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    Reforma da Previdência (versão 2016.2)

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    Solange4
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    Re: Reforma da Previdência (versão 2016.2)

    Mensagem por Solange4 em Qui 25 Out 2018, 11:45 am

    Não fala em lugar nenhum que os servidores já tem idade mínima para se aposentar Mad
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    Re: Reforma da Previdência (versão 2016.2)

    Mensagem por androsvilazza em Qui 25 Out 2018, 12:20 pm

    Solange4 escreveu:Não fala em lugar nenhum que os servidores já tem idade mínima para se aposentar Mad

    Não vejo isso como algo negativo pra gente. Já existe uma impressão geral incrustada na cabeça do povo, de que a previdência do servidor público é mais deficitária que o RGPS, que temos direitos e privilégios que os demais não têm etc.

    Nós, que sabemos como funcionam os dois regimes, temos certeza de que não é bem assim, que as regras mais atuais são até piores para o servidor público, em comparação ao RGPS: assim como o RGPS, estamos limitados ao teto; diferentemente do RGPS, temos idade mínima para aposentadoria. Nossas regras de aposentadoria por invalidez também são piores etc.

    O problema de batermos muito nessa tecla (nossas regras são iguais ou piores) é chegarem à conclusão: "se é pior e ainda assim é deficitário, é porque tem muito privilégio escondido; tem de piorar ainda mais!" Sabemos que o déficit é decorrente de direitos que não mais existem (para os novos servidores), mas a que muitos servidores ativos e inativos ainda têm ou terão acesso. Como não vão mexer nos "direitos adquiridos", a alternativa, para equilibrar as contas, seria piorar ainda mais pra quem ainda não adquiriu o direito.

    Por isso, para termos de retórica, acho interessante aderirmos ao discurso: "É verdade, tem que acabar com os privilégios, deixar as regras do RPPS iguais às do RGPS, respeitados os direitos adquiridos". Como ninguém vai ser contrário ao respeito aos direitos adquiridos e, desconsiderando os direitos adquiridos, as regras do RPPS são iguais ou piores que as do RGPS, se igualar tudo saímos no lucro Laughing Laughing

    À parte a retórica, acho válido negociar para que sejam instituídas regras de transição mais suaves para os que entraram antes de 2013. E me refiro à negociação de verdade, não aquela de cruzar os braços e gritar "Não aceito sequer um direito a menos!"; que daí quando formos notar a caravana já passou atropelando tudo.

    De resto, é fazer cara de paisagem: "Claro, tem que instituir idade mínima pro servidor público também, que absurdo isso! Na minha opinião qualquer reforma da previdência tem que instituir, no mínimo, a idade mínima de 55 anos para as mulheres e 60 para os homens!" :trollface:
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    Re: Reforma da Previdência (versão 2016.2)

    Mensagem por Solange4 em Qui 25 Out 2018, 2:25 pm

    androsvilazza escreveu:
    Solange4 escreveu:Não fala em lugar nenhum que os servidores já tem idade mínima para se aposentar Mad

    Não vejo isso como algo negativo pra gente. Já existe uma impressão geral incrustada na cabeça do povo, de que a previdência do servidor público é mais deficitária que o RGPS, que temos direitos e privilégios que os demais não têm etc.

    Nós, que sabemos como funcionam os dois regimes, temos certeza de que não é bem assim, que as regras mais atuais são até piores para o servidor público, em comparação ao RGPS: assim como o RGPS, estamos limitados ao teto; diferentemente do RGPS, temos idade mínima para aposentadoria. Nossas regras de aposentadoria por invalidez também são piores etc.

    O problema de batermos muito nessa tecla (nossas regras são iguais ou piores) é chegarem à conclusão: "se é pior e ainda assim é deficitário, é porque tem muito privilégio escondido; tem de piorar ainda mais!" Sabemos que o déficit é decorrente de direitos que não mais existem (para os novos servidores), mas a que muitos servidores ativos e inativos ainda têm ou terão acesso. Como não vão mexer nos "direitos adquiridos", a alternativa, para equilibrar as contas, seria piorar ainda mais pra quem ainda não adquiriu o direito.

    Por isso, para termos de retórica, acho interessante aderirmos ao discurso: "É verdade, tem que acabar com os privilégios, deixar as regras do RPPS iguais às do RGPS, respeitados os direitos adquiridos". Como ninguém vai ser contrário ao respeito aos direitos adquiridos e, desconsiderando os direitos adquiridos, as regras do RPPS são iguais ou piores que as do RGPS, se igualar tudo saímos no lucro Laughing Laughing

    À parte a retórica, acho válido negociar para que sejam instituídas regras de transição mais suaves para os que entraram antes de 2013. E me refiro à negociação de verdade, não aquela de cruzar os braços e gritar "Não aceito sequer um direito a menos!"; que daí quando formos notar a caravana já passou atropelando tudo.

    De resto, é fazer cara de paisagem: "Claro, tem que instituir idade mínima pro servidor público também, que absurdo isso! Na minha opinião qualquer reforma da previdência tem que instituir, no mínimo, a idade mínima de 55 anos para as mulheres e 60 para os homens!" :trollface:
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    Re: Reforma da Previdência (versão 2016.2)

    Mensagem por Sigma em Seg 29 Out 2018, 8:53 pm

    Vocês que sabem pra c@r@lh0 dessa parada toda de previdência:

    Há alguma possibilidade de uma reforma atingir os pré-2003 no bolso, e não só quanto à idade mínima para aposentadoria? Tipo limitar pelo teto, conceder um "benefício especial" compulsoriamente, ou qualquer coisa que retire a paridade e integralidade?
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    Re: Reforma da Previdência (versão 2016.2)

    Mensagem por jotajota em Seg 29 Out 2018, 9:05 pm

    Tudo é possível... Por isso que eu aderi logo ao benefício especial. Achei as condições bem razoáveis. Eu tinha direito a aposentadoria integral, mas acho pouco provável este direito sobreviver por muito tempo. Vai que no futuro inventam alguma transição pior...

    Sigma escreveu:Vocês que sabem pra c@r@lh0 dessa parada toda de previdência:

    Há alguma possibilidade de uma reforma atingir os pré-2003 no bolso, e não só quanto à idade mínima para aposentadoria? Tipo limitar pelo teto, conceder um "benefício especial" compulsoriamente, ou qualquer coisa que retire a paridade e integralidade?
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    Re: Reforma da Previdência (versão 2016.2)

    Mensagem por euvoltei em Seg 29 Out 2018, 9:37 pm

    É possível o governo falar que só vai contribuir com alíquota patronal até o teto do RGPS, (quem quisesse manter seu direito histórico que coloque os 20% patronais)
    pode aumentar a alíquota acima do teto do RGPS
    Pode conceder gratificações só aos ativos,
    pode proibir recebimento de FC incorporada concomitantemente com FC aiva
    Pode migrar todo mundo e ponto final
    Pode aumentar a alíquota pra todos desde 1 salário mínimo..


    Fora muitas outras coisas...
    Com várias probabilidades de aprovação/manutenção pelos três poderes...nesse momento, só especulação...

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    Re: Reforma da Previdência (versão 2016.2)

    Mensagem por jornalista em Seg 29 Out 2018, 10:02 pm

    jotajota escreveu:Tudo é possível... Por isso que eu aderi logo ao benefício especial. Achei as condições bem razoáveis. Eu tinha direito a aposentadoria integral, mas acho pouco provável este direito sobreviver por muito tempo. Vai que no futuro inventam alguma transição pior...

    Sigma escreveu:Vocês que sabem pra c@r@lh0 dessa parada toda de previdência:

    Há alguma possibilidade de uma reforma atingir os pré-2003 no bolso, e não só quanto à idade mínima para aposentadoria? Tipo limitar pelo teto, conceder um "benefício especial" compulsoriamente, ou qualquer coisa que retire a paridade e integralidade?
    Lorenzoni disse que a reforma de Temer (que é draconiana) não resolve. Só que ficaram dúvidas: a original ou com as emendas? Outra: se a pec é ruim, significa que a nova será ainda mais drástica? Eu entrei antes de 2003 mas arrisquei ficar porque quero me aposentar assim que for possível. Se eu quisesse continuar, migraria. Mas já estou preparado se tiver que ir até 65 anos.
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    Re: Reforma da Previdência (versão 2016.2)

    Mensagem por Galizezin em Seg 29 Out 2018, 10:13 pm

    jornalista escreveu:
    jotajota escreveu:Tudo é possível... Por isso que eu aderi logo ao benefício especial. Achei as condições bem razoáveis. Eu tinha direito a aposentadoria integral, mas acho pouco provável este direito sobreviver por muito tempo. Vai que no futuro inventam alguma transição pior...

    Sigma escreveu:Vocês que sabem pra c@r@lh0 dessa parada toda de previdência:

    Há alguma possibilidade de uma reforma atingir os pré-2003 no bolso, e não só quanto à idade mínima para aposentadoria? Tipo limitar pelo teto, conceder um "benefício especial" compulsoriamente, ou qualquer coisa que retire a paridade e integralidade?
    Lorenzoni disse que a reforma de Temer (que é draconiana) não resolve. Só que ficaram dúvidas: a original ou com as emendas? Outra: se a pec é ruim, significa que a nova será ainda mais drástica? Eu entrei antes de 2003 mas arrisquei ficar porque quero me aposentar assim que for possível. Se eu quisesse continuar, migraria. Mas já estou preparado se tiver que ir até 65 anos.

    Não significa que a nova será mais drástica. Acho que será mais transparente, e não um remendo mal feito, como a atual. E isso por conta do que já foi divulgado até pelo Bolsonaro, apresentando o aumento da idade mínima para 61 anos. Creio que será drástico para quem acha que vai receber benefício social do governo na maior facilidade. O que li é que pretendem separar previdência do assistencialismo. Os recursos são limitados, as necessidades não, então, é preciso separar bem isso.


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    Re: Reforma da Previdência (versão 2016.2)

    Mensagem por Galizezin em Seg 29 Out 2018, 10:16 pm

    euvoltei escreveu:É possível o governo falar que só vai contribuir com alíquota patronal até o teto do RGPS, (quem quisesse manter seu direito histórico que coloque os 20% patronais)
    pode aumentar a alíquota acima do teto do RGPS
    Pode conceder gratificações só aos ativos,
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    Fora muitas outras coisas...
    Com várias probabilidades de aprovação/manutenção pelos três poderes...nesse momento, só especulação...

    A questão da paridade já foi resolvida. O nome da solução chama-se Funpresp. Bolsonaro também garantiu que a constituição será sua regra de conduta. Não acredito que ele irá prejudicar os servidores civis sem fazer o mesmo com os militares.


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    Re: Reforma da Previdência (versão 2016.2)

    Mensagem por josebarbos em Seg 29 Out 2018, 11:07 pm

    jotajota escreveu:Tudo é possível... Por isso que eu aderi logo ao benefício especial. Achei as condições bem razoáveis. Eu tinha direito a aposentadoria integral, mas acho pouco provável este direito sobreviver por muito tempo. Vai que no futuro inventam alguma transição pior...

    Sigma escreveu:Vocês que sabem pra c@r@lh0 dessa parada toda de previdência:

    Há alguma possibilidade de uma reforma atingir os pré-2003 no bolso, e não só quanto à idade mínima para aposentadoria? Tipo limitar pelo teto, conceder um "benefício especial" compulsoriamente, ou qualquer coisa que retire a paridade e integralidade?

    No sentido TUDO é possível, é tudo mesmo.

    Aliás, muito provavelmente, lá para 2050, não duvido que o teto seja, se muito, o equivalente a uns 2 salários mínimos.
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    Re: Reforma da Previdência (versão 2016.2)

    Mensagem por Eurípedes TRT em Ter 30 Out 2018, 9:16 am

    Em 2050, vamos estar reconstruindo o que sobrou da Terra depois do impacto do Aphophis.
    Nossas lutas ao molde capitalista vão se encerrar de vez em 2036.
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    Re: Reforma da Previdência (versão 2016.2)

    Mensagem por androsvilazza em Ter 30 Out 2018, 10:13 am

    A impressão que tenho é que a dificuldade que o Bolsonaro teve em se despir da pele de candidato pra entrar na de Presidente (o que parece estar fazendo aos poucos), é a mesma dificuldade que o Onyx Lorenzoni tem em de se despir da roupagem de parlamentar (até certo ponto de oposição) pra se entregar à função de governo. Acho que, aos poucos, ele vai se adequar ao tom governista já adotado por outros membros do futuro governo: o próprio Bolsonaro, Paulo Guedes, Generais Mourão e Heleno.

    O papel de parlamentar, nessas pautas mais polêmicas, é relativamente fácil: adota-se um discurso de crítica genérica ao projeto do governo, negociam-se algumas concessões, aprova-se - ou rejeita-se - o projeto segundo orientação dos líderes de bancada. O papel de governo é bem mais complicado.

    O próprio presidente eleito está passando por esse dualismo (anos de atividade parlamentar x neófito em governo), e acho que vem sendo corretamente auxiliado por seu entorno mais técnico. Vendo que o Bolsonaro já vem adotando um discurso de aceitar a discussão da previdência ainda esse ano, no governo Temer, suponho que a discussão interna seja mais ou menos nesse sentido:

    - Modo parlamentar: É preciso separar a previdência da assistência social!

    - Modo governo: De fato, seria interessante essa separação, até para fins de controle e transparência. Por outro lado, em termos de déficit nas contas públicas, essa medida é inócua. Separar as despesas previdenciárias das assistenciais significaria também separar, de algum modo, suas receitas (contribuições do empregado e patronal, PIS/COFINS, CSLL...). O total de receitas e despesas não seria alterado e, portanto, o déficit total continuaria o mesmo. A depender da divisão das receitas, a separação dos regimes significa apenas que o rombo maior ficaria de um lado ou de outro da balança, que ainda assim estaria desequilibrada. Em adição, a separação dos regimes possivelmente engessaria a gestão (já que impossibilitaria o remanejamento de verbas de um sistema, eventualmente superavitário, ao outro deficitário), e poderia ensejar a necessidade de criação de mais órgãos e cargos (para tratar das áreas em separado), sendo que o momento agora é de enxugamento da máquina pública, não de expansão.


    - Modo parlamentar: Essa reforma é um remendo, não resolve o problema a longo prazo! O ideal é aprovar outro texto, já no início do próximo governo, que resolva o problema por 30 anos ou mais!

    - Modo governo:
    Mais uma vez, concordo; o regime atual é insustentável no longo prazo, seria interessante uma reforma que quebrasse paradigmas e resolvesse a questão de uma vez por todas. Mas onde está essa reforma? O texto está pronto? É "palatável" politicamente, ou seja, seria aprovado com facilidade, ou levaria meses ou anos em discussão até ser aprovado? Ainda mais importante que isso: apesar da urgência em sanear a previdência, o momento atual exige várias outras medidas (reforma tributária, reforma do Estado, privatizações, mudanças legislativas significativas) que também devem entrar em discussão, e que podem ensejar resistência de determinados setores. É interessante para o governo desgastar seu capital político na aprovação de uma reforma da previdência e, depois, não ser capaz de entregar outras medidas também importantes? Não seria interessante permitir que o atual governo encaminhasse a questão da previdência por enquanto, para que possamos discutir essas outras medidas já no início do governo? Se for possível, futuramente, o próprio governo Bolsonaro pode encaminhar a discussão de uma nova reforma previdenciária, em caráter definitivo, e aí já sem a pressão do curto prazo. Talvez propor um texto e deixá-lo pronto para a aprovação do próximo Presidente (que poderá ser o próprio Bolsonaro, caso mude de ideia quanto à reeleição, ou alguém por ele apoiado. Basta o seu governo mostrar bons resultados)
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    Re: Reforma da Previdência (versão 2016.2)

    Mensagem por Galizezin em Ter 30 Out 2018, 10:52 am

    androsvilazza escreveu:A impressão que tenho é que a dificuldade que o Bolsonaro teve em se despir da pele de candidato pra entrar na de Presidente (o que parece estar fazendo aos poucos), é a mesma dificuldade que o Onyx Lorenzoni tem em de se despir da roupagem de parlamentar (até certo ponto de oposição) pra se entregar à função de governo. Acho que, aos poucos, ele vai se adequar ao tom governista já adotado por outros membros do futuro governo: o próprio Bolsonaro, Paulo Guedes, Generais Mourão e Heleno.

    O papel de parlamentar, nessas pautas mais polêmicas, é relativamente fácil: adota-se um discurso de crítica genérica ao projeto do governo, negociam-se algumas concessões, aprova-se - ou rejeita-se - o projeto segundo orientação dos líderes de bancada. O papel de governo é bem mais complicado.

    O próprio presidente eleito está passando por esse dualismo (anos de atividade parlamentar x neófito em governo), e acho que vem sendo corretamente auxiliado por seu entorno mais técnico. Vendo que o Bolsonaro já vem adotando um discurso de aceitar a discussão da previdência ainda esse ano, no governo Temer, suponho que a discussão interna seja mais ou menos nesse sentido:

    - Modo parlamentar: É preciso separar a previdência da assistência social!

    - Modo governo: De fato, seria interessante essa separação, até para fins de controle e transparência. Por outro lado, em termos de déficit nas contas públicas, essa medida é inócua. Separar as despesas previdenciárias das assistenciais significaria também separar, de algum modo, suas receitas (contribuições do empregado e patronal, PIS/COFINS, CSLL...). O total de receitas e despesas não seria alterado e, portanto, o déficit total continuaria o mesmo. A depender da divisão das receitas, a separação dos regimes significa apenas que o rombo maior ficaria de um lado ou de outro da balança, que ainda assim estaria desequilibrada. Em adição, a separação dos regimes possivelmente engessaria a gestão (já que impossibilitaria o remanejamento de verbas de um sistema, eventualmente superavitário, ao outro deficitário), e poderia ensejar a necessidade de criação de mais órgãos e cargos (para tratar das áreas em separado), sendo que o momento agora é de enxugamento da máquina pública, não de expansão.


    - Modo parlamentar: Essa reforma é um remendo, não resolve o problema a longo prazo! O ideal é aprovar outro texto, já no início do próximo governo, que resolva o problema por 30 anos ou mais!

    - Modo governo:
    Mais uma vez, concordo; o regime atual é insustentável no longo prazo, seria interessante uma reforma que quebrasse paradigmas e resolvesse a questão de uma vez por todas. Mas onde está essa reforma? O texto está pronto? É "palatável" politicamente, ou seja, seria aprovado com facilidade, ou levaria meses ou anos em discussão até ser aprovado? Ainda mais importante que isso: apesar da urgência em sanear a previdência, o momento atual exige várias outras medidas (reforma tributária, reforma do Estado, privatizações, mudanças legislativas significativas) que também devem entrar em discussão, e que podem ensejar resistência de determinados setores. É interessante para o governo desgastar seu capital político na aprovação de uma reforma da previdência e, depois, não ser capaz de entregar outras medidas também importantes? Não seria interessante permitir que o atual governo encaminhasse a questão da previdência por enquanto, para que possamos discutir essas outras medidas já no início do governo? Se for possível, futuramente, o próprio governo Bolsonaro pode encaminhar a discussão de uma nova reforma previdenciária, em caráter definitivo, e aí já sem a pressão do curto prazo. Talvez propor um texto e deixá-lo pronto para a aprovação do próximo Presidente (que poderá ser o próprio Bolsonaro, caso mude de ideia quanto à reeleição, ou alguém por ele apoiado. Basta o seu governo mostrar bons resultados)
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    Bolsonaro, quem é? O cara gastou apenas 1 milhão na campanha, desativou a academia de casa para fazer seu QG, usou as mídias sociais para vencer as eleições, provou que é possível governar com a verdade. Disse que governará pelo exemplo.


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    Re: Reforma da Previdência (versão 2016.2)

    Mensagem por androsvilazza em Ter 30 Out 2018, 1:37 pm

    Paulo Guedes defende reforma da Previdência e projeto para independência do Banco Central

    Pouco antes de entrar na casa do empresário Paulo Marinho, no Rio de Janeiro, onde se reuniu com Jair Bolsonaro, Paulo Guedes defendeu a aprovação da proposta de reforma da Previdência que está no Congresso Nacional ainda este ano, sem deixar de ressaltar que novas reformas serão necessárias no próximo governo, registra O Globo.

    “Vamos criar uma nova Previdência com regime de capitalização, mas existe uma Previdência antiga que está aí. Então, além do novo regime trabalhista e previdenciário que devemos criar para as futuras gerações, temos que consertar essa que está aí.”

    O futuro ministro da Fazenda também disse que mandará um projeto para dar independência ao Banco Central e que, portanto, a atual transição de governo será a última em que haverá incerteza sobre o comando da autoridade monetária.

    “Daqui para a frente, como vamos aprovar a independência do Banco Central, saberemos que essa fonte de incerteza [o comando do BC] será eliminada. Essa é a ultima transição que tem essa incerteza.”

    Guedes destacou que a independência será aprovada em projeto de lei. “A essência desse projeto são mandatos não coincidentes”, afirmou o economista, que ainda elogiou o atual presidente do BC, Ilan Goldfajn, mas disse que um convite para sua permanência no cargo ainda não foi feito.
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    Re: Reforma da Previdência (versão 2016.2)

    Mensagem por TJ/TREMG em Ter 30 Out 2018, 2:27 pm

    androsvilazza escreveu:A impressão que tenho é que a dificuldade que o Bolsonaro teve em se despir da pele de candidato pra entrar na de Presidente (o que parece estar fazendo aos poucos), é a mesma dificuldade que o Onyx Lorenzoni tem em de se despir da roupagem de parlamentar (até certo ponto de oposição) pra se entregar à função de governo. Acho que, aos poucos, ele vai se adequar ao tom governista já adotado por outros membros do futuro governo: o próprio Bolsonaro, Paulo Guedes, Generais Mourão e Heleno.

    O papel de parlamentar, nessas pautas mais polêmicas, é relativamente fácil: adota-se um discurso de crítica genérica ao projeto do governo, negociam-se algumas concessões, aprova-se - ou rejeita-se - o projeto segundo orientação dos líderes de bancada. O papel de governo é bem mais complicado.

    O próprio presidente eleito está passando por esse dualismo (anos de atividade parlamentar x neófito em governo), e acho que vem sendo corretamente auxiliado por seu entorno mais técnico. Vendo que o Bolsonaro já vem adotando um discurso de aceitar a discussão da previdência ainda esse ano, no governo Temer, suponho que a discussão interna seja mais ou menos nesse sentido:

    - Modo parlamentar: É preciso separar a previdência da assistência social!

    - Modo governo: De fato, seria interessante essa separação, até para fins de controle e transparência. Por outro lado, em termos de déficit nas contas públicas, essa medida é inócua. Separar as despesas previdenciárias das assistenciais significaria também separar, de algum modo, suas receitas (contribuições do empregado e patronal, PIS/COFINS, CSLL...). O total de receitas e despesas não seria alterado e, portanto, o déficit total continuaria o mesmo. A depender da divisão das receitas, a separação dos regimes significa apenas que o rombo maior ficaria de um lado ou de outro da balança, que ainda assim estaria desequilibrada. Em adição, a separação dos regimes possivelmente engessaria a gestão (já que impossibilitaria o remanejamento de verbas de um sistema, eventualmente superavitário, ao outro deficitário), e poderia ensejar a necessidade de criação de mais órgãos e cargos (para tratar das áreas em separado), sendo que o momento agora é de enxugamento da máquina pública, não de expansão.


    - Modo parlamentar: Essa reforma é um remendo, não resolve o problema a longo prazo! O ideal é aprovar outro texto, já no início do próximo governo, que resolva o problema por 30 anos ou mais!

    - Modo governo:
    Mais uma vez, concordo; o regime atual é insustentável no longo prazo, seria interessante uma reforma que quebrasse paradigmas e resolvesse a questão de uma vez por todas. Mas onde está essa reforma? O texto está pronto? É "palatável" politicamente, ou seja, seria aprovado com facilidade, ou levaria meses ou anos em discussão até ser aprovado? Ainda mais importante que isso: apesar da urgência em sanear a previdência, o momento atual exige várias outras medidas (reforma tributária, reforma do Estado, privatizações, mudanças legislativas significativas) que também devem entrar em discussão, e que podem ensejar resistência de determinados setores. É interessante para o governo desgastar seu capital político na aprovação de uma reforma da previdência e, depois, não ser capaz de entregar outras medidas também importantes? Não seria interessante permitir que o atual governo encaminhasse a questão da previdência por enquanto, para que possamos discutir essas outras medidas já no início do governo? Se for possível, futuramente, o próprio governo Bolsonaro pode encaminhar a discussão de uma nova reforma previdenciária, em caráter definitivo, e aí já sem a pressão do curto prazo. Talvez propor um texto e deixá-lo pronto para a aprovação do próximo Presidente (que poderá ser o próprio Bolsonaro, caso mude de ideia quanto à reeleição, ou alguém por ele apoiado. Basta o seu governo mostrar bons resultados)
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    Colega, gosto muito das suas opiniões. Sempre bem escritas e fundamentadas nos mais diversos assuntos. Parabéns!

    Qual a sua formação?
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    Re: Reforma da Previdência (versão 2016.2)

    Mensagem por androsvilazza em Ter 30 Out 2018, 3:09 pm

    TJ/TREMG escreveu:
    androsvilazza escreveu:A impressão que tenho é que a dificuldade que o Bolsonaro teve em se despir da pele de candidato pra entrar na de Presidente (o que parece estar fazendo aos poucos), é a mesma dificuldade que o Onyx Lorenzoni tem em de se despir da roupagem de parlamentar (até certo ponto de oposição) pra se entregar à função de governo. Acho que, aos poucos, ele vai se adequar ao tom governista já adotado por outros membros do futuro governo: o próprio Bolsonaro, Paulo Guedes, Generais Mourão e Heleno.

    O papel de parlamentar, nessas pautas mais polêmicas, é relativamente fácil: adota-se um discurso de crítica genérica ao projeto do governo, negociam-se algumas concessões, aprova-se - ou rejeita-se - o projeto segundo orientação dos líderes de bancada. O papel de governo é bem mais complicado.

    O próprio presidente eleito está passando por esse dualismo (anos de atividade parlamentar x neófito em governo), e acho que vem sendo corretamente auxiliado por seu entorno mais técnico. Vendo que o Bolsonaro já vem adotando um discurso de aceitar a discussão da previdência ainda esse ano, no governo Temer, suponho que a discussão interna seja mais ou menos nesse sentido:

    - Modo parlamentar: É preciso separar a previdência da assistência social!

    - Modo governo: De fato, seria interessante essa separação, até para fins de controle e transparência. Por outro lado, em termos de déficit nas contas públicas, essa medida é inócua. Separar as despesas previdenciárias das assistenciais significaria também separar, de algum modo, suas receitas (contribuições do empregado e patronal, PIS/COFINS, CSLL...). O total de receitas e despesas não seria alterado e, portanto, o déficit total continuaria o mesmo. A depender da divisão das receitas, a separação dos regimes significa apenas que o rombo maior ficaria de um lado ou de outro da balança, que ainda assim estaria desequilibrada. Em adição, a separação dos regimes possivelmente engessaria a gestão (já que impossibilitaria o remanejamento de verbas de um sistema, eventualmente superavitário, ao outro deficitário), e poderia ensejar a necessidade de criação de mais órgãos e cargos (para tratar das áreas em separado), sendo que o momento agora é de enxugamento da máquina pública, não de expansão.


    - Modo parlamentar: Essa reforma é um remendo, não resolve o problema a longo prazo! O ideal é aprovar outro texto, já no início do próximo governo, que resolva o problema por 30 anos ou mais!

    - Modo governo:
    Mais uma vez, concordo; o regime atual é insustentável no longo prazo, seria interessante uma reforma que quebrasse paradigmas e resolvesse a questão de uma vez por todas. Mas onde está essa reforma? O texto está pronto? É "palatável" politicamente, ou seja, seria aprovado com facilidade, ou levaria meses ou anos em discussão até ser aprovado? Ainda mais importante que isso: apesar da urgência em sanear a previdência, o momento atual exige várias outras medidas (reforma tributária, reforma do Estado, privatizações, mudanças legislativas significativas) que também devem entrar em discussão, e que podem ensejar resistência de determinados setores. É interessante para o governo desgastar seu capital político na aprovação de uma reforma da previdência e, depois, não ser capaz de entregar outras medidas também importantes? Não seria interessante permitir que o atual governo encaminhasse a questão da previdência por enquanto, para que possamos discutir essas outras medidas já no início do governo? Se for possível, futuramente, o próprio governo Bolsonaro pode encaminhar a discussão de uma nova reforma previdenciária, em caráter definitivo, e aí já sem a pressão do curto prazo. Talvez propor um texto e deixá-lo pronto para a aprovação do próximo Presidente (que poderá ser o próprio Bolsonaro, caso mude de ideia quanto à reeleição, ou alguém por ele apoiado. Basta o seu governo mostrar bons resultados)
    .


    Colega, gosto muito das suas opiniões. Sempre bem escritas e fundamentadas nos mais diversos assuntos. Parabéns!

    Qual a sua formação?

    Muito obrigado! É bom saber que tem gente interessada, lendo o que se escreve no fórum Very Happy

    Cursei Ciências Econômicas na UFES entre 2006 e 2010, mas tive que abandonar no penúltimo período quando passei no concurso da CEF. Só pude retomar a faculdade há algum tempo, mas aí já não dava mais pra terminar o curso de Economia. Só termino a graduação, mesmo, em Gestão Pública, na metade do ano que vem.
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    Re: Reforma da Previdência (versão 2016.2)

    Mensagem por TJ/TREMG em Ter 30 Out 2018, 9:25 pm

    androsvilazza escreveu:
    TJ/TREMG escreveu:
    androsvilazza escreveu:A impressão que tenho é que a dificuldade que o Bolsonaro teve em se despir da pele de candidato pra entrar na de Presidente (o que parece estar fazendo aos poucos), é a mesma dificuldade que o Onyx Lorenzoni tem em de se despir da roupagem de parlamentar (até certo ponto de oposição) pra se entregar à função de governo. Acho que, aos poucos, ele vai se adequar ao tom governista já adotado por outros membros do futuro governo: o próprio Bolsonaro, Paulo Guedes, Generais Mourão e Heleno.

    O papel de parlamentar, nessas pautas mais polêmicas, é relativamente fácil: adota-se um discurso de crítica genérica ao projeto do governo, negociam-se algumas concessões, aprova-se - ou rejeita-se - o projeto segundo orientação dos líderes de bancada. O papel de governo é bem mais complicado.

    O próprio presidente eleito está passando por esse dualismo (anos de atividade parlamentar x neófito em governo), e acho que vem sendo corretamente auxiliado por seu entorno mais técnico. Vendo que o Bolsonaro já vem adotando um discurso de aceitar a discussão da previdência ainda esse ano, no governo Temer, suponho que a discussão interna seja mais ou menos nesse sentido:

    - Modo parlamentar: É preciso separar a previdência da assistência social!

    - Modo governo: De fato, seria interessante essa separação, até para fins de controle e transparência. Por outro lado, em termos de déficit nas contas públicas, essa medida é inócua. Separar as despesas previdenciárias das assistenciais significaria também separar, de algum modo, suas receitas (contribuições do empregado e patronal, PIS/COFINS, CSLL...). O total de receitas e despesas não seria alterado e, portanto, o déficit total continuaria o mesmo. A depender da divisão das receitas, a separação dos regimes significa apenas que o rombo maior ficaria de um lado ou de outro da balança, que ainda assim estaria desequilibrada. Em adição, a separação dos regimes possivelmente engessaria a gestão (já que impossibilitaria o remanejamento de verbas de um sistema, eventualmente superavitário, ao outro deficitário), e poderia ensejar a necessidade de criação de mais órgãos e cargos (para tratar das áreas em separado), sendo que o momento agora é de enxugamento da máquina pública, não de expansão.


    - Modo parlamentar: Essa reforma é um remendo, não resolve o problema a longo prazo! O ideal é aprovar outro texto, já no início do próximo governo, que resolva o problema por 30 anos ou mais!

    - Modo governo:
    Mais uma vez, concordo; o regime atual é insustentável no longo prazo, seria interessante uma reforma que quebrasse paradigmas e resolvesse a questão de uma vez por todas. Mas onde está essa reforma? O texto está pronto? É "palatável" politicamente, ou seja, seria aprovado com facilidade, ou levaria meses ou anos em discussão até ser aprovado? Ainda mais importante que isso: apesar da urgência em sanear a previdência, o momento atual exige várias outras medidas (reforma tributária, reforma do Estado, privatizações, mudanças legislativas significativas) que também devem entrar em discussão, e que podem ensejar resistência de determinados setores. É interessante para o governo desgastar seu capital político na aprovação de uma reforma da previdência e, depois, não ser capaz de entregar outras medidas também importantes? Não seria interessante permitir que o atual governo encaminhasse a questão da previdência por enquanto, para que possamos discutir essas outras medidas já no início do governo? Se for possível, futuramente, o próprio governo Bolsonaro pode encaminhar a discussão de uma nova reforma previdenciária, em caráter definitivo, e aí já sem a pressão do curto prazo. Talvez propor um texto e deixá-lo pronto para a aprovação do próximo Presidente (que poderá ser o próprio Bolsonaro, caso mude de ideia quanto à reeleição, ou alguém por ele apoiado. Basta o seu governo mostrar bons resultados)
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    Qual a sua formação?

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    Economia é uma área que mto me interessa, gosto mto de ler a respeito.

    Qual a sua opinião sobre aquele estudo da Denise Gentil afirmando q não há deficit na previdência ? (colocam a culpa na DRU, etc...). [Você precisa estar registrado e conectado para ver este link.]
    Lendo o estudo, fiquei com a impressão que ele foi mto enviesado pela ideologia.

    Há entidades como a UNAFISCO que tb defendem isso.

    Abraço!

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    Re: Reforma da Previdência (versão 2016.2)

    Mensagem por jornalista em Qua 31 Out 2018, 5:30 am

    TJ/TREMG escreveu:
    androsvilazza escreveu:
    TJ/TREMG escreveu:
    androsvilazza escreveu:A impressão que tenho é que a dificuldade que o Bolsonaro teve em se despir da pele de candidato pra entrar na de Presidente (o que parece estar fazendo aos poucos), é a mesma dificuldade que o Onyx Lorenzoni tem em de se despir da roupagem de parlamentar (até certo ponto de oposição) pra se entregar à função de governo. Acho que, aos poucos, ele vai se adequar ao tom governista já adotado por outros membros do futuro governo: o próprio Bolsonaro, Paulo Guedes, Generais Mourão e Heleno.

    O papel de parlamentar, nessas pautas mais polêmicas, é relativamente fácil: adota-se um discurso de crítica genérica ao projeto do governo, negociam-se algumas concessões, aprova-se - ou rejeita-se - o projeto segundo orientação dos líderes de bancada. O papel de governo é bem mais complicado.

    O próprio presidente eleito está passando por esse dualismo (anos de atividade parlamentar x neófito em governo), e acho que vem sendo corretamente auxiliado por seu entorno mais técnico. Vendo que o Bolsonaro já vem adotando um discurso de aceitar a discussão da previdência ainda esse ano, no governo Temer, suponho que a discussão interna seja mais ou menos nesse sentido:

    - Modo parlamentar: É preciso separar a previdência da assistência social!

    - Modo governo: De fato, seria interessante essa separação, até para fins de controle e transparência. Por outro lado, em termos de déficit nas contas públicas, essa medida é inócua. Separar as despesas previdenciárias das assistenciais significaria também separar, de algum modo, suas receitas (contribuições do empregado e patronal, PIS/COFINS, CSLL...). O total de receitas e despesas não seria alterado e, portanto, o déficit total continuaria o mesmo. A depender da divisão das receitas, a separação dos regimes significa apenas que o rombo maior ficaria de um lado ou de outro da balança, que ainda assim estaria desequilibrada. Em adição, a separação dos regimes possivelmente engessaria a gestão (já que impossibilitaria o remanejamento de verbas de um sistema, eventualmente superavitário, ao outro deficitário), e poderia ensejar a necessidade de criação de mais órgãos e cargos (para tratar das áreas em separado), sendo que o momento agora é de enxugamento da máquina pública, não de expansão.


    - Modo parlamentar: Essa reforma é um remendo, não resolve o problema a longo prazo! O ideal é aprovar outro texto, já no início do próximo governo, que resolva o problema por 30 anos ou mais!

    - Modo governo:
    Mais uma vez, concordo; o regime atual é insustentável no longo prazo, seria interessante uma reforma que quebrasse paradigmas e resolvesse a questão de uma vez por todas. Mas onde está essa reforma? O texto está pronto? É "palatável" politicamente, ou seja, seria aprovado com facilidade, ou levaria meses ou anos em discussão até ser aprovado? Ainda mais importante que isso: apesar da urgência em sanear a previdência, o momento atual exige várias outras medidas (reforma tributária, reforma do Estado, privatizações, mudanças legislativas significativas) que também devem entrar em discussão, e que podem ensejar resistência de determinados setores. É interessante para o governo desgastar seu capital político na aprovação de uma reforma da previdência e, depois, não ser capaz de entregar outras medidas também importantes? Não seria interessante permitir que o atual governo encaminhasse a questão da previdência por enquanto, para que possamos discutir essas outras medidas já no início do governo? Se for possível, futuramente, o próprio governo Bolsonaro pode encaminhar a discussão de uma nova reforma previdenciária, em caráter definitivo, e aí já sem a pressão do curto prazo. Talvez propor um texto e deixá-lo pronto para a aprovação do próximo Presidente (que poderá ser o próprio Bolsonaro, caso mude de ideia quanto à reeleição, ou alguém por ele apoiado. Basta o seu governo mostrar bons resultados)
    .


    Colega, gosto muito das suas opiniões. Sempre bem escritas e fundamentadas nos mais diversos assuntos. Parabéns!

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    Cursei Ciências Econômicas na UFES entre 2006 e 2010, mas tive que abandonar no penúltimo período quando passei no concurso da CEF. Só pude retomar a faculdade há algum tempo, mas aí já não dava mais pra terminar o curso de Economia. Só termino a graduação, mesmo, em Gestão Pública, na metade do ano que vem.


    Economia é uma área que mto me interessa, gosto mto de ler a respeito.

    Qual a sua opinião sobre aquele estudo da Denise Gentil afirmando q não há deficit na previdência ? (colocam a culpa na DRU, etc...). [Você precisa estar registrado e conectado para ver este link.]
    Lendo o estudo, fiquei com a impressão que ele foi mto enviesado pela ideologia.

    Há entidades como a UNAFISCO que tb defendem isso.

    Abraço!
    Embora a pergunta tenha sido direcionada a Andros, não foi impressão. É ideológico. É o mesmo raciocínio de Ciro, quando diz que o Estado não é inchado. Para isso ele retira a dívida pública, como se está não pertencesse ao Estado (a dívida pública seria privada?). Então para a dru é o mesmo raciocínio. Por isso Guedes quer desvincular tudo. E já que vc tem interesse em Economia (não sou economista), sugiro ler Mises e outros autores liberais.
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    Re: Reforma da Previdência (versão 2016.2)

    Mensagem por TJ/TREMG em Qua 31 Out 2018, 7:27 am

    jornalista escreveu:
    TJ/TREMG escreveu:
    androsvilazza escreveu:
    TJ/TREMG escreveu:


    Colega, gosto muito das suas opiniões. Sempre bem escritas e fundamentadas nos mais diversos assuntos. Parabéns!

    Qual a sua formação?

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    Economia é uma área que mto me interessa, gosto mto de ler a respeito.

    Qual a sua opinião sobre aquele estudo da Denise Gentil afirmando q não há deficit na previdência ? (colocam a culpa na DRU, etc...). [Você precisa estar registrado e conectado para ver este link.]
    Lendo o estudo, fiquei com a impressão que ele foi mto enviesado pela ideologia.

    Há entidades como a UNAFISCO que tb defendem isso.

    Abraço!
    Embora a pergunta tenha sido direcionada a Andros, não foi impressão. É ideológico. É o mesmo raciocínio de Ciro, quando diz que o Estado não é inchado. Para isso ele retira a dívida pública, como se está não pertencesse ao Estado (a dívida pública seria privada?). Então para a dru é o mesmo raciocínio. Por isso Guedes quer desvincular tudo. E já que vc tem interesse em Economia (não sou economista), sugiro ler Mises e outros autores liberais.

    Mises leio há bastante tempo. Tem alguma outra indicação?

    jornalista
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    Re: Reforma da Previdência (versão 2016.2)

    Mensagem por jornalista em Qua 31 Out 2018, 8:10 am

    TJ/TREMG escreveu:
    jornalista escreveu:
    TJ/TREMG escreveu:
    androsvilazza escreveu:

    Muito obrigado! É bom saber que tem gente interessada, lendo o que se escreve no fórum Very Happy

    Cursei Ciências Econômicas na UFES entre 2006 e 2010, mas tive que abandonar no penúltimo período quando passei no concurso da CEF. Só pude retomar a faculdade há algum tempo, mas aí já não dava mais pra terminar o curso de Economia. Só termino a graduação, mesmo, em Gestão Pública, na metade do ano que vem.


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    Qual a sua opinião sobre aquele estudo da Denise Gentil afirmando q não há deficit na previdência ? (colocam a culpa na DRU, etc...). [Você precisa estar registrado e conectado para ver este link.]
    Lendo o estudo, fiquei com a impressão que ele foi mto enviesado pela ideologia.

    Há entidades como a UNAFISCO que tb defendem isso.

    Abraço!
    Embora a pergunta tenha sido direcionada a Andros, não foi impressão. É ideológico. É o mesmo raciocínio de Ciro, quando diz que o Estado não é inchado. Para isso ele retira a dívida pública, como se está não pertencesse ao Estado (a dívida pública seria privada?). Então para a dru é o mesmo raciocínio. Por isso Guedes quer desvincular tudo. E já que vc tem interesse em Economia (não sou economista), sugiro ler Mises e outros autores liberais.

    Mises leio há bastante tempo. Tem alguma outra indicação?
    Qualquer um da escola austríaca.
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    Re: Reforma da Previdência (versão 2016.2)

    Mensagem por Galizezin em Qua 31 Out 2018, 9:58 am

    jornalista escreveu:
    TJ/TREMG escreveu:
    androsvilazza escreveu:
    TJ/TREMG escreveu:


    Colega, gosto muito das suas opiniões. Sempre bem escritas e fundamentadas nos mais diversos assuntos. Parabéns!

    Qual a sua formação?

    Muito obrigado! É bom saber que tem gente interessada, lendo o que se escreve no fórum Very Happy

    Cursei Ciências Econômicas na UFES entre 2006 e 2010, mas tive que abandonar no penúltimo período quando passei no concurso da CEF. Só pude retomar a faculdade há algum tempo, mas aí já não dava mais pra terminar o curso de Economia. Só termino a graduação, mesmo, em Gestão Pública, na metade do ano que vem.


    Economia é uma área que mto me interessa, gosto mto de ler a respeito.

    Qual a sua opinião sobre aquele estudo da Denise Gentil afirmando q não há deficit na previdência ? (colocam a culpa na DRU, etc...). [Você precisa estar registrado e conectado para ver este link.]
    Lendo o estudo, fiquei com a impressão que ele foi mto enviesado pela ideologia.

    Há entidades como a UNAFISCO que tb defendem isso.

    Abraço!
    Embora a pergunta tenha sido direcionada a Andros, não foi impressão. É ideológico. É o mesmo raciocínio de Ciro, quando diz que o Estado não é inchado. Para isso ele retira a dívida pública, como se está não pertencesse ao Estado (a dívida pública seria privada?). Então para a dru é o mesmo raciocínio. Por isso Guedes quer desvincular tudo. E já que vc tem interesse em Economia (não sou economista), sugiro ler Mises e outros autores liberais.

    Não consigo ver viés ideológico na fala da Denise, que é corroborada pela Unafisco (pessoal que possui conhecimento de arrecadação) e também por outros especialistas atuariais.
    Imaginem que as contas públicas estão padronizadas num plano de contas.
    A DRU é uma sangria da conta previdência para outras contas. Quem, em sã consciência, iria retirar dinheiro de uma conta devedora?
    O governo simplesmente não abre para quais setores ele desvia dinheiro da previdência, porque a lógica é apresentar o caminho mais fácil para arranjar mais dinheiro, qual seja, aumentar a idade mínima de aposentadoria, subir a alíquota previdenciária e mexer em direitos. Para o governo é fácil colocar a culpa nos aposentados e naqueles que estão para se aposentar, já que ele não possui controle algum do quantum capitalizado individualmente. Na outra ponta, ele faz seu "nome" (marketing) gastando prodigiosamente em outras áreas. Deveria fazer o seguinte: estancar a DRU para ver onde o rombo aparece.


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    Re: Reforma da Previdência (versão 2016.2)

    Mensagem por euvoltei em Qua 31 Out 2018, 10:35 am

    Galizezin escreveu:

    Não consigo ver viés ideológico na fala da Denise, que é corroborada pela Unafisco (pessoal que possui conhecimento de arrecadação) e também por outros especialistas atuariais.
    Imaginem que as contas públicas estão padronizadas num plano de contas.
    A DRU é uma sangria da conta previdência para outras contas. Quem, em sã consciência, iria retirar dinheiro de uma conta devedora?
    O governo simplesmente não abre para quais setores ele desvia dinheiro da previdência, porque a lógica é apresentar o caminho mais fácil para arranjar mais dinheiro, qual seja, aumentar a idade mínima de aposentadoria, subir a alíquota previdenciária e mexer em direitos. Para o governo é fácil colocar a culpa nos aposentados e naqueles que estão para se aposentar, já que ele não possui controle algum do quantum capitalizado individualmente. Na outra ponta, ele faz seu "nome" (marketing) gastando prodigiosamente em outras áreas. Deveria fazer o seguinte: estancar a DRU para ver onde o rombo aparece.


    Partindo da premissa pouco contestada que as despesas com aposentadorias daqui a 20 anos consumirão 100% do orçamento da união, se reforma nenhuma for aprovada....

    Vejamos o raciocínio:
    -No passado sobrava dinheiro, mas esse dinheiro a mais foi gasto via DRU...
    -Hoje, sobrou só o a despesa(conta), que só vai ser paga se acabar com a DRU....,
    -No futuro, vai ter uma despesa que vai consumir todo orçamento da união.


    É o joguinho da balão que enche continuamente e é passado de mão em mão.... lógico que vai explodir na mão de alguém, apesar de ter sido enchido na maior parte na mão de outras pessoas.....

    Ai, as perguntas ficam:
    É preciso DRU?
    É preciso reforma?

    Eu respondo sim pra duas,
    Sim, pois nada adianta paralisar o governo.
    Sim, pois nada adianta criar expectativas impagáveis.
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    Re: Reforma da Previdência (versão 2016.2)

    Mensagem por androsvilazza em Qua 31 Out 2018, 10:37 am

    TJ/TREMG escreveu:

    Economia é uma área que mto me interessa, gosto mto de ler a respeito.

    Qual a sua opinião sobre aquele estudo da Denise Gentil afirmando q não há deficit na previdência ? (colocam a culpa na DRU, etc...). [Você precisa estar registrado e conectado para ver este link.]
    Lendo o estudo, fiquei com a impressão que ele foi mto enviesado pela ideologia.

    Há entidades como a UNAFISCO que tb defendem isso.

    Abraço!

    Deu um pouquinho de trabalho, mas achei um post meu antigo [Você precisa estar registrado e conectado para ver este link.]. Se me permite, vou colar aqui, tem referência a dois estudos técnicos do Senado, um sobre a questão da DRU, outro sobre a reforma da previdência em si. São um pouco antigos, o meu post mesmo já tem um ano, mas são bem precisos:

    androsvilazza, em 26/09/2017 escreveu:
    Outra bobagem enorme é esse lengalenga de DRU. Como muito bem exposto no texto que o colega OJAF postou, o cálculo distorcido da ANFIP só se sustenta porque consideram receitas que, normalmente, não constam do orçamento da Seguridade, como excluem despesas – especificamente os gastos com o RPPS – da conta.

    Muita gente critica a DRU sem nem saber direito do que se trata: leem “resumos” na internet, feitos por gente que também não entende, ou que está meramente replicando o que outros desentendidos ou mal-intencionados já disseram anteriormente. Quem não tiver interesse em entender a DRU, pode seguir para post do próximo colega. Para quem tiver interesse em saber, vou tentar explicar, novamente, em miúdos, a engrenagem da DRU – a qual, também, defendo sem medo. Uma das “evidências” que costumo apontar é que a DRU nasceu junto com o Plano Real – aliás, não existiria Plano Real, e estabilidade econômica como a conhecemos atualmente, sem a DRU. Defendo, também, que quem se interessar procure outras fontes de leitura, não só em relação à DRU, mas à política, economia, justiça, em geral, porque afetam nossa vida, queiramos ou não; em especial, procure entender do que se está falando, leia bastante e forme sua própria opinião, ainda que divergente do senso comum, que não raro é estúpido mesmo.

    Primeiramente, vamos analisar quais as principais alternativas de um governo ao precisar de mais recursos:

    - emissão de moeda – medida abandonada recentemente, por motivos óbvios (pressiona a inflação);

    - corte de gastos – sabemos da dificuldade que os políticos brasileiros têm em adotar este tipo de medida;

    - aumento da dívida – precisa ser usado com parcimônia, para evitar que o montante da dívida e, por extensão, as taxas de juros, cheguem a níveis insustentáveis;

    - aumento de tributos.

    Observem que coloquei, deliberadamente, aumento de tributos, porque se incluem aí impostos e contribuições. Os dois têm várias características diversas, mas vamos nos ater ao que importa pra nossa análise, simplificando: impostos têm destinação obrigatória de um percentual aos Estados e Municípios; e contribuições têm destinação obrigatória de um percentual à Seguridade Social (NÃO É SÓ PREVIDÊNCIA: inclui saúde, educação, assistência social e o FAT).

    Ora, obviamente o governo escolheu o caminho “mais fácil” para contornar a escassez de recursos: aumenta-se a carga tributária preferencialmente por meio da majoração das alíquotas de contribuições, e desvincula-se uma parte das suas receitas. Obviamente muito mais fácil do que desvincular a destinação de impostos aos Estados e Municípios. Por outro lado, a desvinculação das contribuições tem dois “efeitos colaterais positivos” (para o governo central): nada impede dos recursos voltarem às áreas a que eram originalmente destinados (no caso dos impostos, os Estados não devolveriam à União eventual excedente decorrente do aumento de carga tributária); ao indiretamente reduzir o percentual das receitas destinados aos demais entes federados, o governo federal mantém os Estados e Municípios “de pires na mão”, facilitando a obtenção de apoio político.

    Alguns estudos recentes do Senado (aqui) mostram que a DRU, hoje, é praticamente inócua – já que grande parte dos recursos inicialmente desvinculados acabam retornando à Seguridade Social, para diminuição do déficit – mais do que isso: a Seguridade acaba tendo de receber recursos do Orçamento Fiscal (originalmente de “livre” destinação). Para o ano de 2016, por exemplo, as receitas da Seguridade foram consolidadas em 613bi, e as despesas em 872bi (portanto, déficit de quase 260bi). A desvinculação, por sua vez, foi de 92bi; portanto, as receitas totais da Seguridade foram de 705bi – insuficientes para cobrir as despesas. No “fechamento” anual, o governo teve de “devolver” as verbas desvinculadas, e aportar mais um tanto para fechar.

    Então, por que o governo insiste em aprovar a DRU? Por que retirar dinheiro da Seguridade, pra depois devolver mais do que retirou? Simples: o governo só pode gastar os recursos que tem em caixa. Às vezes tem dinheiro na conta do Orçamento Fiscal, e não tem no da Seguridade, e vice-versa. Com o orçamento rígido, não se poderia utilizar recursos de uma conta, ao longo do ano, para temporariamente financiar a outra. Com a DRU, permite-se, temporariamente, pagar despesas do Orçamento Fiscal com recursos da Seguridade, e vic-eversa.

    Em resumo, os maiores “prejudicados” pela existência da DRU são:
    - indiretamente, Estados e Municípios (o governo central deixa de aumentar impostos, que seriam destinados, em parte, àqueles entes;
    - diretamente, o FAT. Por ser superavitário, a receita desvinculada do PIS/PASEP impacta o FAT negativamente.

    NÃO SÃO NORMALMENTE – e diretamente – PREJUDICADOS PELA DRU:

    - a saúde (a CPMF, única contribuição de destinação exclusiva à saúde, foi extinta, obviamente deixando de ser afetada pela DRU);
    - a educação (os recursos de MDE não são mais desvinculados);
    - a previdência – as contribuições patronais e de empregados não estão sujeitas à desvinculação.

    Este último ponto é importantíssimo: as receitas exclusivas da Previdência (contribuições previdenciárias) não estão sujeitas à desvinculação. Logicamente a Previdência é afetada pela desvinculação das receitas comuns (COFINS, CSLL), mas como já vimos a Previdência mais retira do que cede receitas às outras áreas.


    P.S.: Aqui tem um estudo legal, do Senado, sobre a reforma da Previdência. Quem tiver interesse, leia, é muito bem explicado.


    Tem dois tópicos deste fórum que abordaram bastante o assunto da previdência. Se tiver paciência, dá uma passada de olhos lá, é até interessante ver, um ano depois, a discussão que se travava sobre o assunto, e a evolução das ideias:

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    Re: Reforma da Previdência (versão 2016.2)

    Mensagem por TJ/TREMG em Qua 31 Out 2018, 10:52 am

    androsvilazza escreveu:
    TJ/TREMG escreveu:

    Economia é uma área que mto me interessa, gosto mto de ler a respeito.

    Qual a sua opinião sobre aquele estudo da Denise Gentil afirmando q não há deficit na previdência ? (colocam a culpa na DRU, etc...). [Você precisa estar registrado e conectado para ver este link.]
    Lendo o estudo, fiquei com a impressão que ele foi mto enviesado pela ideologia.

    Há entidades como a UNAFISCO que tb defendem isso.

    Abraço!

    Deu um pouquinho de trabalho, mas achei um post meu antigo [Você precisa estar registrado e conectado para ver este link.]. Se me permite, vou colar aqui, tem referência a dois estudos técnicos do Senado, um sobre a questão da DRU, outro sobre a reforma da previdência em si. São um pouco antigos, o meu post mesmo já tem um ano, mas são bem precisos:

    androsvilazza, em 26/09/2017 escreveu:
    Outra bobagem enorme é esse lengalenga de DRU. Como muito bem exposto no texto que o colega OJAF postou, o cálculo distorcido da ANFIP só se sustenta porque consideram receitas que, normalmente, não constam do orçamento da Seguridade, como excluem despesas – especificamente os gastos com o RPPS – da conta.

    Muita gente critica a DRU sem nem saber direito do que se trata: leem “resumos” na internet, feitos por gente que também não entende, ou que está meramente replicando o que outros desentendidos ou mal-intencionados já disseram anteriormente. Quem não tiver interesse em entender a DRU, pode seguir para post do próximo colega. Para quem tiver interesse em saber, vou tentar explicar, novamente, em miúdos, a engrenagem da DRU – a qual, também, defendo sem medo. Uma das “evidências” que costumo apontar é que a DRU nasceu junto com o Plano Real – aliás, não existiria Plano Real, e estabilidade econômica como a conhecemos atualmente, sem a DRU. Defendo, também, que quem se interessar procure outras fontes de leitura, não só em relação à DRU, mas à política, economia, justiça, em geral, porque afetam nossa vida, queiramos ou não; em especial, procure entender do que se está falando, leia bastante e forme sua própria opinião, ainda que divergente do senso comum, que não raro é estúpido mesmo.

    Primeiramente, vamos analisar quais as principais alternativas de um governo ao precisar de mais recursos:

    - emissão de moeda – medida abandonada recentemente, por motivos óbvios (pressiona a inflação);

    - corte de gastos – sabemos da dificuldade que os políticos brasileiros têm em adotar este tipo de medida;

    - aumento da dívida – precisa ser usado com parcimônia, para evitar que o montante da dívida e, por extensão, as taxas de juros, cheguem a níveis insustentáveis;

    - aumento de tributos.

    Observem que coloquei, deliberadamente, aumento de tributos, porque se incluem aí impostos e contribuições. Os dois têm várias características diversas, mas vamos nos ater ao que importa pra nossa análise, simplificando: impostos têm destinação obrigatória de um percentual aos Estados e Municípios; e contribuições têm destinação obrigatória de um percentual à Seguridade Social (NÃO É SÓ PREVIDÊNCIA: inclui saúde, educação, assistência social e o FAT).

    Ora, obviamente o governo escolheu o caminho “mais fácil” para contornar a escassez de recursos: aumenta-se a carga tributária preferencialmente por meio da majoração das alíquotas de contribuições, e desvincula-se uma parte das suas receitas. Obviamente muito mais fácil do que desvincular a destinação de impostos aos Estados e Municípios. Por outro lado, a desvinculação das contribuições tem dois “efeitos colaterais positivos” (para o governo central): nada impede dos recursos voltarem às áreas a que eram originalmente destinados (no caso dos impostos, os Estados não devolveriam à União eventual excedente decorrente do aumento de carga tributária); ao indiretamente reduzir o percentual das receitas destinados aos demais entes federados, o governo federal mantém os Estados e Municípios “de pires na mão”, facilitando a obtenção de apoio político.

    Alguns estudos recentes do Senado (aqui) mostram que a DRU, hoje, é praticamente inócua – já que grande parte dos recursos inicialmente desvinculados acabam retornando à Seguridade Social, para diminuição do déficit – mais do que isso: a Seguridade acaba tendo de receber recursos do Orçamento Fiscal (originalmente de “livre” destinação). Para o ano de 2016, por exemplo, as receitas da Seguridade foram consolidadas em 613bi, e as despesas em 872bi (portanto, déficit de quase 260bi). A desvinculação, por sua vez, foi de 92bi; portanto, as receitas totais da Seguridade foram de 705bi – insuficientes para cobrir as despesas. No “fechamento” anual, o governo teve de “devolver” as verbas desvinculadas, e aportar mais um tanto para fechar.

    Então, por que o governo insiste em aprovar a DRU? Por que retirar dinheiro da Seguridade, pra depois devolver mais do que retirou? Simples: o governo só pode gastar os recursos que tem em caixa. Às vezes tem dinheiro na conta do Orçamento Fiscal, e não tem no da Seguridade, e vice-versa. Com o orçamento rígido, não se poderia utilizar recursos de uma conta, ao longo do ano, para temporariamente financiar a outra. Com a DRU, permite-se, temporariamente, pagar despesas do Orçamento Fiscal com recursos da Seguridade, e vic-eversa.

    Em resumo, os maiores “prejudicados” pela existência da DRU são:
    - indiretamente, Estados e Municípios (o governo central deixa de aumentar impostos, que seriam destinados, em parte, àqueles entes;
    - diretamente, o FAT. Por ser superavitário, a receita desvinculada do PIS/PASEP impacta o FAT negativamente.

    NÃO SÃO NORMALMENTE – e diretamente – PREJUDICADOS PELA DRU:

    - a saúde (a CPMF, única contribuição de destinação exclusiva à saúde, foi extinta, obviamente deixando de ser afetada pela DRU);
    - a educação (os recursos de MDE não são mais desvinculados);
    - a previdência – as contribuições patronais e de empregados não estão sujeitas à desvinculação.

    Este último ponto é importantíssimo: as receitas exclusivas da Previdência (contribuições previdenciárias) não estão sujeitas à desvinculação. Logicamente a Previdência é afetada pela desvinculação das receitas comuns (COFINS, CSLL), mas como já vimos a Previdência mais retira do que cede receitas às outras áreas.


    P.S.: Aqui tem um estudo legal, do Senado, sobre a reforma da Previdência. Quem tiver interesse, leia, é muito bem explicado.


    Tem dois tópicos deste fórum que abordaram bastante o assunto da previdência. Se tiver paciência, dá uma passada de olhos lá, é até interessante ver, um ano depois, a discussão que se travava sobre o assunto, e a evolução das ideias:

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    Valeu, Andros. Mais uma vez, mto elucidativo seu texto. Um abraço!
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    Re: Reforma da Previdência (versão 2016.2)

    Mensagem por androsvilazza em Qua 31 Out 2018, 10:55 am

    É bom apontar que uma das propostas mais radicais do Paulo Guedes diz respeito à reforma financeiro-orçamentária: para ele (e vários teóricos econômicos), o orçamento ideal para momentos de crise fiscal é o de base zero, que corresponde, em outros termos, a uma DRU de 100%: nada no orçamento é vinculado; todo ano o orçamento é feito a partir do zero, alocando os recursos disponíveis às mais diversas áreas, conforme as prioridades elencadas.

    Politicamente, essa proposta é muito difícil de ser aprovada e, mesmo aprovada, geraria atrito todo ano na elaboração do orçamento, cada um querendo puxar mais verbas para seu setor. Em termos de gestão financeira, no entanto, é a melhor opção, desde que o pessoal técnico da área econômica esteja bem capacitado.
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    Re: Reforma da Previdência (versão 2016.2)

    Mensagem por TJ/TREMG em Qua 31 Out 2018, 11:05 am

    jornalista escreveu:
    TJ/TREMG escreveu:
    jornalista escreveu:
    TJ/TREMG escreveu:


    Economia é uma área que mto me interessa, gosto mto de ler a respeito.

    Qual a sua opinião sobre aquele estudo da Denise Gentil afirmando q não há deficit na previdência ? (colocam a culpa na DRU, etc...). [Você precisa estar registrado e conectado para ver este link.]
    Lendo o estudo, fiquei com a impressão que ele foi mto enviesado pela ideologia.

    Há entidades como a UNAFISCO que tb defendem isso.

    Abraço!
    Embora a pergunta tenha sido direcionada a Andros, não foi impressão. É ideológico. É o mesmo raciocínio de Ciro, quando diz que o Estado não é inchado. Para isso ele retira a dívida pública, como se está não pertencesse ao Estado (a dívida pública seria privada?). Então para a dru é o mesmo raciocínio. Por isso Guedes quer desvincular tudo. E já que vc tem interesse em Economia (não sou economista), sugiro ler Mises e outros autores liberais.

    Mises leio há bastante tempo. Tem alguma outra indicação?
    Qualquer um da escola austríaca.


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    Re: Reforma da Previdência (versão 2016.2)

    Mensagem por sprg4 em Qua 31 Out 2018, 11:07 am

    [Você precisa estar registrado e conectado para ver este link.]

    O que acham disso?
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    Re: Reforma da Previdência (versão 2016.2)

    Mensagem por Galizezin em Qua 31 Out 2018, 11:23 am

    euvoltei escreveu:

    Partindo da premissa pouco contestada que as despesas com aposentadorias daqui a 20 anos consumirão 100% do orçamento da união, se reforma nenhuma for aprovada....

    Vejamos o raciocínio:
    -No passado sobrava dinheiro, mas esse dinheiro a mais foi gasto via DRU...
    -Hoje, sobrou só o a despesa(conta), que só vai ser paga se acabar com a DRU....,
    -No futuro, vai ter uma despesa que vai consumir todo orçamento da união.


    É o joguinho da balão que enche continuamente e é passado de mão em mão.... lógico que vai explodir na mão de alguém, apesar de ter sido enchido na maior parte na mão de outras pessoas.....

    Ai, as perguntas ficam:
    É preciso DRU?
    É preciso reforma?

    Eu respondo sim pra duas,
    Sim, pois nada adianta paralisar o governo.
    Sim, pois nada adianta criar expectativas impagáveis.

    Não é bem assim. Parto do raciocínio de que o governo federal já resolveu o principal problema do setor público civil, que foi a criação da Funpresp. O funpresp estabelece o regime de capitalização. Avanço. O que ele precisa resolver é o pepino do setor militar, que pouco contribui e concede aposentadoria muito cedo ao seu pessoal. Além disso, precisa instituir o regime de capitalização para o setor privado e separar o que é previdência do assistencialismo, pois esta última parte é desenfreada. Pelo teu raciocínio, as pessoas são eternas e não há redução quando paga a pensão ao cônjuge supérstite.
    É pálido o argumento de que o governo irá paralisar se não houver desvio de dinheiro do caixa da previdência. Basicamente, é o mesmo que resolver meu problema financeiro assaltando pessoas na rua. Então, é preciso seriedade com as contas públicas. O OBZ diz que preciso fazer uma faxina em cada pasta/conta, para evitar desequilíbrio futuro, já que previdência é isso mesmo, recebe hoje para prover amanhã. Como os governantes são imediatistas e não precisam prestar contas a ninguém, saqueiam as contas com saldo positivo e os aposentados que paguem a conta. Se todo esse dinheiro já desviado da previdência estivesse aplicado, rendendo juros, qual seria o valor acumulado até aqui? Raciocina.
    Então, vamos fazer o seguinte: peguemos o dinheiro que está rendendo juros da funpresp e façamos o mesmo, vamos inserir uma DRU ali, já que o governo não pode paralisar. E pela explicação que vi, do procurador Rodrigo Tenório, é exatamente isso que o congresso nacional poderá fazer no futuro. Saquear os fundos, como o funpresp, mudar sua forma de gestão, inserir "gestores" externos.


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    Re: Reforma da Previdência (versão 2016.2)

    Mensagem por Galizezin em Qua 31 Out 2018, 11:27 am

    sprg4 escreveu:[Você precisa estar registrado e conectado para ver este link.]

    O que acham disso?

    Fator tempo escasso, congresso antigo e reforma mal feita. Só para refrescar a memória:


    Relator conclui que Previdência não tem déficit
    Texto de Hélio José (PROS-DF) de 253 páginas conclui que 'é possível afirmar, com convicção, que inexiste déficit da Previdência Social ou da Seguridade Social' no Brasil

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    Re: Reforma da Previdência (versão 2016.2)

    Mensagem por sprg4 em Qua 31 Out 2018, 11:30 am

    Na verdade, estou mais preocupado com a mudança de posicionamento do Bolsonaro, que antes da sua vitória no pleito eleitoral, afirmava que essa famigerada reforma de Temer, era inviável.
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    Re: Reforma da Previdência (versão 2016.2)

    Mensagem por androsvilazza em Qua 31 Out 2018, 11:34 am

    Galizezin escreveu:
    sprg4 escreveu:[Você precisa estar registrado e conectado para ver este link.]

    O que acham disso?

    Fator tempo escasso, congresso antigo e reforma mal feita. Só para refrescar a memória:


    Relator conclui que Previdência não tem déficit
    Texto de Hélio José (PROS-DF) de 253 páginas conclui que 'é possível afirmar, com convicção, que inexiste déficit da Previdência Social ou da Seguridade Social' no Brasil

    [Você precisa estar registrado e conectado para ver este link.]

    O Hélio José é do PROS, um dos dois únicos satélites do PT (o outro é o PCdoB) que manteve sua lealdade mesmo nessa eleição, em que houve quase um recorde de candidatos. Seria a mesma coisa que dar credibilidade cega a um eventual relatório elaborado pelo Romero Jucá a favor da reforma.

    Nesses casos em que o relator é escolhido "a dedo" (tanto pra um lado quanto pro outro), o teor do relatório nem importa, nenhum parlamentar sequer dá atenção ao que está escrito nele, porque já sabe o resultado antes do cara começar a elaborar o relatório. No fim, votam independentemente do relatório e, se for preciso, derrubam o relatório "oficial" e aprovam um outro alternativo, com teor oposto.
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    Re: Reforma da Previdência (versão 2016.2)

    Mensagem por androsvilazza em Qua 31 Out 2018, 11:41 am

    sprg4 escreveu:Na verdade, estou mais preocupado com a mudança de posicionamento do Bolsonaro, que antes da sua vitória no pleito eleitoral, afirmava que essa famigerada reforma de Temer, era inviável.

    Pelo desenvolvimento dos últimos dias, acho que esse texto de reforma do Temer terá mesmo muitas dificuldades em ser aprovado. Mesmo que o Bolsonaro encampasse a briga pela aprovação, no seu próprio entorno há dissidentes ferrenhos contra a reforma. O Paulo Guedes tinha dado uma "enquadrada" no Onyx Lorenzoni, dizendo que ele não devia se meter em assuntos econômicos, agora parece que o movimento vai no sentido contrário, de prevalecer a tese de que o texto atual não seria aprovado (por vários motivos, não necessariamente ligados ao conteúdo da reforma), e uma derrota este ano dificultaria a retomada da discussão no ano que vem.

    É mais provável que mantenham a estratégia que o Temer adotou até agora, de "vai-não-vai": ensaia-se um esforço para aprovar a reforma; plantam aqui e ali declarações de dissidentes dentro do próprio governo; há um "recuo estratégico para trabalhar no convencimento e refazer o levantamento de votos favoráveis"; recomeça o ciclo. Isso mantém o assunto em discussão, evitando repercussões negativas no mercado e a impressão de que o governo (Temer ou Bolsonaro) abandonou a ideia de fazer uma reforma da previdência, ou não considera esse tema uma prioridade.

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    Re: Reforma da Previdência (versão 2016.2)

    Mensagem por sprg4 em Qua 31 Out 2018, 11:46 am

    Entendi!!

    Reforço os elogios que o(a) colega fez aos seus comentários, são mt elucidativos e coerentes, assim cm  de outros colegas tb.

    Abraço.


    Última edição por sprg4 em Qua 31 Out 2018, 11:52 am, editado 1 vez(es)
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    Re: Reforma da Previdência (versão 2016.2)

    Mensagem por Sigma em Qua 31 Out 2018, 11:48 am

    Duc@r@alho a explicação do Andros sobre a DRU. Sou fã, não nego. Assim que tiver um pouco mais de tempo, lerei os estudos postados.

    Voltemos à questão da previdência, especialmente RPPS:

    A criação da Funpresp resolveu parte do problema. Estamos de acordo: quem entrou agora, ou quem migrou, já não impacta tanto no RPPS.

    Portanto, ficaram 2 pepinos pra resolver: pessoal pré-2003 (grupo A), e pessoal pós-2003 e pré-2013 (grupo B).

    Uma das ideias para o grupo B seria mudar a média de 80% para 100% das maiores contribuições.

    As minhas perguntas: é POSSÍVEL instituir essa regra também ao grupo A? Se sim, é PROVÁVEL?
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    Re: Reforma da Previdência (versão 2016.2)

    Mensagem por androsvilazza em Qua 31 Out 2018, 12:42 pm

    Sigma escreveu:Duc@r@alho a explicação do Andros sobre a DRU. Sou fã, não nego. Assim que tiver um pouco mais de tempo, lerei os estudos postados.

    Voltemos à questão da previdência, especialmente RPPS:

    A criação da Funpresp resolveu parte do problema. Estamos de acordo: quem entrou agora, ou quem migrou, já não impacta tanto no RPPS.

    Portanto, ficaram 2 pepinos pra resolver: pessoal pré-2003 (grupo A), e pessoal pós-2003 e pré-2013 (grupo B).

    Uma das ideias para o grupo B seria mudar a média de 80% para 100% das maiores contribuições.

    As minhas perguntas: é POSSÍVEL instituir essa regra também ao grupo A? Se sim, é PROVÁVEL?

    Cara, pro pessoal pré-2003 (integralidade/paridade) não dá, já que pra esse grupo a média não importa, apenas o último salário.

    O que o governo pode tentar fazer em relação a esse grupo é impor regras muito duras de transição para que a pessoa tenha direito à paridade, que era mais ou menos o que tentaram em alguma das várias versões da reforma proposta: a idade mínima "para o público geral" partiria de 53/55 em 2018, chegando a 62/65 em 2038. Para os servidores públicos, partiria de 55/60 (atual) e também chegaria aos 62/65. No entanto, para quem quisesse manter o direito à paridade, a idade mínima já seria, de imediato, 62/65. Depois, nas negociações no Congresso, acabaram instituindo um "pedágio", e várias outras alterações foram promovidas. Mas a ideia de fundo era essa, dificultar o acesso à integralidade/paridade com regras de transição mais duras. Aí, quem desistisse da paridade e optasse pela aposentadoria pela média (regra vigente para 2003-2013), acabaria por ser atingido pela mudança no cálculo.

    A propósito, essa mudança de cálculo (dos 80% para 100% das contribuições) é uma das medidas mais prováveis de se acontecer no caso de uma reforma que mantenha, de certo modo, o regime atual, já que o custo político é ínfimo ("ninguém" sabe ao certo qual seria a diferença na mudança de cálculo, no seu caso individual). Outra mudança muito provável (essa é quase certa) seria a alteração de alíquota, já tentada pelo Temer e, até o momento, segurada pelo Lewandovski.

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    Re: Reforma da Previdência (versão 2016.2)

    Mensagem por Sigma em Qua 31 Out 2018, 12:59 pm

    androsvilazza escreveu:
    Sigma escreveu:Duc@r@alho a explicação do Andros sobre a DRU. Sou fã, não nego. Assim que tiver um pouco mais de tempo, lerei os estudos postados.

    Voltemos à questão da previdência, especialmente RPPS:

    A criação da Funpresp resolveu parte do problema. Estamos de acordo: quem entrou agora, ou quem migrou, já não impacta tanto no RPPS.

    Portanto, ficaram 2 pepinos pra resolver: pessoal pré-2003 (grupo A), e pessoal pós-2003 e pré-2013 (grupo B).

    Uma das ideias para o grupo B seria mudar a média de 80% para 100% das maiores contribuições.

    As minhas perguntas: é POSSÍVEL instituir essa regra também ao grupo A? Se sim, é PROVÁVEL?

    Cara, pro pessoal pré-2003 (integralidade/paridade) não dá, já que pra esse grupo a média não importa, apenas o último salário.

    O que o governo pode tentar fazer em relação a esse grupo é impor regras muito duras de transição para que a pessoa tenha direito à paridade, que era mais ou menos o que tentaram em alguma das várias versões da reforma proposta: a idade mínima "para o público geral" partiria de 53/55 em 2018, chegando a 62/65 em 2038. Para os servidores públicos, partiria de 55/60 (atual) e também chegaria aos 62/65. No entanto, para quem quisesse manter o direito à paridade, a idade mínima já seria, de imediato, 62/65. Depois, nas negociações no Congresso, acabaram instituindo um "pedágio", e várias outras alterações foram promovidas. Mas a ideia de fundo era essa, dificultar o acesso à integralidade/paridade com regras de transição mais duras. Aí, quem desistisse da paridade e optasse pela aposentadoria pela média (regra vigente para 2003-2013), acabaria por ser atingido pela mudança no cálculo.

    A propósito, essa mudança de cálculo (dos 80% para 100% das contribuições) é uma das medidas mais prováveis de se acontecer no caso de uma reforma que mantenha, de certo modo, o regime atual, já que o custo político é ínfimo ("ninguém" sabe ao certo qual seria a diferença na mudança de cálculo, no seu caso individual). Outra mudança muito provável (essa é quase certa) seria a alteração de alíquota, já tentada pelo Temer e, até o momento, segurada pelo Lewandovski.


    Obrigado, Andros.

    Eu pergunto porque não foram poucas as vezes em que o RPPS foi alvo dos debates eleitorais, e os números apontam um déficit muito forte, especialmente por conta do grupo pré-2003. Então fiquei na dúvida se realmente haveria algo que pudesse ser feito, ou se os candidatos estavam jogando pra galera.
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    Re: Reforma da Previdência (versão 2016.2)

    Mensagem por euvoltei em Qua 31 Out 2018, 4:41 pm

    Galizezin escreveu:
    euvoltei escreveu:

    Partindo da premissa pouco contestada que as despesas com aposentadorias daqui a 20 anos consumirão 100% do orçamento da união, se reforma nenhuma for aprovada....

    Vejamos o raciocínio:
    -No passado sobrava dinheiro, mas esse dinheiro a mais foi gasto via DRU...
    -Hoje, sobrou só o a despesa(conta), que só vai ser paga se acabar com a DRU....,
    -No futuro, vai ter uma despesa que vai consumir todo orçamento da união.


    É o joguinho da balão que enche continuamente e é passado de mão em mão.... lógico que vai explodir na mão de alguém, apesar de ter sido enchido na maior parte na mão de outras pessoas.....

    Ai, as perguntas ficam:
    É preciso DRU?
    É preciso reforma?

    Eu respondo sim pra duas,
    Sim, pois nada adianta paralisar o governo.
    Sim, pois nada adianta criar expectativas impagáveis.

    Não é bem assim. Parto do raciocínio de que o governo federal já resolveu o principal problema do setor público civil, que foi a criação da Funpresp. O funpresp estabelece o regime de capitalização. Avanço. O que ele precisa resolver é o pepino do setor militar, que pouco contribui e concede aposentadoria muito cedo ao seu pessoal. Além disso, precisa instituir o regime de capitalização para o setor privado e separar o que é previdência do assistencialismo, pois esta última parte é desenfreada. Pelo teu raciocínio, as pessoas são eternas e não há redução quando paga a pensão ao cônjuge supérstite.
    É pálido o argumento de que o governo irá paralisar se não houver desvio de dinheiro do caixa da previdência. Basicamente, é o mesmo que resolver meu problema financeiro assaltando pessoas na rua. Então, é preciso seriedade com as contas públicas. O OBZ diz que preciso fazer uma faxina em cada pasta/conta, para evitar desequilíbrio futuro, já que previdência é isso mesmo, recebe hoje para prover amanhã. Como os governantes são imediatistas e não precisam prestar contas a ninguém, saqueiam as contas com saldo positivo e os aposentados que paguem a conta. Se todo esse dinheiro já desviado da previdência estivesse aplicado, rendendo juros, qual seria o valor acumulado até aqui? Raciocina.
    Então, vamos fazer o seguinte: peguemos o dinheiro que está rendendo juros da funpresp e façamos o mesmo, vamos inserir uma DRU ali, já que o governo não pode paralisar. E pela explicação que vi, do procurador Rodrigo Tenório, é exatamente isso que o congresso nacional poderá fazer no futuro. Saquear os fundos, como o funpresp, mudar sua forma de gestão, inserir "gestores" externos.  
     

    Um belo argumento jurídico-político para uma problema financeiro-atuarial...

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    Re: Reforma da Previdência (versão 2016.2)

    Mensagem por Galizezin em Qua 31 Out 2018, 9:30 pm

    euvoltei escreveu:
    Galizezin escreveu:
    euvoltei escreveu:

    Partindo da premissa pouco contestada que as despesas com aposentadorias daqui a 20 anos consumirão 100% do orçamento da união, se reforma nenhuma for aprovada....

    Vejamos o raciocínio:
    -No passado sobrava dinheiro, mas esse dinheiro a mais foi gasto via DRU...
    -Hoje, sobrou só o a despesa(conta), que só vai ser paga se acabar com a DRU....,
    -No futuro, vai ter uma despesa que vai consumir todo orçamento da união.


    É o joguinho da balão que enche continuamente e é passado de mão em mão.... lógico que vai explodir na mão de alguém, apesar de ter sido enchido na maior parte na mão de outras pessoas.....

    Ai, as perguntas ficam:
    É preciso DRU?
    É preciso reforma?

    Eu respondo sim pra duas,
    Sim, pois nada adianta paralisar o governo.
    Sim, pois nada adianta criar expectativas impagáveis.

    Não é bem assim. Parto do raciocínio de que o governo federal já resolveu o principal problema do setor público civil, que foi a criação da Funpresp. O funpresp estabelece o regime de capitalização. Avanço. O que ele precisa resolver é o pepino do setor militar, que pouco contribui e concede aposentadoria muito cedo ao seu pessoal. Além disso, precisa instituir o regime de capitalização para o setor privado e separar o que é previdência do assistencialismo, pois esta última parte é desenfreada. Pelo teu raciocínio, as pessoas são eternas e não há redução quando paga a pensão ao cônjuge supérstite.
    É pálido o argumento de que o governo irá paralisar se não houver desvio de dinheiro do caixa da previdência. Basicamente, é o mesmo que resolver meu problema financeiro assaltando pessoas na rua. Então, é preciso seriedade com as contas públicas. O OBZ diz que preciso fazer uma faxina em cada pasta/conta, para evitar desequilíbrio futuro, já que previdência é isso mesmo, recebe hoje para prover amanhã. Como os governantes são imediatistas e não precisam prestar contas a ninguém, saqueiam as contas com saldo positivo e os aposentados que paguem a conta. Se todo esse dinheiro já desviado da previdência estivesse aplicado, rendendo juros, qual seria o valor acumulado até aqui? Raciocina.
    Então, vamos fazer o seguinte: peguemos o dinheiro que está rendendo juros da funpresp e façamos o mesmo, vamos inserir uma DRU ali, já que o governo não pode paralisar. E pela explicação que vi, do procurador Rodrigo Tenório, é exatamente isso que o congresso nacional poderá fazer no futuro. Saquear os fundos, como o funpresp, mudar sua forma de gestão, inserir "gestores" externos.  
     

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    Isso é o que vc pensa, caso contrário não estariam implorando e propagandeando 24h para o pessoal migrar para o raquítico funpresp. tongue


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    Re: Reforma da Previdência (versão 2016.2)

    Mensagem por Galizezin em Qua 31 Out 2018, 9:35 pm

    androsvilazza escreveu:
    Sigma escreveu:Duc@r@alho a explicação do Andros sobre a DRU. Sou fã, não nego. Assim que tiver um pouco mais de tempo, lerei os estudos postados.

    Voltemos à questão da previdência, especialmente RPPS:

    A criação da Funpresp resolveu parte do problema. Estamos de acordo: quem entrou agora, ou quem migrou, já não impacta tanto no RPPS.

    Portanto, ficaram 2 pepinos pra resolver: pessoal pré-2003 (grupo A), e pessoal pós-2003 e pré-2013 (grupo B).

    Uma das ideias para o grupo B seria mudar a média de 80% para 100% das maiores contribuições.

    As minhas perguntas: é POSSÍVEL instituir essa regra também ao grupo A? Se sim, é PROVÁVEL?

    Cara, pro pessoal pré-2003 (integralidade/paridade) não dá, já que pra esse grupo a média não importa, apenas o último salário.

    O que o governo pode tentar fazer em relação a esse grupo é impor regras muito duras de transição para que a pessoa tenha direito à paridade, que era mais ou menos o que tentaram em alguma das várias versões da reforma proposta: a idade mínima "para o público geral" partiria de 53/55 em 2018, chegando a 62/65 em 2038. Para os servidores públicos, partiria de 55/60 (atual) e também chegaria aos 62/65. No entanto, para quem quisesse manter o direito à paridade, a idade mínima já seria, de imediato, 62/65. Depois, nas negociações no Congresso, acabaram instituindo um "pedágio", e várias outras alterações foram promovidas. Mas a ideia de fundo era essa, dificultar o acesso à integralidade/paridade com regras de transição mais duras. Aí, quem desistisse da paridade e optasse pela aposentadoria pela média (regra vigente para 2003-2013), acabaria por ser atingido pela mudança no cálculo.

    A propósito, essa mudança de cálculo (dos 80% para 100% das contribuições) é uma das medidas mais prováveis de se acontecer no caso de uma reforma que mantenha, de certo modo, o regime atual, já que o custo político é ínfimo ("ninguém" sabe ao certo qual seria a diferença na mudança de cálculo, no seu caso individual). Outra mudança muito provável (essa é quase certa) seria a alteração de alíquota, já tentada pelo Temer e, até o momento, segurada pelo Lewandovski.


    Por exemplo, como é que um policial da paridade, com 62 anos, vai conseguir atirar segurando uma bengala?


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    Re: Reforma da Previdência (versão 2016.2)

    Mensagem por androsvilazza em Qua 31 Out 2018, 10:21 pm

    Galizezin escreveu:

    Por exemplo, como é que um policial da paridade, com 62 anos, vai conseguir atirar segurando uma bengala?

    Esse ponto (aposentadoria dos militares) é um vespeiro que, honestamente, duvido que mexam. Nem o governo Temer, que sequer tem força pra aprovar uma reforma excluindo os militares; muito menos o governo Bolsonaro, que dificilmente terá interesse de mexer nisso. E o prejuízo maior nem é tanto da União, cujo efetivo militar é reduzido em comparação aos civis, e sim dos Estados, que vivem situação oposta: as áreas mais "inchadas" dos Estados são, naturalmente, as de segurança e educação, e ambas têm direito à aposentadoria especial.

    Quanto ao argumento contra um "policial de bengala", até tem um forte apelo emocional mas nem tanto respaldo lógico, por dois motivos: 1) militares entram na carreira ainda jovens, e com o passar dos anos é natural que alcancem patentes que lhes garantam o direito de transferência das ruas para o serviço burocrático. Tanto é que dificilmente se vê primeiros-sargentos ou subtenentes (patentes alcançadas, geralmente, após 20-25 anos de serviço) rodando por aí em radiopatrulhas. 2) em tese a carreira policial requer a prática de exercícios constantes e melhor condicionamento físico. Poucos cidadãos comuns estão apoiados em bengalas já aos 62, 65 anos. Meu pai, trabalhador rural quando jovem e metalúrgico a maior parte da vida, sobe em árvores aos 70. Não é razoável supor que um policial perca sua capacidade física aos 60, ou que aqueles que perdessem seriam forçados aos trabalho externo. O argumento real para a aposentadoria precoce nem é ligado às condições físicas, e sim à exposição ao risco e ao desgaste psicológico.

    De todo modo, voltando ao ponto inicial, não acredito que o regime de aposentadoria militar sofra alterações drásticas em qualquer reforma que venha no curto prazo. Até sou favorável à ideia de um regime especial para os militares, em especial se considerado o fator de risco da profissão. Também sou favorável a que se discuta uma forma de equacionar o custo dessas aposentadorias especiais, não necessariamente envolvendo a majoração da idade de aposentadoria. Uma alternativa seria, por exemplo, um sistema de capitalização com aportes maiores de parte do militar e da União/Estados, de forma a assegurar uma aposentadoria digna e sustentável do ponto de vista atuarial, mesmo que em idade precoce.

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    Re: Reforma da Previdência (versão 2016.2)

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