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    Oficial de Justiça Avaliador Federal

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    Mensagem por guicolateral em Ter 17 Set 2013, 8:13 pm

    Prezados Colegas,

    Peço desculpas por trazer uma questão pessoal à tona, mas gostaria de pedir uma opinião sincera de vocês sobre uma questão que reflete na minha situação pessoal.

    Sou servidor do MPU (analista processual) há pouco mais de 2 anos e afirmo que adoro o meu trabalho. Entretanto durante todo esse tempo fiquei a cerca de 800 km de distância de casa e só recentemente consegui ser removido (pela via judicial, ainda por cima) para uma cidade próxima de casa.

    Agora, nessa reta final fui surpreendido com uma provável nomeação para o TRF (por coincidência pra mesma cidade em que eu fui removido), mas para o cargo de Oficial de Justiça Avaliador.

    Sei que muitos comentam sobre o cargo e andei fazendo as minhas pesquisas, mas realmente é uma decisão muito complicada, porque apesar de o salário ser maior não sei se gostarei tanto da atividade que vou desempenhar nesse cargo.

    Também existe a questão do tempo para estudo (minha prioridade é passar em outros concursos) e não sei se terei esse tempo como Oficial (alguns afirmam que tem tempo de sobra, outros falam que é relativo e que na prática trabalha mais que interno, então fica complicado).

    Por isso, trago a pergunta pros colegas: Compensa trocar o cargo de Analista Processual no MPU para virar AJEM no TRF???

    Se houver alguém que já passou por essa situação, ajudaria muito.

    Agradeço as futuras respostas e, uma vez mais, peço desculpas pelo transtorno no tópico.
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    Mensagem por Peres em Ter 24 Set 2013, 9:10 pm

    Cara vc só pode estar de sacanagem né.....vá correndo tomar posse e seja feliz, ops, quiz dizer OAJF.......
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    Mensagem por GCC em Ter 24 Set 2013, 9:50 pm

    Peres escreveu:Cara vc só pode estar de sacanagem né.....vá correndo tomar posse e seja feliz, ops, quiz dizer OAJF.......
    Concordo com o colega. Sou analista do PJU, pai de família, tentando estudar a todo tempo que consigo, no metrô, antes de dormir, durante o almoço, e não está fácil, apesar de já estar vendo progresso.

    Conheço oficias de justiça do TJDFT, onde tem mais demanda que na JF, e ainda assim, eles tem tempo de sobra para outros projetos.

    Também tenho um amigo OJA da JF em São José dos Campos/SO, cidade com 650.000 habitanhtes, e ele resolve o trabalho em dois dias da semana, mesmo fazendo cursinho todo dia de manhã. Ele já está em indo para a fase escrita nas últimas provas, com folga.

    Então meu amigo, apesar de hoje eu não aconselhar o PJU para ninguém, na sua situação, se o projeto é estudar, não tem nem o que pensar. Assim que você se adaptar à rotina da nova função, sobrará tempo.

    E tem um adicional, as diligências da JF tendem a ser menos complicadas do que na Comum, pois não tem uma montoeira de despejo, perda de guarda, condução coercitiva, dentre outras diligências que costumam atormentar a alma de quem tem que cumprir as ordens judiciais.

    E não deixe de tentar falar com Oficias da comarca em que você será lotado, a noção de realidade da demanda vai ser mais precisa.

    Boa sorte.
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    Mensagem por LAW-SC em Ter 24 Set 2013, 11:50 pm

    Cara, nao pense meia vez.
    Conheço vários ajem´s / ojaf´s e eles tem, NO MÁXIMO, a semana tqq (terça, quarta e quinta).
    4 dias de folga. A maioria tem semana TQ, ou seja, trabalham apenas 2 dias na semana.
    5 dias pra vc estudar.
    então, nao caia na conversinha dos quw dizem que o trampo deles é foda...que é a maior moleza!
    Na boa: é um carteiro de luxo...já ouviiu falar?
    é o cargo dos sonhos da área meio
    []´s
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    Mensagem por magmontal em Qua 25 Set 2013, 6:28 pm

    LAW-SC escreveu:Cara, nao pense meia vez.
    Conheço vários ajem´s / ojaf´s e eles tem, NO MÁXIMO, a semana tqq (terça, quarta e quinta).
    4 dias de folga. A maioria tem semana TQ, ou seja, trabalham apenas 2 dias na semana.
    5 dias pra vc estudar.
    então, nao caia na conversinha dos quw dizem que o trampo deles é foda...que é a maior moleza!
    Na boa: é um carteiro de luxo...já ouviiu falar?
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    Ofender a função dos colegas , ISSO PODE ARNALDO ???
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    Mensagem por LAW-SC em Qui 26 Set 2013, 12:20 am

    magmontal escreveu:
    LAW-SC escreveu:Cara, nao pense meia vez.
    Conheço vários ajem´s / ojaf´s e eles tem, NO MÁXIMO, a semana tqq (terça, quarta e quinta).
    4 dias de folga. A maioria tem semana TQ, ou seja, trabalham apenas 2 dias na semana.
    5 dias pra vc estudar.
    então, nao caia na conversinha dos quw dizem que o trampo deles é foda...que é a maior moleza!
    Na boa: é um carteiro de luxo...já ouviiu falar?
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    Ofender a função dos colegas , ISSO PODE ARNALDO ???
    Eu nao quis ofender ninguém não...usei a expressão que o meu amigo ojaf usa pra se auto-qualificar, numa brincadeira sadia.
    inclusive nao ofendi que já fui chamado pra OJAF em dois trt´s e estyou pra ser chamado no trt 4, tamanho é a atração e o respeito que eu nutro pelo cargo.
    só falei que o cargo, comparado com analista interno, tem MUITAS vantangens, entre elas a liberdade de horrário e semana reduzida.
    era isso. se vc se ofendeu, antecipadamente me desculpo, futuro colega.
    []´s
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    Mensagem por Truta do Policarpo em Sex 04 Out 2013, 12:13 am

    KKKKKKK... CARTEIRO FOI PHODA...
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    Mensagem por OJAFR em Sab 05 Out 2013, 7:31 pm

    LAW-SC escreveu:
    magmontal escreveu:
    LAW-SC escreveu:Cara, nao pense meia vez.
    Conheço vários ajem´s / ojaf´s e eles tem, NO MÁXIMO, a semana tqq (terça, quarta e quinta).
    4 dias de folga. A maioria tem semana TQ, ou seja, trabalham apenas 2 dias na semana.
    5 dias pra vc estudar.
    então, nao caia na conversinha dos quw dizem que o trampo deles é foda...que é a maior moleza!
    Na boa: é um carteiro de luxo...já ouviiu falar?
    é o cargo dos sonhos da área meio
    []´s
    Ofender a função dos colegas , ISSO PODE ARNALDO ???
    Eu nao quis ofender ninguém não...usei a expressão que o  meu amigo ojaf usa pra se auto-qualificar, numa brincadeira sadia.
    inclusive nao ofendi que já fui chamado pra OJAF em dois trt´s e estyou pra ser chamado no trt 4, tamanho é a atração e o respeito que eu nutro pelo cargo.
    só falei que o cargo, comparado com analista interno, tem MUITAS vantangens, entre elas a liberdade de horrário e semana reduzida.
    era isso. se vc se ofendeu, antecipadamente me desculpo, futuro colega.
    []´s
    Amigo, há 5 anos sou OJAF do TJDFT. Parabéns pela aprovação. É uma profissão legal, com as suas peculiaridades. Se pudesse voltar atrás, no entanto, teria feito para analista interno mesmo e ali ficaria. Razões:

    1) muito tempo livre (mito!); aqui se trabalha muito, saem centenas de Mandados por mês numa quantidade cada vez maior, especialmente em razão de ampliação do acesso da justiça e da cultura de judicialização de todas as questões sociais (já fui fazer penhora de dívida de 10 reais, em que gastei duas ou três diligências para achar alguém na residência). Processo eletrônico - o que é isso?? / A.R. para entrega via correio, nem pensar! embora vá alguma coisa pelo correio não é o expediente da maior parte das varas PRINCIPALMENTE a dos juizados). Assim o tempo que se faz ficar livre é aquele decorrente de labor horas a finco na rua por 2 ou 3 dias seguidos, mas não acaba aí, porque as pessoas esquecem que depois o OJ tem que certificar as diligências; depois o OJ tem que realizar plantões; depois o OJ tem que realizar Júris ... Então tempo livre há se você se acabar nesses "três" dias" por semana, mas aí você que quer estudar, aí tem que ter muita força de vontade, tem que ter muito empenho, muita fé pra conseguir estudar nos dias que sobraram. Outra, estudo é disciplina, não adiante em uma semana você estudar todos os dias e na outra nenhum, porque saíram mandados demais e você não teve tempo de estudar ... E mais, sempre que há contratação de servidores os OJ são cada vez menos chamados, o que aumenta a demanda consideravelmente, já que há mais gente produzindo internamente e menos gente para cumprir as determinações judiciais.

    2) ótimas condições de trabalho, ainda que não o tempo livre compensa (mito 2!); a profissão tem se mostrado cada vez mais perigosa amigo, conforme todo mundo depreende das constantes notícias veiculadas diariamente; é perigoso trabalhar na rua, principalmente representando um poder cuja a maior parte das determinações efetivas vai contra os interesses das pessoas (explico: quando há o interesse em se obter uma decisão, muitas das vezes a pessoa é proativa e ela mesmo vai ao Fórum e aos Tribunais acompanhar os processos, assim essas pessoas via de regra ou não são procuradas, ou quando são, geralmente é para intimação para audiência). A situação é de perigo às cegas, sujeito a risco no ambiente de potencial agressor (e se precisar chamar a PM em emergências dificilmente será atendido, já que há deficit em todos os locais do Brasil - aqui em BSB o 190 não está sequer funcionando direito sendo alvo de várias reportagens na imprensa). Outra coisa, o trabalho é na rua sem a natural proteção dos Tribunais, cheios de segurança e policiais militares que ali resguardam a ordem pública. O trabalho é extenuante: sol, chuva, calor, e mesmo no ar condicionado é dificil de suportar por muito tempo, já que se vai de um local para o outro sem pausa de descanso. Não há ar condicionado, cafezinho, e principalmente banheiro. Banheiro é uma coisa boba, que a gente não pensa até se ver privado de usar (eu sequer bebo água ou bebo muito pouca), outra coisa que me incomoda, a sujeira, ao final de algumas horas a mão está grudenta e suja sem condições de ser higienizada (é papel, poeira, caneta que você dá pras pessoas assinarem e você nem sabe o que elas estavam fazendo e volta para você). Nesse sentido, posso dizer que a preocupação do Tribunal com os OJ é mínima para não dizer inexistente, quando acontece alguma coisa, roubo, ameaça, desacato, agressão os Tribunais jogam para a galera: segurança é um problema do Estado. Mas aí eu questiono, você sabe que a situação é perigosa, sabe a situação que você vai submeter o servidor, manda ele para aquela situação grave, e ainda alega que é um problema de segurança pública lavando as mãos? É assim mesmo que acontece ...

    3) ótimo! tem a indenização de transporte. Amigo, essa indenização não cobre o que você vai gastar. Desde já esclareço. A não ser que você pegue um carro pé duro e sem ar condicionado ... nesse caso ela quase que cobre. Apesar do que muita gente imagina, não é uma indenização de gasolina, é indenização que em tese deveria cobrir todos os gastos com o carro: compra, manutenção, combustível, impostos e seguro e a desvaloRização do carro, já que roda muito, aumentando ainda exponencialmente o risco de acidentes (já tomei quatro pedradas na lateral do carro, parabrisa quebrado, radiador perfurado com um buraco que se abriu no chão de uma periferia em que trabalhava, e inúmeros, incontáveis pneus furados). TUDO sobe de preço, a indenização é estagnada. O número de mandados aumenta vertinosamente, a indenização permanece a mesma. Na última greve, tinha vários oficiais aqui querendo abdicar da indenização para que o tribunal fornecesse ele mesmo os carros e combustível, a pergunta que se faz é: há interesse do Tribunal? Acredito que não. Tinha um Oficial inclusive que falou ironicamente que ele devolvia a indenização e ainda pagava mais 150 reais para o tribunal fornecer o transporte para o exercício do serviço público e ele tirar o carro dele da rua ... Achei na ocasião interessante o desabafo ... pra refletir que se fosse bom, a criatividade não sairia tão naturalmente.

    4) isolamento, incompreensão dos colegas: é um trabalho solitário, você não tem ambiente de trabalho, não tem colega de trabalho (já que o contato com ele se dá de forma eventual); muitos servidores internos por não conhecerem a situação a que somos expostos, acham que é ótimo o nosso trabalho, que somos privilegiados, e a consequência disso é a discriminação. O Tribunal nos deixa a "deus dará" como se diz na minha terra, o importante é que os mandados sejam cumpridos a que custo for, pouco importando a saúde, a segurança e a necessidade dessa parcela de servidores. Percebo ainda que muitas vezes há uma intenção, ainda que subliminar de se dificultar ainda mais o trabalho dos oficiais, é como se fosse: facilitar pra que se pode ser mais difícil.



    Enfim amigo, sou grato por ter esse trabalho, pois é honesto, garante meu sustento, e é um trabalho importante, pois dá efetividade à Justiça, pois que vai ao encontro do Jurisdicionado somos nós. Temos a nossa importancia na engrenagem judiciária. Apesar de todo relato sei que há servidores que nos respeitam, embora no maior das vezes nos vejam com mais vantagens. Sei que todos os trabalhos tem a sua dificuldade (sabemos das coisas que acontecem dentro do tribunal, questões como assédio, também a sobrecarga de trabalho, cumprimento de horário, as vezes extenuante). Mas hoje sinto falta exatamente dessas coisas: proteção e segurança no trabalho, conforto, horário de trabalho regular, ter uma carga de trabalho que se houver algum problema vai ser absorvida por todos os colegas, ter com quem contar na hora das dificuldades. Acho que o que resume tudo é perfil. Têm sido longo esses anos e estou ansioso para dar um passo a frente e mudar de função, guardando profundo respeito e admiração aos colegas que ficarem. E posso te dizer que tem um monte de Oficiais que pensam como eu.

    Enfim, parei um pouquinho os estudos, e registrei no Fórum só para relatar que ser OJAF não é essa maravilha que pintam por aí. SucessO e felicidades.
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    Mensagem por Analista Desafortunado em Dom 06 Out 2013, 2:11 am

    OJAFR escreveu:
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    magmontal escreveu:
    LAW-SC escreveu:Cara, nao pense meia vez.
    Conheço vários ajem´s / ojaf´s e eles tem, NO MÁXIMO, a semana tqq (terça, quarta e quinta).
    4 dias de folga. A maioria tem semana TQ, ou seja, trabalham apenas 2 dias na semana.
    5 dias pra vc estudar.
    então, nao caia na conversinha dos quw dizem que o trampo deles é foda...que é a maior moleza!
    Na boa: é um carteiro de luxo...já ouviiu falar?
    é o cargo dos sonhos da área meio
    []´s
    Ofender a função dos colegas , ISSO PODE ARNALDO ???
    Eu nao quis ofender ninguém não...usei a expressão que o  meu amigo ojaf usa pra se auto-qualificar, numa brincadeira sadia.
    inclusive nao ofendi que já fui chamado pra OJAF em dois trt´s e estyou pra ser chamado no trt 4, tamanho é a atração e o respeito que eu nutro pelo cargo.
    só falei que o cargo, comparado com analista interno, tem MUITAS vantangens, entre elas a liberdade de horrário e semana reduzida.
    era isso. se vc se ofendeu, antecipadamente me desculpo, futuro colega.
    []´s
    Amigo, há 5 anos sou OJAF do TJDFT. Parabéns pela aprovação. É uma profissão legal, com as suas peculiaridades. Se pudesse voltar atrás, no entanto, teria feito para analista interno mesmo e ali ficaria. Razões:

    1) muito tempo livre (mito!); aqui se trabalha muito, saem centenas de Mandados por mês numa quantidade cada vez maior, especialmente em razão de ampliação do acesso da justiça e da cultura de judicialização de todas as questões sociais (já fui fazer penhora de dívida de 10 reais, em que gastei duas ou três diligências para achar alguém na residência). Processo eletrônico - o que é isso?? / A.R. para entrega via correio, nem pensar! embora vá alguma coisa pelo correio não é o expediente da maior parte das varas PRINCIPALMENTE a dos juizados). Assim o tempo que se faz ficar livre é aquele decorrente de labor horas a finco na rua por 2 ou 3 dias seguidos, mas não acaba aí, porque as pessoas esquecem que depois o OJ tem que certificar as diligências; depois o OJ tem que realizar plantões; depois o OJ tem que realizar Júris ... Então tempo livre há se você se acabar nesses "três" dias" por semana, mas aí você que quer estudar, aí tem que ter muita força de vontade, tem que ter muito empenho, muita fé pra conseguir estudar nos dias que sobraram. Outra, estudo é disciplina, não adiante  em uma semana você estudar todos os dias e na outra nenhum, porque saíram mandados demais e você não teve tempo de estudar ... E mais, sempre que há contratação de servidores os OJ são cada vez menos chamados, o que aumenta a demanda consideravelmente, já que há mais gente produzindo internamente e menos gente para cumprir as determinações judiciais.

    2) ótimas condições de trabalho, ainda que não o tempo livre compensa (mito 2!); a profissão tem se mostrado cada vez mais perigosa amigo, conforme todo mundo depreende das constantes notícias veiculadas diariamente; é perigoso trabalhar na rua, principalmente representando um poder cuja a maior parte das determinações efetivas vai contra os interesses das pessoas (explico: quando há o interesse em se obter uma decisão, muitas das vezes a pessoa é proativa e ela mesmo vai ao Fórum e aos Tribunais acompanhar os processos, assim essas pessoas via de regra ou não são procuradas, ou quando são, geralmente é para intimação para audiência). A situação é de perigo às cegas, sujeito a risco no ambiente de potencial agressor (e se precisar chamar a PM em emergências dificilmente será atendido, já que há deficit em todos os locais do Brasil - aqui em BSB o 190 não está sequer funcionando direito sendo alvo de várias reportagens na imprensa). Outra coisa, o trabalho é na rua sem a natural proteção dos Tribunais, cheios de segurança e policiais militares que ali resguardam a ordem pública. O trabalho é extenuante: sol, chuva, calor, e mesmo no ar condicionado é dificil de suportar por muito tempo, já que se vai de um local para o outro sem pausa de descanso. Não há ar condicionado, cafezinho, e principalmente banheiro. Banheiro é uma coisa boba, que a gente não pensa até se ver privado de usar (eu sequer bebo água ou bebo muito pouca), outra coisa que me incomoda, a sujeira, ao final de algumas horas a mão está grudenta e suja sem condições de ser higienizada (é papel, poeira, caneta que você dá pras pessoas assinarem e você nem sabe o que elas estavam fazendo e volta para você). Nesse sentido, posso dizer que a preocupação do Tribunal com os OJ é mínima para não dizer inexistente, quando acontece alguma coisa, roubo, ameaça, desacato, agressão os Tribunais jogam para a galera: segurança é um problema do Estado. Mas aí eu questiono, você sabe que a situação é perigosa, sabe a situação que você vai submeter o servidor, manda ele para aquela situação grave, e ainda alega que é um problema de segurança pública lavando as mãos? É assim mesmo que acontece ...

    3) ótimo! tem a indenização de transporte. Amigo, essa indenização não cobre o que você vai gastar. Desde já esclareço. A não ser que você pegue um carro pé duro e sem ar condicionado ... nesse caso ela quase que cobre. Apesar do que muita gente imagina, não é uma indenização de gasolina, é indenização que em tese deveria cobrir todos os gastos com o carro: compra, manutenção, combustível, impostos e seguro e a desvaloRização do carro, já que roda muito, aumentando ainda exponencialmente o risco de acidentes (já tomei quatro pedradas na lateral do carro, parabrisa quebrado, radiador perfurado com um buraco que se abriu no chão de uma periferia em que trabalhava, e inúmeros, incontáveis pneus furados). TUDO sobe de preço, a indenização é estagnada. O número de mandados aumenta vertinosamente, a indenização permanece a mesma. Na última greve, tinha vários oficiais aqui querendo abdicar da indenização para que o tribunal fornecesse ele mesmo os carros e combustível, a pergunta que se faz é: há interesse do Tribunal? Acredito que não. Tinha um Oficial inclusive que falou ironicamente que ele devolvia a indenização e ainda pagava mais 150 reais para o tribunal fornecer o transporte para o exercício do serviço público e ele tirar o carro dele da rua ... Achei na ocasião interessante o desabafo ... pra refletir que se fosse bom, a criatividade não sairia tão naturalmente.

    4) isolamento, incompreensão dos colegas: é um trabalho solitário, você não tem ambiente de trabalho, não tem colega de trabalho (já que o contato com ele se dá de forma eventual); muitos servidores internos por não conhecerem a situação a que somos expostos, acham que é ótimo o nosso trabalho, que somos privilegiados, e a consequência disso é a discriminação. O Tribunal nos deixa a "deus dará" como se diz na minha terra, o importante é que os mandados sejam cumpridos a que custo for, pouco importando a saúde, a segurança e a necessidade dessa parcela de servidores. Percebo ainda que muitas vezes há uma intenção, ainda que subliminar de se dificultar ainda mais o trabalho dos oficiais, é como se fosse: facilitar pra que se pode ser mais difícil.



    Enfim amigo, sou grato por ter esse trabalho, pois é honesto, garante meu sustento, e é um trabalho importante, pois dá efetividade à Justiça, pois que vai ao encontro do Jurisdicionado somos nós. Temos a nossa importancia na engrenagem judiciária. Apesar de todo relato sei que há servidores que nos respeitam, embora no maior das vezes nos vejam com mais vantagens. Sei que todos os trabalhos tem a sua dificuldade (sabemos das coisas que acontecem dentro do tribunal, questões como assédio, também a sobrecarga de trabalho, cumprimento de horário, as vezes extenuante). Mas hoje sinto falta exatamente dessas coisas: proteção e segurança no trabalho, conforto, horário de trabalho regular, ter uma carga de trabalho que se houver algum problema vai ser absorvida por todos os colegas, ter com quem contar na hora das dificuldades. Acho que o que resume tudo é perfil. Têm sido longo esses anos e estou ansioso para dar um passo a frente e mudar de função, guardando profundo respeito e admiração aos colegas que ficarem. E posso te dizer que tem um monte de Oficiais que pensam como eu.

    Enfim, parei um pouquinho os estudos, e registrei no Fórum só para relatar que ser OJAF não é essa maravilha que pintam por aí. SucessO e felicidades.
    Entendo as dificuldades dos colegas.

    O tjdft é uma justiça " estadual ", ou seja, tem muita matéria fática, procedimentod de todo jeito, apenas é mantida pela União.

    Acredito que a situação dos outros oficiais ( federais de FATO e de direito ) seja melhor.

    Com efeito, sei que existem muitos oficiais insatisfeitos, mas também existem muitos internos insatisfeitos; aliás, bem mais, pois os dados por si só demonstram ( a rotatividade dos internos É BEM MAIOR ).

    Para tentar diminuir essa insatisfação, proponho que seja possível a " permuta " de analistas da área judiciária com os da área de execução de mandados, porquanto o cargo é o mesmo e o requisito de ingresso é o mesmo (bacharel em direito )

    No meu tribunal, mutatis mutandis, é possível até permuta entre analista da área judiciária e da área administrativa.

    Outrossim, na justiça eleitoral, está dentre as atribuições do analista da área judiciária cumprir mandados, embora na prática sejam cumpridos por requisitados, em face da falta de servidores efetivos, que acabam fazendo as tarefas mais complexas, com todo respeito aos requisitados que cumprem mandados e tb aos oficiais efetivos.

    Na zona em que trabalho, os dois requisitados que fazem papel de oficial ad hoc não sabem nem fazer um ofício, quiçá um despacho. Sentença então, nem pensar. Se eu estiver mentindo, por favor digam demais colegas da justiça eleitoral!

    Ademais, com essa nova regulamentação do MPU, os analistas estão praticamente num " bolo " só, embora discorde de muitos aspectos. Lá por exemplo nem existe o cargo de oficial ( assim como na JE ) e o trabalho acaba sendo feito.

    Enfim, é uma saída para o oficial insatisfeito, pois sei que com certeza terá um analista interno querendo permutar com ele.

    Infelizmente no PJU e MPU a insatisfação é geral...
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    Mensagem por Convidado em Dom 06 Out 2013, 12:38 pm

    Analista Desafortunado escreveu:
    OJAFR escreveu:
    LAW-SC escreveu:
    magmontal escreveu:Ofender a função dos colegas , ISSO PODE ARNALDO ???
    Eu nao quis ofender ninguém não...usei a expressão que o  meu amigo ojaf usa pra se auto-qualificar, numa brincadeira sadia.
    inclusive nao ofendi que já fui chamado pra OJAF em dois trt´s e estyou pra ser chamado no trt 4, tamanho é a atração e o respeito que eu nutro pelo cargo.
    só falei que o cargo, comparado com analista interno, tem MUITAS vantangens, entre elas a liberdade de horrário e semana reduzida.
    era isso. se vc se ofendeu, antecipadamente me desculpo, futuro colega.
    []´s
    Amigo, há 5 anos sou OJAF do TJDFT. Parabéns pela aprovação. É uma profissão legal, com as suas peculiaridades. Se pudesse voltar atrás, no entanto, teria feito para analista interno mesmo e ali ficaria. Razões:

    1) muito tempo livre (mito!); aqui se trabalha muito, saem centenas de Mandados por mês numa quantidade cada vez maior, especialmente em razão de ampliação do acesso da justiça e da cultura de judicialização de todas as questões sociais (já fui fazer penhora de dívida de 10 reais, em que gastei duas ou três diligências para achar alguém na residência). Processo eletrônico - o que é isso?? / A.R. para entrega via correio, nem pensar! embora vá alguma coisa pelo correio não é o expediente da maior parte das varas PRINCIPALMENTE a dos juizados). Assim o tempo que se faz ficar livre é aquele decorrente de labor horas a finco na rua por 2 ou 3 dias seguidos, mas não acaba aí, porque as pessoas esquecem que depois o OJ tem que certificar as diligências; depois o OJ tem que realizar plantões; depois o OJ tem que realizar Júris ... Então tempo livre há se você se acabar nesses "três" dias" por semana, mas aí você que quer estudar, aí tem que ter muita força de vontade, tem que ter muito empenho, muita fé pra conseguir estudar nos dias que sobraram. Outra, estudo é disciplina, não adiante  em uma semana você estudar todos os dias e na outra nenhum, porque saíram mandados demais e você não teve tempo de estudar ... E mais, sempre que há contratação de servidores os OJ são cada vez menos chamados, o que aumenta a demanda consideravelmente, já que há mais gente produzindo internamente e menos gente para cumprir as determinações judiciais.

    2) ótimas condições de trabalho, ainda que não o tempo livre compensa (mito 2!); a profissão tem se mostrado cada vez mais perigosa amigo, conforme todo mundo depreende das constantes notícias veiculadas diariamente; é perigoso trabalhar na rua, principalmente representando um poder cuja a maior parte das determinações efetivas vai contra os interesses das pessoas (explico: quando há o interesse em se obter uma decisão, muitas das vezes a pessoa é proativa e ela mesmo vai ao Fórum e aos Tribunais acompanhar os processos, assim essas pessoas via de regra ou não são procuradas, ou quando são, geralmente é para intimação para audiência). A situação é de perigo às cegas, sujeito a risco no ambiente de potencial agressor (e se precisar chamar a PM em emergências dificilmente será atendido, já que há deficit em todos os locais do Brasil - aqui em BSB o 190 não está sequer funcionando direito sendo alvo de várias reportagens na imprensa). Outra coisa, o trabalho é na rua sem a natural proteção dos Tribunais, cheios de segurança e policiais militares que ali resguardam a ordem pública. O trabalho é extenuante: sol, chuva, calor, e mesmo no ar condicionado é dificil de suportar por muito tempo, já que se vai de um local para o outro sem pausa de descanso. Não há ar condicionado, cafezinho, e principalmente banheiro. Banheiro é uma coisa boba, que a gente não pensa até se ver privado de usar (eu sequer bebo água ou bebo muito pouca), outra coisa que me incomoda, a sujeira, ao final de algumas horas a mão está grudenta e suja sem condições de ser higienizada (é papel, poeira, caneta que você dá pras pessoas assinarem e você nem sabe o que elas estavam fazendo e volta para você). Nesse sentido, posso dizer que a preocupação do Tribunal com os OJ é mínima para não dizer inexistente, quando acontece alguma coisa, roubo, ameaça, desacato, agressão os Tribunais jogam para a galera: segurança é um problema do Estado. Mas aí eu questiono, você sabe que a situação é perigosa, sabe a situação que você vai submeter o servidor, manda ele para aquela situação grave, e ainda alega que é um problema de segurança pública lavando as mãos? É assim mesmo que acontece ...

    3) ótimo! tem a indenização de transporte. Amigo, essa indenização não cobre o que você vai gastar. Desde já esclareço. A não ser que você pegue um carro pé duro e sem ar condicionado ... nesse caso ela quase que cobre. Apesar do que muita gente imagina, não é uma indenização de gasolina, é indenização que em tese deveria cobrir todos os gastos com o carro: compra, manutenção, combustível, impostos e seguro e a desvaloRização do carro, já que roda muito, aumentando ainda exponencialmente o risco de acidentes (já tomei quatro pedradas na lateral do carro, parabrisa quebrado, radiador perfurado com um buraco que se abriu no chão de uma periferia em que trabalhava, e inúmeros, incontáveis pneus furados). TUDO sobe de preço, a indenização é estagnada. O número de mandados aumenta vertinosamente, a indenização permanece a mesma. Na última greve, tinha vários oficiais aqui querendo abdicar da indenização para que o tribunal fornecesse ele mesmo os carros e combustível, a pergunta que se faz é: há interesse do Tribunal? Acredito que não. Tinha um Oficial inclusive que falou ironicamente que ele devolvia a indenização e ainda pagava mais 150 reais para o tribunal fornecer o transporte para o exercício do serviço público e ele tirar o carro dele da rua ... Achei na ocasião interessante o desabafo ... pra refletir que se fosse bom, a criatividade não sairia tão naturalmente.

    4) isolamento, incompreensão dos colegas: é um trabalho solitário, você não tem ambiente de trabalho, não tem colega de trabalho (já que o contato com ele se dá de forma eventual); muitos servidores internos por não conhecerem a situação a que somos expostos, acham que é ótimo o nosso trabalho, que somos privilegiados, e a consequência disso é a discriminação. O Tribunal nos deixa a "deus dará" como se diz na minha terra, o importante é que os mandados sejam cumpridos a que custo for, pouco importando a saúde, a segurança e a necessidade dessa parcela de servidores. Percebo ainda que muitas vezes há uma intenção, ainda que subliminar de se dificultar ainda mais o trabalho dos oficiais, é como se fosse: facilitar pra que se pode ser mais difícil.



    Enfim amigo, sou grato por ter esse trabalho, pois é honesto, garante meu sustento, e é um trabalho importante, pois dá efetividade à Justiça, pois que vai ao encontro do Jurisdicionado somos nós. Temos a nossa importancia na engrenagem judiciária. Apesar de todo relato sei que há servidores que nos respeitam, embora no maior das vezes nos vejam com mais vantagens. Sei que todos os trabalhos tem a sua dificuldade (sabemos das coisas que acontecem dentro do tribunal, questões como assédio, também a sobrecarga de trabalho, cumprimento de horário, as vezes extenuante). Mas hoje sinto falta exatamente dessas coisas: proteção e segurança no trabalho, conforto, horário de trabalho regular, ter uma carga de trabalho que se houver algum problema vai ser absorvida por todos os colegas, ter com quem contar na hora das dificuldades. Acho que o que resume tudo é perfil. Têm sido longo esses anos e estou ansioso para dar um passo a frente e mudar de função, guardando profundo respeito e admiração aos colegas que ficarem. E posso te dizer que tem um monte de Oficiais que pensam como eu.

    Enfim, parei um pouquinho os estudos, e registrei no Fórum só para relatar que ser OJAF não é essa maravilha que pintam por aí. SucessO e felicidades.
    Entendo as dificuldades dos colegas.

    O tjdft é uma justiça " estadual ", ou seja, tem muita matéria fática, procedimentod de todo jeito, apenas é mantida pela União.

    Acredito que a situação dos outros oficiais ( federais de FATO e de direito ) seja melhor.

    Com efeito, sei que existem muitos oficiais insatisfeitos, mas também existem muitos internos insatisfeitos; aliás, bem mais, pois os dados por si só demonstram ( a rotatividade dos internos É BEM MAIOR ).

    Para tentar diminuir essa insatisfação, proponho que seja possível a " permuta " de analistas da área judiciária com os da área de execução de mandados, porquanto o cargo é o mesmo e o requisito de ingresso é o mesmo (bacharel em direito )

    No meu tribunal, mutatis mutandis, é possível até permuta entre analista da área judiciária e da área administrativa.

    Outrossim, na justiça eleitoral, está dentre as atribuições do analista da área judiciária cumprir mandados, embora na prática sejam cumpridos por requisitados, em face da falta de servidores efetivos, que acabam fazendo as tarefas mais complexas, com todo respeito aos requisitados que cumprem mandados e tb aos oficiais efetivos.

    Na zona em que trabalho, os dois requisitados que fazem papel de oficial ad hoc não sabem nem fazer um ofício, quiçá um despacho. Sentença então, nem pensar. Se eu estiver mentindo, por favor digam demais colegas da justiça eleitoral!

    Ademais, com essa nova regulamentação do MPU, os analistas estão praticamente num " bolo " só, embora discorde de muitos aspectos. Lá por exemplo nem existe o cargo de oficial ( assim como na JE ) e o trabalho acaba sendo feito.

    Enfim, é uma saída para o oficial insatisfeito, pois sei que com certeza terá um analista interno querendo permutar com ele.

    Infelizmente no PJU e MPU a insatisfação é geral...
    Vou concordar e discordar de algumas coisas.

    Creio que tem muito cara que faz concurso para OJAF sem ter perfil, só pelo dinheiro. Como muita gente fez para interno numa época em que o salário era razoável.

    Óbvio que o cargo tem muitos riscos, mas particularmente, acredito que sim, um carro pé-duro, até com ar e alguns "Luxos" cabe. Vale lembrar que é uma "sinergia": você não paga dois carros, nem dois seguros, e acredito que se for discutir o quanto se gasta de gasolina, por meia dúzia de cidades em que "não se lucra", há uma revolta de todas as outras. E vale para qualquer indenização. Um diária do MPU te dá uma bela sobra para ir numa cidade do interior e dormir num bom hotel de 60 ou 80 reais, mas se você for a Brasília e pagar um táxi para se deslocar a grana já foi embora.

    Quanto a questão do isolamento, é tremendamente relativa. Se você pensa que é ruim ficar isolado, também é problemático lidar sempre com as mesmas pessoas. Quando há amizade, tudo bem, é legal. Entretanto, quando sai uma faísca ou surge um problema... E aí, imagine que se nem com a esposa não surgem brigas, imagina com o colega de trabalho. Mas acho que é uma questão de perfil. Quem fizesse o concurso por vocação mesmo, aproveitaria a oportunidade de conhecer pessoas todo o santo dia. Dali certamente há um universo riquíssimo de histórias que muitos dos internos vão ver apenas na frieza do papel. Não é um trabalho fácil, por isto acho que tem que ter vocação.

    No mais, a insatisfação é geral. A conta é muito simples. Vivemos uma absurda redução de padrão de vida. TODOS nós. Uns souberam lidar bem com isto, outros nem tanto. Quem pode vai sair. Eu mesmo, semana que vem, vou fazer concurso para o INSS, correndo o risco de ganhar um pouco menos, mas para pelo menos trabalhar com o que gosto e servir de apoio para outros concursos na minha área.
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    Oficial de Justiça Avaliador Federal Empty Re: Oficial de Justiça Avaliador Federal

    Mensagem por Galizezin em Dom 06 Out 2013, 1:08 pm

    josebarbos escreveu:
    Analista Desafortunado escreveu:
    OJAFR escreveu:
    LAW-SC escreveu:Eu nao quis ofender ninguém não...usei a expressão que o  meu amigo ojaf usa pra se auto-qualificar, numa brincadeira sadia.
    inclusive nao ofendi que já fui chamado pra OJAF em dois trt´s e estyou pra ser chamado no trt 4, tamanho é a atração e o respeito que eu nutro pelo cargo.
    só falei que o cargo, comparado com analista interno, tem MUITAS vantangens, entre elas a liberdade de horrário e semana reduzida.
    era isso. se vc se ofendeu, antecipadamente me desculpo, futuro colega.
    []´s
    Amigo, há 5 anos sou OJAF do TJDFT. Parabéns pela aprovação. É uma profissão legal, com as suas peculiaridades. Se pudesse voltar atrás, no entanto, teria feito para analista interno mesmo e ali ficaria. Razões:

    1) muito tempo livre (mito!); aqui se trabalha muito, saem centenas de Mandados por mês numa quantidade cada vez maior, especialmente em razão de ampliação do acesso da justiça e da cultura de judicialização de todas as questões sociais (já fui fazer penhora de dívida de 10 reais, em que gastei duas ou três diligências para achar alguém na residência). Processo eletrônico - o que é isso?? / A.R. para entrega via correio, nem pensar! embora vá alguma coisa pelo correio não é o expediente da maior parte das varas PRINCIPALMENTE a dos juizados). Assim o tempo que se faz ficar livre é aquele decorrente de labor horas a finco na rua por 2 ou 3 dias seguidos, mas não acaba aí, porque as pessoas esquecem que depois o OJ tem que certificar as diligências; depois o OJ tem que realizar plantões; depois o OJ tem que realizar Júris ... Então tempo livre há se você se acabar nesses "três" dias" por semana, mas aí você que quer estudar, aí tem que ter muita força de vontade, tem que ter muito empenho, muita fé pra conseguir estudar nos dias que sobraram. Outra, estudo é disciplina, não adiante  em uma semana você estudar todos os dias e na outra nenhum, porque saíram mandados demais e você não teve tempo de estudar ... E mais, sempre que há contratação de servidores os OJ são cada vez menos chamados, o que aumenta a demanda consideravelmente, já que há mais gente produzindo internamente e menos gente para cumprir as determinações judiciais.

    2) ótimas condições de trabalho, ainda que não o tempo livre compensa (mito 2!); a profissão tem se mostrado cada vez mais perigosa amigo, conforme todo mundo depreende das constantes notícias veiculadas diariamente; é perigoso trabalhar na rua, principalmente representando um poder cuja a maior parte das determinações efetivas vai contra os interesses das pessoas (explico: quando há o interesse em se obter uma decisão, muitas das vezes a pessoa é proativa e ela mesmo vai ao Fórum e aos Tribunais acompanhar os processos, assim essas pessoas via de regra ou não são procuradas, ou quando são, geralmente é para intimação para audiência). A situação é de perigo às cegas, sujeito a risco no ambiente de potencial agressor (e se precisar chamar a PM em emergências dificilmente será atendido, já que há deficit em todos os locais do Brasil - aqui em BSB o 190 não está sequer funcionando direito sendo alvo de várias reportagens na imprensa). Outra coisa, o trabalho é na rua sem a natural proteção dos Tribunais, cheios de segurança e policiais militares que ali resguardam a ordem pública. O trabalho é extenuante: sol, chuva, calor, e mesmo no ar condicionado é dificil de suportar por muito tempo, já que se vai de um local para o outro sem pausa de descanso. Não há ar condicionado, cafezinho, e principalmente banheiro. Banheiro é uma coisa boba, que a gente não pensa até se ver privado de usar (eu sequer bebo água ou bebo muito pouca), outra coisa que me incomoda, a sujeira, ao final de algumas horas a mão está grudenta e suja sem condições de ser higienizada (é papel, poeira, caneta que você dá pras pessoas assinarem e você nem sabe o que elas estavam fazendo e volta para você). Nesse sentido, posso dizer que a preocupação do Tribunal com os OJ é mínima para não dizer inexistente, quando acontece alguma coisa, roubo, ameaça, desacato, agressão os Tribunais jogam para a galera: segurança é um problema do Estado. Mas aí eu questiono, você sabe que a situação é perigosa, sabe a situação que você vai submeter o servidor, manda ele para aquela situação grave, e ainda alega que é um problema de segurança pública lavando as mãos? É assim mesmo que acontece ...

    3) ótimo! tem a indenização de transporte. Amigo, essa indenização não cobre o que você vai gastar. Desde já esclareço. A não ser que você pegue um carro pé duro e sem ar condicionado ... nesse caso ela quase que cobre. Apesar do que muita gente imagina, não é uma indenização de gasolina, é indenização que em tese deveria cobrir todos os gastos com o carro: compra, manutenção, combustível, impostos e seguro e a desvaloRização do carro, já que roda muito, aumentando ainda exponencialmente o risco de acidentes (já tomei quatro pedradas na lateral do carro, parabrisa quebrado, radiador perfurado com um buraco que se abriu no chão de uma periferia em que trabalhava, e inúmeros, incontáveis pneus furados). TUDO sobe de preço, a indenização é estagnada. O número de mandados aumenta vertinosamente, a indenização permanece a mesma. Na última greve, tinha vários oficiais aqui querendo abdicar da indenização para que o tribunal fornecesse ele mesmo os carros e combustível, a pergunta que se faz é: há interesse do Tribunal? Acredito que não. Tinha um Oficial inclusive que falou ironicamente que ele devolvia a indenização e ainda pagava mais 150 reais para o tribunal fornecer o transporte para o exercício do serviço público e ele tirar o carro dele da rua ... Achei na ocasião interessante o desabafo ... pra refletir que se fosse bom, a criatividade não sairia tão naturalmente.

    4) isolamento, incompreensão dos colegas: é um trabalho solitário, você não tem ambiente de trabalho, não tem colega de trabalho (já que o contato com ele se dá de forma eventual); muitos servidores internos por não conhecerem a situação a que somos expostos, acham que é ótimo o nosso trabalho, que somos privilegiados, e a consequência disso é a discriminação. O Tribunal nos deixa a "deus dará" como se diz na minha terra, o importante é que os mandados sejam cumpridos a que custo for, pouco importando a saúde, a segurança e a necessidade dessa parcela de servidores. Percebo ainda que muitas vezes há uma intenção, ainda que subliminar de se dificultar ainda mais o trabalho dos oficiais, é como se fosse: facilitar pra que se pode ser mais difícil.



    Enfim amigo, sou grato por ter esse trabalho, pois é honesto, garante meu sustento, e é um trabalho importante, pois dá efetividade à Justiça, pois que vai ao encontro do Jurisdicionado somos nós. Temos a nossa importancia na engrenagem judiciária. Apesar de todo relato sei que há servidores que nos respeitam, embora no maior das vezes nos vejam com mais vantagens. Sei que todos os trabalhos tem a sua dificuldade (sabemos das coisas que acontecem dentro do tribunal, questões como assédio, também a sobrecarga de trabalho, cumprimento de horário, as vezes extenuante). Mas hoje sinto falta exatamente dessas coisas: proteção e segurança no trabalho, conforto, horário de trabalho regular, ter uma carga de trabalho que se houver algum problema vai ser absorvida por todos os colegas, ter com quem contar na hora das dificuldades. Acho que o que resume tudo é perfil. Têm sido longo esses anos e estou ansioso para dar um passo a frente e mudar de função, guardando profundo respeito e admiração aos colegas que ficarem. E posso te dizer que tem um monte de Oficiais que pensam como eu.

    Enfim, parei um pouquinho os estudos, e registrei no Fórum só para relatar que ser OJAF não é essa maravilha que pintam por aí. SucessO e felicidades.
    Entendo as dificuldades dos colegas.

    O tjdft é uma justiça " estadual ", ou seja, tem muita matéria fática, procedimentod de todo jeito, apenas é mantida pela União.

    Acredito que a situação dos outros oficiais ( federais de FATO e de direito ) seja melhor.

    Com efeito, sei que existem muitos oficiais insatisfeitos, mas também existem muitos internos insatisfeitos; aliás, bem mais, pois os dados por si só demonstram ( a rotatividade dos internos É BEM MAIOR ).

    Para tentar diminuir essa insatisfação, proponho que seja possível a " permuta " de analistas da área judiciária com os da área de execução de mandados, porquanto o cargo é o mesmo e o requisito de ingresso é o mesmo (bacharel em direito )

    No meu tribunal, mutatis mutandis, é possível até permuta entre analista da área judiciária e da área administrativa.

    Outrossim, na justiça eleitoral, está dentre as atribuições do analista da área judiciária cumprir mandados, embora na prática sejam cumpridos por requisitados, em face da falta de servidores efetivos, que acabam fazendo as tarefas mais complexas, com todo respeito aos requisitados que cumprem mandados e tb aos oficiais efetivos.

    Na zona em que trabalho, os dois requisitados que fazem papel de oficial ad hoc não sabem nem fazer um ofício, quiçá um despacho. Sentença então, nem pensar. Se eu estiver mentindo, por favor digam demais colegas da justiça eleitoral!

    Ademais, com essa nova regulamentação do MPU, os analistas estão praticamente num " bolo " só, embora discorde de muitos aspectos. Lá por exemplo nem existe o cargo de oficial ( assim como na JE ) e o trabalho acaba sendo feito.

    Enfim, é uma saída para o oficial insatisfeito, pois sei que com certeza terá um analista interno querendo permutar com ele.

    Infelizmente no PJU e MPU a insatisfação é geral...
    Vou concordar e discordar de algumas coisas.

    Creio que tem muito cara que faz concurso para OJAF sem ter perfil, só pelo dinheiro. Como muita gente fez para interno numa época em que o salário era razoável.

    Óbvio que o cargo tem muitos riscos, mas particularmente, acredito que sim, um carro pé-duro, até com ar e alguns "Luxos" cabe. Vale lembrar que é uma "sinergia": você não paga dois carros, nem dois seguros, e acredito que se for discutir o quanto se gasta de gasolina, por meia dúzia de cidades em que "não se lucra", há uma revolta de todas as outras. E vale para qualquer indenização. Um diária do MPU te dá uma bela sobra para ir numa cidade do interior e dormir num bom hotel de 60 ou 80 reais, mas se você for a Brasília e pagar um táxi para se deslocar a grana já foi embora.

    Quanto a questão do isolamento, é tremendamente relativa. Se você pensa que é ruim ficar isolado, também é problemático lidar sempre com as mesmas pessoas. Quando há amizade, tudo bem, é legal. Entretanto, quando sai uma faísca ou surge um problema... E aí, imagine que se nem com a esposa não surgem brigas, imagina com o colega de trabalho. Mas acho que é uma questão de perfil. Quem fizesse o concurso por vocação mesmo, aproveitaria a oportunidade de conhecer pessoas todo o santo dia. Dali certamente há um universo riquíssimo de histórias que muitos dos internos vão ver apenas na frieza do papel. Não é um trabalho fácil, por isto acho que tem que ter vocação.

    No mais, a insatisfação é geral. A conta é muito simples. Vivemos uma absurda redução de padrão de vida. TODOS nós. Uns souberam lidar bem com isto, outros nem tanto. Quem pode vai sair. Eu mesmo, semana que vem, vou fazer concurso para o INSS, correndo o risco de ganhar um pouco menos, mas para pelo menos trabalhar com o que gosto e servir de apoio para outros concursos na minha área.
    Fazer concurso público somente visando a grana que vai receber não é exclusividade do cargo de oficial de justiça.
    Procurador, Juiz, policial etc. Depois que ingressam o que acontece é: baixíssimo rendimento, muita reclamação e egoísmo à flor da pele (benefício só pra mim).
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    Oficial de Justiça Avaliador Federal Empty Re: Oficial de Justiça Avaliador Federal

    Mensagem por Convidado em Dom 06 Out 2013, 8:38 pm

    Galizezin escreveu:
    josebarbos escreveu:
    Analista Desafortunado escreveu:
    OJAFR escreveu:Amigo, há 5 anos sou OJAF do TJDFT. Parabéns pela aprovação. É uma profissão legal, com as suas peculiaridades. Se pudesse voltar atrás, no entanto, teria feito para analista interno mesmo e ali ficaria. Razões:

    1) muito tempo livre (mito!); aqui se trabalha muito, saem centenas de Mandados por mês numa quantidade cada vez maior, especialmente em razão de ampliação do acesso da justiça e da cultura de judicialização de todas as questões sociais (já fui fazer penhora de dívida de 10 reais, em que gastei duas ou três diligências para achar alguém na residência). Processo eletrônico - o que é isso?? / A.R. para entrega via correio, nem pensar! embora vá alguma coisa pelo correio não é o expediente da maior parte das varas PRINCIPALMENTE a dos juizados). Assim o tempo que se faz ficar livre é aquele decorrente de labor horas a finco na rua por 2 ou 3 dias seguidos, mas não acaba aí, porque as pessoas esquecem que depois o OJ tem que certificar as diligências; depois o OJ tem que realizar plantões; depois o OJ tem que realizar Júris ... Então tempo livre há se você se acabar nesses "três" dias" por semana, mas aí você que quer estudar, aí tem que ter muita força de vontade, tem que ter muito empenho, muita fé pra conseguir estudar nos dias que sobraram. Outra, estudo é disciplina, não adiante  em uma semana você estudar todos os dias e na outra nenhum, porque saíram mandados demais e você não teve tempo de estudar ... E mais, sempre que há contratação de servidores os OJ são cada vez menos chamados, o que aumenta a demanda consideravelmente, já que há mais gente produzindo internamente e menos gente para cumprir as determinações judiciais.

    2) ótimas condições de trabalho, ainda que não o tempo livre compensa (mito 2!); a profissão tem se mostrado cada vez mais perigosa amigo, conforme todo mundo depreende das constantes notícias veiculadas diariamente; é perigoso trabalhar na rua, principalmente representando um poder cuja a maior parte das determinações efetivas vai contra os interesses das pessoas (explico: quando há o interesse em se obter uma decisão, muitas das vezes a pessoa é proativa e ela mesmo vai ao Fórum e aos Tribunais acompanhar os processos, assim essas pessoas via de regra ou não são procuradas, ou quando são, geralmente é para intimação para audiência). A situação é de perigo às cegas, sujeito a risco no ambiente de potencial agressor (e se precisar chamar a PM em emergências dificilmente será atendido, já que há deficit em todos os locais do Brasil - aqui em BSB o 190 não está sequer funcionando direito sendo alvo de várias reportagens na imprensa). Outra coisa, o trabalho é na rua sem a natural proteção dos Tribunais, cheios de segurança e policiais militares que ali resguardam a ordem pública. O trabalho é extenuante: sol, chuva, calor, e mesmo no ar condicionado é dificil de suportar por muito tempo, já que se vai de um local para o outro sem pausa de descanso. Não há ar condicionado, cafezinho, e principalmente banheiro. Banheiro é uma coisa boba, que a gente não pensa até se ver privado de usar (eu sequer bebo água ou bebo muito pouca), outra coisa que me incomoda, a sujeira, ao final de algumas horas a mão está grudenta e suja sem condições de ser higienizada (é papel, poeira, caneta que você dá pras pessoas assinarem e você nem sabe o que elas estavam fazendo e volta para você). Nesse sentido, posso dizer que a preocupação do Tribunal com os OJ é mínima para não dizer inexistente, quando acontece alguma coisa, roubo, ameaça, desacato, agressão os Tribunais jogam para a galera: segurança é um problema do Estado. Mas aí eu questiono, você sabe que a situação é perigosa, sabe a situação que você vai submeter o servidor, manda ele para aquela situação grave, e ainda alega que é um problema de segurança pública lavando as mãos? É assim mesmo que acontece ...

    3) ótimo! tem a indenização de transporte. Amigo, essa indenização não cobre o que você vai gastar. Desde já esclareço. A não ser que você pegue um carro pé duro e sem ar condicionado ... nesse caso ela quase que cobre. Apesar do que muita gente imagina, não é uma indenização de gasolina, é indenização que em tese deveria cobrir todos os gastos com o carro: compra, manutenção, combustível, impostos e seguro e a desvaloRização do carro, já que roda muito, aumentando ainda exponencialmente o risco de acidentes (já tomei quatro pedradas na lateral do carro, parabrisa quebrado, radiador perfurado com um buraco que se abriu no chão de uma periferia em que trabalhava, e inúmeros, incontáveis pneus furados). TUDO sobe de preço, a indenização é estagnada. O número de mandados aumenta vertinosamente, a indenização permanece a mesma. Na última greve, tinha vários oficiais aqui querendo abdicar da indenização para que o tribunal fornecesse ele mesmo os carros e combustível, a pergunta que se faz é: há interesse do Tribunal? Acredito que não. Tinha um Oficial inclusive que falou ironicamente que ele devolvia a indenização e ainda pagava mais 150 reais para o tribunal fornecer o transporte para o exercício do serviço público e ele tirar o carro dele da rua ... Achei na ocasião interessante o desabafo ... pra refletir que se fosse bom, a criatividade não sairia tão naturalmente.

    4) isolamento, incompreensão dos colegas: é um trabalho solitário, você não tem ambiente de trabalho, não tem colega de trabalho (já que o contato com ele se dá de forma eventual); muitos servidores internos por não conhecerem a situação a que somos expostos, acham que é ótimo o nosso trabalho, que somos privilegiados, e a consequência disso é a discriminação. O Tribunal nos deixa a "deus dará" como se diz na minha terra, o importante é que os mandados sejam cumpridos a que custo for, pouco importando a saúde, a segurança e a necessidade dessa parcela de servidores. Percebo ainda que muitas vezes há uma intenção, ainda que subliminar de se dificultar ainda mais o trabalho dos oficiais, é como se fosse: facilitar pra que se pode ser mais difícil.



    Enfim amigo, sou grato por ter esse trabalho, pois é honesto, garante meu sustento, e é um trabalho importante, pois dá efetividade à Justiça, pois que vai ao encontro do Jurisdicionado somos nós. Temos a nossa importancia na engrenagem judiciária. Apesar de todo relato sei que há servidores que nos respeitam, embora no maior das vezes nos vejam com mais vantagens. Sei que todos os trabalhos tem a sua dificuldade (sabemos das coisas que acontecem dentro do tribunal, questões como assédio, também a sobrecarga de trabalho, cumprimento de horário, as vezes extenuante). Mas hoje sinto falta exatamente dessas coisas: proteção e segurança no trabalho, conforto, horário de trabalho regular, ter uma carga de trabalho que se houver algum problema vai ser absorvida por todos os colegas, ter com quem contar na hora das dificuldades. Acho que o que resume tudo é perfil. Têm sido longo esses anos e estou ansioso para dar um passo a frente e mudar de função, guardando profundo respeito e admiração aos colegas que ficarem. E posso te dizer que tem um monte de Oficiais que pensam como eu.

    Enfim, parei um pouquinho os estudos, e registrei no Fórum só para relatar que ser OJAF não é essa maravilha que pintam por aí. SucessO e felicidades.
    Entendo as dificuldades dos colegas.

    O tjdft é uma justiça " estadual ", ou seja, tem muita matéria fática, procedimentod de todo jeito, apenas é mantida pela União.

    Acredito que a situação dos outros oficiais ( federais de FATO e de direito ) seja melhor.

    Com efeito, sei que existem muitos oficiais insatisfeitos, mas também existem muitos internos insatisfeitos; aliás, bem mais, pois os dados por si só demonstram ( a rotatividade dos internos É BEM MAIOR ).

    Para tentar diminuir essa insatisfação, proponho que seja possível a " permuta " de analistas da área judiciária com os da área de execução de mandados, porquanto o cargo é o mesmo e o requisito de ingresso é o mesmo (bacharel em direito )

    No meu tribunal, mutatis mutandis, é possível até permuta entre analista da área judiciária e da área administrativa.

    Outrossim, na justiça eleitoral, está dentre as atribuições do analista da área judiciária cumprir mandados, embora na prática sejam cumpridos por requisitados, em face da falta de servidores efetivos, que acabam fazendo as tarefas mais complexas, com todo respeito aos requisitados que cumprem mandados e tb aos oficiais efetivos.

    Na zona em que trabalho, os dois requisitados que fazem papel de oficial ad hoc não sabem nem fazer um ofício, quiçá um despacho. Sentença então, nem pensar. Se eu estiver mentindo, por favor digam demais colegas da justiça eleitoral!

    Ademais, com essa nova regulamentação do MPU, os analistas estão praticamente num " bolo " só, embora discorde de muitos aspectos. Lá por exemplo nem existe o cargo de oficial ( assim como na JE ) e o trabalho acaba sendo feito.

    Enfim, é uma saída para o oficial insatisfeito, pois sei que com certeza terá um analista interno querendo permutar com ele.

    Infelizmente no PJU e MPU a insatisfação é geral...
    Vou concordar e discordar de algumas coisas.

    Creio que tem muito cara que faz concurso para OJAF sem ter perfil, só pelo dinheiro. Como muita gente fez para interno numa época em que o salário era razoável.

    Óbvio que o cargo tem muitos riscos, mas particularmente, acredito que sim, um carro pé-duro, até com ar e alguns "Luxos" cabe. Vale lembrar que é uma "sinergia": você não paga dois carros, nem dois seguros, e acredito que se for discutir o quanto se gasta de gasolina, por meia dúzia de cidades em que "não se lucra", há uma revolta de todas as outras. E vale para qualquer indenização. Um diária do MPU te dá uma bela sobra para ir numa cidade do interior e dormir num bom hotel de 60 ou 80 reais, mas se você for a Brasília e pagar um táxi para se deslocar a grana já foi embora.

    Quanto a questão do isolamento, é tremendamente relativa. Se você pensa que é ruim ficar isolado, também é problemático lidar sempre com as mesmas pessoas. Quando há amizade, tudo bem, é legal. Entretanto, quando sai uma faísca ou surge um problema... E aí, imagine que se nem com a esposa não surgem brigas, imagina com o colega de trabalho. Mas acho que é uma questão de perfil. Quem fizesse o concurso por vocação mesmo, aproveitaria a oportunidade de conhecer pessoas todo o santo dia. Dali certamente há um universo riquíssimo de histórias que muitos dos internos vão ver apenas na frieza do papel. Não é um trabalho fácil, por isto acho que tem que ter vocação.

    No mais, a insatisfação é geral. A conta é muito simples. Vivemos uma absurda redução de padrão de vida. TODOS nós. Uns souberam lidar bem com isto, outros nem tanto. Quem pode vai sair. Eu mesmo, semana que vem, vou fazer concurso para o INSS, correndo o risco de ganhar um pouco menos, mas para pelo menos trabalhar com o que gosto e servir de apoio para outros concursos na minha área.
    Fazer concurso público somente visando a grana que vai receber não é exclusividade do cargo de oficial de justiça.
    Procurador, Juiz, policial etc. Depois que ingressam o que acontece é: baixíssimo rendimento, muita reclamação e egoísmo à flor da pele (benefício só pra mim).
    A diferença é que OJAF é meio que um ponto fora da curva: coloca um salário não tão alto contra uma independência de atividades apenas média, ambos maiores que a dos internos. Um OJAF, creio, pode programar cumprir uma diligência num certo dia da semana, mas não pode ficar postergando-a,ainda que motivadamente.

    Lembro de um procurador do trabalho que mal tinha começado no cargo e não se via "velhinho" tendo que cuidar de pilhas de processo. Quiça, para sorte dele, haverá uma quantidade muito maior, mas na forma eletrônica. Razz Razz Razz 
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    Mensagem por Peres em Ter 08 Out 2013, 6:19 pm

    Eu concordo com tudo que o colega oficial do TJDFt disse acima, mas acho que a realidade dele é um pouco diferente de um OJAF de um TRF ou um TRT. Conheço alguns do TRFs e converso sempre com eles, bem como alguns oficias de TJs e a realidade são bem diferentes e não é apenas salarial. As matérias de atuação dos tribunais reflete na ponta do serviço a ser executado por um oficial....è como comparar a atuação de um PM com um PF....ambos são policiais mas alguem teria dúvida da diferença de atuação e da rotina de cada um ?....Tudo bem, tem que ter perfil....mas a rotina diária influenciará posteriormente na felicidade ou infelicidade no cargo.....
    Devido as atribuições, para um cargo de oficial em um TRF ou TRT eu iria correndo, mas em um Tj não iria.....preferia ficar na "rotina" de qq cargo interno...
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    Mensagem por Prof.Gilmar em Ter 08 Out 2013, 6:36 pm

    Já fui Técnico Judiciário por 8 anos e estou há um como OJAF. Acho que posso falar alguma coisa.

    1) Antes de mais nada: converse com os futuros colegas de Vara/Subseção. ELES poderão dizer como é a rotina de trabalho e quais são as dificuldades que enfrentam.

    2) Tem que ter perfil, para suportar a falta de conforto, de segurança, paciência, paciência de novo, paciência, mais uma vez. Quem não tem perfil sofre muito.

    3) A liberdade de horários é uma faca de dois gumes. Se por um lado é bom você deixar de fazer os seus afazeres em uma manhã (sem precisar dar satisfação a ninguém), por outro lado você terá de acordar de madrugada para encontrar aquele jurisdicionado que sai cedo de casa (sendo que muita gente não está nem aí para reconhecer o seu trabalho).

    4) É possível conciliar estudo e trabalho. Eu consegui, aos trancos e barrancos. Mas reconheço que há uma diferença. No trabalho interno você já terá como administrar melhor o seu tempo. O OJAF, não. Basta um chá de cadeira de duas horas na casa do sujeito e já coloca os seus horários de cabeça para baixo. (Um colega OJAF pedirá exoneração para voltar ao cargo anterior (interno), pq veio com a intenção de estudar e não conseguiu).

    5) A indenização de transporte, na maioria dos casos, não cobre os gastos para que foi destinada. No meu caso, tenho sorte, pois a minha área é pequena e consigo rodar pouco. E não há regra: tem dia que rodo 15km e outro rodo entre 100 e 200km.

    6) Quer a minha opinião? Apenas o seu esforço é a medida do seu sucesso. O cargo que você ocupa é o de menos.

    7) Trabalho na JF e o relato do OJAFR é muito real. O volume de trabalho é uma das variáveis. As condições de trabalho são variáveis mais importantes: trata-se de um trabalho com riscos, sem estrutura e de pouco reconhecimento. Você será livre, mas a sua liberdade terá um preço que só você saberá se quer ou não pagar.

    8 ) Só repetindo: procure conversar com os futuros colegas. É muito importante. Mesmo.

    É isso. Espero ter ajudado.
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    Mensagem por Peres em Ter 08 Out 2013, 10:01 pm

    Alguém sabe dizer a rotina de um OJAF de um TRT se é muito diferente de um TRF? Nunca conversei com um oficial do TRT, mas já ouvi coisas do tipo: é mais tranquilo que no TRF, é pior pois tem mais penhoras, mas todas estas informações partiram de servidores da JF.....algum servidor ou que já trabalhou no TRT pode responder e tirar esta dúvida relatando a rotina diária.....Desde já agradeço.
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    Mensagem por Prof.Gilmar em Ter 08 Out 2013, 11:34 pm

    Onde atuo, os Oficiais da JT trabalham em toda a jurisdição da Vara, enquanto os da JF não. Seria a diferença entre o inferno e o purgatório.

    Além disso, também considero desfavorável o fato de haver muitas penhoras.

    Desta forma, sempre é importante que o colega que está em dúvida converse antes com os OJAF's que trabalham na área. Isso que uma Justiça é melhor do que outra é mito. Sem falar que basta trocar de juiz ou de diretor de secretaria para causar mudanças na sua vida.
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    Mensagem por Peres em Qua 09 Out 2013, 8:39 am

    Valeu Professor ...
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    Mensagem por Analista Desafortunado em Sex 11 Out 2013, 4:14 am

    Prof.Gilmar escreveu:Já fui Técnico Judiciário por 8 anos e estou há um como OJAF. Acho que posso falar alguma coisa.

    1) Antes de mais nada: converse com os futuros colegas de Vara/Subseção. ELES poderão dizer como é a rotina de trabalho e quais são as dificuldades que enfrentam.

    2) Tem que ter perfil, para suportar a falta de conforto, de segurança, paciência, paciência de novo, paciência, mais uma vez. Quem não tem perfil sofre muito.

    3) A liberdade de horários é uma faca de dois gumes. Se por um lado é bom você deixar de fazer os seus afazeres em uma manhã (sem precisar dar satisfação a ninguém), por outro lado você terá de acordar de madrugada para encontrar aquele jurisdicionado que sai cedo de casa (sendo que muita gente não está nem aí para reconhecer o seu trabalho).

    4) É possível conciliar estudo e trabalho. Eu consegui, aos trancos e barrancos. Mas reconheço que há uma diferença. No trabalho interno você já terá como administrar melhor o seu tempo. O OJAF, não. Basta um chá de cadeira de duas horas na casa do sujeito e já coloca os seus horários de cabeça para baixo. (Um colega OJAF pedirá exoneração para voltar ao cargo anterior (interno), pq veio com a intenção de estudar e não conseguiu).

    5) A indenização de transporte, na maioria dos casos, não cobre os gastos para que foi destinada. No meu caso, tenho sorte, pois a minha área é pequena e consigo rodar pouco. E não há regra: tem dia que rodo 15km e outro rodo entre 100 e 200km.

    6) Quer a minha opinião? Apenas o seu esforço é a medida do seu sucesso. O cargo que você ocupa é o de menos.

    7) Trabalho na JF e o relato do OJAFR é muito real. O volume de trabalho é uma das variáveis. As condições de trabalho são variáveis mais importantes: trata-se de um trabalho com riscos, sem estrutura e de pouco reconhecimento. Você será livre, mas a sua liberdade terá um preço que só você saberá se quer ou não pagar.

    8 ) Só repetindo: procure conversar com os futuros colegas. É muito importante. Mesmo.

    É isso. Espero ter ajudado.
    Respeito o posicionamento do nobre colega.

    Mas, quanto ao fato de um Oficial de Justiça Federal pedir exoneração para poder estudar mais como interno, só acredito depois que ver a publicação no Diário Oficial.

    Abç.
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    Mensagem por LAW-SC em Sex 11 Out 2013, 9:07 am

    OJAFR escreveu:
    LAW-SC escreveu:
    magmontal escreveu:
    LAW-SC escreveu:Cara, nao pense meia vez.
    Conheço vários ajem´s / ojaf´s e eles tem, NO MÁXIMO, a semana tqq (terça, quarta e quinta).
    4 dias de folga. A maioria tem semana TQ, ou seja, trabalham apenas 2 dias na semana.
    5 dias pra vc estudar.
    então, nao caia na conversinha dos quw dizem que o trampo deles é foda...que é a maior moleza!
    Na boa: é um carteiro de luxo...já ouviiu falar?
    é o cargo dos sonhos da área meio
    []´s
    Ofender a função dos colegas , ISSO PODE ARNALDO ???
    Eu nao quis ofender ninguém não...usei a expressão que o  meu amigo ojaf usa pra se auto-qualificar, numa brincadeira sadia.
    inclusive nao ofendi que já fui chamado pra OJAF em dois trt´s e estyou pra ser chamado no trt 4, tamanho é a atração e o respeito que eu nutro pelo cargo.
    só falei que o cargo, comparado com analista interno, tem MUITAS vantangens, entre elas a liberdade de horrário e semana reduzida.
    era isso. se vc se ofendeu, antecipadamente me desculpo, futuro colega.
    []´s
    Amigo, há 5 anos sou OJAF do TJDFT. Parabéns pela aprovação. É uma profissão legal, com as suas peculiaridades. Se pudesse voltar atrás, no entanto, teria feito para analista interno mesmo e ali ficaria. Razões:

    1) muito tempo livre (mito!); aqui se trabalha muito, saem centenas de Mandados por mês numa quantidade cada vez maior, especialmente em razão de ampliação do acesso da justiça e da cultura de judicialização de todas as questões sociais (já fui fazer penhora de dívida de 10 reais, em que gastei duas ou três diligências para achar alguém na residência). Processo eletrônico - o que é isso?? / A.R. para entrega via correio, nem pensar! embora vá alguma coisa pelo correio não é o expediente da maior parte das varas PRINCIPALMENTE a dos juizados). Assim o tempo que se faz ficar livre é aquele decorrente de labor horas a finco na rua por 2 ou 3 dias seguidos, mas não acaba aí, porque as pessoas esquecem que depois o OJ tem que certificar as diligências; depois o OJ tem que realizar plantões; depois o OJ tem que realizar Júris ... Então tempo livre há se você se acabar nesses "três" dias" por semana, mas aí você que quer estudar, aí tem que ter muita força de vontade, tem que ter muito empenho, muita fé pra conseguir estudar nos dias que sobraram. Outra, estudo é disciplina, não adiante  em uma semana você estudar todos os dias e na outra nenhum, porque saíram mandados demais e você não teve tempo de estudar ... E mais, sempre que há contratação de servidores os OJ são cada vez menos chamados, o que aumenta a demanda consideravelmente, já que há mais gente produzindo internamente e menos gente para cumprir as determinações judiciais.

    2) ótimas condições de trabalho, ainda que não o tempo livre compensa (mito 2!); a profissão tem se mostrado cada vez mais perigosa amigo, conforme todo mundo depreende das constantes notícias veiculadas diariamente; é perigoso trabalhar na rua, principalmente representando um poder cuja a maior parte das determinações efetivas vai contra os interesses das pessoas (explico: quando há o interesse em se obter uma decisão, muitas das vezes a pessoa é proativa e ela mesmo vai ao Fórum e aos Tribunais acompanhar os processos, assim essas pessoas via de regra ou não são procuradas, ou quando são, geralmente é para intimação para audiência). A situação é de perigo às cegas, sujeito a risco no ambiente de potencial agressor (e se precisar chamar a PM em emergências dificilmente será atendido, já que há deficit em todos os locais do Brasil - aqui em BSB o 190 não está sequer funcionando direito sendo alvo de várias reportagens na imprensa). Outra coisa, o trabalho é na rua sem a natural proteção dos Tribunais, cheios de segurança e policiais militares que ali resguardam a ordem pública. O trabalho é extenuante: sol, chuva, calor, e mesmo no ar condicionado é dificil de suportar por muito tempo, já que se vai de um local para o outro sem pausa de descanso. Não há ar condicionado, cafezinho, e principalmente banheiro. Banheiro é uma coisa boba, que a gente não pensa até se ver privado de usar (eu sequer bebo água ou bebo muito pouca), outra coisa que me incomoda, a sujeira, ao final de algumas horas a mão está grudenta e suja sem condições de ser higienizada (é papel, poeira, caneta que você dá pras pessoas assinarem e você nem sabe o que elas estavam fazendo e volta para você). Nesse sentido, posso dizer que a preocupação do Tribunal com os OJ é mínima para não dizer inexistente, quando acontece alguma coisa, roubo, ameaça, desacato, agressão os Tribunais jogam para a galera: segurança é um problema do Estado. Mas aí eu questiono, você sabe que a situação é perigosa, sabe a situação que você vai submeter o servidor, manda ele para aquela situação grave, e ainda alega que é um problema de segurança pública lavando as mãos? É assim mesmo que acontece ...

    3) ótimo! tem a indenização de transporte. Amigo, essa indenização não cobre o que você vai gastar. Desde já esclareço. A não ser que você pegue um carro pé duro e sem ar condicionado ... nesse caso ela quase que cobre. Apesar do que muita gente imagina, não é uma indenização de gasolina, é indenização que em tese deveria cobrir todos os gastos com o carro: compra, manutenção, combustível, impostos e seguro e a desvaloRização do carro, já que roda muito, aumentando ainda exponencialmente o risco de acidentes (já tomei quatro pedradas na lateral do carro, parabrisa quebrado, radiador perfurado com um buraco que se abriu no chão de uma periferia em que trabalhava, e inúmeros, incontáveis pneus furados). TUDO sobe de preço, a indenização é estagnada. O número de mandados aumenta vertinosamente, a indenização permanece a mesma. Na última greve, tinha vários oficiais aqui querendo abdicar da indenização para que o tribunal fornecesse ele mesmo os carros e combustível, a pergunta que se faz é: há interesse do Tribunal? Acredito que não. Tinha um Oficial inclusive que falou ironicamente que ele devolvia a indenização e ainda pagava mais 150 reais para o tribunal fornecer o transporte para o exercício do serviço público e ele tirar o carro dele da rua ... Achei na ocasião interessante o desabafo ... pra refletir que se fosse bom, a criatividade não sairia tão naturalmente.

    4) isolamento, incompreensão dos colegas: é um trabalho solitário, você não tem ambiente de trabalho, não tem colega de trabalho (já que o contato com ele se dá de forma eventual); muitos servidores internos por não conhecerem a situação a que somos expostos, acham que é ótimo o nosso trabalho, que somos privilegiados, e a consequência disso é a discriminação. O Tribunal nos deixa a "deus dará" como se diz na minha terra, o importante é que os mandados sejam cumpridos a que custo for, pouco importando a saúde, a segurança e a necessidade dessa parcela de servidores. Percebo ainda que muitas vezes há uma intenção, ainda que subliminar de se dificultar ainda mais o trabalho dos oficiais, é como se fosse: facilitar pra que se pode ser mais difícil.



    Enfim amigo, sou grato por ter esse trabalho, pois é honesto, garante meu sustento, e é um trabalho importante, pois dá efetividade à Justiça, pois que vai ao encontro do Jurisdicionado somos nós. Temos a nossa importancia na engrenagem judiciária. Apesar de todo relato sei que há servidores que nos respeitam, embora no maior das vezes nos vejam com mais vantagens. Sei que todos os trabalhos tem a sua dificuldade (sabemos das coisas que acontecem dentro do tribunal, questões como assédio, também a sobrecarga de trabalho, cumprimento de horário, as vezes extenuante). Mas hoje sinto falta exatamente dessas coisas: proteção e segurança no trabalho, conforto, horário de trabalho regular, ter uma carga de trabalho que se houver algum problema vai ser absorvida por todos os colegas, ter com quem contar na hora das dificuldades. Acho que o que resume tudo é perfil. Têm sido longo esses anos e estou ansioso para dar um passo a frente e mudar de função, guardando profundo respeito e admiração aos colegas que ficarem. E posso te dizer que tem um monte de Oficiais que pensam como eu.

    Enfim, parei um pouquinho os estudos, e registrei no Fórum só para relatar que ser OJAF não é essa maravilha que pintam por aí. SucessO e felicidades.


    A realidade do TJDFT é ABSOLUTAMENTE DISTINTA da JF e JT.
    tjdft é custeado e mantido pela União, mas a matéria é a mesma da Justiça Estadual.
    Portanto, o OJAF ali cumpre os mesmos mandados dos oficiais estaduais.
    Eu não sairia de analista interno pra ser OJAF do TJDFT.
    Agora, se fosse STM, JT e JF, não pensaria meia vez.
    Só o fato de nao ficar vinculado e assediado pelos membros já não tem preço.
    []´s
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    Mensagem por Prof.Gilmar em Sex 11 Out 2013, 7:40 pm

    Combinado, mês que vem eu posto aqui a exoneração dele.

    Para o colega que criou o tópico: se ele já estivesse estável no cargo atual, não custaria nada tentar. Se ele não gostasse, retornaria para o cargo de origem e fim de papo.

    Por outro lado, a minha opinião é a seguinte: se você já estiver pelo menos batendo nas traves nos concursos, não sei se seria interessante ele trocar de cargo. Odiar o trabalho traz consequências devastadoras a um concurseiro. É muito pior do que não ter tempo para estudar.

    Não se iludam. OJAF também é peão. Ganha um pouco mais, tem um trabalho maleável, utiliza mais sola de sapato do que conhecimento jurídico, mas continua sendo peão. E digo mais: você pode até estar longe das garras de um juiz/membro, mas terá que aturar jurisdicionados que, em alguns casos, são usuários de drogas, criminosos, enganadores, mentirosos e, por cima, estar sujeito a perigos de todo tipo.

    Analista Desafortunado escreveu:
    Prof.Gilmar escreveu:Já fui Técnico Judiciário por 8 anos e estou há um como OJAF. Acho que posso falar alguma coisa.

    1) Antes de mais nada: converse com os futuros colegas de Vara/Subseção. ELES poderão dizer como é a rotina de trabalho e quais são as dificuldades que enfrentam.

    2) Tem que ter perfil, para suportar a falta de conforto, de segurança, paciência, paciência de novo, paciência, mais uma vez. Quem não tem perfil sofre muito.

    3) A liberdade de horários é uma faca de dois gumes. Se por um lado é bom você deixar de fazer os seus afazeres em uma manhã (sem precisar dar satisfação a ninguém), por outro lado você terá de acordar de madrugada para encontrar aquele jurisdicionado que sai cedo de casa (sendo que muita gente não está nem aí para reconhecer o seu trabalho).

    4) É possível conciliar estudo e trabalho. Eu consegui, aos trancos e barrancos. Mas reconheço que há uma diferença. No trabalho interno você já terá como administrar melhor o seu tempo. O OJAF, não. Basta um chá de cadeira de duas horas na casa do sujeito e já coloca os seus horários de cabeça para baixo. (Um colega OJAF pedirá exoneração para voltar ao cargo anterior (interno), pq veio com a intenção de estudar e não conseguiu).

    5) A indenização de transporte, na maioria dos casos, não cobre os gastos para que foi destinada. No meu caso, tenho sorte, pois a minha área é pequena e consigo rodar pouco. E não há regra: tem dia que rodo 15km e outro rodo entre 100 e 200km.

    6) Quer a minha opinião? Apenas o seu esforço é a medida do seu sucesso. O cargo que você ocupa é o de menos.

    7) Trabalho na JF e o relato do OJAFR é muito real. O volume de trabalho é uma das variáveis. As condições de trabalho são variáveis mais importantes: trata-se de um trabalho com riscos, sem estrutura e de pouco reconhecimento. Você será livre, mas a sua liberdade terá um preço que só você saberá se quer ou não pagar.

    8 ) Só repetindo: procure conversar com os futuros colegas. É muito importante. Mesmo.

    É isso. Espero ter ajudado.
    Respeito o posicionamento do nobre colega.

    Mas, quanto ao fato de um Oficial de Justiça Federal pedir exoneração para poder estudar mais como interno, só acredito depois que ver a publicação no Diário Oficial.

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