 10/11/2017

    Re: Assuntos gerais: economia & política

    Mensagem por Bastião em Ter 21 Ago 2018, 1:08 pm

    PT, Lula e a torcida do Flamengo sabem que essa "decisão" da ONU não daria em nada, em termos práticos.

    O que interessa é aparecer. Por qualquer motivo, o caso Lula deve estar na mídia, para ele não ser esquecido em Curitiba.

    Se tivesse uma questão do concurso sobre a prisão de Lula eu assinalaria:

    [x] prisão política
    avatar
    Sigma
    Usuário VIP
    Usuário VIP

    Cargo : Analista Judiciário - Especialidade TI
    Mensagens : 5092
    Reputação : 134
    Data de inscrição : 08/07/2010
    Idade : 38
    Localização : Curitiba/PR

    Re: Assuntos gerais: economia & política

    Mensagem por Sigma em Ter 21 Ago 2018, 2:05 pm

    Bastião escreveu:PT, Lula e a torcida do Flamengo sabem que essa "decisão" da ONU não daria em nada, em termos práticos.

    O que interessa é aparecer. Por qualquer motivo, o caso Lula deve estar na mídia, para ele não ser esquecido em Curitiba.

    Se tivesse uma questão do concurso sobre a prisão de Lula eu assinalaria:

    [x] prisão política

    Mas, Bastião, considerar que Lula é um preso político é partir do pressuposto de que ele realmente é inocente. Não é o caso.
    avatar
    Bastião
    Usuário Sênior
    Usuário Sênior

    Mensagens : 329
    Reputação : 15
    Data de inscrição : 10/11/2017

    Re: Assuntos gerais: economia & política

    Mensagem por Bastião em Ter 21 Ago 2018, 2:21 pm

    Caro colega, posso estar errado, mas acredito numa "bela forçada de barra" para o encaixe da conduta no tipo penal.

    Mas, a essas alturas, isso é irrelevante.

    O Brasil é uma piada, de qualquer forma.
    avatar
    ale1969
    Usuário Master
    Usuário Master

    Mensagens : 507
    Reputação : 39
    Data de inscrição : 26/03/2015

    Re: Assuntos gerais: economia & política

    Mensagem por ale1969 em Ter 21 Ago 2018, 2:34 pm

    O Rio de Janeiro já foi a referência cultural e política do país, não é mais.

    A pesquisa Ibope para governador aponta empate técnico, dentro da margem de erro, entre Romário( o bom de bola), Garotinho(o do cheque cidadão) e Eduardo Paes(filhote do Cabral e do Cesar Maia, que adora Maricá e São Pedro da Aldeia).

    Pior o Senado, que apresentam quatro candidatos empatados Flávio Bolsonaro, Cesar Maia, Lindbergh(lindinho) e Chico Alencar. Menos mal que serão eleitos dois. Nesse caso farei o "voto útil", votarei no Chico Alencar e nulo na segunda opção. Parece-me a solução mais acertada para garantir pelo menos um Senador decente para o Rio de Janeiro, já que o Romário ou seu suplente só sairão em 2022.

    Que falta fazem Brizola e Darcy Ribeiro...
    avatar
    androsvilazza
    Usuário VIP
    Usuário VIP

    Mensagens : 2020
    Reputação : 269
    Data de inscrição : 22/01/2015

    Re: Assuntos gerais: economia & política

    Mensagem por androsvilazza em Ter 21 Ago 2018, 3:23 pm

    Bastião escreveu:Caro colega, posso estar errado, mas acredito numa "bela forçada de barra" para o encaixe da conduta no tipo penal.

    Mas, a essas alturas, isso é irrelevante.

    O Brasil é uma piada, de qualquer forma.

    Sim, é uma piada mesmo. O Lula recebe exatamente o mesmo tratamento que todos os reais presos políticos na História mundial, só que não.

    Ou somos o único país do mundo onde um "preso político" tem mais regalias que qualquer outro preso, inclusive total liberdade pra fazer suas articulações políticas de dentro da prisão. Laughing Laughing

    Todo político corrupto, quando preso (à exceção dos que confessaram para redução de pena, como o Roberto Jefferson), afirma ser "preso político". Lula é só mais um. Segue o baile.

    avatar
    Protocol
    Usuário Sênior
    Usuário Sênior

    Mensagens : 421
    Reputação : 41
    Data de inscrição : 01/06/2015

    Re: Assuntos gerais: economia & política

    Mensagem por Protocol em Ter 21 Ago 2018, 3:51 pm

    Bastião escreveu:PT, Lula e a torcida do Flamengo sabem que essa "decisão" da ONU não daria em nada, em termos práticos.

    O que interessa é aparecer. Por qualquer motivo, o caso Lula deve estar na mídia, para ele não ser esquecido em Curitiba.

    Se tivesse uma questão do concurso sobre a prisão de Lula eu assinalaria:

    [x] prisão política

    O processo do ex-presidente foi investigado (autoridade 1), tendo o Lula sido formalmente indiciado.

    Houve a propositura da ação penal (autoridade 2), recebida, instruída e julgada conforme os ritos processuais, leis materiais, e pelo juiz previamente estabelecido (juiz natural) (autoridade 3)

    Prolatada a sentença, o réu exerceu seu direito ao duplo grau de jurisdição perante desembargadores também previamente investidos (em número de três), os quais, seguindo os ritos legais, rejeitaram o recurso do ex-presidente e agravaram sua pena (autoridade 4).

    Insatisfeito, o agora condenado em segunda instância fez uso de garantia constitucional (habeas corpus) para resguardar o direito de responder ao processo sem seu recolhimento ao cárcere, diante do que se decidiu, em consonância com jurisprudência estabelecida antes do caso, que ao juiz era lícito determinar o início do cumprimento de pena a partir de condenação por órgão colegiado (autoridade 5).

    Em decorrência desta decisão, o ex-presidente iniciou o cumprimento da pena, com a possibilidade de acesso à instâncias superiores por meio de recursos, nos quais poderá discutir a justiça em sua condenação, porém nas quais não haverá mais apreciação de fatos e provas.

    Contra o ex-presidente pesam declarações de pessoas muito próximas e vários indícios. Não vou adentrar no mérito, pois sou do time que tem um pé atrás em relação a este processo.

    No entanto, deve se reconhecer que o Estado-Juiz, na persecução penal, procedeu conforme os ditames legais e constitucionais.

    Por esta razão, não há como se defender a prisão do Lula como política sem afirmar que as autoridades 1, 2, 3, 4, e 5, que compreendem desde o Poder Executivo (PF) até a cúpula do Poder Judiciário (STF) são criminosas, o que não invalida só a punição do ex-presidente, mas TODAS as condenações, de qualquer cidadão, e não me restrinjo ao âmbito da operação Lava-Jato.

    Se estas instituições agiram com ânimo viciado em relação ao ex-presidente, não há garantias de que não o fizeram em todos os outros casos que julgaram. E se assim se considerar, abram-se as portas das prisões, destrua-se o sistema, demita-se todos os agentes e servidores destas instituições (nós), e viva o caos.

    Preso político, na minha opinião, é alguém conduzido ao cárcere sem julgamento, às vezes sem inclusive acusação formal.

    Se o ex-presidente se considera nesta categoria, não deveria usar o sistema que supostamente o oprime para buscar a liberdade. Ou o sistema é injusto e opressor, e não há porque se socorrer dele, ou há nele justiça e é razoável continuar se valendo dos meios processuais para conquistar a declaração de inocência e liberdade.

    Um último pitaco.

    Se o ex-presidente não tivesse sido condenado em segunda instância, embora não votasse nele defenderia o direito de ser candidato, pois votar e ser votado é o que define a cidadania. Contudo, há no ordenamento jurídico lei, sancionada pelo próprio, que o torna inelegível na condição em que atualmente se encontra.

    Assim, insistir na possibilidade de ser candidato mesmo sabendo que a lei claramente o veda é ser (mais) um agente do caos, e disso o Brasil não precisa.
    avatar
    josebarbos
    Usuário VIP
    Usuário VIP

    Mensagens : 2764
    Reputação : 390
    Data de inscrição : 20/05/2015

    Re: Assuntos gerais: economia & política

    Mensagem por josebarbos em Ter 21 Ago 2018, 5:03 pm

    ale1969 escreveu:Por falar em bobagem, a do Alckmin ontem foi demais. Confundiu a sua vice com a do Ciro Gomes.
    Outra linda foi a do Bolsonaro dizer que vai tirar o Brasil da ONU. Depois tentou se corrigir e mostrou seu grande "preparo" para a função.

    Por coincidência, ontem vi este ato falho e mostra a coerência da valorização da mulher: não sabe sequer quem é sua vice, o que denota, no mínimo, que foi um nome imposto e pelo qual ele ignora por completo.
    avatar
    pernalonga
    Usuário VIP
    Usuário VIP

    Mensagens : 1860
    Reputação : 769
    Data de inscrição : 25/04/2012

    Re: Assuntos gerais: economia & política

    Mensagem por pernalonga em Ter 21 Ago 2018, 6:13 pm

    Depois de Temer, a escolha do vice passou a ser importante quanto a do cabeça de chapa
    avatar
    Bastião
    Usuário Sênior
    Usuário Sênior

    Mensagens : 329
    Reputação : 15
    Data de inscrição : 10/11/2017

    Re: Assuntos gerais: economia & política

    Mensagem por Bastião em Ter 21 Ago 2018, 7:31 pm

    Protocol escreveu:
    Bastião escreveu:PT, Lula e a torcida do Flamengo sabem que essa "decisão" da ONU não daria em nada, em termos práticos.

    O que interessa é aparecer. Por qualquer motivo, o caso Lula deve estar na mídia, para ele não ser esquecido em Curitiba.

    Se tivesse uma questão do concurso sobre a prisão de Lula eu assinalaria:

    [x] prisão política

    O processo do ex-presidente foi investigado (autoridade 1), tendo o Lula sido formalmente indiciado.

    Houve a propositura da ação penal (autoridade 2), recebida, instruída e julgada conforme os ritos processuais, leis materiais, e pelo juiz previamente estabelecido (juiz natural) (autoridade 3)

    Prolatada a sentença, o réu exerceu seu direito ao duplo grau de jurisdição perante desembargadores também previamente investidos (em número de três), os quais, seguindo os ritos legais, rejeitaram o recurso do ex-presidente e agravaram sua pena (autoridade 4).

    Insatisfeito, o agora condenado em segunda instância fez uso de garantia constitucional (habeas corpus) para resguardar o direito de responder ao processo sem seu recolhimento ao cárcere, diante do que se decidiu, em consonância com jurisprudência estabelecida antes do caso, que ao juiz era lícito determinar o início do cumprimento de pena a partir de condenação por órgão colegiado (autoridade 5).

    Em decorrência desta decisão, o ex-presidente iniciou o cumprimento da pena, com a possibilidade de acesso à instâncias superiores por meio de recursos, nos quais poderá discutir a justiça em sua condenação, porém nas quais não haverá mais apreciação de fatos e provas.

    Contra o ex-presidente pesam declarações de pessoas muito próximas e vários indícios. Não vou adentrar no mérito, pois sou do time que tem um pé atrás em relação a este processo.

    No entanto, deve se reconhecer que o Estado-Juiz, na persecução penal, procedeu conforme os ditames legais e constitucionais.

    Por esta razão, não há como se defender a prisão do Lula como política sem afirmar que as autoridades 1, 2, 3, 4, e 5, que compreendem desde o Poder Executivo (PF) até a cúpula do Poder Judiciário (STF) são criminosas, o que não invalida só a punição do ex-presidente, mas TODAS as condenações, de qualquer cidadão, e não me restrinjo ao âmbito da operação Lava-Jato.

    Se estas instituições agiram com ânimo viciado em relação ao ex-presidente, não há garantias de que não o fizeram em todos os outros casos que julgaram. E se assim se considerar, abram-se as portas das prisões, destrua-se o sistema, demita-se todos os agentes e servidores destas instituições (nós), e viva o caos.

    Preso político, na minha opinião, é alguém conduzido ao cárcere sem julgamento, às vezes sem inclusive acusação formal.

    Se o ex-presidente se considera nesta categoria, não deveria usar o sistema que supostamente o oprime para buscar a liberdade. Ou o sistema é injusto e opressor, e não há porque se socorrer dele, ou há nele justiça e é razoável continuar se valendo dos meios processuais para conquistar a declaração de inocência e liberdade.

    Um último pitaco.

    Se o ex-presidente não tivesse sido condenado em segunda instância, embora não votasse nele defenderia o direito de ser candidato, pois votar e ser votado é o que define a cidadania. Contudo, há no ordenamento jurídico lei, sancionada pelo próprio, que o torna inelegível na condição em que atualmente se encontra.

    Assim, insistir na possibilidade de ser candidato mesmo sabendo que a lei claramente o veda é ser (mais) um agente do caos, e disso o Brasil não precisa.

    "Assim, insistir na possibilidade de ser candidato mesmo sabendo que a lei claramente o veda é ser (mais) um agente do caos, e disso o Brasil não precisa."

    Concordo. Deveria ter a grandeza de tirar o time de campo e apoiar outro candidato. Mas, ele é um egocêntrico.
    avatar
    Sigma
    Usuário VIP
    Usuário VIP

    Cargo : Analista Judiciário - Especialidade TI
    Mensagens : 5092
    Reputação : 134
    Data de inscrição : 08/07/2010
    Idade : 38
    Localização : Curitiba/PR

    Re: Assuntos gerais: economia & política

    Mensagem por Sigma em Ter 21 Ago 2018, 7:43 pm

    Bastião escreveu:Caro colega, posso estar errado, mas acredito numa "bela forçada de barra" para o encaixe da conduta no tipo penal.

    Mas, a essas alturas, isso é irrelevante.

    O Brasil é uma piada, de qualquer forma.

    Bastião, com todo o respeito, mas forçar a barra é acreditar que o Lula não se beneficiou diretamente da corrupção da Petrobrás, Odebrecht, OAS, etc.
    avatar
    Bastião
    Usuário Sênior
    Usuário Sênior

    Mensagens : 329
    Reputação : 15
    Data de inscrição : 10/11/2017

    Re: Assuntos gerais: economia & política

    Mensagem por Bastião em Ter 21 Ago 2018, 7:54 pm

    Sigma escreveu:
    Bastião escreveu:Caro colega, posso estar errado, mas acredito numa "bela forçada de barra" para o encaixe da conduta no tipo penal.

    Mas, a essas alturas, isso é irrelevante.

    O Brasil é uma piada, de qualquer forma.

    Bastião, com todo o respeito, mas forçar a barra é acreditar que o Lula não se beneficiou diretamente da corrupção da Petrobrás, Odebrecht, OAS, etc.

    Não duvido, até provável. Mas essa é a questão. Assim, todos que receberam doações legais (ou ilegais) da OAS e Odrebecht deveriam estar presos, pois são eventuais suspeitos. Na minha concepção, houve uma engenharia jurídica na sentença. E, processualmente, irretocável. Agora materialmente.. hum...

    Muitos fizeram reformas em triplex ou algo parecido. Isso nunca vai acontecer, pois há seletividade. No fim das contas foi a única maneira de tirá-lo do páreo eleitoral. Pelo menos, por enquanto.
    avatar
    Korgano Masaka
    Usuário Master
    Usuário Master

    Cargo : Técnico do MPU
    Mensagens : 931
    Reputação : 51
    Data de inscrição : 29/07/2015

    Re: Assuntos gerais: economia & política

    Mensagem por Korgano Masaka em Qua 22 Ago 2018, 11:25 am

    Bastião escreveu:
    Sigma escreveu:
    Bastião escreveu:Caro colega, posso estar errado, mas acredito numa "bela forçada de barra" para o encaixe da conduta no tipo penal.

    Mas, a essas alturas, isso é irrelevante.

    O Brasil é uma piada, de qualquer forma.

    Bastião, com todo o respeito, mas forçar a barra é acreditar que o Lula não se beneficiou diretamente da corrupção da Petrobrás, Odebrecht, OAS, etc.

    Não duvido, até provável. Mas essa é a questão. Assim, todos que receberam doações legais (ou ilegais) da OAS e Odrebecht deveriam estar presos, pois são eventuais suspeitos. Na minha concepção, houve uma engenharia jurídica na sentença. E, processualmente, irretocável. Agora materialmente.. hum...

    Muitos fizeram reformas em triplex ou algo parecido. Isso nunca vai acontecer, pois há seletividade. No fim das contas foi a única maneira de tirá-lo do páreo eleitoral. Pelo menos, por enquanto.

    A sentença é irretocável processualmente e materialmente. Lula é corrupto lavador de dinheiro condenado em primeira e segunda instância. Tem mais 6 processos e, provavelmente, será condenado em todos porque é corrupto(e sempre foi) contumaz. Engenharia (de cana) jurídica fazem aqueles que defende o Lula Corrupto e Lavador de Dinheiro.
    ps: ele está fora do páreo eleitoral pela Lei da Ficha Limpa que ele mesmo assinou sem ler...
    Laughing
    avatar
    Sigma
    Usuário VIP
    Usuário VIP

    Cargo : Analista Judiciário - Especialidade TI
    Mensagens : 5092
    Reputação : 134
    Data de inscrição : 08/07/2010
    Idade : 38
    Localização : Curitiba/PR

    Re: Assuntos gerais: economia & política

    Mensagem por Sigma em Qua 22 Ago 2018, 2:52 pm

    Mensalidade: remédio amargo para as universidades públicas

    Cobrança poderia ser uma saída para a crise das instituições, mas implicações e potencial da medida requerem análise profunda

    Emanuel Neves, especial para a Gazeta do Povo  [22/08/2018]  [10h53]

    As passarelas da reitoria da Universidade de Brasília (UnB) foram tomadas por centenas de estudantes no dia 12 de abril. Os jovens invadiram o prédio central e ali acamparam por 19 dias. A ocupação foi um protesto contra a situação de penúria administrativa vivida pela instituição. Em março, dias antes da invasão, a UnB havia aumentado os valores do restaurante universitário e anunciado a demissão de funcionários terceirizados e estagiários. O motivo: contenção de gastos devido à queda nos repasses do Ministério da Educação (MEC).

    Apesar dos movimentos, a previsão é fechar 2018 com um déficit superior a R$ 92 milhões. No ano passado, o rombo ultrapassou os R$ 100 milhões. O problema da UnB se estende à maior parte das Instituições de Ensino Superior (IES) públicas do Brasil. A rede federal, por exemplo, perdeu 50% dos recursos de investimentos e 20% da receita de custeio entre 2014 e 2017, segundo a Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes).

    O horizonte não traz boas perspectivas. A aprovação da Emenda Constitucional 95/2016, que congela o teto dos gastos públicos, reduziu a probabilidade de uma retomada nos patamares de receita. Assim, o país precisa encontrar soluções para equilibrar o quadro das IES estatais. Uma das medidas consideradas é a cobrança de mensalidades no ensino público superior. Controverso, o tema carece de aprofundamento e exige debates técnicos e conceituais.  

    Funil estreito

    Em outubro de 2017, o então deputado federal Andrés Sanchez (PT-SP) enviou à Câmara Federal uma proposta de emenda constitucional (PEC 366/17) que permite a cobrança de mensalidades por parte das universidades públicas a estudantes com maior poder aquisitivo. O pagamento seria condicionado ao nível socioeconômico do aluno.

    A relação desproporcional entre a renda dos estudantes e o acesso às IES estatais é a principal justificativa apontada por quem apoia o fim da gratuidade. “Há uma inversão cruel do perfil do aluno das universidades públicas. Em geral, quem cursa a educação básica na rede privada conquista uma vaga nas instituições públicas”, afirma Sólon Caldas, diretor executivo da Associação Brasileira de Mantenedoras de Ensino Superior (ABMES). O Banco Mundial também pensa assim.

    A entidade defendeu a solução no relatório “Um ajuste justo”, divulgado em novembro de 2017. De acordo com o documento, cerca de 65% dos estudantes das IES federais integram a faixa dos 40% mais ricos da população. Já a “Pesquisa do Perfil Socioeconômico dos Estudantes das Universidades Federais”, elaborada pela Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior no Brasil (Andifes) e pelo Fórum Nacional de Pró-Reitores de Assistência Estudantil (Fonaprace), encontrou outros resultados. Realizado em 2014, o levantamento demonstrou que dois terços dos alunos têm origem em famílias com renda média de até 1,5 salário mínimo e 60% deles vêm de escolas públicas.

    A disparidade pode derivar do recorte feito em cada instituição. “Existem diferentes análises da situação, com argumentos baseados em dados seletivos”, explica Roberto Lobo, consultor de ensino superior do International Entrepreneurship Center (IEC-EUA) e ex-reitor da Universidade de São Paulo (USP). Ainda assim, o desafio para um aluno com pouco poder aquisitivo chegar à universidade pública é grande. A chance de um jovem com renda familiar per capita de R$ 250 ao mês ingressar em uma faculdade estatal é de 2%, segundo um estudo realizado pelo Instituto Mercado Popular em 2016. Entre os alunos com renda superior a R$ 20 mil, a probabilidade chega a 40%. Ou seja, o funil se mostra bem mais estreito a quem tem menos dinheiro. Já a conta para manter a estrutura de ensino superior estatal funcionando é dividido entre todas as fatias da população.

    A PEC elaborada por Sanchez prevê a isenção apenas para estudantes que tenham cursado o Ensino Médio completo em escola pública ou como bolsistas integrais em unidades particulares. Em janeiro, o Chile aprovou a gratuidade do ensino superior para a população situada entre os 60% mais pobres. Desde o começo da década de 1980, o país cobrava mensalidades nas instituições públicas.

    Como mecanismos de equilíbrio, o Banco Mundial recomenda a distribuição de bolsas e a expansão de linhas de financiamento – a exemplo do Fundo de Financiamento Estudantil (Fies). O ProUni concede bolsas parciais ou totais para viabilizar o ingresso de pessoas com menor renda nas universidades particulares. A condição é o candidato ter cursado o Ensino Médio em escolas públicas ou como bolsista integral na rede privada.

    Risco de inadimplência

    A eficácia poderia servir como parâmetro para direcionar os financiamentos nas instituições públicas. Ao menos é o que defende o cientista político Simon Schwartzman. Ex-presidente do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), ele propõe um programa de crédito atrelado a critérios mercadológicos e de desempenho institucional.

    “Carreiras sem perspectivas profissionais ou instituições que sistematicamente reprovam muitos alunos ou não capacitam para o mercado não podem ser financiados, a não ser em casos de especial interesse público”, recomenda.

    A ideia seria o antídoto para evitar o medo da inadimplência – um fator capaz de afastar ainda mais os alunos pobres das universidades. “Quando bem desenhados, os sistemas de crédito associam o pagamento da dívida aos resultados futuros no mercado de trabalho”, diz o cientista político. Atualmente, a inadimplência do Fies passa dos 40%. Os atrasos somaram R$ 32 bilhões só em 2016, segundo o MEC. E o modelo não é inseguro apenas por aqui.

    Nos Estados Unidos, a busca por financiamentos cresceu desde a década passada, em razão da crise econômica. Lá, a maior parte das universidades públicas é paga. E são poucos os que podem arcar com as mensalidades. “O empobrecimento da classe média faz com que muitos estudantes americanos precisem de empréstimos para custear seus estudos e acabem contraindo uma dívida que não conseguem pagar depois de formados”, afirma Arabela Oliven, doutora em Sociologia pela Universidade de Londres. Ela leciona na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e se dedica ao estudo comparativo entre as políticas de inclusão educacional brasileiras e norte-americanas.

    A dívida estudantil dos EUA alcançou US$ 1,3 trilhão em 2016 e o Banco Central Americano contabiliza 43 milhões de inadimplentes. Cerca de 70% dos estudantes recorrem aos financiamentos. Muitas vezes, os montantes se tornam impagáveis. A ONG Student Debt Crisis (Crise do Débito Estudantil, em livre tradução) estima que 20% dos americanos com mais de 50 anos tenham dívidas de diploma.

    Se optar pela estratégia de combater a exclusão advinda da cobrança de mensalidades com o aumento do crédito, o Brasil precisará ter inteligência para desenhar uma estrutura profícua de financiamento. Assim, o risco de ampliar o passivo estudantil ou de estabelecer subsídios sem critérios deve ser considerado. “É preciso evitar tanto a situação extrema dos Estados Unidos quanto a distribuição indiscriminada que vigorava até recentemente no Fies”, aconselha Schwarzman.

    Para ele, o modelo da Austrália pode servir como inspiração. O sistema australiano prevê o pagamento do crédito apenas quando os graduados atingem um nível determinado de renda. As amortizações são proporcionais ao rendimento e não há prazo de quitação. O método poderia reverter até R$ 9 bilhões para as universidades públicas no período de dez anos, conforme um cálculo do economista Paulo Meyer, do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea).  

    Divergência de interpretações

    Além de exigir a definição de um novo filtro para a gratuidade e um escalonamento na liberação de créditos, o tema da cobrança de mensalidades ainda suscita outros debates. A questão gerencial e a própria idoneidade administrativa fazem parte dessa análise. Há quem receie, por exemplo, uma diminuição da atenção dedicada pelo governo federal às instituições. “Se houver o pagamento de mensalidades, acredito que os governos se sentirão menos obrigados a sustentar as universidades. Os repassem cairão”, diz Roberto Lobo, do IEC. Apesar da ressalva, ele é favorável à contribuição financeira.

    A proposta de Lobo seria cobrar dos alunos com maior poder aquisitivo para equilibrar o orçamento e dar apoio aos estudantes carentes. O problema, segundo ele, é a insegurança quanto à destinação das verbas provenientes das mensalidades. “Os recursos até poderiam ser alocados em outros projetos governamentais, desde que tivessem o propósito de reduzir a desigualdade. Seria aceitável. Mas temos uma classe política que só dá maus exemplos. Quem poderia acreditar nisso?”, questiona. “A situação é agravada pela falta absoluta de confiança nos gestores públicos brasileiros”.

    Já Arabela Oliven se posiciona contra a cobrança. A professora considera a ideia simplificadora e inócua em diversos âmbitos, além de mascarar uma das principais chagas do país. “A medida teria um impacto mínimo no financiamento da educação superior e encobre o grande problema brasileiro que é a imensa concentração de renda”, acredita a socióloga. “Os ricos não devem pagar por meio das matrículas dos seus filhos, mas por meio de um sistema tributário mais justo.” Outro ponto levantado por ela é a inconstitucionalidade da pauta.

    De fato, a gratuidade do ensino em estabelecimentos oficiais é um princípio estipulado na Constituição Federal de 1988. Mas a adequação dessa diretriz à atual conjuntura sofre contestações. O cientista político Simon Schwartzman considera-a anacrônica.

    “Isto precisa ser alterado. A lei foi feita quando havia muito menos estudantes, os custos eram bem menores e o desequilíbrio fiscal sequer era vislumbrado. Não se trata de um princípio de direito universal”, diz ele. O Brasil tinha 1,5 milhão de universitários em 1988 – 39% matriculados na rede pública. Atualmente, o número de graduandos ultrapassa os 8 milhões. Cerca de 25% deles estão em instituições gratuitas. Os dados são do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (INEP).

    O próprio conceito de gratuidade é relativizado. “Não existe gratuidade nos serviços públicos. A universidade não tem custo para quem estuda, mas é financiada pelos contribuintes. No caso, os mais pobres pagam para os mais ricos”, pondera Sólon Caldas, da ABMES. A discussão em relação à constitucionalidade gera interpretações dúbias por parte das próprias instâncias diretivas da União.

    Em março de 2017, a Câmara Federal reprovou a PEC 395/14, que admitia a cobrança de mensalidades em cursos de extensão e pós-graduação lato sensu (especializações) em faculdades públicas. O Superior Tribunal Federal, por sua vez, foi no sentido inverso e um mês depois liberou as universidades para cobrarem por essas modalidades de ensino.

    O episódio demonstra o quanto a pauta é polêmica e mexe com questões complexas. Inclusive, a PEC de Andrés Sanchez causou desconforto no próprio Partido dos Trabalhadores (PT). A legenda obrigou o deputado a retirar a proposta em novembro do ano passado, um mês depois de o projeto ter sido inscrito. Existe outra proposta relacionada ao tema tramitando em Brasília – a PL 782/15, elaborada originalmente em 2005 pelo então deputado federal Marcelo Crivella (PRB-RJ), hoje prefeito do Rio de Janeiro.

    O texto prevê a cobrança de mensalidade para alunos com renda familiar superior a 30 salários mínimos. As opiniões contrárias à cobrança das mensalidades consideram que a medida abriria a porta para a privatização das universidades públicas – um assunto ainda mais abstrato e farto em lacunas.
    avatar
    josebarbos
    Usuário VIP
    Usuário VIP

    Mensagens : 2764
    Reputação : 390
    Data de inscrição : 20/05/2015

    Re: Assuntos gerais: economia & política

    Mensagem por josebarbos em Qua 22 Ago 2018, 6:22 pm

    Sigma escreveu:Mensalidade: remédio amargo para as universidades públicas

    Cobrança poderia ser uma saída para a crise das instituições, mas implicações e potencial da medida requerem análise profunda

    Emanuel Neves, especial para a Gazeta do Povo  [22/08/2018]  [10h53]

    As passarelas da reitoria da Universidade de Brasília (UnB) foram tomadas por centenas de estudantes no dia 12 de abril. Os jovens invadiram o prédio central e ali acamparam por 19 dias. A ocupação foi um protesto contra a situação de penúria administrativa vivida pela instituição. Em março, dias antes da invasão, a UnB havia aumentado os valores do restaurante universitário e anunciado a demissão de funcionários terceirizados e estagiários. O motivo: contenção de gastos devido à queda nos repasses do Ministério da Educação (MEC).

    Apesar dos movimentos, a previsão é fechar 2018 com um déficit superior a R$ 92 milhões. No ano passado, o rombo ultrapassou os R$ 100 milhões. O problema da UnB se estende à maior parte das Instituições de Ensino Superior (IES) públicas do Brasil. A rede federal, por exemplo, perdeu 50% dos recursos de investimentos e 20% da receita de custeio entre 2014 e 2017, segundo a Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes).

    O horizonte não traz boas perspectivas. A aprovação da Emenda Constitucional 95/2016, que congela o teto dos gastos públicos, reduziu a probabilidade de uma retomada nos patamares de receita. Assim, o país precisa encontrar soluções para equilibrar o quadro das IES estatais. Uma das medidas consideradas é a cobrança de mensalidades no ensino público superior. Controverso, o tema carece de aprofundamento e exige debates técnicos e conceituais.  

    Matéria extremamente polêmica e que abre espaço a inúmeras discussões.

    Desde estudante, sou extremamente favorável à medida, universidade TEM que ser paga.

    A questão é como implementar isto num país com tantas desigualdades e, principalmente, informalidade. É bem capaz de algum empresário ganhar bolsa e moradia, enquanto um aluno que trabalha e é carente tem que arcar com as mensalidades.

    Outro ponto é o fato de que orçamento é caixa único e, como tal, para o bem ou para o mal, não haveria, necessariamente, um compasso entre o que a universidade arrecada e o que aplica. E num cenário de PEC, pouco adianta aumentar receitas, já que as despesas tem um limite "fixo".

    Algumas das vantagens potenciais: a principal seria uma profissionalização. Outro ponto muito importante é uma discussão com a sociedade de onde devem ser priorizados os recursos da educação, uma vez que hoje há uma distribuição muito desproporcional pró ensino superior.

    Tenho algumas soluções práticas para as questões, o problema é a vontade de implementar. Quem ganha bolsa, tem que retribuir de alguma forma: durante o curso, com desempenho acadêmico e contribuição em serviços administrativos ou de monitoria; após formado, deveria "bancar" um bolsista, pagando o equivalente à mensalidade dele ou, não sendo possível, através da prestação de serviços relacionados à formação de maneira voluntária, proporcional ao que recebeu de benefício. E, logicamente, durante o período acadêmico, tem que possuir um desempenho alto, até mesmo porque, em tese, será monitor no período seguinte e está tendo um grande benefício pago por toda a sociedade, através de impostos.

    De toda a forma, até pela pouca pesquisa que existe no Brasil, deveria haver algo com pelo menos uma dezena de universidades de excelência (como o ITA, por exemplo), em áreas estratégicas para o desenvolvimento nacional e geograficamente distribuídas, que manteriam o ensino gratuito.

    Obviamente, no mundo de hoje já não deve ser possível sequer colar um texto deste no poste de uma faculdade sem ser linchado antes de chegar à saída.
    avatar
    jotajota
    Usuário Sênior
    Usuário Sênior

    Mensagens : 311
    Reputação : 66
    Data de inscrição : 17/03/2015

    Re: Assuntos gerais: economia & política

    Mensagem por jotajota em Qua 22 Ago 2018, 6:40 pm

    Korgano Masaka escreveu:
    A sentença é irretocável processualmente e materialmente. Lula é corrupto lavador de dinheiro condenado em primeira e segunda instância. Tem mais 6 processos e, provavelmente, será condenado em todos porque é corrupto(e sempre foi) contumaz. Engenharia (de cana) jurídica fazem aqueles que defende o Lula Corrupto e Lavador de Dinheiro.
    ps: ele está fora do páreo eleitoral pela Lei da Ficha Limpa que ele mesmo assinou sem ler...
    Laughing

    Taí um fato que mostra que ainda vale a pena estudar. De repente , se soubesse interpretar um texto talvez tivesse hesitado em assinar Very Happy

    jornalista
    Usuário Especial
    Usuário Especial

    Mensagens : 1203
    Reputação : 32
    Data de inscrição : 10/07/2010

    Re: Assuntos gerais: economia & política

    Mensagem por jornalista em Qua 22 Ago 2018, 7:59 pm

    josebarbos escreveu:
    Sigma escreveu:Mensalidade: remédio amargo para as universidades públicas

    Cobrança poderia ser uma saída para a crise das instituições, mas implicações e potencial da medida requerem análise profunda

    Emanuel Neves, especial para a Gazeta do Povo  [22/08/2018]  [10h53]

    As passarelas da reitoria da Universidade de Brasília (UnB) foram tomadas por centenas de estudantes no dia 12 de abril. Os jovens invadiram o prédio central e ali acamparam por 19 dias. A ocupação foi um protesto contra a situação de penúria administrativa vivida pela instituição. Em março, dias antes da invasão, a UnB havia aumentado os valores do restaurante universitário e anunciado a demissão de funcionários terceirizados e estagiários. O motivo: contenção de gastos devido à queda nos repasses do Ministério da Educação (MEC).

    Apesar dos movimentos, a previsão é fechar 2018 com um déficit superior a R$ 92 milhões. No ano passado, o rombo ultrapassou os R$ 100 milhões. O problema da UnB se estende à maior parte das Instituições de Ensino Superior (IES) públicas do Brasil. A rede federal, por exemplo, perdeu 50% dos recursos de investimentos e 20% da receita de custeio entre 2014 e 2017, segundo a Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes).

    O horizonte não traz boas perspectivas. A aprovação da Emenda Constitucional 95/2016, que congela o teto dos gastos públicos, reduziu a probabilidade de uma retomada nos patamares de receita. Assim, o país precisa encontrar soluções para equilibrar o quadro das IES estatais. Uma das medidas consideradas é a cobrança de mensalidades no ensino público superior. Controverso, o tema carece de aprofundamento e exige debates técnicos e conceituais.  

    Matéria extremamente polêmica e que abre espaço a inúmeras discussões.

    Desde estudante, sou extremamente favorável à medida, universidade TEM que ser paga.

    A questão é como implementar isto num país com tantas desigualdades e, principalmente, informalidade. É bem capaz de algum empresário ganhar bolsa e moradia, enquanto um aluno que trabalha e é carente tem que arcar com as mensalidades.

    Outro ponto é o fato de que orçamento é caixa único e, como tal, para o bem ou para o mal, não haveria, necessariamente, um compasso entre o que a universidade arrecada e o que aplica. E num cenário de PEC, pouco adianta aumentar receitas, já que as despesas tem um limite "fixo".

    Algumas das vantagens potenciais: a principal seria uma profissionalização. Outro ponto muito importante é uma discussão com a sociedade de onde devem ser priorizados os recursos da educação, uma vez que hoje há uma distribuição muito desproporcional pró ensino superior.

    Tenho algumas soluções práticas para as questões, o problema é a vontade de implementar. Quem ganha bolsa, tem que retribuir de alguma forma: durante o curso, com desempenho acadêmico e contribuição em serviços administrativos ou de monitoria; após formado, deveria "bancar" um bolsista, pagando o equivalente à mensalidade dele ou, não sendo possível, através da prestação de serviços relacionados à formação de maneira voluntária, proporcional ao que recebeu de benefício. E, logicamente, durante o período acadêmico, tem que possuir um desempenho alto, até mesmo porque, em tese, será monitor no período seguinte e está tendo um grande benefício pago por toda a sociedade, através de impostos.

    De toda a forma, até pela pouca pesquisa que existe no Brasil, deveria haver algo com pelo menos uma dezena de universidades de excelência (como o ITA, por exemplo), em áreas estratégicas para o desenvolvimento nacional e geograficamente distribuídas, que manteriam o ensino gratuito.

    Obviamente, no mundo de hoje já não deve ser possível sequer colar um texto deste no poste de uma faculdade sem ser linchado antes de chegar à .
    JB a questão orçamentária seria fácil de resolver com a criação de um fundo ou de vários. O problema seria a comprovação mas os pais deveriam ser os responsáveis por eventual declaração falsa. Talvez a questão da renda seja interessante, como 30 salários mínimos líquidos ou cinco vezes o valor do curso em uma universidade privada. Outro critério poderia ser o de Portugal, onde a universidade pública é paga, como em Coimbra o mestrado em Direito é mais de 100 pilas para lusitanos e 700 para estrangeiros. Até o ITA poderia ser pago por pessoas com recursos.
    avatar
    josebarbos
    Usuário VIP
    Usuário VIP

    Mensagens : 2764
    Reputação : 390
    Data de inscrição : 20/05/2015

    Re: Assuntos gerais: economia & política

    Mensagem por josebarbos em Qua 22 Ago 2018, 8:53 pm

    jornalista escreveu:
    JB a questão orçamentária seria fácil de resolver com a criação de um fundo ou de vários. O problema seria a comprovação mas os pais deveriam ser os responsáveis por eventual declaração falsa. Talvez a questão da renda seja interessante, como 30 salários mínimos líquidos ou cinco vezes o valor do curso em uma universidade privada. Outro critério poderia ser o de Portugal, onde a universidade pública é paga, como em Coimbra o mestrado em Direito é mais de 100 pilas para lusitanos e 700 para estrangeiros. Até o ITA poderia ser pago por pessoas com recursos.

    A discussão é muito interessante.

    Enquanto estive em Viçosa, lembro um número alarmante: a universidade, para algo em torno de ~17 mil habitantes, tinha um orçamento de, aproximadamente, seiscentos milhões.
    O município de Viçosa, com 80 mil habitantes fixos e os problemas de uma elevada população flutuante, por causa da universidade (o custo é muito maior que a receita), tinha um orçamento de cento e dois milhões.

    Universidades de referência custam caro e não tem como para um país como o Brasil alcançar a excelência apenas com recursos privados. Sou favorável que o governo tenha algumas, e que nelas invistam pesado, para atrair os melhores cérebros e, o mais importante, mantê-los no país.

    O que sou contra é o que ocorre hoje, que o Reuni promoveu um verdadeiro sucateamento. O pobre que hoje chega à faculdade não sabe qual era a qualidade que havia antes, e para quem nunca teve nada, algo meia boca já é muito.
    Mas no grosso vejo que tem que ser um caminho de duas vias: o estado proporciona e o indivíduo também dá sua cota de contribuição. Inclusive, o fato de ser gratuito cria inúmeras ineficiências.

    Uma discussão muito importante é melhorar o investimento na educação básica, e reduzir o que se gasta em universidades. Não dá para 80% do orçamento da União ir para o ensino superior. O ideal seria um investimento maciço em ensino técnico, que gera mão de obra qualificada para alavancar a economia.

    jornalista
    Usuário Especial
    Usuário Especial

    Mensagens : 1203
    Reputação : 32
    Data de inscrição : 10/07/2010

    Re: Assuntos gerais: economia & política

    Mensagem por jornalista em Qui 23 Ago 2018, 9:48 am

    josebarbos escreveu:
    jornalista escreveu:
    JB a questão orçamentária seria fácil de resolver com a criação de um fundo ou de vários. O problema seria a comprovação mas os pais deveriam ser os responsáveis por eventual declaração falsa. Talvez a questão da renda seja interessante, como 30 salários mínimos líquidos ou cinco vezes o valor do curso em uma universidade privada. Outro critério poderia ser o de Portugal, onde a universidade pública é paga, como em Coimbra o mestrado em Direito é mais de 100 pilas para lusitanos e 700 para estrangeiros. Até o ITA poderia ser pago por pessoas com recursos.

    A discussão é muito interessante.

    Enquanto estive em Viçosa, lembro um número alarmante: a universidade, para algo em torno de ~17 mil habitantes, tinha um orçamento de, aproximadamente, seiscentos milhões.
    O município de Viçosa, com 80 mil habitantes fixos e os problemas de uma elevada população flutuante, por causa da universidade (o custo é muito maior que a receita), tinha um orçamento de cento e dois milhões.

    Universidades de referência custam caro e não tem como para um país como o Brasil alcançar a excelência apenas com recursos privados. Sou favorável que o governo tenha algumas, e que nelas invistam pesado, para atrair os melhores cérebros e, o mais importante, mantê-los no país.

    O que sou contra é o que ocorre hoje, que o Reuni promoveu um verdadeiro sucateamento. O pobre que hoje chega à faculdade não sabe qual era a qualidade que havia antes, e para quem nunca teve nada, algo meia boca já é muito.
    Mas no grosso vejo que tem que ser um caminho de duas vias: o estado proporciona e o indivíduo também dá sua cota de contribuição. Inclusive, o fato de ser gratuito cria inúmeras ineficiências.

    Uma discussão muito importante é melhorar o investimento na educação básica, e reduzir o que se gasta em universidades. Não dá para 80% do orçamento da União ir para o ensino superior. O ideal seria um investimento maciço em ensino técnico, que gera mão de obra qualificada para alavancar a economia.
    Interessante esses dados de Viçosa. Daria pra pegar os 600 e injetar parte no município para a educação básica e no Ifet local.
    avatar
    josebarbos
    Usuário VIP
    Usuário VIP

    Mensagens : 2764
    Reputação : 390
    Data de inscrição : 20/05/2015

    Re: Assuntos gerais: economia & política

    Mensagem por josebarbos em Qui 23 Ago 2018, 12:34 pm

    jornalista escreveu:
    Interessante esses dados de Viçosa. Daria pra pegar os 600 e injetar parte no município para a educação básica e no Ifet local.

    Viçosa não tem Ifet. Boa parte das escolas (como a gritante maioria do país) carece de recursos básicos, como quadra de esportes, laboratórios etc.
    E o mais interessante é que, via de regra, a divulgação é feita apenas das despesas de custeio, ignorando a folha, que ainda assim dá mais que um orçamento municipal. O custo médio por aluno é alto, e acho que cada brasileiro tinha que pensar bem e justificar porque se paga tanto e se o resultado está de acordo com o que se investe. E estamos falando de uma universidade que é referência em algumas áreas (Direito, Agronomia...). Existem diversas outras que devem custar tanto e que tem desempenho acadêmico horroroso.

    avatar
    ale1969
    Usuário Master
    Usuário Master

    Mensagens : 507
    Reputação : 39
    Data de inscrição : 26/03/2015

    Re: Assuntos gerais: economia & política

    Mensagem por ale1969 em Sex 24 Ago 2018, 11:46 am

    Cuidado com o discurso comercial. Existem grandes corporações nacionais e internacionais de olho nesse negócio. Há variadas informações a esse respeito, vamos debater o que não funciona, Educação Básica, em particular fundamental I(alfabetização) e Ensino Médio(profissionalizante e integral).
    Educação pública, gratuita e de qualidade em todos os níveis é possível e fundamental para melhorarmos a distribuição das riquezas, com desenvolvimento de políticas sociais inclusivas.
    avatar
    Galizezin
    Moderador
    Moderador

    Mensagens : 6068
    Reputação : 228
    Data de inscrição : 13/01/2012

    Re: Assuntos gerais: economia & política

    Mensagem por Galizezin em Sex 24 Ago 2018, 4:31 pm

    Uma guerra entre nós

    Esta semana foi noticiada a morte de três militares do exército brasileiro em função de operações relacionadas à intervenção federal. No início do ano, o anúncio do presidente Temer dava a entender que o caos da segurança pública no Rio de Janeiro estava com seus dias contados. Muitos foram aqueles que acreditavam que o Exército nas ruas imporia respeito frente a bandidagem, mais em razão do treinamento dado aos militares, já que são treinados para “eliminar” o inimigo. Ledo engano!
    Parece lógico que o estado de abandono da camada mais pobre da sociedade resultaria na explosão de problemas sociais. A violência no Rio de Janeiro está sim associada ao desprezo que nossos políticos imprimem nas áreas da educação, segurança, transporte público, moradia e saneamento básico.
    Geralmente, quem recebe péssimo ensino consegue uma péssima colocação empregatícia. Mal empregado, o cidadão não consegue sair da sarjeta. Esfola-se para chegar ao trabalho, utilizando o caótico metrô e o ônibus desconfortável e superlotado. Ao chegar em casa, tarde da noite, pois residente na periferia, depara-se com a falta de água para tomar banho. Não bastasse isso, o filho mais novo vem dizer-lhe que foi ameaçado pelo filho do famoso e perigoso traficante do morro. A mulher diz que o arroz e o feijão, únicos alimentos que sobraram na dispensa, resistem por mais uma semana. O pai de família preocupa-se, pois a provisão está no fim e o mês mal ultrapassou sua metade. Ele diz: “reduza a quantidade de arroz e feijão na panela, tem que dar até o fim do mês!” Senta-se no estreito cômodo que chama de sala para assistir o jornal local. Descobre que mais um vizinho, envolvido com o tráfico de drogas, foi morto em tiroteio com a polícia militar. “Falei pra ele que isso não ia dar certo. Aliás, falei pra todos. Já estou quase sem amigos de infância, todos perdidos para a bala.”
    Saindo do inferno, do outro lado mais nobre da cidade, um outro pai está chegando em casa, feliz da vida, com a sensação de dever cumprido pelos anos de investimento no filho, que viajou para os Estados Unidos para iniciar seu curso superior no MIT. Entretanto, na entrada do edifício ele é abordado por um assaltante que lhe obriga a entrega do veículo. Assustado, ele tenta dar a ré, mas é atingido por dois tiros, um na cabeça e outro no pescoço. Levado às pressas para o hospital, não resiste e falece. O assaltante é perseguido e baleado por policiais. Chega em estado grave no hospital, mas não resiste e vai a óbito.
    Aquele pai de família que não quis entrar no habitual jogo da exclusão social recebe a notícia que mais um de seus velhos amigos de infância é morto em confronto com a polícia. Buscou detalhes e ficou sabendo que ele havia morrido por ter praticado mais um latrocínio.
    Rara exceção à regra, esse pai só não seguiu o caminho do crime porque a religião o descobriu primeiro.
    Dois enterros, dois pais de família. De um lado, a revolta contra a criminalidade, que parece não ter fim e solução. Do outro lado, o lamento e a desesperança, consciente de que o caminho escolhido tinha data marcada para terminar.
    Esse caminho errado começou com a omissão do Estado contra uma parcela da população, só que os resultados negativos desse descaso afetam a outra.
    Existe uma guerra entre nós. Entre nós, parcelas, ou entre nós e o Estado. Nós contra o Estado? Nós somos a parcela privilegiada e a parcela menosprezada. Se “nós” fôssemos unidos, poderíamos mudar o Estado, e por consequência, viveríamos iguais.


    _________________
    NO RACISM!
    avatar
    Protocol
    Usuário Sênior
    Usuário Sênior

    Mensagens : 421
    Reputação : 41
    Data de inscrição : 01/06/2015

    Re: Assuntos gerais: economia & política

    Mensagem por Protocol em Sex 24 Ago 2018, 11:44 pm

    ale1969 escreveu:Cuidado com o discurso comercial. Existem grandes corporações nacionais e internacionais de olho nesse negócio. Há variadas informações a esse respeito, vamos debater o que não funciona, Educação Básica, em particular fundamental I(alfabetização) e Ensino Médio(profissionalizante e integral).
    Educação pública, gratuita e de qualidade em todos os níveis é possível e fundamental para melhorarmos a distribuição das riquezas, com desenvolvimento de políticas sociais inclusivas.

    Não existe educação gratuita. O ensino público no país tem um custo ao contribuinte e é elevado pelo que produz em termos de capital humano.

    A educação superior não é pública, pois o acesso é ditado pelo critério renda nos cursos com maior potencial de empregabilidade e de gerar retorno financeiro ao estudante. Me parece que se aplica inclusive aos cotistas.

    A educação no Brasil não é vocacionada para qualidade, do ensino básico ao superior, muito embora o contribuinte invista bastante. Há exceções, poucas.

    Interessante que as escolas que produzem resultados são as que assumem o ato de educar como missão, e são poucas. Fala-se na valorização do professor, o que é importante. Mas vejo que a vários professores falta boa formação e a muitos, espírito público, ver a educação como missão.
    avatar
    Protocol
    Usuário Sênior
    Usuário Sênior

    Mensagens : 421
    Reputação : 41
    Data de inscrição : 01/06/2015

    Re: Assuntos gerais: economia & política

    Mensagem por Protocol em Sab 25 Ago 2018, 12:00 am

    Alguém disse aqui no fórum que o projeto do Bolsonaro sobre as escolas militarizadas era de impossível concretização.

    Aqui no RS, desde a década de 1980, existe o Colégio Tiradentes, que é uma rede de escolas estaduais fundada e gerida pela Brigada Militar, com estrutura e disciplina militar, existente em sete cidades (Porto Alegre, Passo Fundo, São Gabriel, Santa Maria, Pelotas, Santo Ângelo e Ijuí).

    [Você precisa estar registrado e conectado para ver este link.]

    Conseguir uma vaga no colégio é bem difícil, a exigência para se manter é alta, e a formação é bastante elogiada.

    Há, ainda, o Colégio Militar de Porto Alegre e o Colégio Militar de Santa Maria, ambos mantidos pelo Exército, que são centros de excelência em formação.

    [Você precisa estar registrado e conectado para ver este link.]

    Não quero fazer apologia ao Bolsonaro, pois não penso em votar nele, mas apenas afirmar que a ideia dele já de há muito é aplicada no RS e com bons resultados. E em outros estados também.

    Não acho que a militarização da educação é o caminho, embora tenha orgulho e admiração pelas escolas que mencionei, mas sim disciplina (estabelecimento de regras básicas de conduta e objetivos institucionais) e compromisso de todos os envolvidos - pais, alunos, professores e gestores - com a excelência na educação. Há escolas civis e públicas com estes predicados.
    avatar
    androsvilazza
    Usuário VIP
    Usuário VIP

    Mensagens : 2020
    Reputação : 269
    Data de inscrição : 22/01/2015

    Re: Assuntos gerais: economia & política

    Mensagem por androsvilazza em Sab 25 Ago 2018, 12:02 am

    O sistema educacional público brasileiro é projetado de forma a perpetuar a desigualdade. Não digo que seja assim de modo deliberado, mas inegavelmente gera esse resultado.

    Ainda que as universidades públicas fizessem o milagre da multiplicação do conhecimento (e não o fazem), o estudante de baixa renda que eventualmente alcança essas faculdades teve uma base escolar muito precária, então acaba tendo desempenho pífio, quando não abandona o curso. Há honrosas exceções, que só confirmam a regra. Enquanto isso, com ou sem cotas, quem teve condições de estudar em boas escolas (na maioria das vezes, particulares) no ciclo básico, se aproveita melhor da qualidade educacional no ensino público de nível superior.

    Enquanto menosprezarem a educação básica, média e técnica (que indiscutivelmente dão resultados melhores com menor exigência de recursos), essa realidade não vai mudar.
    avatar
    androsvilazza
    Usuário VIP
    Usuário VIP

    Mensagens : 2020
    Reputação : 269
    Data de inscrição : 22/01/2015

    Re: Assuntos gerais: economia & política

    Mensagem por androsvilazza em Sab 25 Ago 2018, 12:05 am

    Protocol escreveu:Alguém disse aqui no fórum que o projeto do Bolsonaro sobre as escolas militarizadas era de impossível concretização.

    Aqui no RS, desde a década de 1980, existe o Colégio Tiradentes, que é uma rede de escolas estaduais fundada e gerida pela Brigada Militar, com estrutura e disciplina militar, existente em sete cidades (Porto Alegre, Passo Fundo, São Gabriel, Santa Maria, Pelotas, Santo Ângelo e Ijuí).

    [Você precisa estar registrado e conectado para ver este link.]

    Conseguir uma vaga no colégio é bem difícil, a exigência para se manter é alta, e a formação é bastante elogiada.

    Há, ainda, o Colégio Militar de Porto Alegre e o Colégio Militar de Santa Maria, ambos mantidos pelo Exército, que são centros de excelência em formação.

    [Você precisa estar registrado e conectado para ver este link.]

    Não quero fazer apologia ao Bolsonaro, pois não penso em votar nele, mas apenas afirmar que a ideia dele já de há muito é aplicada no RS e com bons resultados. E em outros estados também.

    Não acho que a militarização da educação é o caminho, embora tenha orgulho e admiração pelas escolas que mencionei, mas sim disciplina (estabelecimento de regras básicas de conduta e objetivos institucionais) e compromisso de todos os envolvidos - pais, alunos, professores e gestores - com a excelência na educação. Há escolas civis e públicas com estes predicados.

    Eu que disse que era inexequível. E não disse pelo mérito da proposta, que é inegável. Digo por questões orçamentárias. Pega o custo por aluno (incluindo estrutura e folha de pagamento) de uma escola militar, e multiplica pelo total de crianças e adolescentes no país.
    avatar
    androsvilazza
    Usuário VIP
    Usuário VIP

    Mensagens : 2020
    Reputação : 269
    Data de inscrição : 22/01/2015

    Re: Assuntos gerais: economia & política

    Mensagem por androsvilazza em Sab 25 Ago 2018, 6:52 am

    Esqueci de citar as limitações de ordem prática, também. O próprio Bolsonaro diz que "as escolas estão tomadas pelo pensamento comunista", "as universidades só formam professores de esquerda" etc.
    O "problema" é que esse é o capital humano que temos para a implementação das "escolas militarizadas". A menos que se demita a maior parte dos professores, a universalização do ensino militar acaba não sendo tão universal assim.
    avatar
    Galizezin
    Moderador
    Moderador

    Mensagens : 6068
    Reputação : 228
    Data de inscrição : 13/01/2012

    Re: Assuntos gerais: economia & política

    Mensagem por Galizezin em Sab 25 Ago 2018, 8:34 am

    Protocol escreveu:Alguém disse aqui no fórum que o projeto do Bolsonaro sobre as escolas militarizadas era de impossível concretização.

    Aqui no RS, desde a década de 1980, existe o Colégio Tiradentes, que é uma rede de escolas estaduais fundada e gerida pela Brigada Militar, com estrutura e disciplina militar, existente em sete cidades (Porto Alegre, Passo Fundo, São Gabriel, Santa Maria, Pelotas, Santo Ângelo e Ijuí).

    [Você precisa estar registrado e conectado para ver este link.]

    Conseguir uma vaga no colégio é bem difícil, a exigência para se manter é alta, e a formação é bastante elogiada.

    Há, ainda, o Colégio Militar de Porto Alegre e o Colégio Militar de Santa Maria, ambos mantidos pelo Exército, que são centros de excelência em formação.

    [Você precisa estar registrado e conectado para ver este link.]

    Não quero fazer apologia ao Bolsonaro, pois não penso em votar nele, mas apenas afirmar que a ideia dele já de há muito é aplicada no RS e com bons resultados. E em outros estados também.

    Não acho que a militarização da educação é o caminho, embora tenha orgulho e admiração pelas escolas que mencionei, mas sim disciplina (estabelecimento de regras básicas de conduta e objetivos institucionais) e compromisso de todos os envolvidos - pais, alunos, professores e gestores - com a excelência na educação. Há escolas civis e públicas com estes predicados.

    Não consigo vislumbrar um projeto educacional para a nação criando UM colégio militar por capital.


    _________________
    NO RACISM!

    jornalista
    Usuário Especial
    Usuário Especial

    Mensagens : 1203
    Reputação : 32
    Data de inscrição : 10/07/2010

    Re: Assuntos gerais: economia & política

    Mensagem por jornalista em Sab 25 Ago 2018, 9:00 am

    Galizezin escreveu:
    Protocol escreveu:Alguém disse aqui no fórum que o projeto do Bolsonaro sobre as escolas militarizadas era de impossível concretização.

    Aqui no RS, desde a década de 1980, existe o Colégio Tiradentes, que é uma rede de escolas estaduais fundada e gerida pela Brigada Militar, com estrutura e disciplina militar, existente em sete cidades (Porto Alegre, Passo Fundo, São Gabriel, Santa Maria, Pelotas, Santo Ângelo e Ijuí).

    [Você precisa estar registrado e conectado para ver este link.]

    Conseguir uma vaga no colégio é bem difícil, a exigência para se manter é alta, e a formação é bastante elogiada.

    Há, ainda, o Colégio Militar de Porto Alegre e o Colégio Militar de Santa Maria, ambos mantidos pelo Exército, que são centros de excelência em formação.

    [Você precisa estar registrado e conectado para ver este link.]

    Não quero fazer apologia ao Bolsonaro, pois não penso em votar nele, mas apenas afirmar que a ideia dele já de há muito é aplicada no RS e com bons resultados. E em outros estados também.

    Não acho que a militarização da educação é o caminho, embora tenha orgulho e admiração pelas escolas que mencionei, mas sim disciplina (estabelecimento de regras básicas de conduta e objetivos institucionais) e compromisso de todos os envolvidos - pais, alunos, professores e gestores - com a excelência na educação. Há escolas civis e públicas com estes predicados.

    Não consigo vislumbrar um projeto educacional para a nação criando UM colégio militar por capital.
    Como ex-Militar, filho de militar da reserva e com parentes militares da ativa, eu conheço o sistema. Há dois: o federal (uma da aeronáutica e treze do EB, estes integrados entre si) e os estaduais (que não são integrados entre os Estados). Quanto aos federais, é inexequível construir mais de duas unidades por Estado, devido a questões orçamentárias, mas existem exceções como RJ e MG. Por isso a proposta de um por Estado. Quanto aos estaduais, como não existe integração, devido às peculiaridades locais, seria mais complexo, mas não impossível. Há um órgão central do EB no DF que controla e acredito que este, em conjunto com o MEC, poderia viabilizar tal projeto educacional. Eu tenho vários ideias a respeito com baixo impacto orçamentário mas não tenho um meio como divulgá-las, até pq nem vejo interesse político nisso.
    avatar
    Galizezin
    Moderador
    Moderador

    Mensagens : 6068
    Reputação : 228
    Data de inscrição : 13/01/2012

    Re: Assuntos gerais: economia & política

    Mensagem por Galizezin em Sab 25 Ago 2018, 9:15 am

    jornalista escreveu:
    Galizezin escreveu:
    Protocol escreveu:Alguém disse aqui no fórum que o projeto do Bolsonaro sobre as escolas militarizadas era de impossível concretização.

    Aqui no RS, desde a década de 1980, existe o Colégio Tiradentes, que é uma rede de escolas estaduais fundada e gerida pela Brigada Militar, com estrutura e disciplina militar, existente em sete cidades (Porto Alegre, Passo Fundo, São Gabriel, Santa Maria, Pelotas, Santo Ângelo e Ijuí).

    [Você precisa estar registrado e conectado para ver este link.]

    Conseguir uma vaga no colégio é bem difícil, a exigência para se manter é alta, e a formação é bastante elogiada.

    Há, ainda, o Colégio Militar de Porto Alegre e o Colégio Militar de Santa Maria, ambos mantidos pelo Exército, que são centros de excelência em formação.

    [Você precisa estar registrado e conectado para ver este link.]

    Não quero fazer apologia ao Bolsonaro, pois não penso em votar nele, mas apenas afirmar que a ideia dele já de há muito é aplicada no RS e com bons resultados. E em outros estados também.

    Não acho que a militarização da educação é o caminho, embora tenha orgulho e admiração pelas escolas que mencionei, mas sim disciplina (estabelecimento de regras básicas de conduta e objetivos institucionais) e compromisso de todos os envolvidos - pais, alunos, professores e gestores - com a excelência na educação. Há escolas civis e públicas com estes predicados.

    Não consigo vislumbrar um projeto educacional para a nação criando UM colégio militar por capital.
    Como ex-Militar, filho de militar da reserva e com parentes militares da ativa, eu conheço o sistema. Há dois: o federal (uma da aeronáutica e treze do EB, estes integrados entre si) e os estaduais (que não são integrados entre os Estados). Quanto aos federais, é inexequível construir mais de duas unidades por Estado, devido a questões orçamentárias, mas existem exceções como RJ e MG. Por isso a proposta de um por Estado. Quanto aos estaduais, como não existe integração, devido às peculiaridades locais, seria mais complexo, mas não impossível. Há um órgão central do EB no DF que controla e acredito que este, em conjunto com o MEC, poderia viabilizar tal projeto educacional. Eu tenho vários ideias a respeito com baixo impacto orçamentário mas não tenho um meio como divulgá-las, até pq nem vejo interesse político nisso.

    Eu me refiro ao fato do projeto dele ser elitista, quando propõe UM ou OUTRO colégio no estilo militar. Um projeto educacional que se preze precisa contemplar o país inteiro. Dinheiro pra isso existe. Não acho que o militarismo resolva alguma coisa, mas a qualidade de ensino sim. Na minha visão, a primeira atitude de um governante seria botar pra fora todos os maus professores, eu diria que são pseudoprofessores. Quem não gosta de lidar com gente precisa arrumar outro emprego. Eu já vi professor com doutorado dizer pra aluno o seguinte: eu já consegui chegar aonde queria. Vcs que se virem em aprender. As escolas estão cheias de pseudoprofessores, que não tem paciência com alunos, e o pior de tudo, não sabem ensinar. Outro fato é o espaço físico das escolas, na maioria delas não se consegue implantar áreas de laser adequado, como quadras poliesportivas, piscina para natação, campo de futebol. Com isso seria possível tentar imitar o sistema americano, estabelecendo projetos de integração entre escolas por meio de competições esportivas.


    _________________
    NO RACISM!

    jornalista
    Usuário Especial
    Usuário Especial

    Mensagens : 1203
    Reputação : 32
    Data de inscrição : 10/07/2010

    Re: Assuntos gerais: economia & política

    Mensagem por jornalista em Sab 25 Ago 2018, 9:29 am

    Galizezin escreveu:
    jornalista escreveu:
    Galizezin escreveu:
    Protocol escreveu:Alguém disse aqui no fórum que o projeto do Bolsonaro sobre as escolas militarizadas era de impossível concretização.

    Aqui no RS, desde a década de 1980, existe o Colégio Tiradentes, que é uma rede de escolas estaduais fundada e gerida pela Brigada Militar, com estrutura e disciplina militar, existente em sete cidades (Porto Alegre, Passo Fundo, São Gabriel, Santa Maria, Pelotas, Santo Ângelo e Ijuí).

    [Você precisa estar registrado e conectado para ver este link.]

    Conseguir uma vaga no colégio é bem difícil, a exigência para se manter é alta, e a formação é bastante elogiada.

    Há, ainda, o Colégio Militar de Porto Alegre e o Colégio Militar de Santa Maria, ambos mantidos pelo Exército, que são centros de excelência em formação.

    [Você precisa estar registrado e conectado para ver este link.]

    Não quero fazer apologia ao Bolsonaro, pois não penso em votar nele, mas apenas afirmar que a ideia dele já de há muito é aplicada no RS e com bons resultados. E em outros estados também.

    Não acho que a militarização da educação é o caminho, embora tenha orgulho e admiração pelas escolas que mencionei, mas sim disciplina (estabelecimento de regras básicas de conduta e objetivos institucionais) e compromisso de todos os envolvidos - pais, alunos, professores e gestores - com a excelência na educação. Há escolas civis e públicas com estes predicados.

    Não consigo vislumbrar um projeto educacional para a nação criando UM colégio militar por capital.
    Como ex-Militar, filho de militar da reserva e com parentes militares da ativa, eu conheço o sistema. Há dois: o federal (uma da aeronáutica e treze do EB, estes integrados entre si) e os estaduais (que não são integrados entre os Estados). Quanto aos federais, é inexequível construir mais de duas unidades por Estado, devido a questões orçamentárias, mas existem exceções como RJ e MG. Por isso a proposta de um por Estado. Quanto aos estaduais, como não existe integração, devido às peculiaridades locais, seria mais complexo, mas não impossível. Há um órgão central do EB no DF que controla e acredito que este, em conjunto com o MEC, poderia viabilizar tal projeto educacional. Eu tenho vários ideias a respeito com baixo impacto orçamentário mas não tenho um meio como divulgá-las, até pq nem vejo interesse político nisso.

    Eu me refiro ao fato do projeto dele ser elitista, quando propõe UM ou OUTRO colégio no estilo militar. Um projeto educacional que se preze precisa contemplar o país inteiro. Dinheiro pra isso existe. Não acho que o militarismo resolva alguma coisa, mas a qualidade de ensino sim. Na minha visão, a primeira atitude de um governante seria botar pra fora todos os maus professores, eu diria que são pseudoprofessores. Quem não gosta de lidar com gente precisa arrumar outro emprego. Eu já vi professor com doutorado dizer pra aluno o seguinte: eu já consegui chegar aonde queria. Vcs que se virem em aprender. As escolas estão cheias de pseudoprofessores, que não tem paciência com alunos, e o pior de tudo, não sabem ensinar. Outro fato é o espaço físico das escolas, na maioria delas não se consegue implantar áreas de laser adequado, como quadras poliesportivas, piscina para natação, campo de futebol. Com isso seria possível tentar imitar o sistema americano, estabelecendo projetos de integração entre escolas por meio de competições esportivas.
    Não há dinheiro. Conheço um colégio do EB que foi criado em parceria com o Estado justamdnte por isso. Mas vc está correto na análise quanto aos professores. E é aí que entra o militarismo. O professor que tem doutorado e não quer dar aula, não atua em colégios com disciplina e hierarquia, ele pode ser preso. Por outro lado, não basta hierarquia e disciplina. Há uma seleção para ingressar no quadro de magistério do EB, sejam temporários ou efetivos, que leva em consideração o currículo. Portanto existe uma conjugação de fatores, que inclui a tradição e a estrutura pré-existente dessas escolas. Elas já são criadas sob um formato de funcionamento que existe há décadas, que vem dando certo. Não seria uma implementação experimental. Traduzindo: a escola contemporânea adota o método Paulo Freire ou qualquer outro de liberdade total do aluno. O ensino militar exige o método antigo em que o professor é a autoridade máxima em sala de aula, mas com respeito profundo ao discente (eu tenho parentes que foram ou são alunos). Daí o êxito do sistema, que é contrário ao status quo.
    avatar
    Protocol
    Usuário Sênior
    Usuário Sênior

    Mensagens : 421
    Reputação : 41
    Data de inscrição : 01/06/2015

    Re: Assuntos gerais: economia & política

    Mensagem por Protocol em Sab 25 Ago 2018, 1:45 pm

    androsvilazza escreveu:
    Protocol escreveu:Alguém disse aqui no fórum que o projeto do Bolsonaro sobre as escolas militarizadas era de impossível concretização.

    Aqui no RS, desde a década de 1980, existe o Colégio Tiradentes, que é uma rede de escolas estaduais fundada e gerida pela Brigada Militar, com estrutura e disciplina militar, existente em sete cidades (Porto Alegre, Passo Fundo, São Gabriel, Santa Maria, Pelotas, Santo Ângelo e Ijuí).

    [Você precisa estar registrado e conectado para ver este link.]

    Conseguir uma vaga no colégio é bem difícil, a exigência para se manter é alta, e a formação é bastante elogiada.

    Há, ainda, o Colégio Militar de Porto Alegre e o Colégio Militar de Santa Maria, ambos mantidos pelo Exército, que são centros de excelência em formação.

    [Você precisa estar registrado e conectado para ver este link.]

    Não quero fazer apologia ao Bolsonaro, pois não penso em votar nele, mas apenas afirmar que a ideia dele já de há muito é aplicada no RS e com bons resultados. E em outros estados também.

    Não acho que a militarização da educação é o caminho, embora tenha orgulho e admiração pelas escolas que mencionei, mas sim disciplina (estabelecimento de regras básicas de conduta e objetivos institucionais) e compromisso de todos os envolvidos - pais, alunos, professores e gestores - com a excelência na educação. Há escolas civis e públicas com estes predicados.

    Eu que disse que era inexequível. E não disse pelo mérito da proposta, que é inegável. Digo por questões orçamentárias. Pega o custo por aluno (incluindo estrutura e folha de pagamento) de uma escola militar, e multiplica pelo total de crianças e adolescentes no país.

    Desculpe, não atentei para o termo "inexequível" no comentário, que aliás reli. Neste aspecto não tenho como discordar.

    jornalista
    Usuário Especial
    Usuário Especial

    Mensagens : 1203
    Reputação : 32
    Data de inscrição : 10/07/2010

    Re: Assuntos gerais: economia & política

    Mensagem por jornalista em Sab 25 Ago 2018, 1:57 pm

    Protocol escreveu:
    androsvilazza escreveu:
    Protocol escreveu:Alguém disse aqui no fórum que o projeto do Bolsonaro sobre as escolas militarizadas era de impossível concretização.

    Aqui no RS, desde a década de 1980, existe o Colégio Tiradentes, que é uma rede de escolas estaduais fundada e gerida pela Brigada Militar, com estrutura e disciplina militar, existente em sete cidades (Porto Alegre, Passo Fundo, São Gabriel, Santa Maria, Pelotas, Santo Ângelo e Ijuí).

    [Você precisa estar registrado e conectado para ver este link.]

    Conseguir uma vaga no colégio é bem difícil, a exigência para se manter é alta, e a formação é bastante elogiada.

    Há, ainda, o Colégio Militar de Porto Alegre e o Colégio Militar de Santa Maria, ambos mantidos pelo Exército, que são centros de excelência em formação.

    [Você precisa estar registrado e conectado para ver este link.]

    Não quero fazer apologia ao Bolsonaro, pois não penso em votar nele, mas apenas afirmar que a ideia dele já de há muito é aplicada no RS e com bons resultados. E em outros estados também.

    Não acho que a militarização da educação é o caminho, embora tenha orgulho e admiração pelas escolas que mencionei, mas sim disciplina (estabelecimento de regras básicas de conduta e objetivos institucionais) e compromisso de todos os envolvidos - pais, alunos, professores e gestores - com a excelência na educação. Há escolas civis e públicas com estes predicados.

    Eu que disse que era inexequível. E não disse pelo mérito da proposta, que é inegável. Digo por questões orçamentárias. Pega o custo por aluno (incluindo estrutura e folha de pagamento) de uma escola militar, e multiplica pelo total de crianças e adolescentes no país.

    Desculpe, não atentei para o termo "inexequível" no comentário, que aliás reli. Neste aspecto não tenho como discordar.
    Perfeito. Aliás o mito errou feio quando propôs criar um colégio em cada ente. O que justifica a criação é o tamanho do efetivo do EB e das demais forças. Eu sou favorável à ampliação das escolas militares estaduais em determinados bairros de algumas cidades do país. Seria uma rede complementar de ensino e não a principal.
    avatar
    Galizezin
    Moderador
    Moderador

    Mensagens : 6068
    Reputação : 228
    Data de inscrição : 13/01/2012

    Re: Assuntos gerais: economia & política

    Mensagem por Galizezin em Sab 25 Ago 2018, 4:35 pm

    jornalista escreveu:
    Galizezin escreveu:
    jornalista escreveu:
    Galizezin escreveu:

    Não consigo vislumbrar um projeto educacional para a nação criando UM colégio militar por capital.
    Como ex-Militar, filho de militar da reserva e com parentes militares da ativa, eu conheço o sistema. Há dois: o federal (uma da aeronáutica e treze do EB, estes integrados entre si) e os estaduais (que não são integrados entre os Estados). Quanto aos federais, é inexequível construir mais de duas unidades por Estado, devido a questões orçamentárias, mas existem exceções como RJ e MG. Por isso a proposta de um por Estado. Quanto aos estaduais, como não existe integração, devido às peculiaridades locais, seria mais complexo, mas não impossível. Há um órgão central do EB no DF que controla e acredito que este, em conjunto com o MEC, poderia viabilizar tal projeto educacional. Eu tenho vários ideias a respeito com baixo impacto orçamentário mas não tenho um meio como divulgá-las, até pq nem vejo interesse político nisso.

    Eu me refiro ao fato do projeto dele ser elitista, quando propõe UM ou OUTRO colégio no estilo militar. Um projeto educacional que se preze precisa contemplar o país inteiro. Dinheiro pra isso existe. Não acho que o militarismo resolva alguma coisa, mas a qualidade de ensino sim. Na minha visão, a primeira atitude de um governante seria botar pra fora todos os maus professores, eu diria que são pseudoprofessores. Quem não gosta de lidar com gente precisa arrumar outro emprego. Eu já vi professor com doutorado dizer pra aluno o seguinte: eu já consegui chegar aonde queria. Vcs que se virem em aprender. As escolas estão cheias de pseudoprofessores, que não tem paciência com alunos, e o pior de tudo, não sabem ensinar. Outro fato é o espaço físico das escolas, na maioria delas não se consegue implantar áreas de laser adequado, como quadras poliesportivas, piscina para natação, campo de futebol. Com isso seria possível tentar imitar o sistema americano, estabelecendo projetos de integração entre escolas por meio de competições esportivas.
    Não há dinheiro. Conheço um colégio do EB que foi criado em parceria com o Estado justamdnte por isso. Mas vc está correto na análise quanto aos professores. E é aí que entra o militarismo. O professor que tem doutorado e não quer dar aula, não atua em colégios com disciplina e hierarquia, ele pode ser preso. Por outro lado, não basta hierarquia e disciplina. Há uma seleção para ingressar no quadro de magistério do EB, sejam temporários ou efetivos, que leva em consideração o currículo. Portanto existe uma conjugação de fatores, que inclui a tradição e a estrutura pré-existente dessas escolas. Elas já são criadas sob um formato de funcionamento que existe há décadas, que vem dando certo. Não seria uma implementação experimental. Traduzindo: a escola contemporânea adota o método Paulo Freire ou qualquer outro de liberdade total do aluno. O ensino militar exige o método antigo em que o professor é a autoridade máxima em sala de aula, mas com respeito profundo ao discente (eu tenho parentes que foram ou são alunos). Daí o êxito do sistema, que é contrário ao status quo.

    será que o povo brasileiro é tão incompetente que as soluções precisam vir do militarismo? creio que não! basta vermos o ranking do exame do PISA. Cingapura, Japão, Estônia, Taipei, Finlândia, foram os melhores. Creio que nenhum deles precisou do exército pra modelar seus projetos educacionais.


    _________________
    NO RACISM!

    Conteúdo patrocinado

    Re: Assuntos gerais: economia & política

    Mensagem por Conteúdo patrocinado


      Data/hora atual: Dom 18 Nov 2018, 9:49 pm