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    Mensagem por cicero_pb Seg 19 Out 2015, 9:25 am

    Para os colegas que gostam de pitacos na economia. De repente até pode ajudar alguns...

    Vou iniciar os trabalhos com as notícias das previsões do PIB e da inflação.

    Vocês observaram que TODA semana há novas previsões sobre o tema acima?

    Vocês também já observaram que sempre pioram as ditas previsões?

    Será que essa galera que está no poder realmente não sabe que vai dar ruim, ao final de um período? Ou eles vão colocando devagarinho para engambelar melhor?

    Tem um pessoal que discute economia "fora do quadrado" muito bom na bolhaimobiliariabrasil. Lá já sabíamos que a inflação de 2015 iria chegar a dois dígitos ANTES das eleições. E não é preciso ser mágico ou adivinho. Mas os jornais e o governo nunca admitiram isso, salvo quando não dá mais para correr.

    É o tal de cozinhar sapo. Ou o gato subir no telhado.

    Vamos lá.

    Para botar um pouco de pimenta, vou ser repetitivo com parte da notícia que está no g1 de hoje - aliás, tem uma coisa que não consigo saber: as organizações globo são coxinhas ou não?

    "Para 2016, os economistas das instituições financeiras elevaram sua expectativa de inflação de 6,05% para 6,12% na última semana. Foi a 11ª alta seguida do indicador que continua se distanciando da meta central de 4,5% fixada para o ano que vem".

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    ps: esse tópico também tem o objetivo de mostrar aos colegas do judiciário que JÁ ESTÁ PRECIFICADO que nossa categoria DEVE ser enquadrada - para ganhar MENOS, claro. A derrubada do veto é só uma tentativa de ADIAR esse momento que se coloca crucial na política de pessoal do executivo. Por que? Francamente, não sei. Se não houver a derrubada do veto, a coisa irá se materializar mais rapidamente, inclusive com a ajuda do PL leitinho... Mas isso é outro debate....
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    Mensagem por cicero_pb Qui 22 Out 2015, 7:27 am

    Atualização semanal do quadro.

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    O ponto central, que converge ao aqui colocado, é a transferência de 2016 para 2017 do prazo para cumprimento da meta formal de inflação (2,5 a 6,5).

    Ou seja, 2016 já dançou!!!

    Que interessante.

    E será que largaram 2016 somente por causa de 0,5???

    Ou seja, quem pensa em inflação abaixo de 7% em 2016, fique ciente que nem o governo acredita mais nisso.

    É isso que está escrito na nota do copom.

    Outras pinceladas interessantes é o desemprego e a alta do dólar (ou melhor, a perda de valor do $D).


    Puxa, ninguém sabe que somos pobres!!!!

    ---------------------------------

    Segue trecho:

    "O Banco Central começou a sinalizar a mudança de sua estratégia de política monetária, dando a primeira indicação de que pretende adiar o cumprimento da meta de inflação de 2016 para 2017..."
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    Mensagem por cicero_pb Qui 22 Out 2015, 7:48 am

    Hoje já vi dois textos muito interessantes.

    Vai um. Explica o bê-a-bá para quem ainda não está entendendo o quadro atual na banânia.

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    Não tenha preguiça de ler.

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    Mensagem por androsvilazza Qui 22 Out 2015, 9:56 am

    Cícero, ótima iniciativa!

    Pretendo participar ativamente deste espaço. Conhecimentos (ao menos básicos) de economia são essenciais, não só à nossa categoria, mas também à sociedade como um todo.

    Em se falando de categoria, no primeiro post vc mencionou a tendência de "enquadramento" (palavras suas) da nossa categoria em um patamar remuneratório mais baixo. Não pretendo, por ora, entrar no mérito dessa discussão, até porque este momento (de busca por recomposição salarial) é delicado para muitos de nossos colegas, eu próprio incluso. Não devemos, porém, tapar o sol com a peneira. A tendência, sem dúvida, é realmente essa. Independente de qual for o governo da vez, o movimento será sempre de arrochar os salários da base (carreiras de apoio), e manter uma valorização mais ou menos decente com relação às carreiras diretamente ligadas à atividade-fim. Mais do que nunca, técnicos e analistas devem concentrar seus esforços para alcançar as carreiras "top", ou procurar o saneamento de suas economias pessoais.

    Mais do que buscar o conhecimento per se, é imprescindível saber aplicá-lo. Cursei Ciências Econômicas, por motivos de força maior tive que largar o curso faltando um semestre para a conclusão, e ainda assim me deixei levar pela inexperiência e pela oferta indiscriminada de crédito. Resumindo, fui o pior tipo de ignorante, aquele que o é por opção: sabe o erro que está cometendo, mas ainda assim o faz.

    A saúde financeira sempre é conquistada a duras penas, e se esvai num piscar de olhos.

    Espero que sua iniciativa ajude a inflamar no intelecto dos colegas, o interesse pela economia, tanto a nível macroeconômico, quanto de suas próprias finanças pessoais. Sabemos que nossa categoria é composta por vários formadores de opinião, e é importante que todos trabalhem na difusão de conhecimento.
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    Mensagem por Protocol Qui 22 Out 2015, 6:56 pm

    cicero_pb, parabéns pela iniciativa.

    Conhecimentos sobre economia e educação financeira devem cada vez mais fazer parte das nossas vidas, ainda mais nestes tempos difíceis que estamos vivendo.
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    Mensagem por Convidado Sex 23 Out 2015, 4:28 am

    bacen: tantos tecnocratas lá, repetindo a mesma estratégia: controlar a inflação via aumento da taxa selic.

    parece algo proposital, para engordar mais ainda banqueiros.
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    Mensagem por cicero_pb Sex 23 Out 2015, 8:21 am

    Na verdade não é somente "controlar a inflação".

    Tem muito mais em jogo.

    Vamos imaginar que o dinheiro sirva para por fim ao escambo.

    E que papel-moeda seja somente isso: papel.

    Mas existem os bens (produção) que vão corresponder a quantidade de dinheiro (não é bem assim. Estamos simplificando... e muito).

    O governo roda a máquina de fazer papel-moeda (no nosso caso, a atuação do bndes é/foi muito forte).

    A inflação naturalmente será percebida pelos contribuintes.

    E é por isso que muita gente já sabia que a inflação iria ter uma forte atuação.

    O governo jogou muito dinheiro na praça. E não tem produção!

    --------------------------------------

    Juros: vamos supor que, quando a taxa estava em 7,25% em março de 2013, o copom tivesse subindo a taxa para 10%, por exemplo (e não para 7,5. Seguido de: 8,0; 8,5; 9,0; 9,5; ... etc).

    E que nossos governantes estivessem realmente buscando uma solução.

    A taxa hoje dificilmente seria 14,25. Estaria menos. Bem menos.

    E a inflação estaria mais controlada. E o bostil estaria gastando menos com juros.

    E provavelmente não teríamos o grau rebaixado...

    -----------------------------------------------

    Intitulado "Por que os juros são altos no brasil", o texto a seguir ilustra bem nossa situação, nesse particular.

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    Mensagem por cicero_pb Seg 26 Out 2015, 8:36 am

    Continuando a saga (acredito que devo fazer uma tabela, já que as notícias não mudaram... hehehe).

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    Trechos:

    "Para o PIB deste ano, o mercado financeiro passou a prever uma retração de 3,02%. Foi a décima quinta revisão para baixo..."

    "Para 2016, os economistas das instituições financeiras aumentaram de 1,22% para 1,43% a expectativa de contração na economia do país" - Vulgo CRESCER para BAIXO!

    Mais inflação em 2015:

    "...a inflação oficial, feche o ano em 9,85% – na semana anterior, a taxa esperada era de 9,75%".

    E também em 2016:

    "Para 2016, os economistas das instituições financeiras elevaram sua expectativa de inflação de 6,12% para 6,22% na última semana".


    Talvez seja a hora de criarmos um índice que projete o reajuste do reajuste semanal das projeções.

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    Mensagem por josebarbos Seg 26 Out 2015, 5:47 pm

    Alguns palitos sobre o tema, que adoro (acho que antes de morrer ainda formo em economia):

    Sobre os juros, apenas repito o que já disse antes aqui em algum lugar: a SELIC não é definida pela inflação, mas pelo mercado. A história de que ela é política inflacionária é apenas um argumento singelo para validar um custo absurdo que o governo tem com a máquina pública, de forma que a discussão nunca é feita de forma séria. Porque, quando for, se pensarmos em como ter uma SELIC efetivamente mais baixa, muito do populismo vai ter que morrer, e aí como os que estão lá, nem sempre eivados das melhores intenções para o povo, vão se manter e viver do poder que possuem?

    Sobre as perspectivas econômicas, é algo complicado. Antes de tudo, temos que saber que não somos oniscientes. Nenhum agente econômico é. Nem mesmo o próprio governo. E quem duvida, só lembrar que George Soros quebrou nada menos do que a libra. Então, dentro de um cenário restrito de informações, fazemos aposta. É meio que como um jogo de baralho. O que vai de fato acontecer depende de quais cartas já estão na mesa, quais estão nas mãos, o momento que você vai jogar, e o blefe. Previsões vão ficando mais concretas a partir do momento que se tem uma melhor percepção do que ocorre e da gravidade ou não de determinadas situações. Hoje, por exemplo, já se vislumbra com uma grande certeza que 2016 será um ano no qual os fundamentos econômicos estarão extremamente enfraquecidos, de forma a ser um ano perdido. Mas se o governo, por exemplo, tivesse demonstrado antes dados que já existiam e foram piorando, mas que foram maquiados ou ocultados por causa da eleição, todos saberíamos que 2015 seria, inevitavelmente, um ano de ajuste fortíssimo, que agora já se transforma até numa enorme recessão, num buraco que parece não ter mais fim. O boletim focus é uma mediana do que cada um aposta. Quem foi mais ousado certamente ganhou. E muita gente faz previsões também não tão pessimistas, certamente porque tem muito a ganhar.

    Isto posto, não dá para se falar em medidas radicais. Não adianta criar um ovo de colombo após o leite já ter sido derramado. Mas a partir de fatos conhecidos da situação atual tentar traçar o melhor caminho. Sempre tendo em conta que a psicologia e o efeito manada contam DEMAIS em certos aspectos econômicos. No caso do Brasil, a coisa é crônica porque se inventou uma classe média que não existe. Ou querer chamar pobre de classe média apenas para convencer o ego não fará do país um lugar melhor. Ter geladeira, tv, um carro usado financiado e fazer uma viagem de vez em quando, hoje em dia, é padrão pobreza, não classe média desenvolvida. E o duro é ver que lamentavelmente, caminhamos rapidamente para gerar muito menos riqueza, e ver a pobreza voltando novamente à miséria.
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    Mensagem por Convidado Seg 26 Out 2015, 6:04 pm

    dias atrás vi uma reportagem em que pessoas da classe C estavam retornando à realidade. entregando o carro financiado pro banco; a casa pra caixa etc. doce ilusão, foi o que o pt criou durante seus 12 anos de governo. e enquanto o povo se esbaldava na luxúria, roubava à lá vonté!
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    Mensagem por cicero_pb Seg 26 Out 2015, 6:32 pm

    Exatamente, Josebarbos.

    Mas os dados sempre estiveram aí.

    Já era possível analisar os desmandos no bndes. Os arrumadinhos entre gastos x arrecadação.

    Não foi somente um processo de adivinhação.

    Quem foi "induzido ao erro pelo governo" foi porque quis.

    O próprio psdb sabia que 2015 não ia ser legal.

    Aliás, ontem ou hoje saiu uma reportagem que falou exatamente isso: que todos sabiam da meleca que ia dar, mas não podiam falar, sob pena de afundar qualquer chance de ganhar as eleições.

    Infelizmente nosso povo não gosta da verdade.

    O retorno ao que nós somos - pobres - de fato já começou.

    Os rentistas estão em fase de ouro. Pena não ter capital para ganhar com isso.

    Mas já estou feliz por não perder.

    Deveríamos, todos, pensar nisso.

    E cortar tudo, para economizar. Porque o pior ainda não chegou....
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    Mensagem por josebarbos Seg 26 Out 2015, 7:26 pm

    cicero_pb escreveu:Exatamente, Josebarbos.

    Mas os dados sempre estiveram aí.

    Já era possível analisar os desmandos no bndes. Os arrumadinhos entre gastos x arrecadação.

    Não foi somente um processo de adivinhação.

    Quem foi "induzido ao erro pelo governo" foi porque quis.

    O próprio psdb sabia que 2015 não ia ser legal.

    Aliás, ontem ou hoje saiu uma reportagem que falou exatamente isso: que todos sabiam da meleca que ia dar, mas não podiam falar, sob pena de afundar qualquer chance de ganhar as eleições.

    Infelizmente nosso povo não gosta da verdade.

    O retorno ao que nós somos - pobres - de fato já começou.

    Os rentistas estão em fase de ouro. Pena não ter capital para ganhar com isso.

    Mas já estou feliz por não perder.

    Deveríamos, todos, pensar nisso.

    E cortar tudo, para economizar. Porque o pior ainda não chegou....

    Não sei se algum site ou alguém faz um trabalho de pegar o histórico de taxas do tesouro direto:
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    Mas as taxas de longo prazo saíram de uma média de 5% ao ano (que já seria ótimo) para mais de 7, até o ano de 2050, cujo único "risco" é o governo maquiar a inflação (IPCA). Mas qualquer outro investimento em renda fixa conservador, em títulos públicos, também será influenciado por este.

    Infelizmente, ainda estou longe de terminar a fase de "reserva de emergência". Mas sei que já é um grande passo. Na verdade, o arrependimento de não poder ter aplicações tem um poderoso efeito pedagógico. O lado bom da nossa atual crise é que ela será menos pior para nós do que a "marolinha". Naquela época, ficamos no zero enquanto a economia real subia preços a galope. A retração da classe média inevitavelmente criará um nicho de oportunidades. Não agora. Até porque sabemos como é o ciclo: antes de cortar na carne (quase) todos preferem manter o patamar de vida tomando crédito. A diferença é que o ciclo de falência desta vez virá bem mais rápido: a uma porque o crédito está mais restrito, a duas porque as próprias taxas mais elevadas fazem com que se estoure antes e com "menos".

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    Mensagem por josebarbos Seg 26 Out 2015, 7:35 pm

    Franzkafka escreveu:dias atrás vi uma reportagem em que pessoas da classe C estavam retornando à realidade. entregando o carro financiado pro banco; a casa pra caixa etc. doce ilusão, foi o que o pt criou durante seus 12 anos de governo. e enquanto o povo se esbaldava na luxúria, roubava à lá vonté!

    Saiu estes dias um estudo (infelizmente não tenho o link aqui) que mostra um lado mais real e crítico de um dos principais programas sociais do governo, o Minha Casa Minha Vida.
    Um dos grandes problemas, até mesmo pela questão de espaço físico, é que as famílias mais pobres foram assentadas muito mais distantes do que antes e, com isto, embora tenham melhorado de padrão de moradia, passaram a ter custos até então inéditos com transporte. E não apenas os financeiros, mas de tempo também. Estamos falando de pessoas pobres e que a despeito de uma pequena parcela poder contar com veículo próprio (tipicamente moto), na verdade vão depender do transporte público e, no mínimo, ainda vão contar com a infraestrutura precária para se deslocar às periferias de quase todas as cidades do país.

    Duvido de matérias que falam de "devoluções" de bens. Na prática, nem em leasing que deveria poder você consegue devolver um carro, que o diga num financiamento. Na prática, acredito em renegociações de toda sorte ou mesmo casos raros de busca e apreensão. O fato é que para quem já estava com a grana curta não dá para bancar os custos de tirar um veículo da garagem, e o bem está sendo menos utilizado ao mesmo custo de antes.
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    Mensagem por androsvilazza Ter 27 Out 2015, 11:45 am

    Desde cedo fui "antenado" em Economia, especialmente na área macroeconômica. Me interessava muito, lia, debatia sobre o assunto, acompanhava os noticiários, etc. Tanto que cursei Ciências Econômicas. Na UFES, o curso tem fortes "tendências" marxistas, mas aí já é outra história, sempre mantive uma visão imparcial sobre o assunto, tanto que discordo de grande parte das teorias marxistas.
    Durante o governo Lula, e primeiro mandato da Dilma, discordei da política econômica adotada, em muitos aspectos. No entanto, sempre dei crédito, e esperava pelos resultados antes de criticar. Encarava as decisões, na minha opinião, equivocadas, como "erros honestos". Admitia até a provável hipótese de eu estar errado e, tal qual "loura burra", não entendia a piada, ou seja, não conseguia enxergar a dinâmica, e os reais benefícios, de alguma medida tomada.
    Hoje, à luz dos fatos recentes, vejo que fui, sim, inocente. Não por ter discordado da política econômica adotada pelo PT, até porque o resultado não tardou a aparecer, e confirmou todas as "previsões" que eu, noob em Economia, já tinha externado. Fui inocente, sim, mas ao acreditar que houvesse, em qualquer das medidas equivocadas, um "erro honesto" por trás, tal como a figura oculta do cachorro por detrás da criança.
    Não. Nunca houve erro honesto nos desmandos dos Governos PT. Todo esse desastre anunciado foi meticulosamente calculado.
    Vamos à análise dos principais aspectos macroeconômicos do Governo PT:

    1. INFLAÇÃO E TAXA DE JUROS: Concordo com o josebarbosa, no sentido de que a taxa de juros é, a grosso modo, determinada pelo mercado. Não adianta o governo querer se financiar a juros mais baixos, se ninguém estiver disposto a emprestar a tal custo/risco. Mas aqui vale uma ressalva importantíssima: o Governo é, sim, um dos atores de mercado. Da mesma forma que as chamadas políticas anticíclicas do Governo PT contribuíram para a desvalorização da moeda e posterior aumento da taxa de juros, o Governo poderia ter adotado medidas que possibilitassem a queda dos juros a médio e longo prazos. Não o fez, resultando em lucros consideráveis para o sistema bancário, e gerando enorme passivo em contrapartida. A escalada do montante de recursos utilizados para o mero pagamento de juros (rolamento da dívida) é assustadora.

    2. SISTEMA DE PARTILHA DO PRÉ-SAL: Todos vimos o sistema horroroso que foi inventado para a partilha do pré-sal. Resumindo, toda a exploração deveria ser feita pela Petrobrás. Se alguma outra empresa quisesse participar, que o fizesse como parceira da estatal brasileira. Isso forçou a Petrobras a arcar com investimentos que não teria como assumir, pondo em risco a liquidez da empresa. Muitos desses investimentos poderiam ter sido feitos por outras empresas fortes no setor petrolífero, por exemplo sob o sistema de concessão. Mais tarde, ficou comprovado o real motivo dessa superconcentração do pré-sal sobre a Petrobras: Não se visava ao fortalecimento da estatal brasileira! A ideia da concentração era, justamente, a geração de mais obras, licitações, etc. que pudessem ser superfaturadas para financiar o esquema de pagamento de propinas e doações "legais" de campanha, esquema esse descortinado pela Operação Lavajato.

    3. DESONERAÇÃO FISCAL: À época, alegou-se que a desoneração de determinados setores produtivos tinha por objetivo o aquecimento da economia. Aqui cabem duas perguntas básicas: a) Por que esses setores específicos, e não outros? Ou melhor, por que não todos os setores produtivos? Bastaria uma leve redução na alíquota de algum imposto que afetasse a todos; e b) com a renda total do país constante, ou em fraco crescimento, qual o sentido em estimular o consumo apenas? Qualquer noob sabe que o simples estímulo ao consumo só pode resultar em: a) aumento generalizado dos preços (inflação); b) redução da poupança nacional - ora, se a renda permanece constante, a poupança passa a "financiar" o consumo; c) em consequência à redução da poupança, redução também do investimento - são interdependentes; e d) superendividamento das famílias.
      Recentemente, a operação Zelotes trouxe luz ao que havia de oculto nessa política de desoneração. As medidas provisórias que a instituíram foram alvo de compra por parte de empresas e lobistas interessados. A escolha de determinados setores, portanto, era indispensável, porque não se pode cobrar propina de todas as empresas do país, ao mesmo tempo. Essa desoneração foi uma política de "Robin Hood às avessas" - para me utilizar de um termo em voga. Transferiu recursos da poupança, dos consumidores e da sociedade como um todo (impostos que subsidiaram a desoneração) para os bolsos de uns poucos empresários, e outros poucos lobistas, políticos e parentes de personalidades políticas.

    4. COPA DO MUNDO: outra baboseira inventada pelo Governo do PT. Notem que, recentemente, o Canadá se recusou a ser sede das Olimpíadas de 2024, e a Suécia se recusou a sediar as Olimpíadas de Inverno de 2022. O motivo? Evitar gastos públicos desnecessários (pasmem!). Enquanto isso, o governo brasileiro se vangloriava de fazer "a melhor copa de todos os tempos". Investiu em elefantes brancos, às custas de cifras astronômicas.
      Não é difícil enxergar um motivo oculto na edição dessa Copa do Mundo. Só nesse ano, vieram à tona vários escândalos de corrupção envolvendo: a) Governo Brasileiro; b) construtoras brasileiras; c) FIFA; d) CBF. Mas quem são mesmo os "atores" envolvidos na "construção" da Copa do Mundo? Imagine juntar todas essas instituições, empresas e pessoas corruptas num só evento. Assustador, não é? Bem que achei estranho ver o Jeróme Valcke, num dia, alegar que o "Brasil precisa de um chute no traseiro pra adiantar o andamento das obras" e, no outro, dizer "que o cronograma está sendo seguido à risca." O que, ou melhor dizendo, quanto ($$$) o fez mudar de ideia? A ameaça do "chute no traseiro" era uma forma de externar insatisfação por não receber sua quota? Vai saber, né, talvez seja só mais outra teoria conspiratória.


      Termino a análise com a mais recente cartada do Governo:

    5. AJUSTE FISCAL: aqui não vou falar muito. Concordo com a necessidade de haver um ajuste fiscal, discordo, em vários pontos, da forma como está sendo feito. Mas isso é conversa pra outro post. Só quero chamar a atenção pra um fato "engraçado": Tanto Lula, quanto o Rui Falcão, dentre outros expoentes do petismo, vêm criticando a política do ajuste fiscal, dizendo que é hora de "voltar a crescer", "vender sonhos", e outras bobagens parecidas.
      Muito me lembra o senhor acometido de graves problemas gástricos que, após se esbaldar na feijoada, reclama quando lhe prescrevem chá de boldo. Em vez de tomar o remédio amargo, acha que a saída é ainda mais feijoada! (?!?!). Ou, em outra analogia, beber mais, e continuar bebendo, pra tentar curar a ressaca..
      Essas declarações, aliadas aos micos gigantescos que a mandioca-em-chefe vem pagando, deixam a impressão de querem nos fazer rir pra não chorar..


    Fica difícil querer discutir sobre Economia, quando os principais expoentes, ou pelo menos os de maior visibilidade, adotam as medidas que citei, com segundas intenções como as expostas.

    Fica difícil.
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    Mensagem por cicero_pb Ter 27 Out 2015, 12:14 pm

    Muito boa a análise.

    A questão mesmo é que não aprendemos a dar valor ao técnico, de forma geral.

    As decisões econômicas são essencialmente políticas. E não deveriam ser!

    Só aderem ao mundo real quando não há mais saída.

    Ou seja, quando acaba o cheque especial...
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    Mensagem por androsvilazza Ter 27 Out 2015, 2:36 pm

    cicero_pb escreveu:Muito boa a análise.

    A questão mesmo é que não aprendemos a dar valor ao técnico, de forma geral.

    As decisões econômicas são essencialmente políticas. E não deveriam ser!

    Só aderem ao mundo real quando não há mais saída.

    Ou seja, quando acaba o cheque especial...

    Técnico, no sentido estrito da palavra, não tem o mínimo valor na estrutura do governo brasileiro. E isso não é "privilégio" só do governo do PT, não. Todos os partidos, em todas as esferas de poder, se utilizam dessa forma ridícula de fazer política. Os cargos de primeiro escalão (ministros e secretários) são nomeados por quesitos políticos. Os cargos do segundo escalão, também. Como "técnicos" de fato, sobram alguns poucos, relegados ao baixo clero, e mesmo estes costumam ter uma cota política para indicação.

    Os cargos ligados à equipe econômica, que deveriam ter nomes eminentemente técnicos, e de reconhecimento no mercado, acabam tendo suas atribuições, e poder de decisão, esvaziados - vide exemplo do Joaquim Levy.
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    Mensagem por josebarbos Ter 27 Out 2015, 2:41 pm

    cicero_pb escreveu:Muito boa a análise.

    A questão mesmo é que não aprendemos a dar valor ao técnico, de forma geral.

    As decisões econômicas são essencialmente políticas. E não deveriam ser!

    Só aderem ao mundo real quando não há mais saída.

    Ou seja, quando acaba o cheque especial...

    Trash of titans, episódio 200 dos Simpsons, do Homer lixeiro, é uma verdadeira aula disto.
    O Brasil tem inúmeras formas de tratar alguns problemas de maneira simples, barata, individualizada. Prefere, muitas vezes, fazer uma nova obra ineficiente ou cara a simplesmente melhorar o que já está posto.

    Quanto aos juros, o Brasil é um dos atores, mas quem discute a agenda jamais vai querer a redução de juros. Veja que aqui mesmo, noutro tópico, há quem ache "barato" 3,06% a.m. com cartão de crédito CONSIGNADO ao salário. Um tipo de garantia destes deveria cobrar pouquíssimo acima da Selic, apenas para cobrir despesas administrativas.

    O Brasil infelizmente é a terra para quem quer tirar mais vantagem do outro. Não tenho mais a menor crença de algo diferente nisto. Até mesmo num nível micro, é algo muito perceptível: observe quem são as pessoas mais centradas, mais equilibradas, mais justas no seu julgamento. Vejam se elas têm "saco" para fazer todo o caminho político de chegar lá no topo. Não, um belo dia resolvem suas vidas e acabam tendo que se acomodar.

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    Mensagem por josebarbos Ter 27 Out 2015, 2:46 pm

    androsvilazza escreveu:
    cicero_pb escreveu:Muito boa a análise.

    A questão mesmo é que não aprendemos a dar valor ao técnico, de forma geral.

    As decisões econômicas são essencialmente políticas. E não deveriam ser!

    Só aderem ao mundo real quando não há mais saída.

    Ou seja, quando acaba o cheque especial...

    Técnico, no sentido estrito da palavra, não tem o mínimo valor na estrutura do governo brasileiro. E isso não é "privilégio" só do governo do PT, não. Todos os partidos, em todas as esferas de poder, se utilizam dessa forma ridícula de fazer política. Os cargos de primeiro escalão (ministros e secretários) são nomeados por quesitos políticos. Os cargos do segundo escalão, também. Como "técnicos" de fato, sobram alguns poucos, relegados ao baixo clero, e mesmo estes costumam ter uma cota política para indicação.

    Os cargos ligados à equipe econômica, que deveriam ter nomes eminentemente técnicos, e de reconhecimento no mercado, acabam tendo suas atribuições, e poder de decisão, esvaziados - vide exemplo do Joaquim Levy.

    O grande problema é que a única técnica valorizada no Brasil é a jurídico-política, embora nem seja a técnica que decida boa parte dos cargos. Vide, a título didático, o caso do VLT de Cuiabá. Havia relatório técnico apontando que a melhor solução custo x benefício seria o BRT, à metade do custo. As obras do VLT não ficaram prontas a tempo e há um enorme risco de que o sistema seja um emaranhado de pedaços incompletos, custando mais do que o orçado. Quem deveria bancar a conta do prejuízo à população diz que tomou a decisão com base na "empolgação".
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    Mensagem por josebarbos Ter 27 Out 2015, 9:07 pm

    O governo acaba de rever pela segunda vez no ano, e com um monte de asteriscos, a meta de superávit fiscal.
    Tantos poréns lamentavelmente só demonstram que a meta nem perto do seu significado está. É mero número aleatório, quase uma aposta do que vai acontecer no melhor caso, no melhor cenário, em que o governo consiga, por exemplo, fazer o leilão da concessão das hidrelétricas e pingar dinheiro no seu caixa ainda em 2015, o que parece ser cada vez mais difícil graças ao enorme entrave político no qual se meteu.

    Amanhã deve ser um ótimo dia para quem quiser tirar um juro às custas do governo.
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    Mensagem por Correr Atrás Ter 27 Out 2015, 11:25 pm

    Para quem entende de tesouro direto: é melhor aplicar no IPCA + juros ou no atrelado à Selic?
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    Mensagem por josebarbos Qua 28 Out 2015, 12:41 am

    Correr Atrás escreveu:Para quem entende de tesouro direto: é melhor aplicar no IPCA + juros ou no atrelado à Selic?

    IPCA + juros só vale a pena com juros altos e para investimentos de longo prazo. SELIC tem alta liquidez e rentabilidade "garantida" independentemente do prazo de aplicação.
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    Mensagem por cicero_pb Ter 03 Nov 2015, 6:34 am

    "O padrão de vida do brasileiro corre risco de congelar ao longo desta década. Após recuar 0,7% em 2014, o Produto Interno Bruto (PIB) per capita deve cair 3,5% em 2015, com nova queda esperada para 2016. Diante da forte desvalorização do real, já era esperado um recuo do produto per capita em dólares. Com a piora expressiva das expectativas para a atividade econômica neste ano e no próximo, porém, a população ficará mais pobre em reais mesmo e ainda terá que lidar com uma renda per capita estagnada até o fim da década".

    [É necessário estar registrado e conectado para poderes ver esta hiperligação]


    É a década perdida da era PT.

    Pior: é uma década onde, para recuperar o estrago feito na economia - e nos sonhos, expectativas e esperanças de uma sociedade melhor - levaremos mais algumas décadas. Isso se tivermos consciência para escolha de melhores representantes. O que duvido.

    "Lasciate ogni speranza voi che entrate" Essa frase deveria constar em toda certidão de nascimento de um bananense.
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    Mensagem por Chuck Coleman Ter 03 Nov 2015, 6:43 am

    Não vamos subestimar os bananenses.

    Há muitos, inclusive aqui no fórum, com os dedinhos nervosos e serelepes, prontinhos pra lacrar na Luciana CHEnro.

    Pra aprender vão ter que cair muito, mas muito mesmo!
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    Mensagem por corleone Ter 03 Nov 2015, 7:18 am

    Novas previsões para o PIB. Trágico!
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    Mensagem por cicero_pb Ter 03 Nov 2015, 7:54 am

    Mais do que trágico: previsível.

    Inflação em 2015: 9,91!! Só vão admitir os dois dígitos no apagar das luzes...

    Novamente elevaram a previsão de 2016.

    Mas esse nem mais interessa. Já está no saco. Aproximar-se-á da inflação de 2015, se tudo correr bem.

    Acaso algo dê errado, a meta será dobrada!!!

    Importante agora é ver como eles vão trabalhar o ano de 2017. Pelo andar da carruagem, 2017 também será perdido, salvo se a inominável sair da presidência.

    E como já alertei meses antes: cortem o que puderem. Com ou sem derrubada do veto, é diminuição certa do nosso salário nos próximos anos (já está ocorrendo).

    Aos que acreditam na fada do dente, podem fazer suas contas com inflação de 7% em 2016 e caindo... hehehehe

    Schadenfreude, petistas!
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    Mensagem por corujito Ter 03 Nov 2015, 8:39 am

    Fico impressionado da quantidade de gente que ainda considera cartilhas aplicáveis ao Brasil.

    Essa prevalência da técnica sobre a política como regra insuperável não cabe em uma sociedade como a nossa. E não cabia décadas atrás em vários países que hoje são grandes economias.

    Falar em ajuste fiscal como solução quando é exatamente queda da participação do Estado a maior causadora do retrocesso econômico é cobrar do governo atual o que não conseguiram Vargas, JK, os militares, FHC e Lula: lidar com o vagabundo empresariado brasileiro.

    Um exemplo disso é a ressuscitação da Telebrás, um blefe de Lula que teve de ser pago.
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    Mensagem por cicero_pb Ter 03 Nov 2015, 11:37 am

    Não é só uma questão de ajuste fiscal.

    Não vamos engolir as notícias de jornais de forma abobada.

    O BNDES financiou para quem tem grana (muita) a juros negativos.

    Sem contar os desarranjos com indícios criminais ou de burrice, no caso do dólar.

    É uma simples conta: não gastar o que não se tem. E procurar pagar o que deve.

    O que o governo, por burrice - vamos pegar leve - faz a sociedade pagar em um mês de incompetência, pela perda do valor de compra do $D frente ao dólar, pagaria facilmente mais de 3 anos de um PCS cheio!!!!

    Ou as hilux compradas com juros negativos e debitadas em fenômenos da natureza. Entendedores entenderão.

    Ou o que se gasta em saúde pela teimosia de não se investir em educação/saneamento básico...

    Enfim, estou falando de querer ser solução, não problema.

    Não é ser puramente técnico. É só não ser politicamente burro.
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    Mensagem por cicero_pb Ter 03 Nov 2015, 11:46 am

    Exemplos (mais) simples:

    - Acabar com os tapinhas nas costas de construtoras e montadoras;

    - Aderir ao livre comércio de eletrônicos, onde SOMENTE 98% do mundo faz parte;

    - Aumentar a produtividade;

    Um exemplo que sinto na carne: Custa para a sociedade, por 5 horas e meia de trabalho, de um analista (sem penduricalhos) ou um técnico (com algum penduricalho) uma licença do office da microsoft.

    Pois bem, para economizar, o governo não compra o office. Adota o software livre.

    Trabalhamos com arquivos com mais de 100 mil linhas. O software "de graça" engasga.

    Quando roda, demora umas 4 horas o que o excel faz em 20 minutos...

    Agora é só fazer as contas...

    De outra esfera: um sujeito em goiânia criou um sistema para reaproveitar a água. Desembolsou mil reais e muito trabalho.

    A cia de água (do governo) resolveu cobrar em dobro o tratamento de esgoto. Ele estaria "trapaceando".

    Na minha visão, recebia uma medalha, incentivo para ministrar cursos e montar kit's econômicos para se espalhar para a banânia e teria, pelo menos, 10 anos livre do custo de água...

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    Mensagem por corujito Ter 03 Nov 2015, 11:53 am

    Mas é exatamente esse o ponto.

    Com Hilux comprada a juro negativo temos menos bois abatidos do que seria o ideal para os mercados interno e externo.

    É porque realmente parece muito fácil pensar que cortando a teta tudo vai se acertar e melhorar. Teremos um setor privado quase independente do Estado procurando se manter e oferecendo vantagens para um aumento significativo da poupança, que o irrigaria para os investimentos. Tudo lindo, exatamente como diz a cartilha.

    Mas não haveria outra conclusão senão de que somos, nós 5 ou 6, todos mais inteligentes, sábios e astutos do que todos desde Vargas.

    "Investir em educação"? Em que sentido? Quais são as ações reais e práticas por trás desse "investir em educação"?
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    Mensagem por corujito Ter 03 Nov 2015, 12:05 pm

    Como disse, é o mesmo caso da Telebrás.

    O Lula chamou as teles pra fazer no Brasil o maior projeto de expansão da oferta de Banda Larga (PNBL) do mundo. Ofereceu até a bunda para as teles entrarem. Ninguém quis (queriam mais, muito mais). Ele diz que se as teles não entram, ele bota a Telebrás na parada...

    e o que vai acontecer, ao final? As mesmas teles vão entrar pela porta dos fundos da Telebrás naquela velha putaria de estatal.
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    Mensagem por cicero_pb Ter 03 Nov 2015, 12:16 pm

    No caso citado, estou falando de educação de forma restritiva. Falei para a saúde mesmo.

    Tipo campanha de vacinação (lembra do zé gotinha? Foi propaganda do sarney, mas funcionou).

    Martelar na cabeça do bananense que é produtivo não ter ----- na rua, convencer até os políticos que adotar o saneamento é ser inteligente (há uma propaganda nesse sentido em natal/rn).

    Ou os órgãos públicos adotando um símbolo, como no caso do outubro rosa.

    Poderia ter até alguma frase de efeito, tipo: "não cague fora da privada".

    Sacanagem à parte, chama os formados em propaganda.

    Sabia que o banco mundial financia esse tipo de projeto? Agora precisamos ser sérios.

    Há uma desconfiança global com esse país.

    Não sem razão.
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    Mensagem por cicero_pb Ter 03 Nov 2015, 12:27 pm

    Já pensou (a despeito do efeito bolha imobiliaria) - que o governo poderia ter exigido, como condição para liberção do crédito, ou mesmo do habite-se, que TODAS as residências futuras (novas) tenham rede de esgoto funcional e que as prefeituras tenham incentivos ou MULTAS acaso tenha esgoto não tratado jogado na natureza? Ainda, multas pesadas para indústrias que gerem dejetos não tratados?

    Por que se consegue que as multas de trânsito sejam pagas e as multas por jogar esgoto não tratado ou clandestino é tão difícil?
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    Mensagem por corujito Ter 03 Nov 2015, 12:42 pm

    Mas o saneamento já é uma exigência do MCMV. Sempre foi.

    E foi exatamente esse um dos maiores entraves do programa nas faixas de renda mais baixas. E também o maior motivador de inflação/especulação/bolha. No fim das contas, as famílias com renda menor tiveram de adquirir imóveis com preço estimado para famílias com o dobro da renda.

    Estados e municípios são entes quebrados de dívidas. Ameaças de endividá-los ainda mais nunca surtiram efeito.

    Na economia brasileira parece que a regra é o tiro sair pela culatra
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    Mensagem por cicero_pb Ter 03 Nov 2015, 1:07 pm

    ôpa, negativo.

    A galera tem enchido os bolsos e as casas estão sem saneamento (as novas).

    Na verdade, as casas do mcmv - de módicos 120 mil - são praticamente iguais à da música: "era uma casa muito engraçada. Não tinha teto, não tinha nada..."

    O impressionante é que conseguem fazer nada de 43m2...

    As cidades do nordeste - as que conheço - continuam fedendo a cocô, pois o esgoto nao é tratado (quando existe).

    E toca essa bagaça.
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    Mensagem por corujito Ter 03 Nov 2015, 1:11 pm

    mas aí não é por falha na concepção do MCMV.

    provavelmente não são engenheiros da própria Caixa que estão vistoriando os imóveis, mas "autorizados".

    Teria que ver. Eu sei que o saneamento é uma das exigência do programa, mas a exigência se restringe ao imóvel. Ou seja, sei que exige-se terreno em área que tenha saneamento e que se faça a ligação. Agora, quando não há saneamento nenhum (realidade de muitos municípios), não sei como se resolve.

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    Mensagem por corujito Ter 03 Nov 2015, 1:12 pm

    E tem também a treta orçamentária Recursos para saúde vs. Saneamento básico.
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    Mensagem por josebarbos Ter 03 Nov 2015, 1:56 pm

    cicero_pb escreveu:Exemplos (mais) simples:

    - Acabar com os tapinhas nas costas de construtoras e montadoras;

    - Aderir ao livre comércio de eletrônicos, onde SOMENTE 98% do mundo faz parte;

    - Aumentar a produtividade;

    Um exemplo que sinto na carne: Custa para a sociedade, por 5 horas e meia de trabalho, de um analista (sem penduricalhos) ou um técnico (com algum penduricalho) uma licença do office da microsoft.

    Pois bem, para economizar, o governo não compra o office. Adota o software livre.

    Trabalhamos com arquivos com mais de 100 mil linhas. O software "de graça" engasga.

    Quando roda, demora umas 4 horas o que o excel faz em 20 minutos...

    Agora é só fazer as contas...

    De outra esfera: um sujeito em goiânia criou um sistema para reaproveitar a água. Desembolsou mil reais e muito trabalho.

    A cia de água (do governo) resolveu cobrar em dobro o tratamento de esgoto. Ele estaria "trapaceando".

    Na minha visão, recebia uma medalha, incentivo para ministrar cursos e montar kit's econômicos para se espalhar para a banânia e teria, pelo menos, 10 anos livre do custo de água...


    Prezado, tenho que puxar a sardinha para o software livre.

    É preciso ver porque os arquivos estão dando este problema. Só para começar, por simples empirismo, alguns softwares tem desempenho muito superior rodando "nativamente" em software livre, como é o caso do próprio libreoffice ou firefox num ambiente como ubuntu ou novell.

    Se o arquivo está demorando, chuto que em 98% dos casos o software livre ainda está dando conta de converter aquilo que, numa situação contrária, a versão proprietária simplesmente diria (não sei). Em último caso, se REALMENTE houver um problema, deveria o governo investir seus analistas, por algum projeto interessante, para que este estude e melhore o problema, devolvendo a nova versão à comunidade. Não é só uma questão de custos, mas de tecnologia, domínio das ferramentas e não comprar soluções prontas.

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    Mensagem por josebarbos Ter 03 Nov 2015, 2:01 pm

    corujito escreveu:Como disse, é o mesmo caso da Telebrás.

    O Lula chamou as teles pra fazer no Brasil o maior projeto de expansão da oferta de Banda Larga (PNBL) do mundo. Ofereceu até a bunda para as teles entrarem. Ninguém quis (queriam mais, muito mais). Ele diz que se as teles não entram, ele bota a Telebrás na parada...

    e o que vai acontecer, ao final? As mesmas teles vão entrar pela porta dos fundos da Telebrás naquela velha putaria de estatal.

    Conte-me mais sobre o caso. O Brasil é um país que não tem nem rodovia, que o diga fibra ótica, e cuja carga tributária em telecomunicações é astronômica. No mundo "civilizado" se fala em 5 a 10%, aqui passa dos 40%, fora impostos indiretos na importação de eletrônicos.

    Taí uma coisa que realmente o país precisa, mas quem estaria realmente disposto a pagar. Em dois anos morando aqui na roça, foram dois vizinhos que me procuraram, bateram na minha porta e propuseram "dividir por zero", digo, dividir a internet. Mesmo que aqui tivesse 30,50 ou 100 mbps, não o faria; mas aí é até o comodismo do cara que além de ter banda curta, prefere dividir para economizar mais um trocado. Nisto, não dá para tirar a razão das operadoras fornecerem bons serviços para meia dúzia de bairros ricos nas maiores metrópoles, onde realmente tiram um lucro.
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    Mensagem por corujito Ter 03 Nov 2015, 2:37 pm

    as teles vão entrar. Mas vão entrar na condição que eu mencionei.

    o PNBL é um programa político. Há no PT quem acredite que ele pode adiantar a morte da mídia tradicional.
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    Mensagem por cicero_pb Ter 03 Nov 2015, 5:54 pm

    Josebarbos,

    MP explicando porque é burrice a utilizacao de software livre em algumas áreas.

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