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    Reforma da Previdência (versão 2016.2)

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    Mensagem por ale1969 Qui 26 Out 2017, 8:47 am

    jornalista escreveu:Claro que a previdência tem um aspecto social. O problema é outro: teremos déficit ou não. Governos socialistas optam pelo déficit, casos do governo petista. A questão é saber se a sociedade quer isso ou não (déficit e suas consequências). Países escandinavos ficaram ricos e foram implementando políticas sociais sem déficit. Países pobres que fazem isso tem que arcar com as consequências como a Venezuela. A opção é política mas também de ordem prática.




    Na América do Sul apenas uma vez houve um Presidente socialista de verdade. Chile, Salvador Allende, morto por militares a serviço do "Patrâo" em 1973. No Brasil, em particular o PT, não houve governos socialistas, no máximo sociais democratas.
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    Mensagem por ale1969 Qui 26 Out 2017, 9:01 am

    jornalista escreveu:
    Protocol escreveu:
    androsvilazza escreveu: ...

    A propósito, as medidas pontuais que parecem mais possíveis de serem aprovadas no curto prazo são: estabelecimento de alguma idade mínima (não sei se os mesmos 60/65), e o aumento da alíquota para os servidores.

    A idade mínima, ao contrário do tempo de contribuição, se não estou enganado, depende de PEC.

    Será que o governo vai ter força para qualquer mudança na previdência?
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    Acredite, é parte do "pacote" contratado por Temer. Também não acredito para 2017 e 2018, agora no próximo governo será prioridade. Cabe aos brasileiros a opção, cada um com seu voto e sua participação no político. A eleição mais importante não é para Presidente, pois tanto faz Lula, Bolsonaro, Marina, Dória, Hulk e talves até mesmo Ciro Gomes. Os Deputados Federais e Senadores serão os responsáveis pela reforma.
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    Mensagem por jornalista Qui 26 Out 2017, 9:46 am

    ale1969 escreveu:
    jornalista escreveu:Claro que a previdência tem um aspecto social. O problema é outro: teremos déficit ou não. Governos socialistas optam pelo déficit, casos do governo petista. A questão é saber se a sociedade quer isso ou não (déficit e suas consequências). Países escandinavos ficaram ricos e foram implementando políticas sociais sem déficit. Países pobres que fazem isso tem que arcar com as consequências como a Venezuela. A opção é política mas também de ordem prática.




    Na América do Sul apenas uma vez houve um Presidente socialista de verdade. Chile, Salvador Allende, morto por militares a serviço do "Patrâo" em 1973. No Brasil, em particular o PT, não houve governos socialistas, no máximo sociais democratas.  
    Os socialistas costumam dizer que não houve ou há verdadeiros líderes socialistas, que não houve ou há país verdadeiramente socialista, que não há direita e esquerda etc. Balela. A variação da intensidade é irrelevante. Pra mim o psdb é socialista, fabiano mas é. Mas voltando à reforma, até o mito se eleito terá dificuldades por ter sido contra. Hoje o problema é a fraqueza do Temer; em 2018 será a eleição. Em 2019 qual será a desculpa? Minoria no parlamento? Aguardemos.
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    Mensagem por androsvilazza Qui 26 Out 2017, 10:41 am

    Protocol escreveu:
    androsvilazza escreveu: ...

    A propósito, as medidas pontuais que parecem mais possíveis de serem aprovadas no curto prazo são: estabelecimento de alguma idade mínima (não sei se os mesmos 60/65), e o aumento da alíquota para os servidores.

    A idade mínima, ao contrário do tempo de contribuição, se não estou enganado, depende de PEC.

    Será que o governo vai ter força para qualquer mudança na previdência?

    Sim, depende de PEC, mas é um dos pontos alegadamente de mais fácil consenso, e menor resistência no Congresso.
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    Mensagem por androsvilazza Qui 26 Out 2017, 11:02 am

    ale1969 escreveu:
    jornalista escreveu:Claro que a previdência tem um aspecto social. O problema é outro: teremos déficit ou não. Governos socialistas optam pelo déficit, casos do governo petista. A questão é saber se a sociedade quer isso ou não (déficit e suas consequências). Países escandinavos ficaram ricos e foram implementando políticas sociais sem déficit. Países pobres que fazem isso tem que arcar com as consequências como a Venezuela. A opção é política mas também de ordem prática.




    Na América do Sul apenas uma vez houve um Presidente socialista de verdade. Chile, Salvador Allende, morto por militares a serviço do "Patrâo" em 1973. No Brasil, em particular o PT, não houve governos socialistas, no máximo sociais democratas.  

    Allende adotou as mesmas medidas que os governos Chávez e Maduro vêm adotando, com basicamente as mesmas consequências. Só não teve tempo de aprofundar tanto:

    - expropriação de empresas e terrenos privados; levando à queda vertiginosa na produção e investimentos;
    - para compensar o problema acima, estímulo à economia e "distribuição de renda" por meio da emissão de moeda;
    - para evitar a hiperinflação, consequência direta da medida acima, tentou efetuar restrito controle de preços (além da Venezuela atual, tal medida também foi tentada no Brasil, em períodos de hiperinflação);
    - consequências do controle surreal de preços: racionamento de produtos, com o surgimento de mercado negro para os produtos racionados; e adoção de cotação paralela da moeda no mercado negro, a fim de refletir o valor real da moeda - descolamento total da cotação oficial em relação à cotação real;
    - consequência da disparidade entre a cotação oficial e externa - descontrole da balança comercial, afinal as transações com outros países levam em consideração a cotação real, e não a estipulada unilateralmente pelo governo;
    - incapacidade de pagamento da dívida externa - no Chile foi declarada a bancarrota. A Venezuela ainda não chegou a este ponto.

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    Mensagem por Ilhense Qui 26 Out 2017, 11:09 am

    jornalista escreveu:
    ale1969 escreveu:
    jornalista escreveu:Claro que a previdência tem um aspecto social. O problema é outro: teremos déficit ou não. Governos socialistas optam pelo déficit, casos do governo petista. A questão é saber se a sociedade quer isso ou não (déficit e suas consequências). Países escandinavos ficaram ricos e foram implementando políticas sociais sem déficit. Países pobres que fazem isso tem que arcar com as consequências como a Venezuela. A opção é política mas também de ordem prática.




    Na América do Sul apenas uma vez houve um Presidente socialista de verdade. Chile, Salvador Allende, morto por militares a serviço do "Patrâo" em 1973. No Brasil, em particular o PT, não houve governos socialistas, no máximo sociais democratas.  
    Os socialistas costumam dizer que não houve ou há verdadeiros líderes socialistas, que não houve ou há país verdadeiramente socialista, que não há direita e esquerda etc. Balela. A variação da intensidade é irrelevante. Pra mim o psdb é socialista, fabiano mas é. Mas voltando à reforma, até o mito se eleito terá dificuldades por ter sido contra. Hoje o problema é a fraqueza do Temer; em 2018 será a eleição. Em 2019 qual será a desculpa? Minoria no parlamento? Aguardemos.

    Acho que o grande problema é que discutimos a previdência e responsabilizamos o "andar de baixo", como se também não estivéssemos nele. As vezes nos esquecemos do caráter da previdência, do que a nossa CF tem como princípio. Também somos acomodados ao não olhar para as pessoas, a maioria, diga - se, que está por trás dos números e sequer tem consciência do porvir.

    Enfim, não verificamos também o porquê da vultosa dívida pública. Não contestamos os juros que a lastreiam. Pergunto: para onde essa quantia abundante de dinheiro tem ido todos esses anos?

    Está claro que não seremos beneficiários da política econômica que se pretende implantar. Na verdade, quando resolverem a questão previdenciária, assumiremos o protagonismo como maior símbolo do estado ineficiente, dispendioso e paternalista que se quer eliminar.

    Aliás, antes que alguém diga, já estamos nesse barco. Porém, sem a previdência, o processo deve se acelerar.

    Então, por que dar respaldo a medidas que partem de um grupo manifestamente corrupto, imbrincado até o pescoço com o alto empresariado, banqueiros e especuladores?

    As provas acerca disso são postas todos os dias sobre a mesa.

    Por que assumirmos um discurso tendencioso e até certo ponto imoral, de um grupo ilegítimo e que jamais alçaria o poder em condições normais?
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    Mensagem por androsvilazza Qui 26 Out 2017, 11:10 am

    jornalista escreveu:
    ale1969 escreveu:
    jornalista escreveu:Claro que a previdência tem um aspecto social. O problema é outro: teremos déficit ou não. Governos socialistas optam pelo déficit, casos do governo petista. A questão é saber se a sociedade quer isso ou não (déficit e suas consequências). Países escandinavos ficaram ricos e foram implementando políticas sociais sem déficit. Países pobres que fazem isso tem que arcar com as consequências como a Venezuela. A opção é política mas também de ordem prática.




    Na América do Sul apenas uma vez houve um Presidente socialista de verdade. Chile, Salvador Allende, morto por militares a serviço do "Patrâo" em 1973. No Brasil, em particular o PT, não houve governos socialistas, no máximo sociais democratas.  
    Os socialistas costumam dizer que não houve ou há verdadeiros líderes socialistas, que não houve ou há país verdadeiramente socialista, que não há direita e esquerda etc. Balela. A variação da intensidade é irrelevante. Pra mim o psdb é socialista, fabiano mas é. Mas voltando à reforma, até o mito se eleito terá dificuldades por ter sido contra. Hoje o problema é a fraqueza do Temer; em 2018 será a eleição. Em 2019 qual será a desculpa? Minoria no parlamento? Aguardemos.

    O comunismo e o socialismo deram errado em todo lugar onde foram tentados. Portanto, no argumento socialista, nunca houve um verdadeiro líder socialista/comunista, nunca houve um regime socialista/comunista de verdade, e quando se aproximaram disto, foram sabotados por agentes externos (imperialismo, EUA, capitalismo, elites, os inimigos de sempre). Na minha humilde opinião, o culpado de fato é a realidade, que teima em não se adequar à teoria apregoada. A culpa é do ser humano, que teima em não se curvar aos preceitos da tese socialista. Aliás, a culpa também é da natureza, já que mesmo os animais menos racionais insistem em se apegar à noção de propriedade e território. Se tudo funcionasse exatamente como na teoria, sem sabotagens, seria perfeito.
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    Mensagem por Rengaw Qui 26 Out 2017, 11:54 am

    Alguém sabe se o CSJT irá baixar alguma portaria tranferindo o feriado do dia 28/10 para 03/11 também para os TRTs? pale
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    Mensagem por androsvilazza Qui 26 Out 2017, 12:30 pm

    Ilhense escreveu:

    Acho que o grande problema é que discutimos a previdência e responsabilizamos o "andar de baixo", como se também não estivéssemos nele. As vezes nos esquecemos do caráter da previdência, do que a nossa CF tem como princípio. Também somos acomodados ao não olhar para as pessoas, a maioria, diga - se, que está por trás dos números e sequer tem consciência do porvir.

    Enfim, não verificamos também o porquê da vultosa dívida pública. Não contestamos os juros que a lastreiam. Pergunto: para onde essa quantia abundante de dinheiro tem ido todos esses anos?

    Está claro que não seremos beneficiários da política econômica que se pretende implantar. Na verdade, quando resolverem a questão previdenciária, assumiremos o protagonismo como maior símbolo do estado ineficiente, dispendioso e paternalista que se quer eliminar.

    Aliás, antes que alguém diga, já estamos nesse barco. Porém, sem a previdência, o processo deve se acelerar.

    Então, por que dar respaldo a medidas que partem de um grupo manifestamente corrupto, imbrincado até o pescoço com o alto empresariado, banqueiros e especuladores?

    As provas acerca disso são postas todos os dias sobre a mesa.

    Por que assumirmos um discurso tendencioso e até certo ponto imoral, de um grupo ilegítimo e que jamais alçaria o poder em condições normais?

    Huum, discurso bonito mas, a meu ver, completamente desconexo da realidade.

    Não responsabilizo "andar de baixo", a responsabilidade obviamente é da má gestão e falta de planejamento históricos no Brasil, inclusive por nunca haver preocupação política em ir fazendo pequenas mudanças pontuais no regime previdenciário, preferindo sempre a mudança brusca quando se atinge uma situação inaceitável. Mas, convenhamos, apontar culpados nunca resolveu qualquer problema; o necessário é apontar soluções. Choveu e molhou sua casa. "Ah, a culpa é do pedreiro que não fez a laje direito!" Bom, muito bom! Mas você não vai pegar um balde e jogar a água pra fora? Não vai tentar tapar o buraco por onde jorra a água? Ou vai ficar na posição fácil de apontar o culpado, cruzar os braços com um sorrisinho de superioridade por ter sido tão inteligente a ponto de descobrir o culpado, enquanto a água lhe alcança o traseiro?

    Quanto ao "caráter da previdência, do que a nossa CF tem como princípio", também concordo que devemos garantir os direitos sociais, nunca discordei disso. A diferença é que eu acredito que, para se prover algo, há etapas práticas, pré-requisitos reais, que devem ser atendidos. Condições, que não estão previstas no papel com a mesma ênfase que os direitos. Sem medidas práticas, uma prescrição constitucional é apenas uma prescrição, sem efeitos reais. Todos temos direito à vida, enquanto 60 mil brasileiros são assassinados no Brasil, anualmente; todos temos direito à educação, embora existam 13 milhões de analfabetos no Brasil, segundo a UNESCO, descontados os analfabetos funcionais; todos temos direito à saúde, enquanto incontáveis morrem em filas de hospitais; todos têm direito à previdência e assistência sociais, mas sem recursos isto não será alcançado.

    A questão dos juros é outra questão cuja discussão merece ir além da constatação óbvia de que "os juros são altos no Brasil". Isso é uma questão óbvia: não basta apenas querer abaixar os juros, é necessária a criação de macroestruturas que possibilitem tal medida. A gerentona esqueceu das lições básicas que aprendeu no seu curso de Economia, decidiu abaixar os juros na canetada em 2012 e trouxe vários reflexos negativos à economia, o mais notável deles a escalada da inflação. Não se pode relevar as questões mais importantes sobre o tema: "Por que os juros são altos no Brasil?" "É meramente por decisão política?" "Quais outros fatores têm influência sobre a taxa de juros?" "Quais as consequências da redução/elevação da taxa de juros, sobre as várias áreas da economia?" "Quais medidas adotar para possibilitar a redução sustentável da taxa de juros?", dentre várias outras questões. A economia é como o jogo de pega-varetas: não dá pra olhar uma das varetas de baixo, meter a mão pra pegá-la, e achar que isto não vai afetar as demais varetas da pilha. Ou você retira as varetas, uma a uma, obedecendo à ordem correta, ou o desastre é certo. No ponto dos juros, o Brasil é como um trabalhador endividado, que precisa o tempo todo fazer novas dívidas para pagar as antigas e sustentar os gastos atuais. Não basta chegar do nada, dizer que "vou pagar no máximo a taxa de juro X" e achar que isto não traz outras consequências.

    Já em relação à "falácia da autoridade às avessas", já expus aqui meu posicionamento. Nos cabe discutir as medidas, pautas e ideias, e esta deveria ser, na minha humilde opinião, também o posicionamento dos políticos. Aceitar ou refutar uma medida cegamente, só por ter sido proposta por sujeito X ou Y, é de uma pobreza intelectual imensa. Deve-se ouvir os sábios com humildade e escutar aos conselhos dos malandros com cautela, mas é importante tomar as próprias conclusões a respeito do tema discutido, seja para concordar ou discordar. Principalmente, se levarmos em consideração o ciclo democrático no Brasil: cada governo dura 4 anos, mas as medidas (acertadas ou equivocadas) terão efeitos duradouros. Se ficarmos apenas apoiando ou combatendo o governo X ou Y, sem efetivamente discutir as ideias, o governo passa; mas e o país? Não me furto a discutir toda e qualquer medida proposta, sem me interessar quem a propôs (mesmo sabendo que não é esse o tipo de discussão normalmente levada a cabo no parlamento, que tem um nível baixíssimo no Brasil). Não precisamos praticar o mesmo tipo de política que nossos deputados e senadores, adequando os discursos ao governo de turno.
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    Mensagem por Ilhense Qui 26 Out 2017, 8:55 pm

    androsvilazza escreveu:
    Ilhense escreveu:

    Acho que o grande problema é que discutimos a previdência e responsabilizamos o "andar de baixo", como se também não estivéssemos nele. As vezes nos esquecemos do caráter da previdência, do que a nossa CF tem como princípio. Também somos acomodados ao não olhar para as pessoas, a maioria, diga - se, que está por trás dos números e sequer tem consciência do porvir.

    Enfim, não verificamos também o porquê da vultosa dívida pública. Não contestamos os juros que a lastreiam. Pergunto: para onde essa quantia abundante de dinheiro tem ido todos esses anos?

    Está claro que não seremos beneficiários da política econômica que se pretende implantar. Na verdade, quando resolverem a questão previdenciária, assumiremos o protagonismo como maior símbolo do estado ineficiente, dispendioso e paternalista que se quer eliminar.

    Aliás, antes que alguém diga, já estamos nesse barco. Porém, sem a previdência, o processo deve se acelerar.

    Então, por que dar respaldo a medidas que partem de um grupo manifestamente corrupto, imbrincado até o pescoço com o alto empresariado, banqueiros e especuladores?

    As provas acerca disso são postas todos os dias sobre a mesa.

    Por que assumirmos um discurso tendencioso e até certo ponto imoral, de um grupo ilegítimo e que jamais alçaria o poder em condições normais?

    Huum, discurso bonito mas, a meu ver, completamente desconexo da realidade.

    Não responsabilizo "andar de baixo", a responsabilidade obviamente é da má gestão e falta de planejamento históricos no Brasil, inclusive por nunca haver preocupação política em ir fazendo pequenas mudanças pontuais no regime previdenciário, preferindo sempre a mudança brusca quando se atinge uma situação inaceitável. Mas, convenhamos, apontar culpados nunca resolveu qualquer problema; o necessário é apontar soluções. Choveu e molhou sua casa. "Ah, a culpa é do pedreiro que não fez a laje direito!" Bom, muito bom! Mas você não vai pegar um balde e jogar a água pra fora? Não vai tentar tapar o buraco por onde jorra a água? Ou vai ficar na posição fácil de apontar o culpado, cruzar os braços com um sorrisinho de superioridade por ter sido tão inteligente a ponto de descobrir o culpado, enquanto a água lhe alcança o traseiro?

    Quanto ao "caráter da previdência, do que a nossa CF tem como princípio", também concordo que devemos garantir os direitos sociais, nunca discordei disso. A diferença é que eu acredito que, para se prover algo, há etapas práticas, pré-requisitos reais, que devem ser atendidos. Condições, que não estão previstas no papel com a mesma ênfase que os direitos. Sem medidas práticas, uma prescrição constitucional é apenas uma prescrição, sem efeitos reais. Todos temos direito à vida, enquanto 60 mil brasileiros são assassinados no Brasil, anualmente; todos temos direito à educação, embora existam 13 milhões de analfabetos no Brasil, segundo a UNESCO, descontados os analfabetos funcionais; todos temos direito à saúde, enquanto incontáveis morrem em filas de hospitais; todos têm direito à previdência e assistência sociais, mas sem recursos isto não será alcançado.

    A questão dos juros é outra questão cuja discussão merece ir além da constatação óbvia de que "os juros são altos no Brasil". Isso é uma questão óbvia: não basta apenas querer abaixar os juros, é necessária a criação de macroestruturas que possibilitem tal medida. A gerentona esqueceu das lições básicas que aprendeu no seu curso de Economia, decidiu abaixar os juros na canetada em 2012 e trouxe vários reflexos negativos à economia, o mais notável deles a escalada da inflação. Não se pode relevar as questões mais importantes sobre o tema: "Por que os juros são altos no Brasil?" "É meramente por decisão política?" "Quais outros fatores têm influência sobre a taxa de juros?" "Quais as consequências da redução/elevação da taxa de juros, sobre as várias áreas da economia?" "Quais medidas adotar para possibilitar a redução sustentável da taxa de juros?", dentre várias outras questões. A economia é como o jogo de pega-varetas: não dá pra olhar uma das varetas de baixo, meter a mão pra pegá-la, e achar que isto não vai afetar as demais varetas da pilha. Ou você retira as varetas, uma a uma, obedecendo à ordem correta, ou o desastre é certo. No ponto dos juros, o Brasil é como um trabalhador endividado, que precisa o tempo todo fazer novas dívidas para pagar as antigas e sustentar os gastos atuais. Não basta chegar do nada, dizer que "vou pagar no máximo a taxa de juro X" e achar que isto não traz outras consequências.

    Já em relação à "falácia da autoridade às avessas", já expus aqui meu posicionamento. Nos cabe discutir as medidas, pautas e ideias, e esta deveria ser, na minha humilde opinião, também o posicionamento dos políticos. Aceitar ou refutar uma medida cegamente, só por ter sido proposta por sujeito X ou Y, é de uma pobreza intelectual imensa. Deve-se ouvir os sábios com humildade e escutar aos conselhos dos malandros com cautela, mas é importante tomar as próprias conclusões a respeito do tema discutido, seja para concordar ou discordar. Principalmente, se levarmos em consideração o ciclo democrático no Brasil: cada governo dura 4 anos, mas as medidas (acertadas ou equivocadas) terão efeitos duradouros. Se ficarmos apenas apoiando ou combatendo o governo X ou Y, sem efetivamente discutir as ideias, o governo passa; mas e o país? Não me furto a discutir toda e qualquer medida proposta, sem me interessar quem a propôs (mesmo sabendo que não é esse o tipo de discussão normalmente levada a cabo no parlamento, que tem um nível baixíssimo no Brasil). Não precisamos praticar o mesmo tipo de política que nossos deputados e senadores, adequando os discursos ao governo de turno.

    Olha, entendo o que quer dizer e o seu discurso acaba sendo justamente o resultado desse emparedamento a que atualmente estamos sujeitos.

    Digo isso porque gosto de temas ligados à economia e nesse sentido acompanho o pensamento que é difundido na imprensa especializada.

    Também tenho gosto por ler e ouvir analistas, principalmente de grandes corretoras e consultoras e o repertório é muito similar a esse. A receita é conhecida e é o que vem sustentando o governo Temer até o momento.

    Sei que a falta de medidas orgânicas acaba por esvaziar muitos dos institutos constitucionais e, por vezes, reduzem a CF a uma bela carta de intenções.

    Creio, no entanto, que o pensamento que se quer aplicar é unilateral, pois tecnifica motivadamente o debate, de modo a se distanciar de qualquer viés crítico e antagônico.

    Não só isso: desumaniza a questão e tiraniza a solução.

    A falta de empatia é o que nutre esse sistema e é o que em breve irá nos massacrar enquanto classe.

    Em que pese a previdência social responder por parte do orçamento da união, os gastos orçamentários para rolagem da dívida são maiores, muito maiores, e tendem a justificar a perspectiva de que se crie um superavit primário para absorver parte dos juros que compõem o seu montante.

    O que questiono é que esse suspense criado quanto ao afogamento da credibilidade brasileira junto às casas de análise internacionais seria o engodo perfeito para, em contrapartida, afogarmos o grosso das pessoas que, bem ou mal, dependem dos serviços não apenas previdenciários, mas da própria seguridade social.

    Esse "abocanhamento" não pode ser talhado apenas pelo olhar financeiro ou matemático. Essa invasão sobre os recursos destinados, principalmente, aos setores menos favorecidos da população, deve ser bem estudada, com debate público, permitindo - se o resgate da origem histórica da dívida, sua legitimidade e o embasamento que permitiu a estruturação dos juros aplicados.

    Essa seria a forma decente, razoável. Vão questionar os entraves políticos, o corporativismo reinante, mas enfim, é o preço a se pagar em um sistema verdadeiramente democrático.

    Imagine quando resolverem acabar com a estabilidade dos servidores públicos e desalojar boa parte na rua? É o que esse sistema pede e é o que vem buscando alimentar enquanto ideologia.

    Não discutimos nada que aporte recursos sob outras perspectivas, como a cobrança de IR sobre os dividendos das ações ou a regulamentação do Imposto sobre Grandes Fortunas, para ficar só em dois exemplos.

    Discutir a auditoria da dívida pública é tratado como esquizofrenia e é até motivo de chacota. Acaba sendo uma forma de desconstrução, pois é inconveniente, é o boi na sala que acaba trazendo os setores dominantes para o palco.

    Não vou me estender pois só queria tornar mais transparente o meu ponto de vista. Concordo que a redução à fórceps da taxa de juros, afora as desonerações e a rasteira dada no setor elétrico contribuíram para a mazela que estamos vivendo. Dilma quis deixar uma marca em sua passagem e, infelizmente, conseguiu.

    As condições para a redução dos juros hoje existem e são resultado do ótimo controle demonstrado pelo BC, que soube atuar de forma prudente, sinalizando ao mercado suas ações de modo competente.

    Por outro lado, não é apenas essa face da moeda que emoldura o governo Temer e nem são todas as medidas que se pautam por reativar a economia. Tal raciocínio seria muito ingênuo e é por isso que muito de que se tem produzido em matéria trabalhista, eleitoral e mesmo previdenciária merece um debate aprofundado.

    Não trata - se apenas da legitimidade, portanto, mas das medidas que vem se impondo em razão da ausência desta.

    Estamos falando de privilégios intocáveis e de provável precarização nas condições de vida das pessoas. A devassa que recaiu sobre o mundo político demonstra o peso que as relações com o empresariado produziram em suas ações. Ou seja, leis promulgadas calcadas no discurso técnico acobertando objetivos pessoais, financeiros e mesmo de poder.
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    Mensagem por androsvilazza Qui 26 Out 2017, 9:41 pm

    Ilhense escreveu:
    androsvilazza escreveu:
    Ilhense escreveu:

    Acho que o grande problema é que discutimos a previdência e responsabilizamos o "andar de baixo", como se também não estivéssemos nele. As vezes nos esquecemos do caráter da previdência, do que a nossa CF tem como princípio. Também somos acomodados ao não olhar para as pessoas, a maioria, diga - se, que está por trás dos números e sequer tem consciência do porvir.

    Enfim, não verificamos também o porquê da vultosa dívida pública. Não contestamos os juros que a lastreiam. Pergunto: para onde essa quantia abundante de dinheiro tem ido todos esses anos?

    Está claro que não seremos beneficiários da política econômica que se pretende implantar. Na verdade, quando resolverem a questão previdenciária, assumiremos o protagonismo como maior símbolo do estado ineficiente, dispendioso e paternalista que se quer eliminar.

    Aliás, antes que alguém diga, já estamos nesse barco. Porém, sem a previdência, o processo deve se acelerar.

    Então, por que dar respaldo a medidas que partem de um grupo manifestamente corrupto, imbrincado até o pescoço com o alto empresariado, banqueiros e especuladores?

    As provas acerca disso são postas todos os dias sobre a mesa.

    Por que assumirmos um discurso tendencioso e até certo ponto imoral, de um grupo ilegítimo e que jamais alçaria o poder em condições normais?

    Huum, discurso bonito mas, a meu ver, completamente desconexo da realidade.

    Não responsabilizo "andar de baixo", a responsabilidade obviamente é da má gestão e falta de planejamento históricos no Brasil, inclusive por nunca haver preocupação política em ir fazendo pequenas mudanças pontuais no regime previdenciário, preferindo sempre a mudança brusca quando se atinge uma situação inaceitável. Mas, convenhamos, apontar culpados nunca resolveu qualquer problema; o necessário é apontar soluções. Choveu e molhou sua casa. "Ah, a culpa é do pedreiro que não fez a laje direito!" Bom, muito bom! Mas você não vai pegar um balde e jogar a água pra fora? Não vai tentar tapar o buraco por onde jorra a água? Ou vai ficar na posição fácil de apontar o culpado, cruzar os braços com um sorrisinho de superioridade por ter sido tão inteligente a ponto de descobrir o culpado, enquanto a água lhe alcança o traseiro?

    Quanto ao "caráter da previdência, do que a nossa CF tem como princípio", também concordo que devemos garantir os direitos sociais, nunca discordei disso. A diferença é que eu acredito que, para se prover algo, há etapas práticas, pré-requisitos reais, que devem ser atendidos. Condições, que não estão previstas no papel com a mesma ênfase que os direitos. Sem medidas práticas, uma prescrição constitucional é apenas uma prescrição, sem efeitos reais. Todos temos direito à vida, enquanto 60 mil brasileiros são assassinados no Brasil, anualmente; todos temos direito à educação, embora existam 13 milhões de analfabetos no Brasil, segundo a UNESCO, descontados os analfabetos funcionais; todos temos direito à saúde, enquanto incontáveis morrem em filas de hospitais; todos têm direito à previdência e assistência sociais, mas sem recursos isto não será alcançado.

    A questão dos juros é outra questão cuja discussão merece ir além da constatação óbvia de que "os juros são altos no Brasil". Isso é uma questão óbvia: não basta apenas querer abaixar os juros, é necessária a criação de macroestruturas que possibilitem tal medida. A gerentona esqueceu das lições básicas que aprendeu no seu curso de Economia, decidiu abaixar os juros na canetada em 2012 e trouxe vários reflexos negativos à economia, o mais notável deles a escalada da inflação. Não se pode relevar as questões mais importantes sobre o tema: "Por que os juros são altos no Brasil?" "É meramente por decisão política?" "Quais outros fatores têm influência sobre a taxa de juros?" "Quais as consequências da redução/elevação da taxa de juros, sobre as várias áreas da economia?" "Quais medidas adotar para possibilitar a redução sustentável da taxa de juros?", dentre várias outras questões. A economia é como o jogo de pega-varetas: não dá pra olhar uma das varetas de baixo, meter a mão pra pegá-la, e achar que isto não vai afetar as demais varetas da pilha. Ou você retira as varetas, uma a uma, obedecendo à ordem correta, ou o desastre é certo. No ponto dos juros, o Brasil é como um trabalhador endividado, que precisa o tempo todo fazer novas dívidas para pagar as antigas e sustentar os gastos atuais. Não basta chegar do nada, dizer que "vou pagar no máximo a taxa de juro X" e achar que isto não traz outras consequências.

    Já em relação à "falácia da autoridade às avessas", já expus aqui meu posicionamento. Nos cabe discutir as medidas, pautas e ideias, e esta deveria ser, na minha humilde opinião, também o posicionamento dos políticos. Aceitar ou refutar uma medida cegamente, só por ter sido proposta por sujeito X ou Y, é de uma pobreza intelectual imensa. Deve-se ouvir os sábios com humildade e escutar aos conselhos dos malandros com cautela, mas é importante tomar as próprias conclusões a respeito do tema discutido, seja para concordar ou discordar. Principalmente, se levarmos em consideração o ciclo democrático no Brasil: cada governo dura 4 anos, mas as medidas (acertadas ou equivocadas) terão efeitos duradouros. Se ficarmos apenas apoiando ou combatendo o governo X ou Y, sem efetivamente discutir as ideias, o governo passa; mas e o país? Não me furto a discutir toda e qualquer medida proposta, sem me interessar quem a propôs (mesmo sabendo que não é esse o tipo de discussão normalmente levada a cabo no parlamento, que tem um nível baixíssimo no Brasil). Não precisamos praticar o mesmo tipo de política que nossos deputados e senadores, adequando os discursos ao governo de turno.

    Olha, entendo o que quer dizer e o seu discurso acaba sendo justamente o resultado desse emparedamento a que atualmente estamos sujeitos.

    Digo isso porque gosto de temas ligados à economia e nesse sentido acompanho o pensamento que é difundido na imprensa especializada.

    Também tenho gosto por ler e ouvir analistas, principalmente de grandes corretoras e consultoras e o repertório é muito similar a esse. A receita é conhecida e é o que vem sustentando o governo Temer até o momento.

    Sei que a falta de medidas orgânicas acaba por esvaziar muitos dos institutos constitucionais e, por vezes, reduzem a CF a uma bela carta de intenções.

    Creio, no entanto, que o pensamento que se quer aplicar é unilateral, pois tecnifica motivadamente o debate, de modo a se distanciar de qualquer viés crítico e antagônico.

    Não só isso: desumaniza a questão e tiraniza a solução.

    A falta de empatia é o que nutre esse sistema e é o que em breve irá nos massacrar enquanto classe.

    Em que pese a previdência social responder por parte do orçamento da união, os gastos orçamentários para rolagem da dívida são maiores, muito maiores, e tendem a justificar a perspectiva de que se crie um superavit primário para absorver parte dos juros que compõem o seu montante.

    O que questiono é que esse suspense criado quanto ao afogamento da credibilidade brasileira junto às casas de análise internacionais seria o engodo perfeito para, em contrapartida, afogarmos o grosso das pessoas que, bem ou mal, dependem dos serviços não apenas previdenciários, mas da própria seguridade social.

    Esse "abocanhamento" não pode ser talhado apenas pelo olhar financeiro ou matemático. Essa invasão sobre os recursos destinados, principalmente, aos setores menos favorecidos da população, deve ser bem estudada, com debate público, permitindo - se o resgate da origem histórica da dívida, sua legitimidade e o embasamento que permitiu a estruturação dos juros aplicados.

    Essa seria a forma decente, razoável. Vão questionar os entraves políticos, o corporativismo reinante, mas enfim, é o preço a se pagar em um sistema verdadeiramente democrático.

    Imagine quando resolverem acabar com a estabilidade dos servidores públicos e desalojar boa parte na rua? É o que esse sistema pede e é o que vem buscando alimentar enquanto ideologia.

    Não discutimos nada que aporte recursos sob outras perspectivas, como a cobrança de IR sobre os dividendos das ações ou a regulamentação do Imposto sobre Grandes Fortunas, para ficar só em dois exemplos.

    Discutir a auditoria da dívida pública é tratado como esquizofrenia e é até motivo de chacota. Acaba sendo uma forma de desconstrução, pois é inconveniente, é o boi na sala que acaba trazendo os setores dominantes para o palco.

    Não vou me estender pois só queria tornar mais transparente o meu ponto de vista. Concordo que a redução à fórceps da taxa de juros, afora as desonerações e a rasteira dada no setor elétrico contribuíram para a mazela que estamos vivendo. Dilma quis deixar uma marca em sua passagem e, infelizmente, conseguiu.

    As condições para a redução dos juros hoje existem e são resultado do ótimo controle demonstrado pelo BC, que soube atuar de forma prudente, sinalizando ao mercado suas ações de modo competente.

    Por outro lado, não é apenas essa face da moeda que emoldura o governo Temer e nem são todas as medidas que se pautam por reativar a economia. Tal raciocínio seria muito ingênuo e é por isso que muito de que se tem produzido em matéria trabalhista, eleitoral e mesmo previdenciária merece um debate aprofundado.

    Não trata - se apenas da legitimidade,  portanto, mas das medidas que vem se impondo em razão da ausência desta.

    Estamos falando de privilégios intocáveis e de provável precarização nas condições de vida das pessoas. A devassa que recaiu sobre o mundo político demonstra o peso que as relações com o empresariado produziram em suas ações. Ou seja, leis promulgadas calcadas no discurso técnico acobertando objetivos pessoais, financeiros e mesmo de poder.

    like muito bem posto! É possível é importante construir, aos poucos, vários pontos de convergência e concordância, com respeito e argumentação bem fundamentada... Um problema que vejo é que as discussões políticas, especialmente no congresso, se pautam mais pela defesa de interesses de determinados grupos, do que propriamente pelo bem comum. Falta esforço de adequação das pautas à realidade da maioria, da coletividade, e não mera defesa das ideias dos grupos ditos representativos. Vemos muitos erros das entidades de defesa do trabalhador, e também dos ditos representantes do empresariado. Como exemplo, a defesa das desonerações setoriais pelas instituições de classe empresariais, que favoreceram alguns grandes empresários, em detrimento da maior parte dos pequenos empresários, que deveriam receber igual ou maior estímulo.
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    Mensagem por josebarbos Qui 26 Out 2017, 10:59 pm

    Ilhense escreveu:
    Olha, entendo o que quer dizer e o seu discurso acaba sendo justamente o resultado desse emparedamento a que atualmente estamos sujeitos.

    Digo isso porque gosto de temas ligados à economia e nesse sentido acompanho o pensamento que é difundido na imprensa especializada.

    Também tenho gosto por ler e ouvir analistas, principalmente de grandes corretoras e consultoras e o repertório é muito similar a esse. A receita é conhecida e é o que vem sustentando o governo Temer até o momento.

    Sei que a falta de medidas orgânicas acaba por esvaziar muitos dos institutos constitucionais e, por vezes, reduzem a CF a uma bela carta de intenções.

    Creio, no entanto, que o pensamento que se quer aplicar é unilateral, pois tecnifica motivadamente o debate, de modo a se distanciar de qualquer viés crítico e antagônico.

    Não só isso: desumaniza a questão e tiraniza a solução.

    A falta de empatia é o que nutre esse sistema e é o que em breve irá nos massacrar enquanto classe.

    Em que pese a previdência social responder por parte do orçamento da união, os gastos orçamentários para rolagem da dívida são maiores, muito maiores, e tendem a justificar a perspectiva de que se crie um superavit primário para absorver parte dos juros que compõem o seu montante.
    Não, meu caro. O Brasil está longe de gastar com juros o que se gasta. As pessoas confundem rolagem com amortização.
    Observe que os valores referentes ao refinanciamento da dívida pública aparecem tanto nas receitas quanto nas despesas. Entretanto, utilizam a ideia de que há apenas um gasto com isto.

    Veja o quadro resumo de receitas: [Você precisa estar registrado e conectado para ver este link.]
    E compare com as despesas: [Você precisa estar registrado e conectado para ver este link.]

    Ilhense escreveu:
    O que questiono é que esse suspense criado quanto ao afogamento da credibilidade brasileira junto às casas de análise internacionais seria o engodo perfeito para, em contrapartida, afogarmos o grosso das pessoas que, bem ou mal, dependem dos serviços não apenas previdenciários, mas da própria seguridade social.
    Aí mora o grande perigo de comprar a ideia do populismo. Quando queremos fazer mais podemos, em algum momento a fatura é cobrada, e com juros. Ou seja, o imediatismo resulta em um prejuízo maior para a coletividade.
    Ilhense escreveu:
    Esse "abocanhamento" não pode ser talhado apenas pelo olhar financeiro ou matemático. Essa invasão sobre os recursos destinados, principalmente, aos setores menos favorecidos da população, deve ser bem estudada, com debate público, permitindo - se o resgate da origem histórica da dívida, sua legitimidade e o embasamento que permitiu a estruturação dos juros aplicados.
    Infelizmente, até que surja outro meio de se realizar trocas voluntárias mais eficientes, dependemos de dinheiro para as nossas necessidades, e ele deve ser levado em consideração.

    Ilhense escreveu:
    Essa seria a forma decente, razoável. Vão questionar os entraves políticos, o corporativismo reinante, mas enfim, é o preço a se pagar em um sistema verdadeiramente democrático.
    Existe um sério problema em se agir num mundo ideal, no plano das ideias. A democracia é um sistema falho, até porque possui diversas vertentes. Entretanto, via de regra, seres humanos são desinteressados, de forma que aqueles que constroem relações de poder, pelos meios que são disponíveis, legitimam seus desejos através de uma massa de manobra, muitas vezes com discursos vazios ou mesmo mentirosos.
    Ilhense escreveu:
    Imagine quando resolverem acabar com a estabilidade dos servidores públicos e desalojar boa parte na rua? É o que esse sistema pede e é o que vem buscando alimentar enquanto ideologia.
    Este é um exemplo clássico. Devemos ponderar, via critérios justos e objetivos, que o servidor seja produtivo e avaliado por critérios facilmente comparáveis, de forma a impedir injustiças. A Administração Pública ainda não pode implementar este tipo de demissão, justamente por ainda estar muito longe de um modelo burocrático por natureza, que o diga gerencial.
    Ilhense escreveu:
    Não discutimos nada que aporte recursos sob outras perspectivas, como a cobrança de IR sobre os dividendos das ações ou a regulamentação do Imposto sobre Grandes Fortunas, para ficar só em dois exemplos.

    Na verdade, a tributação sobre dividendos já foi discutida, e o Brasil adota um modelo que tributa a empresa, e após, a distribuição dos dividendos é isenta sob pena de bitributação.
    Existe um quadro comparativo interessante sobre o quanto do lucro é tributado:
    [Você precisa estar registrado e conectado para ver esta imagem.]

    Vale lembrar que assim como a responsabilidade tributária (que na verdade é muito mais danosa à nossa economia), a receita prefere centralizar os tributos. Modificar o modelo hoje existente abre um monte de portas para a elisão e evasão fiscais.

    Sobre a tributação de grandes fortunas e heranças, caímos na mesma questão. Onde implementada, mostrou uma receita inadequada, e abriu portas para evasão de recursos ou meios de burlá-la, visando menor pagamento de tributos.

    Ilhense escreveu:
    Discutir a auditoria da dívida pública é tratado como esquizofrenia e é até motivo de chacota. Acaba sendo uma forma de desconstrução, pois é inconveniente, é o boi na sala que acaba trazendo os setores dominantes para o palco.

    Não vou me estender pois só queria tornar mais transparente o meu ponto de vista. Concordo que a redução à fórceps da taxa de juros, afora as desonerações e a rasteira dada no setor elétrico contribuíram para a mazela que estamos vivendo. Dilma quis deixar uma marca em sua passagem e, infelizmente, conseguiu.

    As condições para a redução dos juros hoje existem e são resultado do ótimo controle demonstrado pelo BC, que soube atuar de forma prudente, sinalizando ao mercado suas ações de modo competente.
    Mas a dívida pública já é auditada pelo TCU, que inclusive anunciou, no começo do ano, uma auditoria pública específica sobre a dívida.

    O problema não é a dívida em si, e a maneira como chegamos nela. Novamente, o populismo é um problema. Vários políticos prometem e fazem coisas pensando apenas nos próximos quatro anos, para problemas que só vão surgir em décadas. Da mesma forma, investimentos "ocultos", como saneamento básico, que geram benefícios de longo prazo, sempre ficam para depois.

    Vale lembrar que os juros estão artificialmente baixos, como um efeito do "exagero" do ano passado, que derrubou a inflação para baixo. Em 2017, o BC corre o risco de explicar porque não conseguiu alcançar a meta. E da forma que a coisa vai, em breve corre-se o risco de um novo ajuste rápido, para cima.

    Ilhense escreveu:
    Por outro lado, não é apenas essa face da moeda que emoldura o governo Temer e nem são todas as medidas que se pautam por reativar a economia. Tal raciocínio seria muito ingênuo e é por isso que muito de que se tem produzido em matéria trabalhista, eleitoral e mesmo previdenciária merece um debate aprofundado.

    Não trata - se apenas da legitimidade,  portanto, mas das medidas que vem se impondo em razão da ausência desta.

    Estamos falando de privilégios intocáveis e de provável precarização nas condições de vida das pessoas. A devassa que recaiu sobre o mundo político demonstra o peso que as relações com o empresariado produziram em suas ações. Ou seja, leis promulgadas calcadas no discurso técnico acobertando objetivos pessoais, financeiros e mesmo de poder.

    De acordo, e o grande problema é que os homens públicos não se interessam na nação, e sim no próprio mandato. O povo brasileiro precisa impor uma agenda de décadas, o que não seria nenhuma inovação, mas seguir aquilo que outro sulamericano, o Chile, já faz há bastante tempo e com resultados excelentes.
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    Mensagem por Solange4 Sex 27 Out 2017, 8:28 am

    Uma pergunta aos colegas:

    Estou pensando em fazer concurso pro TCE-SP. Desde 2012 o Estado coloca os servidores novos direto no Fundo de Previdência, inclusive quem vem de órgão Federal ou municipal. Na verdade, a Justiça está fazendo o mesmo para quem faz o caminho inverso (vem do estado/município pra JF).

    Minha dúvida é: caso eu opte pelo FUNPRESP aqui e depois mude, eu perco o Fundo Especial (o tempo em que recolhi no regime próprio acima do teto do RGPS)?
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    Mensagem por Solange4 Sex 27 Out 2017, 8:43 am

    Servidor que assumiu cargo federal após 2012 tem previdência complementar

    Servidores que deixaram cargos públicos estaduais, municipais ou distritais para ocupar cargo federal depois da entrada em vigor da Lei 12.618/2012 estão sujeitos ao regime de Previdência Complementar (Funpresp). Com esse entendimento, a 13ª Vara Federal do Distrito Federal negou ação do Sindicato dos Trabalhadores no Poder Judiciário e no Ministério Público da União no Distrito Federal.

    A decisão afirma que não é possível desobrigar servidores do Ministério Público da União e do Poder Judiciário egressos do serviço público municipal, estadual ou distrital a aderir ao novo regime de previdência complementar.

    O enquadramento no regime foi questionado pelo sindicato. A entidade ajuizou ação com pedido de liminar para assegurar aos seus associados egressos de órgãos de outros entes da federação (estados, municípios e Distrito Federal) a possibilidade de vinculação ao Regime Próprio de Previdência da União.

    O pedido foi contestado pela Advocacia-Geral da União, que argumentou que a Constituição Federal facultou aos servidores efetivos de todas as esferas o direito de optar por um regime ou outro no momento em que o complementar foi implementado, mas não de continuar com esse direito.

    “Não há previsão constitucional, nem legal, de que o servidor transporta de um ente público para o outro o direito de não aderir ao regime de previdência complementar, pelo fato de não tê-lo feito na origem, ou de fazer uma nova opção”, afirmaram os procuradores federais.

    Os advogados da União acrescentaram, também, que cada ente possui autonomia de instituir seu próprio regime jurídico e que o servidor tem relação estatutária apenas com o ente federado que o admitiu. Portanto, ao se instituir o Funpresp, os servidores egressos dos demais entes não poderiam manter o regime anterior, pois “ostentariam faculdade que nem os servidores públicos federais junto à União ostentam”. Com informações da Assessoria de Imprensa da AGU.
    Fonte: Consultor Jurídico em 25/10/2017
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    Mensagem por jornalista Sex 27 Out 2017, 8:55 am

    Solange4 escreveu:Uma pergunta aos colegas:

    Estou pensando em fazer concurso pro TCE-SP. Desde 2012 o Estado coloca os servidores novos direto no Fundo de Previdência, inclusive quem vem de órgão Federal ou municipal. Na verdade, a Justiça está fazendo o mesmo para quem faz o caminho inverso (vem do estado/município pra JF).

    Minha dúvida é: caso eu opte pelo FUNPRESP aqui e depois mude, eu perco o Fundo Especial (o tempo em que recolhi no regime próprio acima do teto do RGPS)?
    Tem que olhar a lei do fundo de SP.
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    Mensagem por Ilhense Sex 27 Out 2017, 9:04 am

    Não, meu caro. O Brasil está longe de gastar com juros o que se gasta. As pessoas confundem rolagem com amortização.
    Observe que os valores referentes ao refinanciamento da dívida pública aparecem tanto nas receitas quanto nas despesas. Entretanto, utilizam a ideia de que há apenas um gasto com isto.

    Veja o quadro resumo de receitas: [Você precisa estar registrado e conectado para ver este link.]
    E compare com as despesas: [Você precisa estar registrado e conectado para ver este link.]


    Sim, o Brasil não gasta tudo o que se diz. Aliás, a arrecadação dos impostos sequer tem sido utilizada para tal. Não há discordância quanto ao seu ponto de vista. Há sim rolagem da dívida com uma eterna reemissão de títulos e refinanciamento sem fim da mesma
    O problema é que para que seja possível a sua amortização, será necessária a geração de superávit primário, o que no momento ocorre ao inverso. A minha divergência é sobre quem está recaindo essa conta, já que nossa economia está se reacelerando muito lentamente ( para alguns analistas pode haver surpresas e atingirmos até o final o ano 1,5%). Ou seja, vai depender de sacrifício. De quem?


    Aí mora o grande perigo de comprar a ideia do populismo. Quando queremos fazer mais podemos, em algum momento a fatura é cobrada, e com juros. Ou seja, o imediatismo resulta em um prejuízo maior para a coletividade.


    Populismo? Veja a taxa de crescimento dos bancos durante o governo do PT. O BNDES fomentou a troco de banana alguns grandes grupos empresariais. Houve gente que se beneficiou com a mera reaplicação do financiamento a taxas mais proveitosas. Enfim, não diria que o governo petista foi bem uma mãe para os pobres. Mas reconheço que em muitas situações gerou sim um avanço que acabou se capitalizando em votos.
    A bonança das commodities acabou disfarçando muitos problemas.


    Infelizmente, até que surja outro meio de se realizar trocas voluntárias mais eficientes, dependemos de dinheiro para as nossas necessidades, e ele deve ser levado em consideração.


    Está ai o problema. A unilateralidade das opções. Não acredito que a única medida viável seja tal proposta. O que vejo sim é um grupo com poder que não quer ceder e que se vale da relação vertical e desigual que aqui existe para impor, mesmo ideologicamente, o monopólio do debate.
    Se for a melhor opção, que seja aplicada após a discussão e problematização de seus efeitos. O que me incomoda é a imposição. Não estamos no período militar.


    Este é um exemplo clássico. Devemos ponderar, via critérios justos e objetivos, que o servidor seja produtivo e avaliado por critérios facilmente comparáveis, de forma a impedir injustiças. A Administração Pública ainda não pode implementar este tipo de demissão, justamente por ainda estar muito longe de um modelo burocrático por natureza, que o diga gerencial.


    Concordo com você. O problema é que há uma certa ingenuidade em se crer que a implementação de soluções com tal viés tenha por intuito, meramente, afeiçoar o rendimento dos servidores aos melhores princípios administração pública.
    E ai, torno à questão da legitimidade, de onde parte essa proposta. A credibilidade de uma casa legislativa corporativista, que procura escamotear processos investigativos e que diariamente extorque um presidente entalado até o pescoço com denuncias de corrupção é coisa muito séria.
    Na minha opinião: essa proposta vem para criar apenas uma janela, precedentes para outros fins. Posso estar equivocado, mas o conjunto dos fatos não me leva a outro tipo de raciocínio. Só à desconfiança.

    Na verdade, a tributação sobre dividendos já foi discutida, e o Brasil adota um modelo que tributa a empresa, e após, a distribuição dos dividendos é isenta sob pena de bitributação.
    Existe um quadro comparativo interessante sobre o quanto do lucro é tributado:

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    Vale lembrar que assim como a responsabilidade tributária (que na verdade é muito mais danosa à nossa economia), a receita prefere centralizar os tributos. Modificar o modelo hoje existente abre um monte de portas para a elisão e evasão fiscais.

    Sobre a tributação de grandes fortunas e heranças, caímos na mesma questão. Onde implementada, mostrou uma receita inadequada, e abriu portas para evasão de recursos ou meios de burlá-la, visando menor pagamento de tributos.



    Pois é, você tem razão, muito embora as empresas já tenham efetuado a distribuição sob a forma de JCP, o que acaba beneficiando ainda mais os sócios/acionistas.
    Dê uma lida nesse artigo, acho que melhora a discussão: [Você precisa estar registrado e conectado para ver este link.]
    Agora, quanto a questão da evasão e, por conta disso, a condescendência com alguns grupos privilegiados, gera uma certa inversão, não acha?
    Se a rua está esburacada, não é satisfatório apenas sinalizar a existência de buracos, pois tão somente responsabiliza os motoristas. O certo, é estudar uma forma de tapar os buracos.
    Não sei se fui feliz na parábola, mas acho que expressa o meu sentimento.


    Mas a dívida pública já é auditada pelo TCU, que inclusive anunciou, no começo do ano, uma auditoria pública específica sobre a dívida.
    O problema não é a dívida em si, e a maneira como chegamos nela. Novamente, o populismo é um problema. Vários políticos prometem e fazem coisas pensando apenas nos próximos quatro anos, para problemas que só vão surgir em décadas. Da mesma forma, investimentos "ocultos", como saneamento básico, que geram benefícios de longo prazo, sempre ficam para depois.
    Vale lembrar que os juros estão artificialmente baixos, como um efeito do "exagero" do ano passado, que derrubou a inflação para baixo. Em 2017, o BC corre o risco de explicar porque não conseguiu alcançar a meta. E da forma que a coisa vai, em breve corre-se o risco de um novo ajuste rápido, para cima.


    O TCU é um órgão político. Pode ter pompa, mas a despeito de outros órgãos e instituições, não possui um quadro diretivo que inspire os melhores espíritos.
    A auditoria teria de ser elaborada por mais mãos e setores distintos e menos comprometidos com a “própria causa”. É difícil, eu sei, mas seria o ideal.
    De fato, o maior problema é a raiz da dívida, o que subsidia sua formação, os juros. O seu histórico como acontecimento. Isso tem de ser revisto, sobremaneira após o descortinamento do sistema de extração de recursos públicos que vigora aqui e acolá.
    Concordo que os juros devem dar uma elevada com o retorno da atividade econômica, mas considero que hoje existam condições estruturais para a sua manutenção em patamares mais baixos, e, inclusive, com redução do juros real.


    De acordo, e o grande problema é que os homens públicos não se interessam na nação, e sim no próprio mandato. O povo brasileiro precisa impor uma agenda de décadas, o que não seria nenhuma inovação, mas seguir aquilo que outro sulamericano, o Chile, já faz há bastante tempo e com resultados excelentes.


    Concordo. Falta apenas a criação de condições para que o povo de fato tenha capacidade cognitiva para entender suas demandas, e, a partir daí, escolher qual a melhor agenda para pavimentar o seu futuro.
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    Mensagem por Ilhense Sex 27 Out 2017, 9:07 am

    androsvilazza escreveu:
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    androsvilazza escreveu:
    Ilhense escreveu:

    Acho que o grande problema é que discutimos a previdência e responsabilizamos o "andar de baixo", como se também não estivéssemos nele. As vezes nos esquecemos do caráter da previdência, do que a nossa CF tem como princípio. Também somos acomodados ao não olhar para as pessoas, a maioria, diga - se, que está por trás dos números e sequer tem consciência do porvir.

    Enfim, não verificamos também o porquê da vultosa dívida pública. Não contestamos os juros que a lastreiam. Pergunto: para onde essa quantia abundante de dinheiro tem ido todos esses anos?

    Está claro que não seremos beneficiários da política econômica que se pretende implantar. Na verdade, quando resolverem a questão previdenciária, assumiremos o protagonismo como maior símbolo do estado ineficiente, dispendioso e paternalista que se quer eliminar.

    Aliás, antes que alguém diga, já estamos nesse barco. Porém, sem a previdência, o processo deve se acelerar.

    Então, por que dar respaldo a medidas que partem de um grupo manifestamente corrupto, imbrincado até o pescoço com o alto empresariado, banqueiros e especuladores?

    As provas acerca disso são postas todos os dias sobre a mesa.

    Por que assumirmos um discurso tendencioso e até certo ponto imoral, de um grupo ilegítimo e que jamais alçaria o poder em condições normais?

    Huum, discurso bonito mas, a meu ver, completamente desconexo da realidade.

    Não responsabilizo "andar de baixo", a responsabilidade obviamente é da má gestão e falta de planejamento históricos no Brasil, inclusive por nunca haver preocupação política em ir fazendo pequenas mudanças pontuais no regime previdenciário, preferindo sempre a mudança brusca quando se atinge uma situação inaceitável. Mas, convenhamos, apontar culpados nunca resolveu qualquer problema; o necessário é apontar soluções. Choveu e molhou sua casa. "Ah, a culpa é do pedreiro que não fez a laje direito!" Bom, muito bom! Mas você não vai pegar um balde e jogar a água pra fora? Não vai tentar tapar o buraco por onde jorra a água? Ou vai ficar na posição fácil de apontar o culpado, cruzar os braços com um sorrisinho de superioridade por ter sido tão inteligente a ponto de descobrir o culpado, enquanto a água lhe alcança o traseiro?

    Quanto ao "caráter da previdência, do que a nossa CF tem como princípio", também concordo que devemos garantir os direitos sociais, nunca discordei disso. A diferença é que eu acredito que, para se prover algo, há etapas práticas, pré-requisitos reais, que devem ser atendidos. Condições, que não estão previstas no papel com a mesma ênfase que os direitos. Sem medidas práticas, uma prescrição constitucional é apenas uma prescrição, sem efeitos reais. Todos temos direito à vida, enquanto 60 mil brasileiros são assassinados no Brasil, anualmente; todos temos direito à educação, embora existam 13 milhões de analfabetos no Brasil, segundo a UNESCO, descontados os analfabetos funcionais; todos temos direito à saúde, enquanto incontáveis morrem em filas de hospitais; todos têm direito à previdência e assistência sociais, mas sem recursos isto não será alcançado.

    A questão dos juros é outra questão cuja discussão merece ir além da constatação óbvia de que "os juros são altos no Brasil". Isso é uma questão óbvia: não basta apenas querer abaixar os juros, é necessária a criação de macroestruturas que possibilitem tal medida. A gerentona esqueceu das lições básicas que aprendeu no seu curso de Economia, decidiu abaixar os juros na canetada em 2012 e trouxe vários reflexos negativos à economia, o mais notável deles a escalada da inflação. Não se pode relevar as questões mais importantes sobre o tema: "Por que os juros são altos no Brasil?" "É meramente por decisão política?" "Quais outros fatores têm influência sobre a taxa de juros?" "Quais as consequências da redução/elevação da taxa de juros, sobre as várias áreas da economia?" "Quais medidas adotar para possibilitar a redução sustentável da taxa de juros?", dentre várias outras questões. A economia é como o jogo de pega-varetas: não dá pra olhar uma das varetas de baixo, meter a mão pra pegá-la, e achar que isto não vai afetar as demais varetas da pilha. Ou você retira as varetas, uma a uma, obedecendo à ordem correta, ou o desastre é certo. No ponto dos juros, o Brasil é como um trabalhador endividado, que precisa o tempo todo fazer novas dívidas para pagar as antigas e sustentar os gastos atuais. Não basta chegar do nada, dizer que "vou pagar no máximo a taxa de juro X" e achar que isto não traz outras consequências.

    Já em relação à "falácia da autoridade às avessas", já expus aqui meu posicionamento. Nos cabe discutir as medidas, pautas e ideias, e esta deveria ser, na minha humilde opinião, também o posicionamento dos políticos. Aceitar ou refutar uma medida cegamente, só por ter sido proposta por sujeito X ou Y, é de uma pobreza intelectual imensa. Deve-se ouvir os sábios com humildade e escutar aos conselhos dos malandros com cautela, mas é importante tomar as próprias conclusões a respeito do tema discutido, seja para concordar ou discordar. Principalmente, se levarmos em consideração o ciclo democrático no Brasil: cada governo dura 4 anos, mas as medidas (acertadas ou equivocadas) terão efeitos duradouros. Se ficarmos apenas apoiando ou combatendo o governo X ou Y, sem efetivamente discutir as ideias, o governo passa; mas e o país? Não me furto a discutir toda e qualquer medida proposta, sem me interessar quem a propôs (mesmo sabendo que não é esse o tipo de discussão normalmente levada a cabo no parlamento, que tem um nível baixíssimo no Brasil). Não precisamos praticar o mesmo tipo de política que nossos deputados e senadores, adequando os discursos ao governo de turno.

    Olha, entendo o que quer dizer e o seu discurso acaba sendo justamente o resultado desse emparedamento a que atualmente estamos sujeitos.

    Digo isso porque gosto de temas ligados à economia e nesse sentido acompanho o pensamento que é difundido na imprensa especializada.

    Também tenho gosto por ler e ouvir analistas, principalmente de grandes corretoras e consultoras e o repertório é muito similar a esse. A receita é conhecida e é o que vem sustentando o governo Temer até o momento.

    Sei que a falta de medidas orgânicas acaba por esvaziar muitos dos institutos constitucionais e, por vezes, reduzem a CF a uma bela carta de intenções.

    Creio, no entanto, que o pensamento que se quer aplicar é unilateral, pois tecnifica motivadamente o debate, de modo a se distanciar de qualquer viés crítico e antagônico.

    Não só isso: desumaniza a questão e tiraniza a solução.

    A falta de empatia é o que nutre esse sistema e é o que em breve irá nos massacrar enquanto classe.

    Em que pese a previdência social responder por parte do orçamento da união, os gastos orçamentários para rolagem da dívida são maiores, muito maiores, e tendem a justificar a perspectiva de que se crie um superavit primário para absorver parte dos juros que compõem o seu montante.

    O que questiono é que esse suspense criado quanto ao afogamento da credibilidade brasileira junto às casas de análise internacionais seria o engodo perfeito para, em contrapartida, afogarmos o grosso das pessoas que, bem ou mal, dependem dos serviços não apenas previdenciários, mas da própria seguridade social.

    Esse "abocanhamento" não pode ser talhado apenas pelo olhar financeiro ou matemático. Essa invasão sobre os recursos destinados, principalmente, aos setores menos favorecidos da população, deve ser bem estudada, com debate público, permitindo - se o resgate da origem histórica da dívida, sua legitimidade e o embasamento que permitiu a estruturação dos juros aplicados.

    Essa seria a forma decente, razoável. Vão questionar os entraves políticos, o corporativismo reinante, mas enfim, é o preço a se pagar em um sistema verdadeiramente democrático.

    Imagine quando resolverem acabar com a estabilidade dos servidores públicos e desalojar boa parte na rua? É o que esse sistema pede e é o que vem buscando alimentar enquanto ideologia.

    Não discutimos nada que aporte recursos sob outras perspectivas, como a cobrança de IR sobre os dividendos das ações ou a regulamentação do Imposto sobre Grandes Fortunas, para ficar só em dois exemplos.

    Discutir a auditoria da dívida pública é tratado como esquizofrenia e é até motivo de chacota. Acaba sendo uma forma de desconstrução, pois é inconveniente, é o boi na sala que acaba trazendo os setores dominantes para o palco.

    Não vou me estender pois só queria tornar mais transparente o meu ponto de vista. Concordo que a redução à fórceps da taxa de juros, afora as desonerações e a rasteira dada no setor elétrico contribuíram para a mazela que estamos vivendo. Dilma quis deixar uma marca em sua passagem e, infelizmente, conseguiu.

    As condições para a redução dos juros hoje existem e são resultado do ótimo controle demonstrado pelo BC, que soube atuar de forma prudente, sinalizando ao mercado suas ações de modo competente.

    Por outro lado, não é apenas essa face da moeda que emoldura o governo Temer e nem são todas as medidas que se pautam por reativar a economia. Tal raciocínio seria muito ingênuo e é por isso que muito de que se tem produzido em matéria trabalhista, eleitoral e mesmo previdenciária merece um debate aprofundado.

    Não trata - se apenas da legitimidade,  portanto, mas das medidas que vem se impondo em razão da ausência desta.

    Estamos falando de privilégios intocáveis e de provável precarização nas condições de vida das pessoas. A devassa que recaiu sobre o mundo político demonstra o peso que as relações com o empresariado produziram em suas ações. Ou seja, leis promulgadas calcadas no discurso técnico acobertando objetivos pessoais, financeiros e mesmo de poder.

    like muito bem posto! É possível é importante construir, aos poucos, vários pontos de convergência e concordância, com respeito e argumentação bem fundamentada... Um problema que vejo é que as discussões políticas, especialmente no congresso, se pautam mais pela defesa de interesses de determinados grupos, do que propriamente pelo bem comum. Falta esforço de adequação das pautas à realidade da maioria, da coletividade, e não mera defesa das ideias dos grupos ditos representativos. Vemos muitos erros das entidades de defesa do trabalhador, e também dos ditos representantes do empresariado. Como exemplo, a defesa das desonerações setoriais pelas instituições de classe empresariais, que favoreceram alguns grandes empresários, em detrimento da maior parte dos pequenos empresários, que deveriam receber igual ou maior estímulo.

    Eu é que agradeço pelo debate! É sempre um aprendizado mútuo!
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    Mensagem por ale1969 Sex 27 Out 2017, 9:29 am

    O que aconteceu com nossa categoria? Perdemos completamente a visão de classe, há colegas que não se veem como trabalhadores. Os modelos neoliberais aumentaram as desigualdades sociais, principalmente em países pobres. Realmente, com a nossa classe média egoísta, os ricos especuladores nem precisam se esforçar para defender seus lucros exorbitantes.

    Voltando para o debate da previdência, há uma defesa incondicional do "mercado" em detrimento do "bem estar social". Vejam, quando colocamos no centro das discussões os aspectos econômicos, desviamos da principal função da seguridade social. Como o próprio nome já diz, visa proteção contra intercorrências da vida humana, sendo o principal papel do Estado prover segurança social aos indivíduos. Isso não é filosofia barata de um "socialista de boteco" como eu.

    Os pactos sociais de uma Nação são estabelecidos politicamente visando o equilíbrio entre o individual(cidadão) e o coletivo(sociedade/Estado). Na previdência, as constantes mudanças nos sistemas promovem uma insegurança jurídica que inviabilizam o planejamento da velhice sadia. Olha que passei por todas as reformas, desde 1998 até a atual e acredito que não será a última antes da aposentadoria.

    Vamos juntar as forças trabalhadoras, defender os oprimidos do sistema e atacar os que realmente lucram com a exploração capitalista.

    Desculpem o discurso, deve ser a abstinência de Heineken provocada por mais uma longa semana de labor.
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    Mensagem por Solange4 Sex 27 Out 2017, 10:03 am

    Nunca me identifiquei como proletária. Trabalhadora, sim, mas profissional liberal, da classe média.
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    Mensagem por euvoltei Sex 27 Out 2017, 10:20 am

    Nunca houve "visão de classe"... houve tempo em q todos estavam na mer***, salários pouco maior que o mínimo, daí, todos se juntaram incondicionalmente por isso...

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    Mensagem por Galizezin Sex 27 Out 2017, 12:08 pm

    ale1969 escreveu:O que aconteceu com nossa categoria? Perdemos completamente a visão de classe, há colegas que não se veem como trabalhadores. Os modelos neoliberais aumentaram as desigualdades sociais, principalmente em países pobres. Realmente, com a nossa classe média egoísta, os ricos especuladores nem precisam se esforçar para defender seus lucros exorbitantes.

    Voltando para o debate da previdência, há uma defesa incondicional do "mercado" em detrimento do "bem estar social". Vejam, quando colocamos no centro das discussões os aspectos econômicos, desviamos da principal função da seguridade social. Como o próprio nome já diz, visa proteção contra intercorrências da vida humana, sendo o principal papel do Estado prover segurança social aos indivíduos. Isso não é filosofia barata de um "socialista de boteco" como eu.

    Os pactos sociais de uma Nação são estabelecidos politicamente visando o equilíbrio entre o individual(cidadão) e o coletivo(sociedade/Estado). Na previdência, as constantes mudanças nos sistemas promovem uma insegurança jurídica que inviabilizam o planejamento da velhice sadia. Olha que passei por todas as reformas, desde 1998 até a atual e acredito que não será a última antes da aposentadoria.

    Vamos juntar as forças trabalhadoras, defender os oprimidos do sistema e atacar os que realmente lucram com a exploração capitalista.

    Desculpem o discurso, deve ser a abstinência de Heineken provocada por mais uma longa semana de labor.    

    É Brasil, amigo! Enquanto nossos nobres congressistas sentam em cadeiras reais, o povão padece nos imundos hospitais. Temer foi a escolha do PT, que foi a escolha da maioria do povo. Infelizmente, quem não concordou terá que pagar pelo erro da maioria. A condição para Temer se manter no poder ficou clara: ser uma marionete do empresariado. Destruir reserva ambiental, descaracterizar trabalho escravo, aprovar reforma trabalhista absurda, com terceirização da atividade fim, privatização de negócios públicos rentáveis, são apenas alguns exemplos de sua obediência aos grandes. O mais engraçado é o cara gastar 32 bilhões para comprar sua permanência na presidência e, logo em seguida, Meirelles por a culpa na previdência.


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    Mensagem por Convidado Sex 27 Out 2017, 12:54 pm

    Exatamente Galizezin.
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    Mensagem por josebarbos Sex 27 Out 2017, 1:55 pm

    Solange4 escreveu:Uma pergunta aos colegas:

    Estou pensando em fazer concurso pro TCE-SP. Desde 2012 o Estado coloca os servidores novos direto no Fundo de Previdência, inclusive quem vem de órgão Federal ou municipal. Na verdade, a Justiça está fazendo o mesmo para quem faz o caminho inverso (vem do estado/município pra JF).

    Minha dúvida é: caso eu opte pelo FUNPRESP aqui e depois mude, eu perco o Fundo Especial (o tempo em que recolhi no regime próprio acima do teto do RGPS)?

    Minha interpretação mais provável é a de que sim, perderia, salvo pela existência de instituto semelhante para os servidores do Estado de São Paulo, de maneira que você já deveria entrar pensando numa ação judicial e numa jurisprudência que ainda não existe.

    O Benefício Especial é algo previsto para o regime próprio da União, exclusivamente aos servidores que entraram antes de 2012 e que fizeram expressa opção pela migração, não podendo haver nenhuma interrupção de vínculo.
    Ao fazer o TCE-SP, tem que ter em vista se é financeiramente vantajoso formar sua própria reserva e ter um salário mais alto, dentro de um plano que você mesma consiga ter reservas. E por mais que seja SP, os Estados estão muito mais próximos de problemas de insolvência e regularidade de pagamentos do que a União, até porque esta, em último caso, é a dona da chave do cofre e pode se utilizar de políticas econômicas heterodoxas para compensar problemas.
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    Mensagem por ale1969 Sex 27 Out 2017, 2:08 pm

    O texto de José Lopez Feijóo sobre a reforma da previdência evidencia o caráter privatista de um direito social típico. Acreditem, o verdadeiro objetivo é agradar ao sistema financeiro, com capital barato(depósitos de longo prazo) e liberando o Tesouro Nacional para pagamento de juros, logicamente com lucros astronômicos para os banqueiros e especuladores(capitalista rentista).


    Política
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    Feijóo
    'Reforma da Previdência é de interesse do sistema financeiro, não do trabalhador'
    Comentarista político afirma que objetivo do governo Temer é implementar modelo neoliberal no Brasil
    por Redação RBA publicado 24/10/2017 11h07
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    Reforma da Previdência acabar com o direito à aposentadoria e empurra trabalhadores para o sistema privado

    São Paulo – A proposta de Reforma da Previdência do governo federal está prevista para ser votada até o final do ano. O comentarista político do Seu Jornal, da TVT, José Lopez Feijóo, alerta que, apesar de divulgar como justificativa o suposto déficit previdenciário, o objetivo de Temer é entregar a aposentadoria ao sistema financeiro, deixando o trabalhador na mão.

    "A reforma tem um único objetivo, acabar com o direito à aposentadoria de trabalhadores e trabalhadoras, e empurrá-los para um plano de previdência privada. É o grande sonho do sistema financeiro brasileiro, que quer botar a mão nesse dinheiro da Previdência", afirma Feijóo.

    O comentarista lembra que a alegação sobre um déficit é falso. "Especialistas afirmam que não é verdade. A CPI da Previdência, que teve o seu relatório finalizado, chegou à conclusão de que existem mil empresas que devem, ao todo, 1 trilhão de reais à Previdência não pagam", explica.

    Portanto, na avaliação de Feijóo, a ideia de Temer é implementar no Brasil o chamado modelo neoliberal, "onde tudo é transformado em mercadoria e é entregue à iniciativa privada".

    "A tentativa deste governo é destruir esse Estado de bem-estar social, precarizar as condições de saúde, acesso à aposentadoria das pessoas e tornar o país um grande mercado, para que empresas façam dos trabalhadores suas presas", conclui.
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    Mensagem por ale1969 Sex 27 Out 2017, 2:20 pm

    Galizezin escreveu:
    ale1969 escreveu:O que aconteceu com nossa categoria? Perdemos completamente a visão de classe, há colegas que não se veem como trabalhadores. Os modelos neoliberais aumentaram as desigualdades sociais, principalmente em países pobres. Realmente, com a nossa classe média egoísta, os ricos especuladores nem precisam se esforçar para defender seus lucros exorbitantes.

    Voltando para o debate da previdência, há uma defesa incondicional do "mercado" em detrimento do "bem estar social". Vejam, quando colocamos no centro das discussões os aspectos econômicos, desviamos da principal função da seguridade social. Como o próprio nome já diz, visa proteção contra intercorrências da vida humana, sendo o principal papel do Estado prover segurança social aos indivíduos. Isso não é filosofia barata de um "socialista de boteco" como eu.

    Os pactos sociais de uma Nação são estabelecidos politicamente visando o equilíbrio entre o individual(cidadão) e o coletivo(sociedade/Estado). Na previdência, as constantes mudanças nos sistemas promovem uma insegurança jurídica que inviabilizam o planejamento da velhice sadia. Olha que passei por todas as reformas, desde 1998 até a atual e acredito que não será a última antes da aposentadoria.

    Vamos juntar as forças trabalhadoras, defender os oprimidos do sistema e atacar os que realmente lucram com a exploração capitalista.

    Desculpem o discurso, deve ser a abstinência de Heineken provocada por mais uma longa semana de labor.    

    É Brasil, amigo! Enquanto nossos nobres congressistas sentam em cadeiras reais, o povão padece nos imundos hospitais. Temer foi a escolha do PT, que foi a escolha da maioria do povo. Infelizmente, quem não concordou terá que pagar pelo erro da maioria. A condição para Temer se manter no poder ficou clara: ser uma marionete do empresariado. Destruir reserva ambiental, descaracterizar trabalho escravo, aprovar reforma trabalhista absurda, com terceirização da atividade fim, privatização de negócios públicos rentáveis, são apenas alguns exemplos de sua obediência aos grandes. O mais engraçado é o cara gastar 32 bilhões para comprar sua permanência na presidência e, logo em seguida, Meirelles por a culpa na previdência.





    Concordo, só que os verdadeiros donos do poder não são os políticos. Esses são apenas os oportunistas da vez, quem realmente sempre ganhou fica por trás, lucrando com a miséria alheia.
    Como já disse a próxima eleição para o Parlamento(Câmara e Senado) será fundamental para o nosso futuro. Ou destruímos o maldito "centrão" e a bancada "BBB" ou o bacanal em Brasília vai continuar. Nós sabemos bem com que parte do corpo o povo vai entrar na festa.
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    Mensagem por josebarbos Sex 27 Out 2017, 2:23 pm

    Ilhense escreveu:Não, meu caro. O Brasil está longe de gastar com juros o que se gasta. As pessoas confundem rolagem com amortização.
    Observe que os valores referentes ao refinanciamento da dívida pública aparecem tanto nas receitas quanto nas despesas. Entretanto, utilizam a ideia de que há apenas um gasto com isto.

    Veja o quadro resumo de receitas: [Você precisa estar registrado e conectado para ver este link.]
    E compare com as despesas: [Você precisa estar registrado e conectado para ver este link.]


    (...)
    De acordo, e o grande problema é que os homens públicos não se interessam na nação, e sim no próprio mandato. O povo brasileiro precisa impor uma agenda de décadas, o que não seria nenhuma inovação, mas seguir aquilo que outro sulamericano, o Chile, já faz há bastante tempo e com resultados excelentes.  


    Concordo. Falta apenas a criação de condições para que o povo de fato tenha capacidade cognitiva para entender suas demandas,  e, a partir daí, escolher qual a melhor agenda para pavimentar o seu futuro.

    Prezado, entendo seus objetivos, mas temos que compreender o país em que estamos.

    Um dos gigantescos erros do país foi, devido ao trauma de uma ditadura militar, querer uma constituição belíssima, mas impraticável. Tanto que em duas décadas já foram mais de cem emendas, um monte de problemas crônicos e um verdadeiro caos social, especialmente nas áreas que seriam a responsabilidade nata do Estado, em todos os seus entes.

    O pior de tudo não são nem os direitos, que obviamente desejamos que todos tivessem, mas ignorar os custos embutidos.

    Mesmo os países nórdicos, que possuem uma condição econômica excepcional, tem todo um histórico para chegar naquilo que oferecem. Não acho que nem perto deva ser um modelo que levemos em consideração, posto que são "ilhas", de localização privilegiada, e de condições micro e macroeconômicas estupendas. Muito do seu comportamento tem um trauma graças à antiga corrupção, uma absoluta transparência e outros princípios bastante claros.

    Mas pegando-os de exemplo rápido, vá lá. A aposentadoria só é alcançada aos 65-70 anos, conforme a idade. E o modelo é baseado numa contribuição exclusiva do trabalhador, que receberá um valor do Estado, devendo complementar o restante via reservas pessoais.
    O modelo tributário é altamente pesado. Muito provavelmente, servidores como nós estaríamos pagando uma alíquota de Imposto de Renda superior a 50% do salário, num cenário ideal. Se os magistrados continuassem ganhando aqui tão bem, certamente teriam uma cotinha na casa dos 70%.
    Não sei se em todos os países, mas na Suécia com certeza, há um registro público dos salários recebidos e uma cultura de fiscalização, de forma a garantir que todos contribuam com o que realmente ganhem. Imagine que você descubra que seu vizinho ou colega de trabalho vive de alguma renda ilegal e possa representá-lo, sem acontecer nenhuma consequência. Pense, então, num chefe?
    Você acha, realmente, isto viável, na nossa atual sociedade?

    No Brasil, existem discrepâncias absurdas. Somos o país que disparou o gasto de seguro desemprego em pleno emprego. Sabidamente, criou-se uma cultura de "férias de 4 meses" a cada 16 trabalhados. Empregados registrados em carteira fazem acordo e voltam logo aos seus antigos empregadores, cnpj e/ou terceirizados como forma de burlar o sistema. Queremos pagar o mesmo 1 SM para quem nunca contribuiu daquele que pagava regularmente. Não existe prêmio ou risco em tirar vantagem do sistema. Aliás, só para lembrar, alguns nórdicos (com certeza a Dinamarca) sequer têm regulamentação sobre salário mínimo ou jornada de trabalho. Mesmo assim são países com baixa corrupção e pessoas felizes.

    Não existe Estado de bem estar social viável numa sociedade que não preze e valorize o trabalho, a propriedade privada e o lucro. E, claro, seja justo. Hoje, acaba de sair a lei 13498, um verdadeiro absurdo do ponto de vista tributário. Coloca na fila de prioridades do imposto de renda contribuintes cuja maior fonte de renda seja o magistério. É o modo da esquerda de dividir para conquistar. Aliás, que demonstra bem como os princípios de hoje quem está no poder são muito distantes do liberalismo. Que é a questão da conveniência.

    Isto posto, de fato, gostaria muito de uma nação mais justa e igualitária. Entretanto, todo o nosso modelo foi construído para não ser assim. O alicerce fundamental seria a educação, mas que vive de um círculo vicioso em que cada vez haverá menos recursos, em que o sucateamento é uma forma do enriquecimento imoral da classe dominante.
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    Mensagem por josebarbos Sex 27 Out 2017, 2:27 pm

    ale1969 escreveu:O texto de José Lopez Feijóo sobre a reforma da previdência evidencia o caráter privatista de um direito social típico. Acreditem, o verdadeiro objetivo é agradar ao sistema financeiro, com capital barato(depósitos de longo prazo) e liberando o Tesouro Nacional para pagamento de juros, logicamente com lucros astronômicos para os banqueiros e especuladores(capitalista rentista).


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    'Reforma da Previdência é de interesse do sistema financeiro, não do trabalhador'
    Comentarista político afirma que objetivo do governo Temer é implementar modelo neoliberal no Brasil
    por Redação RBA publicado 24/10/2017 11h07
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    Reforma da Previdência acabar com o direito à aposentadoria e empurra trabalhadores para o sistema privado

    São Paulo – A proposta de Reforma da Previdência do governo federal está prevista para ser votada até o final do ano. O comentarista político do Seu Jornal, da TVT, José Lopez Feijóo, alerta que, apesar de divulgar como justificativa o suposto déficit previdenciário, o objetivo de Temer é entregar a aposentadoria ao sistema financeiro, deixando o trabalhador na mão.

    "A reforma tem um único objetivo, acabar com o direito à aposentadoria de trabalhadores e trabalhadoras, e empurrá-los para um plano de previdência privada. É o grande sonho do sistema financeiro brasileiro, que quer botar a mão nesse dinheiro da Previdência", afirma Feijóo.

    O comentarista lembra que a alegação sobre um déficit é falso. "Especialistas afirmam que não é verdade. A CPI da Previdência, que teve o seu relatório finalizado, chegou à conclusão de que existem mil empresas que devem, ao todo, 1 trilhão de reais à Previdência não pagam", explica.

    Portanto, na avaliação de Feijóo, a ideia de Temer é implementar no Brasil o chamado modelo neoliberal, "onde tudo é transformado em mercadoria e é entregue à iniciativa privada".

    "A tentativa deste governo é destruir esse Estado de bem-estar social, precarizar as condições de saúde, acesso à aposentadoria das pessoas e tornar o país um grande mercado, para que empresas façam dos trabalhadores suas presas", conclui.

    Se não tem um centavo para os fundos privados da Varig e Transbrasil, duas das maiores devedoras do INSS, que o diga sonhar que um dia vai receber qualquer coisa de contribuição previdenciária destas empresas.

    Vale lembrar que sempre pegam o período de ouro de 2009 a 2015 para alegar que não existiria déficit de caixa, porque o atuarial é barbada. Engraçado que falavam exatamente a mesma coisa do antigo Inamps, que dava conta não só da Previdência como também da saúde, e veja só o que temos hoje.
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    Mensagem por androsvilazza Sex 27 Out 2017, 2:33 pm

    josebarbos escreveu:
    Solange4 escreveu:Uma pergunta aos colegas:

    Estou pensando em fazer concurso pro TCE-SP. Desde 2012 o Estado coloca os servidores novos direto no Fundo de Previdência, inclusive quem vem de órgão Federal ou municipal. Na verdade, a Justiça está fazendo o mesmo para quem faz o caminho inverso (vem do estado/município pra JF).

    Minha dúvida é: caso eu opte pelo FUNPRESP aqui e depois mude, eu perco o Fundo Especial (o tempo em que recolhi no regime próprio acima do teto do RGPS)?

    Minha interpretação mais provável é a de que sim, perderia, salvo pela existência de instituto semelhante para os servidores do Estado de São Paulo, de maneira que você já deveria entrar pensando numa ação judicial e numa jurisprudência que ainda não existe.

    O Benefício Especial é algo previsto para o regime próprio da União, exclusivamente aos servidores que entraram antes de 2012 e que fizeram expressa opção pela migração, não podendo haver nenhuma interrupção de vínculo.
    Ao fazer o TCE-SP, tem que ter em vista se é financeiramente vantajoso formar sua própria reserva e ter um salário mais alto, dentro de um plano que você mesma consiga ter reservas. E por mais que seja SP, os Estados estão muito mais próximos de problemas de insolvência e regularidade de pagamentos do que a União, até porque esta, em último caso, é a dona da chave do cofre e pode se utilizar de políticas econômicas heterodoxas para compensar problemas.

    Concordo com a tese da perda do Benefício Especial. Exceto, é claro, haja alguma previsão em contrário na lei do RPPS-SP - o que eu sinceramente duvido muito.

    Mas acho importante analisar a questão também por outro lado:

    Solange4 escreveu:
    "Desde 2012 o Estado coloca os servidores novos direto no Fundo de Previdência, inclusive quem vem de órgão Federal ou municipal."

    Tomando como pressuposto que você passe no concurso e tome posse no TCE-SP, teremos duas hipóteses:

    1. Não tendo aderido ao Funpresp anteriormente:

    Ao tomar posse no TCE, será vinculada ao Fundo de Previdência (limitada ao teto do RGPS, somado ao benefício derivado do seu saldo no Fundo, até a aposentadoria). Portanto, perderá a expectativa de direito em relação à paridade/integralidade, que você tem hoje no nível federal.

    Seu saldo inicial no fundo, neste caso, seria 0 (entrou, aderiu ao fundo e só depois, obviamente, começou a contribuir).

    2. Tendo aderido ao Funpresp anteriormente:

    Ao tomar posse no TCE, será vinculada ao Fundo de Previdência (limitada ao teto do RGPS, somado ao benefício derivado do seu saldo no Fundo, até a aposentadoria). Portanto, perderá a expectativa de direito em relação à paridade/integralidade, que você tem hoje no nível federal. E também perderá eventual benefício especial concedido.

    No entanto, seu saldo inicial no fundo não será 0. Você terá o saldo composto no Funpresp, para portabilidade ao Fundo Estadual de SP.


    Na minha concepção, seria melhor se você tentasse concursos para nível federal, a fim de "minimizar as perdas". Desta forma, manteria a expectativa de direito quanto à paridade/integralidade/benefício especial, conforme o caso.

    No entanto, se a intenção é de fato tentar algum concurso em nível estadual, a adesão ao Funpresp, previamente, é sem dúvida alguma a melhor opção: não pelo benefício especial, que você também perderá, da mesma forma que perderia paridade/integralidade; mas pela economia imediata em relação aos descontos previdenciários atuais, e pela possibilidade de compor saldo no Fundo de Previdência enquanto não toma posse no novo cargo. É bom levar em consideração, neste caso, que você só poderá resgatar/migrar uma parte ínfima do saldo depositado pela União. (em proporções de 10% a cada 3 anos - se sair antes dos 3 anos, 10%; entre 3 e 6 anos, 20%; e assim por diante).
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    Mensagem por Solange4 Sex 27 Out 2017, 3:08 pm

    androsvilazza escreveu:
    josebarbos escreveu:
    Solange4 escreveu:Uma pergunta aos colegas:

    Estou pensando em fazer concurso pro TCE-SP. Desde 2012 o Estado coloca os servidores novos direto no Fundo de Previdência, inclusive quem vem de órgão Federal ou municipal. Na verdade, a Justiça está fazendo o mesmo para quem faz o caminho inverso (vem do estado/município pra JF).

    Minha dúvida é: caso eu opte pelo FUNPRESP aqui e depois mude, eu perco o Fundo Especial (o tempo em que recolhi no regime próprio acima do teto do RGPS)?

    Minha interpretação mais provável é a de que sim, perderia, salvo pela existência de instituto semelhante para os servidores do Estado de São Paulo, de maneira que você já deveria entrar pensando numa ação judicial e numa jurisprudência que ainda não existe.

    O Benefício Especial é algo previsto para o regime próprio da União, exclusivamente aos servidores que entraram antes de 2012 e que fizeram expressa opção pela migração, não podendo haver nenhuma interrupção de vínculo.
    Ao fazer o TCE-SP, tem que ter em vista se é financeiramente vantajoso formar sua própria reserva e ter um salário mais alto, dentro de um plano que você mesma consiga ter reservas. E por mais que seja SP, os Estados estão muito mais próximos de problemas de insolvência e regularidade de pagamentos do que a União, até porque esta, em último caso, é a dona da chave do cofre e pode se utilizar de políticas econômicas heterodoxas para compensar problemas.

    Concordo com a tese da perda do Benefício Especial. Exceto, é claro, haja alguma previsão em contrário na lei do RPPS-SP - o que eu sinceramente duvido muito.

    Mas acho importante analisar a questão também por outro lado:

    Solange4 escreveu:
    "Desde 2012 o Estado coloca os servidores novos direto no Fundo de Previdência, inclusive quem vem de órgão Federal ou municipal."

    Tomando como pressuposto que você passe no concurso e tome posse no TCE-SP, teremos duas hipóteses:

    1. Não tendo aderido ao Funpresp anteriormente:

    Ao tomar posse no TCE, será vinculada ao Fundo de Previdência (limitada ao teto do RGPS, somado ao benefício derivado do seu saldo no Fundo, até a aposentadoria). Portanto, perderá a expectativa de direito em relação à paridade/integralidade, que você tem hoje no nível federal.

    Seu saldo inicial no fundo, neste caso, seria 0 (entrou, aderiu ao fundo e só depois, obviamente, começou a contribuir).

    2. Tendo aderido ao Funpresp anteriormente:

    Ao tomar posse no TCE, será vinculada ao Fundo de Previdência (limitada ao teto do RGPS, somado ao benefício derivado do seu saldo no Fundo, até a aposentadoria). Portanto, perderá a expectativa de direito em relação à paridade/integralidade, que você tem hoje no nível federal. E também perderá eventual benefício especial concedido.

    No entanto, seu saldo inicial no fundo não será 0. Você terá o saldo composto no Funpresp, para portabilidade ao Fundo Estadual de SP.


    Na minha concepção, seria melhor se você tentasse concursos para nível federal, a fim de "minimizar as perdas". Desta forma, manteria a expectativa de direito quanto à paridade/integralidade/benefício especial, conforme o caso.

    No entanto, se a intenção é de fato tentar algum concurso em nível estadual, a adesão ao Funpresp, previamente, é sem dúvida alguma a melhor opção: não pelo benefício especial, que você também perderá, da mesma forma que perderia paridade/integralidade; mas pela economia imediata em relação aos descontos previdenciários atuais, e pela possibilidade de compor saldo no Fundo de Previdência enquanto não toma posse no novo cargo. É bom levar em consideração, neste caso, que você só poderá resgatar/migrar uma parte ínfima do saldo depositado pela União. (em proporções de 10% a cada 3 anos - se sair antes dos 3 anos, 10%; entre 3 e 6 anos, 20%; e assim por diante).

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    Mensagem por Galizezin Sex 27 Out 2017, 4:56 pm

    josebarbos escreveu:
    Ilhense escreveu:Não, meu caro. O Brasil está longe de gastar com juros o que se gasta. As pessoas confundem rolagem com amortização.
    Observe que os valores referentes ao refinanciamento da dívida pública aparecem tanto nas receitas quanto nas despesas. Entretanto, utilizam a ideia de que há apenas um gasto com isto.

    Veja o quadro resumo de receitas: [Você precisa estar registrado e conectado para ver este link.]
    E compare com as despesas: [Você precisa estar registrado e conectado para ver este link.]


    (...)
    De acordo, e o grande problema é que os homens públicos não se interessam na nação, e sim no próprio mandato. O povo brasileiro precisa impor uma agenda de décadas, o que não seria nenhuma inovação, mas seguir aquilo que outro sulamericano, o Chile, já faz há bastante tempo e com resultados excelentes.  


    Concordo. Falta apenas a criação de condições para que o povo de fato tenha capacidade cognitiva para entender suas demandas,  e, a partir daí, escolher qual a melhor agenda para pavimentar o seu futuro.

    Prezado, entendo seus objetivos, mas temos que compreender o país em que estamos.

    Um dos gigantescos erros do país foi, devido ao trauma de uma ditadura militar, querer uma constituição belíssima, mas impraticável. Tanto que em duas décadas já foram mais de cem emendas, um monte de problemas crônicos e um verdadeiro caos social, especialmente nas áreas que seriam a responsabilidade nata do Estado, em todos os seus entes.

    O pior de tudo não são nem os direitos, que obviamente desejamos que todos tivessem, mas ignorar os custos embutidos.

    Mesmo os países nórdicos, que possuem uma condição econômica excepcional, tem todo um histórico para chegar naquilo que oferecem. Não acho que nem perto deva ser um modelo que levemos em consideração, posto que são "ilhas", de localização privilegiada, e de condições micro e macroeconômicas estupendas. Muito do seu comportamento tem um trauma graças à antiga corrupção, uma absoluta transparência e outros princípios bastante claros.

    Mas pegando-os de exemplo rápido, vá lá. A aposentadoria só é alcançada aos 65-70 anos, conforme a idade. E o modelo é baseado numa contribuição exclusiva do trabalhador, que receberá um valor do Estado, devendo complementar o restante via reservas pessoais.
    O modelo tributário é altamente pesado. Muito provavelmente, servidores como nós estaríamos pagando uma alíquota de Imposto de Renda superior a 50% do salário, num cenário ideal. Se os magistrados continuassem ganhando aqui tão bem, certamente teriam uma cotinha na casa dos 70%.
    Não sei se em todos os países, mas na Suécia com certeza, há um registro público dos salários recebidos e uma cultura de fiscalização, de forma a garantir que todos contribuam com o que realmente ganhem. Imagine que você descubra que seu vizinho ou colega de trabalho vive de alguma renda ilegal e possa representá-lo, sem acontecer nenhuma consequência. Pense, então, num chefe?
    Você acha, realmente, isto viável, na nossa atual sociedade?

    No Brasil, existem discrepâncias absurdas. Somos o país que disparou o gasto de seguro desemprego em pleno emprego. Sabidamente, criou-se uma cultura de "férias de 4 meses" a cada 16 trabalhados. Empregados registrados em carteira fazem acordo e voltam logo aos seus antigos empregadores, cnpj e/ou terceirizados como forma de burlar o sistema. Queremos pagar o mesmo 1 SM para quem nunca contribuiu daquele que pagava regularmente. Não existe prêmio ou risco em tirar vantagem do sistema. Aliás, só para lembrar, alguns nórdicos (com certeza a Dinamarca) sequer têm regulamentação sobre salário mínimo ou jornada de trabalho. Mesmo assim são países com baixa corrupção e pessoas felizes.

    Não existe Estado de bem estar social viável numa sociedade que não preze e valorize o trabalho, a propriedade privada e o lucro. E, claro, seja justo. Hoje, acaba de sair a lei 13498, um verdadeiro absurdo do ponto de vista tributário. Coloca na fila de prioridades do imposto de renda contribuintes cuja maior fonte de renda seja o magistério. É o modo da esquerda de dividir para conquistar. Aliás, que demonstra bem como os princípios de hoje quem está no poder são muito distantes do liberalismo. Que é a questão da conveniência.

    Isto posto, de fato, gostaria muito de uma nação mais justa e igualitária. Entretanto, todo o nosso modelo foi construído para não ser assim. O alicerce fundamental seria a educação, mas que vive de um círculo vicioso em que cada vez haverá menos recursos, em que o sucateamento é uma forma do enriquecimento imoral da classe dominante.

    José Barbosa, nessa mesma linha estão nosso governantes. Um dia depois de Temer concretizar mais uma "compra" do congresso nacional, seu capacho-mor, Henrique Meirelles, faz um discurso dramático sobre as contas públicas. Escondem o que todo mundo sabe, de norte a sul do país, prefeitos, vereadores, governadores, deputados, senadores e presidente, todos unidos para desviar o máximo de recursos dos cofres públicos. Nosso maior problema é a corrupção, e nada de concreto está sendo feito para acabar com ela, pelo contrário, temos um ministro do STF que parece ter orgulho de advogar em favor dos criminosos do colarinho branco.


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    Mensagem por josebarbos Sex 27 Out 2017, 5:18 pm

    Galizezin escreveu:
    José Barbosa, nessa mesma linha estão nosso governantes. Um dia depois de Temer concretizar mais uma "compra" do congresso nacional, seu capacho-mor, Henrique Meirelles, faz um discurso dramático sobre as contas públicas. Escondem o que todo mundo sabe, de norte a sul do país, prefeitos, vereadores, governadores, deputados, senadores e presidente, todos unidos para desviar o máximo de recursos dos cofres públicos. Nosso maior problema é a corrupção, e nada de concreto está sendo feito para acabar com ela, pelo contrário, temos um ministro do STF que parece ter orgulho de advogar em favor dos criminosos do colarinho branco.

    Nosso maior problema é falta de gestão. Corrupção é até uma consequência delas, haja vista que formamos cidadãos incapazes de serem independentes e críticos, de saberem fazer boas escolhas pensando no custo x benefício de cada direito ou obrigação que se impõe.

    O grande cerne da questão é que até se mobilizar a população para tirar quem está lá do poder, o que vai bancar a previdência de todos é o que sobra. De toda a forma, estamos perdidos.

    E a mídia tem bancado muito um crescimento econômico artificial. Sobre uma "base podre" tivemos uma safra estupenda e uma absurda injeção de recursos via FGTS e, agora, PIS. Chutando, por baixo, que 75% (3/4) tenham sido utilizados para consumo e quitar dívidas atrasadas, gerando novo potencial de crédito, é ridículo o resultado até o momento. Apenas em termos de comparação, 30 bilhões foi o mesmo que foi injetado, na forma de crédito, em 2010, quando o Brasil artificialmente venceu a "marolinha" e cresceu acima de 7%. E estamos falando de uma economia nacional praticamente equiparada numa década perdida.
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    Mensagem por Convidado Sex 27 Out 2017, 6:38 pm

    Não sou nenhum nenhum expert em economia, mas tenho tentado melhorar no assunto hehe

    Na minha visão "leiga" eu considero a corrupção o pior problema do país. Na boa, eu tenho descontado quase 5 mil reais por mês entre previdência e imposto de renda. Eu NÃO TENHO NENHUM RETORNO do Estado. Ainda não tenho filho, mas quando tiver vou ter que pagar a educação dele. Segurança: moro em PoA e tá um caos aqui, tá todo mundo sempre com medo de que a qualquer momento algo vai acontecer de ruim (eu mesmo já tive meu carro roubado nesse ano e por sorte não tomei um tiro). Saúde: se não fosse o plano do MPU, teria que desembolsar um valor BEM ALTO mensalmente pra ter acesso à saúde.

    De resto, moradia aqui é cara, mercado tbm é caro. Carro é caro. Lazer é caro. É imposto (e alto imposto) em TUDO.

    Me sinto um otário vivendo aqui, sinceramente. Não vou ser hipócrita e dizer que "vivo mal" aqui, é óbvio que não. Só que tá tudo tão ruim e tudo tão "escancarado" que acho injusto tudo isso que acontece com a maior parte da população, estes sim vivendo muito mal. Ao mesmo tempo, também penso que a nossa (nós, "servidores sanguessugas que não contribuímos com nada") situação poderia e deveria estar muito melhor.

    Repito: na minha visão "leiga" o maior problema é corrupção, pois é tanto desvio de dinheiro público, tanto rolo, falcatrua que não acaba mais com uma série de envolvidos que movimentam individualmente muitos milhões, enquanto isso é ferro em servidor público, ferro no trabalhador da iniciativa privada, no pequeno empresário e por aí vai, enquanto não há retorno algum.

    Durante metade da faculdade estagiei em escritório de advocacia bem como após formado advoguei por 1 ano. Lembro de dois casos que me deram nojo na época: um onde foram desviados alguns milhares que seriam destinados PARA MERENDA ESCOLAR em um colégio municipal do interior do RS bem como um outro caso também de desvio de dinheiro que deveria ter sido destinado para construção de uma creche pra crianças carentes em outro município. Esses foram dois casos específicos que menciono aqui mas que ocorrem das mais diversas formas frequentemente por todo o país, em todas as esferas, em todos os poderes e obviamente com dedo também do setor privado.

    Enfim, na minha ingênua visão de mundo acredito que se não tivesse tanta gente F D P aqui nesse país as coisas seriam melhores, as condições de vida como um todo seriam minimamente razoáveis pra muitos e tudo seria mais decente.

    Mas infelizmente não é isso que acontece. Tenho 28 anos e pensado seriamente em juntar uma grana por uns anos e dar um jeito de vazar daqui, pq já to de saco cheio hehehehe
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    Mensagem por Protocol Sex 27 Out 2017, 9:55 pm

    Sopesando o aspecto social e econômico, e considerando a gama de opiniões mais ou menos convergente que temos aqui no fórum, qual seria a reforma da previdência ideal para o Brasil neste momento? Que aspectos do sistema previdenciário terão de ser alterados, e de que forma?
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    Mensagem por jornalista Sab 28 Out 2017, 7:13 am

    Protocol escreveu:Sopesando o aspecto social e econômico, e considerando a gama de opiniões mais ou menos convergente que temos aqui no fórum, qual seria a reforma da previdência ideal para o Brasil neste momento? Que aspectos do sistema previdenciário terão de ser alterados, e de que forma?
    Eu acredito que seria necessário conhecer outros sistemas. Até os escandinavos. A nossa realidade é diferente mas poderíamos imitar exemplos adaptáveis. Mas o maior problema é outro: queremos déficit ou não?
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    Mensagem por Galizezin Sab 28 Out 2017, 7:21 am

    josebarbos escreveu:
    Galizezin escreveu:
    José Barbosa, nessa mesma linha estão nosso governantes. Um dia depois de Temer concretizar mais uma "compra" do congresso nacional, seu capacho-mor, Henrique Meirelles, faz um discurso dramático sobre as contas públicas. Escondem o que todo mundo sabe, de norte a sul do país, prefeitos, vereadores, governadores, deputados, senadores e presidente, todos unidos para desviar o máximo de recursos dos cofres públicos. Nosso maior problema é a corrupção, e nada de concreto está sendo feito para acabar com ela, pelo contrário, temos um ministro do STF que parece ter orgulho de advogar em favor dos criminosos do colarinho branco.

    Nosso maior problema é falta de gestão. Corrupção é até uma consequência delas, haja vista que formamos cidadãos incapazes de serem independentes e críticos, de saberem fazer boas escolhas pensando no custo x benefício de cada direito ou obrigação que se impõe.

    O grande cerne da questão é que até se mobilizar a população para tirar quem está lá do poder, o que vai bancar a previdência de todos é o que sobra. De toda a forma, estamos perdidos.

    E a mídia tem bancado muito um crescimento econômico artificial. Sobre uma "base podre" tivemos uma safra estupenda e uma absurda injeção de recursos via FGTS e, agora, PIS. Chutando, por baixo, que 75% (3/4) tenham sido utilizados para consumo e quitar dívidas atrasadas, gerando novo potencial de crédito, é ridículo o resultado até o momento. Apenas em termos de comparação, 30 bilhões foi o mesmo que foi injetado, na forma de crédito, em 2010, quando o Brasil artificialmente venceu a "marolinha" e cresceu acima de 7%. E estamos falando de uma economia nacional praticamente equiparada numa década perdida.

    Então vc acha possível um político ser, além de corrupto, um bom gestor? Praticamente tudo passa por licitação. Quase nunca a administração adquire por menos que a iniciativa privada.


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    Mensagem por androsvilazza Sab 28 Out 2017, 8:10 am

    Protocol escreveu:Sopesando o aspecto social e econômico, e considerando a gama de opiniões mais ou menos convergente que temos aqui no fórum, qual seria a reforma da previdência ideal para o Brasil neste momento? Que aspectos do sistema previdenciário terão de ser alterados, e de que forma?

    Um sistema ideal, na minha opinião, incluiria o rebaixamento do teto do RGPS a, no máximo dois salários mínimos, com alguma regra de transição (ou de compensação, como a do Benefício Especial) adequada. Isso permitiria atender à função social/distributiva da previdência, sem onerar demais o regime ou seus contribuintes. Considerando esta medida de difícil implementação, passo às mais possíveis:

    Acho que qualquer reforma que se preze tem de atender a dois critérios mínimos:

    a) o estabelecimento de uma idade mínima. Nosso sistema previdenciário é contributivo, característica que pode se resumir à imagem de uma balança: para que o sistema se equilibre, é necessário retirar contribuições de um lado (supostamente superavitário), e colocar no outro (deficitário). Por mais que, individualmente falando, pareça justo uma pessoa que começou a trabalhar cedo se aposente precocemente, esse tipo de possibilidade é nefasto ao sistema, principalmente porque tenta fugir à sua principal característica: a de contribuição. Primeiro porque se retira uma pessoa que, supostamente, estaria contribuindo para o necessário equilíbrio do sistema; segundo, porque mesmo considerada individualmente, se fizermos as contas veremos que as contribuições não pagam uma aposentadoria precoce; terceiro, porque estimula a informalidade para pessoas em plenas condições de trabalho - quase todo mundo que se aposenta precocemente continua trabalhando, mas de maneira informal, sem contribuir para o regime - não vejo isto como justo, socialmente falando.

    b) a existência de regras iguais para todos (excetuados, por óbvio, os casos em que regras específicas, mais benéficas, realmente façam sentido - rurais, mulheres, portadores de deficiência, certos trabalhos perigosos/penosos...) Não faz o menor sentido estabelecer regras mais favoráveis para servidores públicos - esse problema já foi meio resolvido, a partir de 2012, com o Funpresp, e posterior vinculação dos servidores ao teto do RGPS. Não faz o menor sentido mesmo estabelecer regras mais favoráveis para políticos. Neste ponto, de que as regras devem ser iguais, duvido que alguém tenha um argumento convincente, não corporativista, em sentido contrário.

    Além destas medidas, acho que poderiam ser feitas algumas adequações à proposta do governo:

    a) exclusivamente para enfraquecer as resistências corporativistas, a regra de transição para o servidor público poderia ser limitada à idade mínima, já que já temos essa regra (1 ano a mais, para cada 2 - 61 em 2019, 62 em 2021... 65 em 2027 para os homens, por exemplo). Sei que a conta dos regimes antigos ainda será paga por muitos anos, mas uma reforma dessas tem que ser feita priorizando a sustentabilidade no longo prazo;

    b) achei honesto o cálculo do valor de benefício, mas acho que seria mais útil a manutenção do fator previdenciário, com os devidos ajustes na tabela a partir da aprovação de uma reforma. Em primeiro lugar, porque possibilita o reequilíbrio do sistema, periodicamente - basta alterar a tabela do fator previdenciário. Em segundo lugar, porque evita discursos populistas como "QUARENTA E NOVE ANOS para aposentadoria integral!" Como se a aposentadoria integral (desconsiderada a regra esdrúxula do 85/95) já não fosse uma miragem para a maioria dos trabalhadores, principalmente daqueles que deveriam ser o foco do sistema, os desprivilegiados. Para estes, inclusive, cujo salário de contribuição raramente supera o salário mínimo, a aposentadoria a 76% (mínima segundo as regras da PEC287 - 51 de base + 25 de tempo mínimo de contribuição) ou a 100% (integral) resultariam no mesmo benefício previdenciário = salário mínimo. Mas os demagogos congressistas obviamente dirão estar defendendo os interesses dos mais pobres Laughing

    c) por fim, reitero a necessidade de uma estratégia concreta para o rebaixamento do teto previdenciário no médio prazo, concomitante a uma política de estímulo e conscientização à formação da poupança individual, importante não só para o próprio indivíduo, mas a toda a economia nacional - pra ficar em um só benefício, níveis maiores de poupança privada forçam os juros para baixo, em uma análise ampliada; não só os juros pagos pelo setor público, mas principalmente os juros sobre recursos captados para investimento privado.
    Atualmente já existe uma estratégia de rebaixamento gradual do teto (reajustes maiores para o piso, menores para o teto); mas na minha opinião é de muito longo prazo, e insuficiente. Deveria haver uma transição objetiva, com regras de compensação por eventuais contribuições superiores, a fim de trazer essa mudança para o médio prazo.
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    Reforma da Previdência (versão 2016.2) - Página 14 Empty Re: Reforma da Previdência (versão 2016.2)

    Mensagem por androsvilazza Sab 28 Out 2017, 8:29 am

    Galizezin escreveu:
    josebarbos escreveu:
    Galizezin escreveu:
    José Barbosa, nessa mesma linha estão nosso governantes. Um dia depois de Temer concretizar mais uma "compra" do congresso nacional, seu capacho-mor, Henrique Meirelles, faz um discurso dramático sobre as contas públicas. Escondem o que todo mundo sabe, de norte a sul do país, prefeitos, vereadores, governadores, deputados, senadores e presidente, todos unidos para desviar o máximo de recursos dos cofres públicos. Nosso maior problema é a corrupção, e nada de concreto está sendo feito para acabar com ela, pelo contrário, temos um ministro do STF que parece ter orgulho de advogar em favor dos criminosos do colarinho branco.

    Nosso maior problema é falta de gestão. Corrupção é até uma consequência delas, haja vista que formamos cidadãos incapazes de serem independentes e críticos, de saberem fazer boas escolhas pensando no custo x benefício de cada direito ou obrigação que se impõe.

    O grande cerne da questão é que até se mobilizar a população para tirar quem está lá do poder, o que vai bancar a previdência de todos é o que sobra. De toda a forma, estamos perdidos.

    E a mídia tem bancado muito um crescimento econômico artificial. Sobre uma "base podre" tivemos uma safra estupenda e uma absurda injeção de recursos via FGTS e, agora, PIS. Chutando, por baixo, que 75% (3/4) tenham sido utilizados para consumo e quitar dívidas atrasadas, gerando novo potencial de crédito, é ridículo o resultado até o momento. Apenas em termos de comparação, 30 bilhões foi o mesmo que foi injetado, na forma de crédito, em 2010, quando o Brasil artificialmente venceu a "marolinha" e cresceu acima de 7%. E estamos falando de uma economia nacional praticamente equiparada numa década perdida.

    Então vc acha possível um político ser, além de corrupto, um bom gestor? Praticamente tudo passa por licitação. Quase nunca a administração adquire por menos que a iniciativa privada.

    Concordo em que a má gestão é um problema mais grave que a corrupção (no sentido do impacto causado, não no sentido ético, claro). Até porque a má gestão impera no Brasil. Temos incompetentes corruptos (maioria) e incompetentes honestos (poucos). Competente e corrupto eu desconheço. O Palocci poderia ser um exemplo deste último caso, mas ao tomar decisões equivocadas, com fins corruptos, passa a ser incompetente também. A diferença é que ele tomava decisões equivocadas, sabendo do erro - mas o resultado final era o mesmo que seria causado por um incompetente "inocente".

    Quando se diz que a incompetência é pior que a corrupção, tem-se dois pontos principais:

    1. Em uma sociedade onde a competência seja valorizada - e cobrada - há pouco espaço para a corrupção. Afinal, uma política competente pressupõe resultados ótimos, incompatíveis com um ambiente corrupto.

    2. Um gestor honesto e incompetente traz os mesmos resultados nefastos de um gestor corrupto. Pondo de lado a corrupção e os fins eleitoreiros, meramente para análise: Se a Dilma tivesse tomado estas mesmas medidas, com as melhores intenções possíveis:
    a) redução dos juros na canetada, em 2012;
    b) diminuição na conta de luz, em 2014;
    c) represamento dos preços da Petrobras, quando os preços internacionais subiam;
    d) produção nacional de sondas para a Petrobras, a custos muito superiores (não só a corrupção, mas a completa falta de know-how pesou muito para isso;
    e) desoneração selecionada de alguns setores;
    f) ....

    Os resultados seriam exatamente os mesmos. Lógico, haveria alguma satisfação em saber que não houve corrupção, e tal, mas nossa situação atual não seria exatamente melhor.

    Enfim, o ponto é que a corrupção, obviamente, deve ser combatida, mas não podemos relevar a importância de uma gestão competente. Infelizmente, estamos longe do sucesso em qualquer dos dois campos - tanto a honestidade quanto a competência.
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    Mensagem por Galizezin Sab 28 Out 2017, 6:26 pm

    androsvilazza escreveu:
    Galizezin escreveu:
    josebarbos escreveu:
    Galizezin escreveu:
    José Barbosa, nessa mesma linha estão nosso governantes. Um dia depois de Temer concretizar mais uma "compra" do congresso nacional, seu capacho-mor, Henrique Meirelles, faz um discurso dramático sobre as contas públicas. Escondem o que todo mundo sabe, de norte a sul do país, prefeitos, vereadores, governadores, deputados, senadores e presidente, todos unidos para desviar o máximo de recursos dos cofres públicos. Nosso maior problema é a corrupção, e nada de concreto está sendo feito para acabar com ela, pelo contrário, temos um ministro do STF que parece ter orgulho de advogar em favor dos criminosos do colarinho branco.

    Nosso maior problema é falta de gestão. Corrupção é até uma consequência delas, haja vista que formamos cidadãos incapazes de serem independentes e críticos, de saberem fazer boas escolhas pensando no custo x benefício de cada direito ou obrigação que se impõe.

    O grande cerne da questão é que até se mobilizar a população para tirar quem está lá do poder, o que vai bancar a previdência de todos é o que sobra. De toda a forma, estamos perdidos.

    E a mídia tem bancado muito um crescimento econômico artificial. Sobre uma "base podre" tivemos uma safra estupenda e uma absurda injeção de recursos via FGTS e, agora, PIS. Chutando, por baixo, que 75% (3/4) tenham sido utilizados para consumo e quitar dívidas atrasadas, gerando novo potencial de crédito, é ridículo o resultado até o momento. Apenas em termos de comparação, 30 bilhões foi o mesmo que foi injetado, na forma de crédito, em 2010, quando o Brasil artificialmente venceu a "marolinha" e cresceu acima de 7%. E estamos falando de uma economia nacional praticamente equiparada numa década perdida.

    Então vc acha possível um político ser, além de corrupto, um bom gestor? Praticamente tudo passa por licitação. Quase nunca a administração adquire por menos que a iniciativa privada.

    Concordo em que a má gestão é um problema mais grave que a corrupção (no sentido do impacto causado, não no sentido ético, claro). Até porque a má gestão impera no Brasil. Temos incompetentes corruptos (maioria) e incompetentes honestos (poucos). Competente e corrupto eu desconheço. O Palocci poderia ser um exemplo deste último caso, mas ao tomar decisões equivocadas, com fins corruptos, passa a ser incompetente também. A diferença é que ele tomava decisões equivocadas, sabendo do erro - mas o resultado final era o mesmo que seria causado por um incompetente "inocente".

    Quando se diz que a incompetência é pior que a corrupção, tem-se dois pontos principais:

    1. Em uma sociedade onde a competência seja valorizada - e cobrada - há pouco espaço para a corrupção. Afinal, uma política competente pressupõe resultados ótimos, incompatíveis com um ambiente corrupto.

    2. Um gestor honesto e incompetente traz os mesmos resultados nefastos de um gestor corrupto. Pondo de lado a corrupção e os fins eleitoreiros, meramente para análise: Se a Dilma tivesse tomado estas mesmas medidas, com as melhores intenções possíveis:
    a) redução dos juros na canetada, em 2012;
    b) diminuição na conta de luz, em 2014;
    c) represamento dos preços da Petrobras, quando os preços internacionais subiam;
    d) produção nacional de sondas para a Petrobras, a custos muito superiores (não só a corrupção, mas a completa falta de know-how pesou muito para isso;
    e) desoneração selecionada de alguns setores;
    f) ....

    Os resultados seriam exatamente os mesmos. Lógico, haveria alguma satisfação em saber que não houve corrupção, e tal, mas nossa situação atual não seria exatamente melhor.

    Enfim, o ponto é que a corrupção, obviamente, deve ser combatida, mas não podemos relevar a importância de uma gestão competente. Infelizmente, estamos longe do sucesso em qualquer dos dois campos - tanto a honestidade quanto a competência.

    Tapar o sol com a peneira, cortina de fumaça...

    As administrações municipal, estadual e federal estão cheias de gestores de carreira, ou será que concurso público não escolhe as melhores cabeças? Quer ver um belo exemplo? TCU: órgão com servidores competentes, mas um serviço pífio prestado à sociedade. Sempre chega depois dos rombos. Agora, por quem o TCU é comandado? Ministros do TCU, que são ex-políticos.


    Última edição por Galizezin em Dom 29 Out 2017, 1:20 pm, editado 1 vez(es)


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    Mensagem por Ilhense Sab 28 Out 2017, 8:34 pm

    josebarbos escreveu:
    Ilhense escreveu:Não, meu caro. O Brasil está longe de gastar com juros o que se gasta. As pessoas confundem rolagem com amortização.
    Observe que os valores referentes ao refinanciamento da dívida pública aparecem tanto nas receitas quanto nas despesas. Entretanto, utilizam a ideia de que há apenas um gasto com isto.

    Veja o quadro resumo de receitas: [Você precisa estar registrado e conectado para ver este link.]
    E compare com as despesas: [Você precisa estar registrado e conectado para ver este link.]


    (...)
    De acordo, e o grande problema é que os homens públicos não se interessam na nação, e sim no próprio mandato. O povo brasileiro precisa impor uma agenda de décadas, o que não seria nenhuma inovação, mas seguir aquilo que outro sulamericano, o Chile, já faz há bastante tempo e com resultados excelentes.  


    Concordo. Falta apenas a criação de condições para que o povo de fato tenha capacidade cognitiva para entender suas demandas,  e, a partir daí, escolher qual a melhor agenda para pavimentar o seu futuro.

    Prezado, entendo seus objetivos, mas temos que compreender o país em que estamos.

    Um dos gigantescos erros do país foi, devido ao trauma de uma ditadura militar, querer uma constituição belíssima, mas impraticável. Tanto que em duas décadas já foram mais de cem emendas, um monte de problemas crônicos e um verdadeiro caos social, especialmente nas áreas que seriam a responsabilidade nata do Estado, em todos os seus entes.

    O pior de tudo não são nem os direitos, que obviamente desejamos que todos tivessem, mas ignorar os custos embutidos.

    Mesmo os países nórdicos, que possuem uma condição econômica excepcional, tem todo um histórico para chegar naquilo que oferecem. Não acho que nem perto deva ser um modelo que levemos em consideração, posto que são "ilhas", de localização privilegiada, e de condições micro e macroeconômicas estupendas. Muito do seu comportamento tem um trauma graças à antiga corrupção, uma absoluta transparência e outros princípios bastante claros.

    Mas pegando-os de exemplo rápido, vá lá. A aposentadoria só é alcançada aos 65-70 anos, conforme a idade. E o modelo é baseado numa contribuição exclusiva do trabalhador, que receberá um valor do Estado, devendo complementar o restante via reservas pessoais.
    O modelo tributário é altamente pesado. Muito provavelmente, servidores como nós estaríamos pagando uma alíquota de Imposto de Renda superior a 50% do salário, num cenário ideal. Se os magistrados continuassem ganhando aqui tão bem, certamente teriam uma cotinha na casa dos 70%.
    Não sei se em todos os países, mas na Suécia com certeza, há um registro público dos salários recebidos e uma cultura de fiscalização, de forma a garantir que todos contribuam com o que realmente ganhem. Imagine que você descubra que seu vizinho ou colega de trabalho vive de alguma renda ilegal e possa representá-lo, sem acontecer nenhuma consequência. Pense, então, num chefe?
    Você acha, realmente, isto viável, na nossa atual sociedade?

    No Brasil, existem discrepâncias absurdas. Somos o país que disparou o gasto de seguro desemprego em pleno emprego. Sabidamente, criou-se uma cultura de "férias de 4 meses" a cada 16 trabalhados. Empregados registrados em carteira fazem acordo e voltam logo aos seus antigos empregadores, cnpj e/ou terceirizados como forma de burlar o sistema. Queremos pagar o mesmo 1 SM para quem nunca contribuiu daquele que pagava regularmente. Não existe prêmio ou risco em tirar vantagem do sistema. Aliás, só para lembrar, alguns nórdicos (com certeza a Dinamarca) sequer têm regulamentação sobre salário mínimo ou jornada de trabalho. Mesmo assim são países com baixa corrupção e pessoas felizes.

    Não existe Estado de bem estar social viável numa sociedade que não preze e valorize o trabalho, a propriedade privada e o lucro. E, claro, seja justo. Hoje, acaba de sair a lei 13498, um verdadeiro absurdo do ponto de vista tributário. Coloca na fila de prioridades do imposto de renda contribuintes cuja maior fonte de renda seja o magistério. É o modo da esquerda de dividir para conquistar. Aliás, que demonstra bem como os princípios de hoje quem está no poder são muito distantes do liberalismo. Que é a questão da conveniência.

    Isto posto, de fato, gostaria muito de uma nação mais justa e igualitária. Entretanto, todo o nosso modelo foi construído para não ser assim. O alicerce fundamental seria a educação, mas que vive de um círculo vicioso em que cada vez haverá menos recursos, em que o sucateamento é uma forma do enriquecimento imoral da classe dominante.

    Olha, o drama tupiniquim ainda vai longe. Não é apenas uma questão institucional ou de representatividade. De fato, nossa elite se concentrou tanto em ser extrativista, em submeter país à uma verdadeira felação social, que jamais consolidamos um sentido de nação, de conjunto.
    Passamos sim ao largo disso. Somos um bando.
    Nosso senso de unidade ainda resume -se a bunda e futebol. Não seria justo esquecer o celular.
    Eis o nosso elo.
    Acho que faltou uma guerra em nossa história.
    Não conto a guerra do Paraguai, que apenas serve como mote para a nossa classe dominante.
    Falo de uma guerra como a Guerra de Secessão.
    Que sim, foi pavorosa, mas trouxe um rumo aos americanos.
    Falta algo que nos traga um eixo, uma vertente a seguir, uma unidade, uma identidade, um povo.
    Só algo com essa dimensão para nos ressignificar, para romper, literalmente, com o que você descreveu.
    Precisamos de algo que nos de um caráter.








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    Mensagem por jornalista Sab 28 Out 2017, 10:13 pm

    Ilhense escreveu:
    josebarbos escreveu:
    Ilhense escreveu:Não, meu caro. O Brasil está longe de gastar com juros o que se gasta. As pessoas confundem rolagem com amortização.
    Observe que os valores referentes ao refinanciamento da dívida pública aparecem tanto nas receitas quanto nas despesas. Entretanto, utilizam a ideia de que há apenas um gasto com isto.

    Veja o quadro resumo de receitas: [Você precisa estar registrado e conectado para ver este link.]
    E compare com as despesas: [Você precisa estar registrado e conectado para ver este link.]


    (...)
    De acordo, e o grande problema é que os homens públicos não se interessam na nação, e sim no próprio mandato. O povo brasileiro precisa impor uma agenda de décadas, o que não seria nenhuma inovação, mas seguir aquilo que outro sulamericano, o Chile, já faz há bastante tempo e com resultados excelentes.  


    Concordo. Falta apenas a criação de condições para que o povo de fato tenha capacidade cognitiva para entender suas demandas,  e, a partir daí, escolher qual a melhor agenda para pavimentar o seu futuro.

    Prezado, entendo seus objetivos, mas temos que compreender o país em que estamos.

    Um dos gigantescos erros do país foi, devido ao trauma de uma ditadura militar, querer uma constituição belíssima, mas impraticável. Tanto que em duas décadas já foram mais de cem emendas, um monte de problemas crônicos e um verdadeiro caos social, especialmente nas áreas que seriam a responsabilidade nata do Estado, em todos os seus entes.

    O pior de tudo não são nem os direitos, que obviamente desejamos que todos tivessem, mas ignorar os custos embutidos.

    Mesmo os países nórdicos, que possuem uma condição econômica excepcional, tem todo um histórico para chegar naquilo que oferecem. Não acho que nem perto deva ser um modelo que levemos em consideração, posto que são "ilhas", de localização privilegiada, e de condições micro e macroeconômicas estupendas. Muito do seu comportamento tem um trauma graças à antiga corrupção, uma absoluta transparência e outros princípios bastante claros.

    Mas pegando-os de exemplo rápido, vá lá. A aposentadoria só é alcançada aos 65-70 anos, conforme a idade. E o modelo é baseado numa contribuição exclusiva do trabalhador, que receberá um valor do Estado, devendo complementar o restante via reservas pessoais.
    O modelo tributário é altamente pesado. Muito provavelmente, servidores como nós estaríamos pagando uma alíquota de Imposto de Renda superior a 50% do salário, num cenário ideal. Se os magistrados continuassem ganhando aqui tão bem, certamente teriam uma cotinha na casa dos 70%.
    Não sei se em todos os países, mas na Suécia com certeza, há um registro público dos salários recebidos e uma cultura de fiscalização, de forma a garantir que todos contribuam com o que realmente ganhem. Imagine que você descubra que seu vizinho ou colega de trabalho vive de alguma renda ilegal e possa representá-lo, sem acontecer nenhuma consequência. Pense, então, num chefe?
    Você acha, realmente, isto viável, na nossa atual sociedade?

    No Brasil, existem discrepâncias absurdas. Somos o país que disparou o gasto de seguro desemprego em pleno emprego. Sabidamente, criou-se uma cultura de "férias de 4 meses" a cada 16 trabalhados. Empregados registrados em carteira fazem acordo e voltam logo aos seus antigos empregadores, cnpj e/ou terceirizados como forma de burlar o sistema. Queremos pagar o mesmo 1 SM para quem nunca contribuiu daquele que pagava regularmente. Não existe prêmio ou risco em tirar vantagem do sistema. Aliás, só para lembrar, alguns nórdicos (com certeza a Dinamarca) sequer têm regulamentação sobre salário mínimo ou jornada de trabalho. Mesmo assim são países com baixa corrupção e pessoas felizes.

    Não existe Estado de bem estar social viável numa sociedade que não preze e valorize o trabalho, a propriedade privada e o lucro. E, claro, seja justo. Hoje, acaba de sair a lei 13498, um verdadeiro absurdo do ponto de vista tributário. Coloca na fila de prioridades do imposto de renda contribuintes cuja maior fonte de renda seja o magistério. É o modo da esquerda de dividir para conquistar. Aliás, que demonstra bem como os princípios de hoje quem está no poder são muito distantes do liberalismo. Que é a questão da conveniência.

    Isto posto, de fato, gostaria muito de uma nação mais justa e igualitária. Entretanto, todo o nosso modelo foi construído para não ser assim. O alicerce fundamental seria a educação, mas que vive de um círculo vicioso em que cada vez haverá menos recursos, em que o sucateamento é uma forma do enriquecimento imoral da classe dominante.

    Olha, o drama tupiniquim ainda vai longe. Não é apenas uma questão institucional ou de representatividade. De fato, nossa elite se concentrou tanto em ser extrativista, em submeter país à uma verdadeira felação social, que jamais consolidamos um sentido de nação, de conjunto.
    Passamos sim ao largo disso. Somos um bando.
    Nosso senso de unidade ainda resume -se a bunda e futebol. Não seria justo esquecer o celular.
    Eis o nosso elo.
    Acho que faltou uma guerra em nossa história.
    Não conto a guerra do Paraguai, que apenas serve como mote para a nossa classe dominante.
    Falo de uma guerra como a Guerra de Secessão.
    Que sim, foi pavorosa, mas trouxe um rumo aos americanos.
    Falta algo que nos traga um eixo, uma vertente a seguir, uma unidade, uma identidade, um povo.
    Só algo com essa dimensão para nos ressignificar, para romper, literalmente, com o que você descreveu.
    Precisamos de algo que nos de um caráter.








    Eu sou favorável à secessão. Com a criação de vários países: RS, SP, MG, RJ, alguns no norte, nordeste e centro oeste. É utópico mas considero como uma saída. Agora uma guerra como a americana e continuar junto, não sei se daria certo.

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